Quais ferramentas podem ser utilizadas para melhorar a genética dos bovinos leiteiros?

Genética | 01 de Janeiro de 2016 Voltar

 

Texto: Marcos Vinicius G. Barbosa da Silva

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 A seleção para características de importância econômica tem sido praticada em bovinos desde sua domesticação, ocorrida há, aproximadamente, 7.500 a 10.000 anos. Até o início do século passado, entretanto, tal seleção era feita com base na avaliação visual. A partir de 1930, começaram a ser estabelecidos os métodos científicos, estatísticos e computacionais para avaliação genética de animais domésticos. Dessa forma, o melhoramento tradicional tem assegurado ganho genético contínuo na maioria das características de interesse econômico na pecuária de leite.

As raças de bovinos exploradas para produção de leite apresentam algumas particularidades em termos do valor de cada animal, do longo intervalo de gerações e da limitada fertilidade das fêmeas. Assim, os programas de melhoramento de gado de leite são baseados na seleção dentro de populações comerciais ou na exploração dos cruzamentos entre animais de duas ou mais raças. Na maioria dos países europeus, nos Estados Unidos e no Canadá, tais programas são baseados em teste de progênie, o qual objetiva predizer, com alta confiabilidade, a contribuição genética média de um reprodutor para a futura progênie, ou seja, sua PTA. Torna-se extremamente importante, então, interpretar e usar adequadamente a PTA e a confiabilidade associada a ela, de modo a se escolher os melhores reprodutores para uso nos rebanhos.

Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil apresenta enorme variação de clima e de manejo nos rebanhos leiteiros. Assim, os sistemas produtivos que utilizam as raças europeias especializadas, como a Holandesa, a Jersey ou a Suíça-Parda, podem apresentar bom desempenho zootécnico e econômico em determinadas regiões, mas os animais são mais exigentes em manejo, principalmente no que se refere à alimentação e sanidade. Assim, a adoção de uma estratégia de cruzamento entre animais de raças europeias e zebuínas pode ser uma opção mais interessante, tendo como finalidade reunir em um só animal as características desejáveis de duas ou mais raças, como a rusticidade dos animais das raças zebuínas, como a Gir Leiteiro e a Guzerá, e o potencial produtivo das raças europeias.

Além do uso da seleção e dos cruzamentos, nas duas últimas décadas, as pesquisas em melhoramento genético têm sido direcionadas também no sentido de incorporar as informações de marcadores de DNA que estejam associados às características de importância econômica, ao processo de seleção, o qual é chamado seleção genômica. A inclusão de marcadores ao processo de seleção pode duplicar os ganhos genéticos e diminuir os custos de testes de progênie tradicionais em até 92%.

Portanto, se você quiser aumentar o conhecimento para o uso adequado das ferramentas disponíveis em melhoramento genético visando o aumento da lucratividade na pecuária leiteira, aproveite a oportunidade de fazer o curso online da AgriPoint “Melhoramento genético de gado leiteiro” com o professor Marcos Vinicius G. Barbosa da Silva, pesquisador da Embrapa Gado de Leite. Acesse: http://www.agripoint.com.br/curso/melhoramento-genetico/ para mais informações.