Chegamos aos 12!

Geral | 31 de Janeiro de 2018 Voltar

Edição #107 - Fevereiro/2018

CHEGAMOS AOS 12!

Criada para suprir uma carência dos técnicos e produtores que estavam à procura de uma publicação, de fato, especializada em pecuária leiteira, a Revista Leite Integral foi muito além de suas expectativas iniciais, e chega aos 12 anos com muitos motivos para comemorar

No dia 5 de fevereiro, a Revista Leite Integral completa 12 anos. A publicação já nasceu inovadora, mas, convenhamos, o tempo foi bastante generoso e só a fez bem. A RLI, como é chamada “em casa”, ganhou um layout ainda mais atrativo, graças a um projeto gráfico arrojado, e, com o passar dos anos, suas matérias, sempre pautadas pela qualidade, profundidade e importância técnica, foram adquirindo uma linguagem mais “leve”.

A ideia de criar a revista veio ao encontro do desejo da médica veterinária Flávia Fontes, mestre em Zootecnia e doutora em Ciência Animal pela UFMG, de desenvolver um projeto que a mantivesse atualizada, em contato com o meio acadêmico e diretamente ligada à pecuária de leite, sua grande paixão. Para materializar este sonho, nossa editora-chefe não mediu esforços para conhecer o mercado editorial, aprender sobre diagramação, Pantone e tipos de papel. Com uma boneca (modelo de publicação que se pretende imprimir) em mãos, elaborada com matérias, fotos e espaços de anúncios reais, ela quis saber a avaliação de especialistas e formadores de opinião, antes de procurar potenciais anunciantes. O resultado não poderia ter sido melhor: todos os espaços foram vendidos, viabilizando, assim, que a primeira edição fosse impressa e distribuída a produtores de Minas Gerais e Goiás.

Certamente uma das maiores e mais influentes defensoras do consumo de leite e derivados da atualidade, Flávia é apaixonada pelo que faz e está sempre, e incansavelmente, em busca de algo que fuja do senso comum. Para 2018, por exemplo, ela teve a ideia de se caracterizar para mostrar que, por ser um alimento tão nobre, o leite está na “lista de preferências” de várias divas. Em janeiro, Flávia incorporou Audrey Hepburn e, nesta edição, Carmen Miranda. Até dezembro, todos os meses seremos surpreendidos com uma “personalidade” no editorial da revista.

Nesta edição mais do que especial, Flávia conta como tudo começou, fala sobre os outros negócios da 02 Comunicação Agropecuária, faz um balanço do que foi feito até aqui e, em primeira mão, adianta alguns projetos que serão colocados em prática em 2018.

Em qual contexto foi criada a Revista Leite Integral?

Em 2005, finalizei meu doutorado em Nutrição Animal, e tinha o sonho de ser professora. Considerei a possibilidade de estudar para concursos, mas como não tinha a intenção de sair de BH, vi que eu teria poucas opções. Então, comecei a imaginar o que eu poderia fazer que me mantivesse atualizada, no meio acadêmico, lendo e trabalhando com pecuária leiteira.

Como as publicações que existiam naquele momento não me atendiam como técnica, porque eram muito superficiais, tive a ideia de criar uma revista com uma linha editorial mais científica, voltada para o veterinário, zootecnista e agrônomo que estão no campo, sem tempo ou condições de acessar conteúdos especializados, como o Journal of Dairy Science, para se atualizar. Além dos técnicos, sempre tivemos como público-alvo o produtor de leite progressista, que é aquele que independente do volume produzido está sempre buscando formas de melhorar ou incorporar tecnologias na produção. O contexto foi este, e a revista foi lançada em fevereiro de 2006.

Como foi para uma veterinária assumir o papel de jornalista?

Sempre fui uma leitora “patológica”, inclusive peguei este termo do livro “Rebeldes Têm Asas”, que li recentemente e recomendo. Aliado a isso, tive uma professora no 2º grau que foi fundamental para consolidar este gosto pela literatura, acredito que este é o motivo de eu escrever bem. Como eu tinha um embasamento técnico grande, adquirido na graduação, mestrado e doutorado, a facilidade com a escrita foi um diferencial e o que me permitiu assumir a função de editora.

Esta foi a parte fácil, porque eu gostava de escrever, escrevia bem e tinha embasamento técnico. Porém, havia muitas outras questões sobre os mercados editorial e gráfico que eu não dominava e precisei aprender. Diagramação e Pantone, por exemplo, são alguns termos que eu nunca tinha ouvido falar. Avalio que fui uma “boa aluna” e isso ajudou para que as coisas dessem certo.

Como foi a produção do primeiro número?

Defendi o doutorado em março de 2005, e como já estava pensando em criar uma revista tive a ideia de montar uma boneca, que seria a edição zero, para apresentar a alguns formadores de opinião e possíveis anunciantes. O conteúdo trazia matérias reais, diagramei e rodei um único exemplar em gráfica rápida. Foi interessante porque recebi comentários muito positivos e outros de pessoas que disseram que eu era louca, que este não era um mercado promissor e que eu podia quebrar financeiramente. Mas, graças a Deus, desde o início todos os anúncios foram vendidos. Acho que os primeiros clientes não compraram a revista, e sim o meu sonho.

Qual foi a importância do seu pai e da sua irmã no início do negócio?

Perdi minha mãe em março de 2004. Meu pai estava recém-aposentado quando ela ficou doente, e quando ela faleceu ele ficou muito mal. Aí fiquei pensando em como ajudá-lo, e no final das contas foi ele quem me ajudou. Durante muito tempo, ele foi meu único funcionário, fazia toda a parte financeira, lançava as notas fiscais, atendia ao telefone, conversava e enviava a revista para os assinantes. Depois, a minha irmã, Paula, chegou para reforçar o time por um tempo, quando a parte administrativa começou a me demandar mais. Eles foram fundamentais neste início, e sou muito grata.

Em sua avaliação, o que a revista trouxe de novidade para o setor?

Avalio que a Leite Integral é uma revista que já nasceu inovadora e pioneira. Em um primeiro momento, a gente mostrou que podia fazer algo bonito, em papel couché, com diagramação clean e boas fotos. A primeira inovação foi essa. A segunda foi trazer um aprofundamento técnico maior nas matérias, que, ao longo do tempo, passou a vir acompanhado de uma linguagem mais acessível. Estamos sempre em busca de novidades e de coisas diferentes que agreguem valor ao nosso leque de comunicação.

Como surgiu a ideia do Simpósio Internacional Leite Integral?

Sempre fui apaixonada por eventos presenciais. Mais do que cumprir o objetivo de promover o aprofundamento técnico, penso que a grande questão é a possibilidade de networking, conhecer pessoas e estabelecer relacionamentos. Não há como substituir esta experiência por nada.

Considerando todos estes aspectos, avaliei que era um caminho lógico que promovêssemos um evento de imersão em determinado assunto. E, assim, foi construído o formato do Simpósio, a cada ano elegemos um tema para trabalhar em profundidade. Entendemos que este método traz mais retorno ao participante do que palestras genéricas, com assuntos diversos.

A primeira edição foi em 2011, em BH, onde também realizamos o evento nos dois anos seguintes. Em razão da parceria com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em 2014 levamos o Simpósio para Curitiba. A edição deste ano será de 10 a 12 de abril, com o tema Criação de Bezerras.

Qual fato engraçado ou curiosidade vividos nestes 12 anos de revista você destacaria?

O que não faltam em nossa história são casos engraçados. Fizemos o 1º Simpósio Internacional Leite Integral em um hotel cinco estrelas, em Belo Horizonte. A DeLaval era patrocinadora, queria mostrar o funcionamento de um alimentador automático, e solicitou que as bezerras fossem colocadas no foyer (área externa do auditório). Foi muito engraçado porque os funcionários não faziam a menor ideia do que era um bezerro. Então, perguntavam coisas do tipo: “quanto pesa, 1.000kg? E se elas saírem correndo e atacarem os clientes?” E por aí vai. No final das contas, a gente conseguiu autorização para “hospedá-las” e elas viraram atração, quase que de circo. Os hóspedes e funcionários que não tinham nada a ver com o Simpósio iam lá por conta das bezerras, e este episódio foi bem divertido.

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Foto: Flávia Fontes, mãe, médica veterinária, editora-chefe da Revista Leite Integral e uma apaixonada por leite

Como foi a parceria com o Milkpoint?

A parceria com o Milkpoint começou em janeiro de 2012, e representou um período de muito crescimento para a revista e para mim, como profissional. Depois de cinco anos, chegamos ao entendimento de que as empresas deveriam seguir cada uma o seu caminho. Foi uma experiência muito válida.

Há pouco mais de um ano, a revista ganhou um projeto gráfico arrojado, diferente de tudo o que já foi feito no setor. Como foi a repercussão junto aos assinantes e formadores de opinião?

Este é um dos capítulos da história da revista que mais gosto de contar. Em janeiro de 2017, iniciamos uma nova fase, e queríamos que ela viesse acompanhada de uma repaginada. Contratamos um consultor de design e comunicação, e ele nos falou duas coisas muito interessantes. A primeira foi que fizéssemos uma capa chamativa para que pessoas de fora do setor tivessem vontade de ler a publicação. Confesso que num primeiro momento isso me soou muito estranho, porque eu achava que não fazia sentido alguém que não tinha ligação nenhuma com a pecuária leiteira abrir a revista. Argumentei isso, e ele disse que considerando que tínhamos um movimento de incentivo ao consumo de lácteos - o #BEBAMAISLEITE, à época com seis meses -, era extremamente importante que as pessoas tivessem interesse em ver a revista, mesmo sem entender sua profundidade técnica, apenas para olhar as imagens e verem o cuidado e respeito dedicados às vacas.

Demorei um tempo para assimilar esta sugestão, mas entendi o propósito do que ele falou e topamos fazer esta mudança radical. Outro paradigma que quebramos foi o de não mais trazer os destaques da edição na capa, recurso que oferece retorno maior às publicações vendidas em bancas, e que não é o nosso caso. Ainda como parte deste projeto, mudamos o portal da revista, disponibilizando uma biblioteca com inúmeros artigos que foram publicados por nós ao longo desses anos.

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Foto: Equipe Revista Leite Integral

Quando surgiu a sociedade com a também veterinária Ana Paula Menegatti, e como tem sido este trabalho?

Conheci a Ana na Escola de Veterinária da UFMG, mas como sou alguns anos mais velha não tivemos uma convivência na graduação nem na pós. Um belo dia, ambas no oitavo mês de gestação, nos encontramos na sala de espera de um curso de amamentação e cuidados com recém-nascidos. Desde então, a gente não se desgrudou mais. Percebemos que existia uma afinidade e uma vontade muito grande de trabalhar e fazer alguma coisa juntas. Ela estava em outra empresa como gerente de marketing, e eu fazendo a revista.

Certa vez, assisti a um documentário que me inspirou a criar um evento para discutir os principais temas relacionados à mulher que se torna mãe. Neste contexto, chamei a Ana e em uma conversa de duas horas saímos com a ideia de fazer o Seminário Internacional de Mães. A primeira edição foi em 2015, e fui percebendo que tínhamos perfis complementares. Estou mais ligada à criação, ao marketing, e a Ana é muito boa de comercial e administrativo. Costumo dizer que foi um casamento mais do que perfeito. Fizemos um test-drive no Seminário, e depois nos tornamos sócias em todos os negócios.

O que vem à sua cabeça quando você olha para trás e se lembra de todos os desafios e conquistas dos últimos 12 anos?

Por algumas vezes, pensei em desistir e agradeço muito a Deus por não ter feito isso. Ter uma empresa no Brasil não é fácil. Já virou até uma frase meio clichê, mas é difícil mesmo. Hoje, olho pra trás e penso que foi muito bom ter persistido, porque a história da revista se mistura com a minha. A tenho como minha filha mais velha, sinto muito orgulho de todo o caminho que já percorremos, e continuo extremamente motivada para os próximos, e que sejam muitos, anos de história que ainda temos para escrever.

E para o futuro, quais são seus planos?

O céu já deixou de ser o limite pra gente. Temos inúmeros projetos em mente. Recentemente, lançamos a Integral Curadoria, empresa de comunicação estratégica especializada em pecuária leiteira. Nosso trabalho consiste em produção de conteúdo, publicidade e marketing digital.

Também vamos intensificar nossas ações sociais. Temos alguns projetos neste sentido, como a doação de um litro de leite para cada assinatura anual da revista e de dois litros para a bianual. Além disso, revertemos 100% do valor das inscrições dos eventos do #BEBAMAISLEITE em doação de leite para instituições assistenciais. Neste ano, vamos iniciar um projeto em BH, com o objetivo de expandi-lo para todo o Brasil, que é o leite da madrugada. A ideia é reunir voluntários da nossa equipe e, uma vez por mês, distribuirmos copos de leite para moradores de rua, debaixo de viadutos e em áreas de risco. Estamos com a cabeça cheia de ideias e com muita vontade de fazer a diferença.

CONFIRA A COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE 12 ANOS DA REVISTA LEITE INTEGRAL:

MÔNICA SALOMÃO
Jornalista e editora-adjunta da Revista Leite Integral

FOTOS: PEDRO VILELA/AGÊNCIA I7