Como reduzir o intervalo de partos das vacas leiteiras?

Reprodução | 01 de Julho de 2013 Voltar

Texto: Telma da Mata Martins, Ana Carolina Leite, Clarice de Souza Muniz, Dimitre G. de Medeiros Peixoto, Álan Maia Borges

O sucesso da atividade leiteira está diretamente relacionado com as eficiências produtiva e reprodutiva do rebanho. Em geral, todos os sistemas de produção de leite buscam aumentar a produtividade, o número de bezerros nascidos por ano e a vida útil das vacas. O prolongamento da vida produtiva de uma vaca depende da duração do intervalo de partos. Neste artigo, discorreremos sobre estratégias que podem ser adotadas para diminuir o intervalo de partos das vacas mantidas em diferentes sistemas de produção de leite.

Introdução

O intervalo de partos compreende o período da gestação e o período de serviço. Como não podemos interferir na duração da gestação das vacas, o período de serviço determina o intervalo de partos.

O período de serviço, também conhecido como intervalo parto/concepção ou “dias em aberto”, é um dos parâmetros reprodutivos mais importantes, pois reflete indiretamente a fertilidade do rebanho. A sua duração depende dos eventos ocorridos no puerpério e do número de serviços (montas naturais ou inseminações artificiais) necessários para uma vaca se tornar gestante novamente. Quanto mais prolongado o período de serviço, maior o intervalo de partos, menor o número de bezerros nascidos por ano e menor a produção de leite diária. O controle desses parâmetros é o maior desafio enfrentado pelos profissionais responsáveis pelo gerenciamento de uma propriedade leiteira (Figura 1).

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O intervalo de partos ideal para vacas leiteiras varia de 12 a 14 meses, porém, a média observada no Brasil é de 18 meses. Na Tabela 1 podemos visualizar o aumento do número de bezerros e da produção diária de leite ao reduzir o intervalo de partos para 12 meses em uma propriedade com 100 vacas e produção diária de 1000 litros de leite.

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O intervalo de partos ideal para vacas leiteiras varia de 12 a 14 meses, porém, a média observada no Brasil é de 18 meses. Na Tabela 1 podemos visualizar o aumento do número de bezerros e da produção diária de leite ao reduzir o intervalo de partos para 12 meses em uma propriedade com 100 vacas e produção diária de 1000 litros de leite.

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Por que reduzir a ocorrência de transtornos puerperais?

O puerpério é o período entre o parto e a restauração da atividade reprodutiva, caracterizado por ajustes fisiológicos e anatômicos no útero e nos ovários. Para as vacas, o puerpério compreende o intervalo do parto à manifestação do primeiro estro compatível com o estabelecimento de uma nova gestação. A vida útil de uma vaca está diretamente relacionada com os eventos que ocorrem no puerpério.

Vacas com puerpério normal apresentam involução uterina completa, em média, aos 30 dias (vacas leiteiras mestiças, como as Girolandas) ou aos 40 dias (vacas leiteiras taurinas, como as Holandesas) após o parto. Quando apresentam boa condição corporal, as vacas taurinas podem manifestar o primeiro cio, em média, até 30 dias após o parto, enquanto as vacas mestiças podem demorar até 60 dias após o parto para manifestar o primeiro cio.

Além dos fatores genéticos, as diferenças anatômicas, fisiológicas e metabólicas, o nível de produção de leite, a ordem de parto, o manejo nutricional, o manejo reprodutivo e a ocorrência de patologias influenciam na duração do puerpério das vacas leiteiras. Adaptações fisiológicas para a alta produção de leite são associadas a elevadas incidências de transtornos puerperais, tais como partos gemelares, distocias, retenção de placenta, infecções uterinas, cistos ovarianos, dentre outros, os quais são responsáveis pelo atraso da involução uterina e da primeira ovulação após o parto. Os animais acometidos por essas patologias podem apresentar subfertilidade, aumento do período de serviço e do intervalo de partos.

A subfertilidade compreende qualquer condição relacionada com a dificuldade para estabelecer uma nova gestação após o término da involução uterina. É difícil de ser tratada e gera elevados prejuízos para a atividade leiteira. A subfertilidade pode ser decorrente de falhas na ovulação, ausência de manifestação do cio, cios irregulares e mortalidade embrionária. Essas condições podem estar relacionadas com alterações ocorridas no eixo reprodutivo (hipotálamo-hipófise-ovários), no ambiente uterino ou no desenvolvimento do embrião, o que dificulta o estabelecimento de diagnóstico correto e tratamento eficiente.

O baixo desempenho reprodutivo implica em um maior número de serviços por gestação, aumento de despesas com vacas secas, menor produção de leite por dia de intervalo de partos e redução do número de bezerros nascidos por ano. Vacas subférteis devem ser descartadas do rebanho, visando diminuir o intervalo de partos e os prejuízos causados à atividade leiteira.

 

Estabelecimento de programas de monitoramento no periparto

O estabelecimento de programas de monitoramento, visando prevenir a ocorrência de doenças puerperais, e, em segundo plano, detectá-las e tratá-las precocemente, é o primeiro passo para diminuir o descarte de vacas com baixo desempenho reprodutivo.

A compreensão das alterações que ocorrem no metabolismo dos animais durante a gestação e durante o período seco é primordial para estabelecer programas de prevenção para as afecções puerperais. Sabemos que as adaptações metabólicas para atender à produção de leite ocorrem em todos os animais, inclusive naqueles que apresentam boa condição corporal. No entanto, essas adaptações podem ser afetadas nos casos de desequilíbrios nutricionais, o que contribui para a depressão do sistema imunológico e consequente estabelecimento de doenças. Cuidados especiais devem ser tomados em relação à nutrição dos animais durante o periparto, pois este fator está diretamente relacionado com a ocorrência de afecções puerperais, distúrbios reprodutivos e produtivos.

O conforto dos animais no periparto é outro fator muito importante a ser considerado, visando reduzir a ocorrência de transtornos puerperais. A presença de fatores estressantes, como o estresse calórico, pode contribuir para a antecipação do parto, favorecendo a ocorrência de retenção de placenta, principal fator de risco para o estabelecimento de infecções uterinas. Após o parto, a presença de fatores estressantes também contribui para a depressão do sistema imunológico, facilitando o estabelecimento de doenças. Cuidados com o conforto térmico das instalações nos sistemas de confinamento e adoção de sombreamento nas pastagens são algumas estratégias recomendadas para aumentar a fertilidade das vacas.

Os lotes de vacas recém-paridas devem ser monitorados por funcionários capacitados, adotando-se protocolos com finalidades preventivas (utilização de fluidoterapia, suplementos de minerais, vitaminas e probióticos) e, quando necessário, com finalidades terapêuticas (antibióticos, anti-inflamatórios e hormônios específicos). Dentre os diversos parâmetros usados para monitorar a saúde de vacas recém-paridas, podemos citar: a avaliação da condição corporal, a produção de leite diária, o comportamento dos animais, os exames de sangue, a concentração de cetonas na urina ou no leite, a avaliação dos movimentos ruminais e a aferição da temperatura retal.

 

Importância do monitoramento da condição corporal

No final da lactação e durante o período seco, as vacas devem ser monitoradas quanto à condição corporal. Vacas magras devem receber volumoso de boa qualidade, concentrado e sal mineral para ganhar peso antes de parir. Vacas com baixo escore de condição corporal ao parto apresentam altas incidências de patologias no puerpério e só voltam a manifestar cio quando recuperam a condição corporal.

A obesidade ao parto também deve ser evitada. Vacas gordas apresentam redução considerável na ingestão de alimentos nas primeiras semanas após o parto. Para atender às demandas energéticas impostas pelo início da lactação, esses animais mobilizam reservas corporais e apresentam acentuada redução da condição corporal. A duração e a gravidade dessa fase, conhecida como balanço energético negativo, contribuem para o atraso da ovulação e prolongamento do período de anestro pós-parto.

Em geral, quanto mais obesa a vaca se encontra à secagem, maior é a probabilidade de perder peso, maior a ocorrência de patologias e maior a interferência do balanço energético negativo no retorno à reprodução após o parto. Portanto, o monitoramento da condição corporal durante o terço final da lactação e durante o período seco é essencial para reduzir o período de serviço e o intervalo de partos.

A condição corporal ideal ao parto varia de 3,0 a 3,5 numa escala de 1 (muito magra) a 5 (muito gorda). Vacas com boa condição corporal, geralmente, mantêm ou perdem pouco peso durante o puerpério. Vacas que perdem mais de 1 unidade no escore de condição corporal nessa fase podem apresentar subfertilidade.

A proporção de vacas que não ovularam até a sexta semana após o parto é um bom indicador da nutrição adequada de um rebanho. Se essa taxa ultrapassar 25%, a dieta dos animais deve ser examinada com cuidado, visando adotar estratégias para aumentar a ingestão de alimentos e minimizar a interferência do balanço energético negativo na reprodução.

Uma das estratégias de manejo utilizadas para estimular a ingestão de matéria seca no pré-parto imediato (pelo menos 21 dias antes do parto para vacas de alta produção) e no período pós-parto (primeiras semanas da lactação), consiste em fornecer alimentos frescos várias vezes ao dia. Para diminuir a competição por alimento e facilitar o balanceamento das dietas, recomenda-se aumentar o espaço de cocho, diminuir a taxa de lotação e, dentro do possível, separar lotes de novilhas, primíparas e pluríparas. O monitoramento das sobras no cocho é importante para controlar a quantidade de alimento consumido pelos animais.

Verifica-se que as vacas dominantes dos lotes de pré-parto e pós-parto, apresentam maior ocorrência de doenças como acidose metabólica, devido à ingestão de grande quantidade de concentrado, enquanto as vacas submissas tendem a apresentar quadros de subnutrição. Para diminuir a ocorrência da maioria das doenças puerperais, tais como hipocalcemia, retenção de placenta e deslocamento de abomaso, recomenda-se a adoção de dietas aniônicas no pré-parto das pluríparas de alta produção.

Além dos cuidados com a qualidade e quantidade de alimentos oferecidos às vacas, não podemos esquecer de fornecer água fresca à vontade. O acesso dos animais aos bebedouros e a limpeza dos mesmos devem ser monitorados diariamente.

 

A vaca ainda não manifestou o primeiro cio após o parto ou o cio não foi observado?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes em rebanhos leiteiros. Nas propriedades que adotam monta controlada ou inseminação artificial tradicional, os cios não observados ou mal detectados estão entre os principais fatores que interferem na duração do período de serviço e, consequentemente, no intervalo de partos. Na Tabela 2 estão descritos os significados mais comuns de diferentes intervalos de cios observados em rebanhos leiteiros.

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Não basta a vaca manifestar o cio rapidamente após o parto, se esse cio não é identificado corretamente para ser aproveitado. A taxa de detecção de cios está diretamente relacionada com a taxa de vacas cobertas ou inseminadas. Cada cio perdido significa, em média, 21 dias a mais para a vaca ser inseminada, 21 dias a mais no período de serviço e 21 dias a mais no intervalo de partos.

Na maioria das propriedades leiteiras, os cios são observados ao levar os animais para a sala de ordenha. Esse sistema de detecção implica falhas na identificação do animal que aceita a monta parado e erros nas anotações, possibilitando a inseminação ou cobertura de animais que não estão em cio.

É necessário capacitar os funcionários para a correta identificação, reservar horários para observar cio pelo menos três vezes ao dia, ser criterioso com a identificação dos animais e anotação do horário no qual o cio foi observado, e respeitar os horários da inseminação artificial ou da monta controlada.

Quanto maior a produção de leite, maior deve ser a preocupação com a observação de cios, uma vez que vacas de alta produção manifestam cios menos intensos e mais curtos (Figura 3). Para esses animais, recomenda-se a observação quatro vezes ao dia, além da adoção de estratégias como a utilização de dispositivos na base da cauda ou a marcação com tintas específicas, para facilitar a observação visual das vacas que aceitaram monta. A utilização de rufiões com buçal marcador nos sistemas semi-intensivos também é uma boa alternativa para aumentar a taxa de detecção de cio.

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Outro fator que deve ser considerado para aumentar a taxa de detecção de cios é o conforto das instalações. Além da temperatura ambiente, a qualidade do piso interfere na manifestação do cio. Pisos escorregadios ou muito ásperos, locais com muita lama, com muitas pedras ou muito desnivelados, favorecem a ocorrência de problemas de casco, a diminuição da atividade de monta e da manifestação do cio. O ideal é manter as vacas em pisos secos e com alta aderência, para diminuir os problemas de casco e favorecer a expressão do cio.

Nos sistemas de confinamento total, a diminuição da lotação e o conforto das camas também são importantes para aumentar a taxa de detecção de cio. Vacas que permanecem muito tempo em pé têm maior probabilidade de apresentar lesões nos membros e nos cascos, diminuindo a atividade de monta.

 

Qual é o melhor momento para começar a inseminar ou cobrir as vacas após o parto?

A redução do período de serviço é um dos estímulos para tornar as vacas gestantes o mais rapidamente possível após o parto, porém, a baixa fertilidade nessa ocasião influencia na decisão de quando reiniciar a reprodução. O período voluntário de espera, que é o tempo aguardado para inseminar a vaca após o parto, geralmente, varia de 45 a 60 dias, com intervalos mais curtos (30 dias) ou mais longos (90 dias), dependendo da decisão do produtor.

Em rebanhos de alta produção, estudos mostram que o retorno econômico é maior quando o período de serviço é de, aproximadamente, 105 dias para primíparas e 70 dias para pluríparas. Períodos de serviço tão reduzidos implicam altas taxas de concepção no primeiro serviço após o parto.

Além da ordem de parto, outros fatores como condição corporal, época do ano na qual ocorre o parto, média de produção de leite, valor da reposição do rebanho e custo da inseminação, podem influenciar na decisão da duração do período voluntário de espera e, consequentemente, na duração do período de serviço.

 

Quais estratégias podem ser utilizadas para reduzir o número de serviços e aumentar a taxa de gestação?

 

Utilização de protocolos hormonais com inseminação artificial após observação de cio

Por meio da adoção de fármacos específicos, é possível sincronizar os ciclos estrais de animais com boa condição corporal, concentrando o período de observação de cio e as inseminações artificiais ou montas controladas. As vantagens da adoção desse protocolo estão relacionadas com a observação de cio direcionada para determinado grupo de animais, durante três a cinco dias da semana. As desvantagens incluem os problemas de detecção de cio citados anteriormente e as variações na resposta ao protocolo hormonal utilizado (falhas na sincronização dos estros).

Utilização de protocolos hormonais com inseminação artificial em tempo fixo (IATF)

Por meio da utilização de fármacos específicos, é possível sincronizar a ovulação de vacas que estão ciclando ou não, o que possibilita a inseminação em horários pré-determinados, sem necessidade de observação prévia do cio.

Para propriedades leiteiras onde a taxa de detecção de cio é menor que 50%, recomenda-se a adoção da IATF. Para ser economicamente viável, em fazendas com boa taxa de detecção de estro, os custos com a adoção da IATF devem ser menores do que aqueles despendidos com a mão de obra destinada à observação de cio.

O sucesso na  adoção da IATF requer assistência veterinária capacitada, controle sanitário do rebanho, boa condição corporal dos animais, ambiente uterino adequado, controle dos horários de aplicação e das dosagens recomendadas dos hormônios, eficiência dos inseminadores e diagnóstico de gestação precoce. Mesmo adotando todas as recomendações, as taxas de concepção obtidas por meio da IATF em rebanhos leiteiros são muito baixas, variando de 20 a 40%. Esses resultados podem ser atribuídos à variação na resposta individual dos animais aos hormônios utilizados.

É necessário desenvolver protocolos mais eficientes para sincronizar a ovulação das vacas leiteiras. Portanto, não devemos considerar que essa técnica é a mais recomendada para aumentar a eficiência reprodutiva de todos os sistemas de produção de leite com falhas na observação de cio.

Adoção de touros de repasse e da técnica de transferência de embriões para aumentar a taxa de gestação de vacas repetidoras de cio

Quando a qualidade da inseminação não é questionável, se a vaca manifestar cio regularmente e não apresentar doenças infecciosas, nem anormalidades anatômicas, a adoção da monta controlada pode ser uma alternativa para diminuir o período de serviço e o intervalo de partos dos animais não gestantes após três inseminações consecutivas (vacas repetidoras de cio).

Para as propriedades que não desejam manter um touro no rebanho, outra opção seria utilizar as vacas repetidoras de cio como receptoras de embriões. A transferência de embrião é uma das estratégias disponíveis, principalmente durante o verão, visando minimizar os eventuais efeitos das altas temperaturas e da lactação no ambiente uterino e no desenvolvimento embrionário inicial, em vacas de alta produção. Essa técnica reduz a ocorrência de mortalidade embrionária precoce e promove maiores taxas de gestação.

Antes de adotar essas estratégias, é muito importante considerar as vantagens e desvantagens de investir na reprodução de vacas repetidoras de serviço.

 

Outras estratégias recomendadas para diminuir o intervalo de partos das vacas leiteiras

 

Controle sanitário eficiente

Diversas doenças infectocontagiosas, tais como, brucelose, leptospirose e neosporose, podem causar abortamentos e diminuir a eficiência reprodutiva do rebanho. As vacas que abortam apresentam intervalo de partos ainda mais prolongados, pois, geralmente, a interrupção da gestação é seguida de puerpério patológico (ocorrência de retenção de placenta, infecções uterinas e aumento do período de serviço). É necessário considerar ainda a redução da produção de leite e a secagem antecipada desses animais. Portanto, estabelecer programas de controle das doenças infectocontagiosas que afetam a reprodução, ter cuidados com a vacinação e manter o calendário de controle sanitário em dia, são ferramentas importantes para diminuir o intervalo de partos.

 

Escrituração zootécnica atualizada

Independente do tamanho do rebanho, é importante ter dados individuais de cios, inseminações e/ou coberturas, touro utilizado, data prevista e data do parto, ocorrência de afecções antes, durante e/ou após o parto (abortamentos, natimortos, distocias, retenção de placenta, infecções uterinas, mastite, cetose, deslocamento de abomaso, cistos ovarianos); número de serviços por concepção; diagnóstico de gestação; entre outros. Esses dados são importantes para calcular e avaliar índices reprodutivos que influenciam diretamente no intervalo de partos. Como já foi comentado anteriormente, vacas subférteis devem ser eliminadas do rebanho.

 

Considerações finais

O intervalo de partos almejado para vacas leiteiras varia de 12 a 14 meses, sendo necessário considerar fatores inerentes à ordem de partos, base genética, nível de produção de leite, manejos nutricional e reprodutivo do rebanho.

A duração do período de serviço determina o intervalo de partos. Quanto menor a ocorrência de transtornos puerperais, mais rápido é o retorno à reprodução, maior é a probabilidade da vaca se tornar gestante nos primeiros serviços após o período voluntário de espera, mais curto é o intervalo de partos, maior o número de bezerros nascidos por ano, maior é a produção de leite diária, menor a chance da vaca ser descartada e maior o lucro dos sistemas de produção de leite.

Algumas estratégias de manejo reprodutivo para redução do intervalo de partos podem ser adotadas em todos os rebanhos leiteiros, independente do sistema de produção. Outras devem ser aplicadas somente a partir de uma análise crítica da necessidade da propriedade. Após a adoção de determinada estratégia, o seu impacto na eficiência reprodutiva e produtiva do rebanho deve ser analisado periodicamente. O estabelecimento de metas é essencial para avaliar a eficácia das técnicas adotadas.