

Entrevista com Fábio Meirelles
Entrevista concedida a Mariana Garcia em 05-dez-08
Natural de Cajuru/SP, bacharel em direito, agropecuarista, membro da Academia Brasileira de Agricultura, é o presidente em exercício da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e presidente da Faesp/SENAR (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo). Presidente do Conselho Deliberativo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (SEBRAE-SP). Foi deputado federal pelo PDS-SP (1991-1995), vice-presidente executivo do GEDPA (Grupo Executivo para o Desenvolvimento do Programa Estadual do Álcool 1979), presidente do Instituto do Café do Estado de São Paulo (1973 a 1979), presidente do Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) e diretor de Operações Rurais e Agroindustriais do Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo - BADESP (1979 a 1983). implantou o SAI (Sistema Agroindustrial Integrado) nos 645 municípios paulistas, ajudando a transformar o produtor rural em empresário e integrou a Frente Empresarial Paulista pela aprovação da Lei Geral.
LI: Já que estamos fazendo esta entrevista em uma das mais reconhecidas feiras do país, o que o senhor me diz sobre esta Feileite?
FM: Eu posso afirmar que ela é sólida , que se aprimora anualmente. Nós temos hoje o mercado internacional fácil de conquistar, todo o produto de leite, inclusive a transformação do leite em outros produtos, está integrando o agronegócio brasileiro. E ela se forma e continua adotando uma linha de aprimoramento técnico, produtivo e de qualidade.
LI: Estamos agora enfrentando uma grave crise financeira mundial. O que o senhor acha que pode acontecer com o setor?
FM: Nós temos garantia absoluta para fazer empréstimos, para aprimorarmos a nossa atividade, para manter o mercado contador, para exportar. Nós temos solidez. O Governo e a sociedade, tem que entender e está entendo, que aplicabilidade, recursos e atividades sólidas e econômicas dão garantias ao mercado. E são garantias de investimento internacional no país. O Brasil está tendo maior interesse de o capital estrangeiro investir, porque não fazemos um papel podre, somos um país sólido. Então o Brasil no setor econômico da agropecuária tem solidez e tem segurança, e pela reunião que eu tive com o Ministro da Agricultura, o governo não vai permitir que faltem recursos para que nós possamos repetir uma boa safra para o ano que vem; abastecer adequadamente o mercado consumidor e evitar com isso um índice inflacionário que poderia gerar um outro prejuízo para o país.
LI: O momento para o alimento no mundo, é um momento crítico, falta alimento e o que é produzido custa caro. Além disso, existem países que não têm mais área para plantio e o que resta está sendo usado para alimentar a “fome de energia” e não a fome de comida. O Brasil tem uma vantagem sobre o resto do mundo? Como vamos enfrentar a era da falta de alimentos?
FM: A pecuária e a agricultura brasileira se implantaram no que nós chamamos de agricultura tropical, foi a única agricultura e pecuária que deu realmente certo nos trópicos, foi o Brasil. Então a agricultura, o agricultor, o produtor vêm fazendo a sua política, vem enxugando, melhorando a produção, a produtividade e a qualidade. É preciso que haja sensibilidade na decisão do processo econômico financeiro do governo, Banco Central, créditos e todo o sistema que passa pelo Congresso Nacional. Afim de que nós possamos ter políticas de segurança, absolutamente ajustados à realidade, porque nós vemos de vez em quando que sobe-se assustadoramente o custo de produção e o produto cai o preço. O que não pode haver é esta disparidade. Não havendo esta disparidade, o produtor e o Brasil têm condições de continuar produzindo e conquistar cada vez mais o mercado internacional, porque ele tem produção, produtividade e qualidade.
LI: Como o governo pode ajudar o produtor?
FM: Então assistência tem que ser uma das formas, em termos de estado, que as secretarias de agricultura e abastecimento, com as sua casas de agricultura possam atender diretamente o produtor. Hoje os S’s, que são o Senar, SEBRAE, SESI, SESC e outros, estão integrados em fazer políticas de aprimoramento da mão de obra e da técnica ao micro e pequeno produtor.
LI: Já que tocou no assunto “pequeno produtor”, o que o senhor pensa sobre estes nesta era de gigantes?
FM: O pequeno produtor tem que ter uma assistência permanente. Como é um produtor pequeno, pode ser até familiar, ele não pode arcar com determinados custos, então tem que ter uma política que desenvolve dentro de um equilíbrio de custo racional.
LI: Existe já algum tipo de política destas?
FM: A vaca móvel do SEBRAE, que dá uma assistência técnica direta, sem custo e que dá para o produtor condições de em poucos minutos, saber o que tem que fazer com o rebanho. O exemplo da vaca móvel deve e tem que ser ampliado e não deve perder essa qualidade que hoje no SAI (Serviço Agroindustrial Integrado) que o SEBRAE tem, nós estamos alcançando toda a bacia produtora de leite e outros setores da agricultura. Alcançamos, estamos orientando, dando assistência e eles estão podendo com isso passar de simples produtores do agronegócio, para a estrutura de amanhã de pequenos empresários, que produzem, transformam e comercializam.
LI: E quanto a sanidade do rebanho brasileiro?
FM: A sanidade do rebanho da pecuária leiteira do Brasil hoje, é um exemplo para a América Latina. Eu diria que um dos fatores importantes é que estamos há cerca de 13 anos sem aftosa no rebanho, e hoje o setor sanitário e o rebanho em São Paulo estão uma especialidade. Eu conduzo isto há muitos anos, o primeiro movimento que houve há mais de 30 anos para iniciar o combate à aftosa em São Paulo, eu já participava. Então nosso rebanho está muito mais farto, tem um custo muito menor de manutenção. O que precisa é não faltar crédito de sustentação da atividade produtiva, para não tirar o rebanho que está em um estágio bom fazendo-o decair. Nós temos que manter o estágio de sustentação, não só de renda mas do próprio rebanho.