

João Sampaio
Entrevista concedida a Mariana Garcia em 26-nov-08
João de Almeida Sampaio Filho - nasceu em 1965, é formando em economia pela Faculdade Álvares Penteado (Faap). É o atual presidente da Sociedade Rural Brasileira, cargo que ocupa desde 2002.
Ocupou, entre outros, os seguintes cargos: presidente da Associação dos Produtores de Borracha de Mato Grosso 1994/1998; presidente da Comissão Nacional da Borracha da Confederação Nacional da Agricultura - CNA entre os anos 1996/2002; vice - presidente da Associação Comercial de São Paulo; vice - presidente da Associação Paulista dos Produtores de Borracha; conselheiro da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto.
LI: Com toda esta crise financeira mundial, qual a sua visão daqui para frente?
JS: A gente precisa obviamente, esperar passar este turbilhão da crise. A gente tem que esperar mais, para ter um cenário transparente, mais limpo. Eu imaginava um 2009 melhor. Porque? O setor sucroalcoleiro passou por uma crise muito forte em 2007/08, que representa 30% do PIB agrícola, então quer dizer que é um setor importante. Eu imaginava também uma safra 2008/09 melhor que a safra anterior.
LI: E quanto a pecuária?
JS: A carne bovina tem uma perspectiva muito favorável, suíno tem perspectiva favorável também, avicultura precisa arrumar, fazer um freio de arrumação e a produção cresceu mais que o consumo, portanto é hora de dar um freio de arrumação. Eles tinham um problema de custos de ração, o preço das commodities grandes diminuiu como, milho e soja facilitando a vida deles.
LI: E com relação a pecuária de leite?
JS: Eu estou otimista também, é óbvio que os preços caíram e é preocupante, mas os fundamentos são bons, o cenário para o leite é positivo e eu acho que a gente vai conseguir sair bem. Os fundamentos dizem respeito ao crescimento do consumo, exportação, consumo e produção mundial, portanto eu acho que de uma maneira geral o cenário é positivo. O momento é de crise, mas depois a gente vai embora, segue em frente.
LI: Paralelo a esta crise financeira mundial, há também a crise de adulteração do leite na China, que causou doença e até morte. Seria um momento oportuno para o Brasil de aproveitar da crise e entrar com tudo nas exportações?
JS: A crise do leite na China é sem dúvida alguma uma oportunidade que surgiu, o Brasil pode ocupar este espaço, nós temos garantia de qualidade, temos um produto bom e temos espaço para crescer a produção e poder atender. Obviamente isso tem que ser feito de maneira pensada, de maneira ponderada, para que, se depois a gente crescer demais a produção e a China não absorver e não tiver um consumo para isso, isso se volta contra nós e conseqüentemente nossos preços caem.
LI: O país vai conseguir ultrapassar a crise e continuar com produção e qualidade reconhecidos fora, ou a crise pode abalar?
JS: Eu considero que na produção, o Brasil está amadurecendo cada vez mais, os produtores estão se profissionalizando, o trabalho da gestão das propriedades tem sido muito intenso ultimamente, portanto eu imagino que quanto a questão do leite, vai sobreviver a esta crise e conseguir avançar.
Eles vão continuar acreditando no leite brasileiro, e acho que a crise de confiança na qualidade do leite passou, agora eu acho que nós temos que acabar a crise de crédito de confiança do sistema financeiro, porque muitas vezes o sistema financeiro é ausente do nosso dia a dia da produção de leite, é ausente do pequeno produtor de leite, a gente não pode deixar isto contaminar. E aí eu imagino que estamos deixando esta crise para trás devagarzinho e vai avançar.