

Frans Borg
O diretor-presidente da Cooperativa Castrolanda, no Paraná nos conta sobre a empresa que é uma referência nacional
Entrevista concedida a em 02-set-09
Frans Borg é diretor-presidente da Cooperativa Castrolanda, no Paraná, que conta, hoje, com 240 pecuaristas, responsáveis pelo fornecimento de 413 mil litros leite/dia.
LI: Revista Leite Integral: Fale um pouco sobre a Cooperativa Castrolanda.
: Frans Borg: A Castrolanda é uma sociedade cooperativa que tem o seu capital social dividido em cotas partes, distribuída entre os 701 sócios. Toda a estrutura funcional conta com 488 colaboradores e atende cerca de 30 municípios, tendo estrutura física no estado do Paraná em Castro, Ponta Grossa, Piraí do Sul, Curiúva e Ventania. No estado de São Paulo atua em Itaberá. Nosso faturamento anual é de R$ 901 milhões. A Cooperativa se dedica à prestação de serviços aos seus associados e como empresa busca desenvolver-se de maneira contínua, procurando aplicar modernas práticas de gestão, conquistar e manter vantagens competitivas na exploração das oportunidades que se abrem a cada dia no mercado. Investimos em projetos de novos negócios, sem perder o foco de atuação, mantendo-nos como coordenadores da cadeia produtiva dos associados por conta própria ou por intermédio de parcerias e alianças estratégicas. Os produtores têm forte vocação para a produção agropecuária. Investem muito em tecnologia e gestão agropecuária, nas mais diversas áreas de atuação: agricultura, suinocultura, pecuária de leite e ovinocultura, sempre com o objetivo de buscar a melhoria de produtividade e a administração dos seus negócios.
LI: RLI: Qual a representatividade da produção de leite na Castrolanda?
: FB: A produção de leite foi a principal atividade da Cooperativa durante os 20 primeiros anos de existência. Hoje, o leite representa 18% do faturamento da Castrolanda. Nosso investimento no leite é contínuo, prova disso é a construção da Usina de Beneficiamento de Leite. A qualidade na produção faz da Castrolanda uma referência nacional. Ao todo são 240 pecuaristas que, juntos, entregam 413 mil litros de leite/dia. A produção é 100% obtida por ordenha mecânica, 100% resfriada em tanques de expansão e 100% transportada a granel.
LI: RLI: Qual o perfil dos produtores de leite cooperados?
: FB: Temos cooperados com produção de 200 a 20.000 litros/dia. A cooperativa não tem restrições relativas ao volume de produção, mas somos muito exigentes no que se refere à qualidade do leite.
LI: RLI: Essa produção aumentou nos últimos anos?
: FB: Nossa produção cresceu 70% nos últimos seis anos, saindo de 90 para 154 milhões de litros/ano.
LI: RLI: Existe uma meta de aumento dessa produção?
: FB: Sim, a nossa fábrica está passando por um processo de ampliação, no qual 21 milhões de reais estão sendo investidos. Acreditamos que poderemos continuar crescendo 6% a 8% ao ano. Dobrar a produção em 10 anos é uma meta a ser atingida.
LI: RLI:Como essa meta será atingida?
: FB: Nosso objetivo é incrementar a produção dos atuais cooperados. Temos tecnologia para isso e nossos cooperados têm interesse e potencial para tanto. Será fator fundamental nesse processo o portfólio e a qualidade dos serviços que a Área de Negócios Leite poderá ofertar aos produtores no crescimento e consolidação da produção.
LI: RLI: Como funciona a captação de leite?
: FB: A cooperativa Castrolanda, integrante do Pool de Leite ABC, que é a comercialização conjunta das cooperativas Castrolanda e Batavo, tem empresas contrata-das que fazem a coleta do leite nas fazendas. Nosso processo não é o de simplesmente comprar dos produtores, nosso conceito é organizar a cadeia e comercializar a produção dos cooperados Castrolanda. Nossos cooperados produzem 420.000 litros/dia.
LI: RLI: Como é feita a avaliação da qualidade do leite entregue?
: FB: Temos um bom programa de qualidade, que se baseia na validação do sistema de produção da fazenda, capacitação do produtor, monitoramento da qualidade por amostras, quatro vezes ao mês; monitoramento diário na coleta, e análises de recepção do produto nas fábricas. Todo o processo visa garantir a qualidade desde a fazenda, minimizar riscos aos cooperados e clientes da Castrolanda. A recepção na fábrica é o padrão operacional dos laticínios de ponta. Nossa vantagem competitiva está no que fazemos antes do leite chegar à fábrica. Isso nos permitiu, em maio passado, atingir a média ponderada de 9.400 ufc/ml de contagem bacteriana nos resfriadores dos cooperados Castrolanda. Nos últimos 12 meses melhoramos esse valor em 33%.
LI: RLI: Como funciona o processamento do leite?
: FB: O leite é processado em indústria própria, a Usina de Beneficiamento de Leite Castrolanda, com capacidade instalada de 450 litros/ dia e 65 funcionários. Essa usina também expede leite 'in natura” para os clientes do Pool de Leite ABC. Hoje circulam pela indústria da Castrolanda 580.000 litros/dia.
LI: RLI: Como é comercializado o leite processado pela Castrolanda?
: FB: A comercialização é feita com empresas que utilizam o leite concentrado, creme de leite ou leite “in natura” em seus processos. São clientes da Castrolanda empresas como Nestlé, Parmalat, Danone, Itambé, Colaso, dentre outras. Hoje, temos aproximadamente 20 clientes para a nossa produção.
LI: RLI: Qual o modelo de assis-tência e extensão rural ofe-recido aos produtores?
: FB: Temos uma equipe de 8 técnicos de campo que atuam nas áreas de planejamento da produção, nutrição animal e qualidade do leite. O custo desse serviço é rateado entre todos os cooperados. Temos parcerias com a Prefeitura Municipal de Castro e a Emater, que viabilizam pro-gramas aos pequenos e novos cooperados. Há ainda o serviço de sanidade animal e controle reprodutivo que é feito por empresas terceirizadas, pagas pelos cooperados conforme o serviço prestado.
LI: RLI: Como funciona a cadeia de suprimentos da Castrolanda?
: FB: Temos uma excelente fábrica para a produção de ração concen-trada, uma Loja Agropecuária Castrolanda, um setor de comer-cialização de animais, gestão zootécnica e econômica, linhas de crédito e serviço contábil. Todos os serviços têm custos e qualidade competitivos. É assim que funciona a nossa cadeia de suprimentos.