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Fazendas, Gestão

Excelência construída com método, tecnologia e propósito: conheça a história da Melkstad (Carambeí/PR)

Com tecnologia de ponta, gestão precisa e um rebanho de genética refinada, a Melkstad transforma visão em desempenho e se consolida como referência nacional na produção de leite

Excelência construída com método, tecnologia e propósito: conheça a história da Melkstad (Carambeí/PR)

O que leva alguém a empreender ou a escolher uma profissão ou a tomar uma grande decisão na vida nem sempre é claro. No caso de Diogo Vriesman, sócio-diretor da Melkstad, talvez tenha sido o chamado silencioso dos seus ancestrais, que chegaram da Holanda e abriram os caminhos na região dos Campos Gerais, no Paraná, por volta de 1910. 

Talvez tenha sido o convite-provocação de seu tio, lançado em tom de brincadeira, mas com força de profecia: “Ainda quero ser seu sócio em algo que remeta à origem da nossa família: a atividade leiteira”. O que quer que tenha sido, o fato é que Diogo investiu cedo na formação acadêmica; e foi guiado, desde o início, por algo que não se ensina: o desejo de prosperar e construir uma das maiores fazendas leiteiras do Brasil.


Antes de ser fazenda, foi ideia: a origem da Melkstad 

A história da Melkstad começa oficialmente em 2012, mas a ideia da sua existência foi gerada bem antes, em diferentes geografias e conversas. Quando ainda era recém-formado em Zootecnia, Diogo Vriesman trabalhou em estados como Mato Grosso do Sul e Rondônia, onde, entre planilhas e troca de e-mails com amigos do setor, começou a desenhar, ainda que timidamente, o esboço de um projeto próprio. “Eu queria ter um negócio meu, mas não tinha capital. Comecei a estruturar tudo com o apoio de um amigo que me ajudava a fazer contas e a avaliar a viabilidade”, lembra. 

A oportunidade veio quando a cooperativa Frísia ampliou a área técnica. Diogo deixou um salário mais alto na antiga empresa e voltou a Carambeí/PR, aceitando um posto que abria as portas para seu verdadeiro sonho: começar uma fazenda de leite.


 Diogo Vriesman lidera a Melkstad com visão estratégica e paixão pelo agro

 

Foi assim – entre conversas despretensiosas com o tio Eduardo, o primo Murilo e outros amigos, e uma ideia que não queria mais ir embora – que a sociedade se formou. Financiamento, um pequeno arrendamento, 50 vacas e uma lavoura de milho. No primeiro mês, a Melkstad produziu 800 litros de leite por dia. “Era um negócio pequeno”, diz Diogo. Pequeno só no começo. A proposta ousada chamou a atenção de outros nomes do setor. “Muitos diziam: o que impressiona não é o tamanho do projeto, mas o formato”, conta. 


A Melkstad foi crescendo em ondas, ao sabor das oportunidades e do olhar atento de quem sabe que sorte, muitas vezes, é estar pronto quando ela passa. “Não acredito muito em coincidência”, diz Diogo. Mas ele acredita no poder das palavras e da fé. E talvez por isso mesmo, quando um rebanho de 500 vacas apareceu à venda no momento em que o grupo buscava crescer, o projeto ganhou escala. E corpo. E nome.

A fórmula da Melkstad 

A Melkstad seguiu crescendo em estrutura, escala e propósito. A compra de rebanhos inteiros, a construção da sede própria e o arrendamento de terras no entorno tornaram-se movimentos estratégicos em direção ao que Diogo Vriesman vislumbrava desde o início: uma operação profissional, integrada e preparada para saltos maiores. 

Atualmente, a fazenda arrenda 1.400 hectares, todos em um raio de 5 quilômetros da sede. A proximidade logística e o controle direto da produção agrícola garantem não só segurança alimentar ao rebanho, mas também previsibilidade de custos. “Mesmo pagando um arrendamento acima da média de mercado, conseguimos reduzir o custo de produção. Temos controle sobre tudo o que essas vacas estão comendo”, afirma Diogo, com o olhar de quem fez as contas e apostou alto. 

A Melkstad adota um modelo verticalizado: investiu-se menos em aquisição de terras e mais em estrutura, genética e tecnologia. Com apenas 18 hectares próprios, a sede concentra maternidade e ordenha. O restante do suporte vem de áreas arrendadas estrategicamente, otimizando o uso da terra e concentrando o capital nos pontos-chave da operação.

A estrutura organizacional também reflete esse modelo: a fazenda é dividida em 18 setores, liderados por 9 gestores. A descentralização da gestão, intensificada a partir de 2023, transformou a dinâmica da equipe. “Remuneramos melhor as lideranças que estavam conosco desde o início e distribuímos a responsabilidade entre elas. A gestão deixou de ser centralizada e passou a ser realmente compartilhada”, explica Diogo.

O resultado foi imediato. A produção saltou de 76 mil para 100 mil litros de leite por dia em 18 meses – e sem aumentar o número de vacas. “Foi um marco”, destaca Diogo. “Crescemos com o que já tínhamos. Isso mostra o potencial das pessoas quando são valorizadas e bem direcionadas.” 

Mais do que aumentar o volume de produção, a Melkstad tem se preparado para o futuro. Recentemente, passou por um diagnóstico contábil, com vistas à realização de auditorias externas – um passo firme rumo à profissionalização plena. “Queremos estar prontos para parcerias, joint ventures, novos investidores. E a confiança começa pelos números”, enfatiza Diogo. 

“Aqui a gente não repete o clichê de que é preciso pensar a fazenda como uma empresa. A Melkstad já nasceu sendo uma empresa.” É assim que Júlio Fernandes Meirelles, engenheiro agrônomo e gerente administrativo-financeiro da Melkstad há dois anos, resume com precisão o DNA do projeto. Ele conheceu a Melkstad em 2015, quando ainda atuava na Clínica do Leite. Desde o início, o que chamou sua atenção foi a busca incessante por método, eficiência e resultado. 

Com passagem por grandes fazendas e consultorias pelo Brasil, Júlio encara sua função com a dimensão de realização de sonho: “Produzir leite na região dos Campos Gerais é o sonho de quem é do ramo. E a Melkstad tem algo raro: ela é jovem, mas já nasceu sabendo o que quer ser”.




A MELKSTAD ADOTA UM MODELO VERTICALIZADO: INVESTIU-SE MENOS EM AQUISIÇÃO DE TERRAS E MAIS EM ESTRUTURA, GENÉTICA E TECNOLOGIA. COM APENAS 18 HECTARES PRÓPRIOS, A SEDE CONCENTRA MATERNIDADE E ORDENHA. O RESTANTE DO SUPORTE VEM DE ÁREAS ARRENDADAS ESTRATEGICAMENTE, OTIMIZANDO O USO DA TERRA E CONCENTRANDO O CAPITAL NOS PONTOSCHAVE DA OPERAÇÃO


Começo de vida com precisão 

Na Melkstad, o nascimento das bezerras é o início rigorosamente orquestrado por protocolos técnicos. O rebanho é fechado e o manejo neonatal segue padrões estritos, com foco absoluto em sanidade, desempenho e aproveitamento do potencial genético. 

As bezerras nascem na maternidade da sede, onde permanecem sob observação nas primeiras 24 horas de vida. O colostro, alimento fundamental nesse processo, é avaliado quanto à qualidade, pasteurizado e congelado. Assim que o parto é detectado, inicia-se o descongelamento do colostro, administrado por sonda nos primeiros minutos de vida da bezerra. A segunda dose ocorre 12 horas depois. Com 24 horas, a bezerra já está protegida e pronta para ser alojada no bezerreiro. 

A precisão do sistema garante agilidade mesmo em dias de alta demanda. São comuns jornadas com mais de dez partos em um dia, mas nenhuma bezerra espera: o processo é coordenado para que tudo aconteça no tempo certo, sem improviso. 

O bezerreiro é coletivo e recebe as bezerras para cerca de 90 dias de aleitamento, com leite em pó, micro pellets e, eventualmente, leite de transição livre de resíduos. A alimentação, nessa fase, é desenhada para excelência. A dieta inclui 100% de feno de altíssima qualidade, produzido na própria fazenda, à base de grama Jiggs cultivada nas áreas mais nobres. Com baixa exigência volumétrica nessa faixa etária, a fazenda consegue destinar para as bezerras apenas os lotes de feno perfeitos: macios, proteicos, sem talos. “É o tipo de nutrição que seria usada em animais de exposição”, resume Júlio. 

Esse cuidado se traduz em desempenho: as bezerras nascem com cerca de 45 quilos e chegam a 130-140 quilos ao fim da fase. Em alguns casos, aos 10 meses, muitas já atingem condição corporal e maturidade para a reprodução. “Por manejar em lotes grandes, subimos a inseminação para 12 meses; e ajustamos a dieta para evitar que cheguem com excesso de peso ao parto”, explica Júlio. A decisão, além de zootécnica, contribui para a otimização dos custos.


 

Na Melkstad, o cuidado começa no parto e segue como base de uma filosofia que prioriza sanidade, desempenho e longevidade dos animais 


A DIETA INCLUI 100% DE FENO DE ALTÍSSIMA QUALIDADE, PRODUZIDO NA PRÓPRIA FAZENDA, À BASE DE GRAMA JIGGS CULTIVADA NAS ÁREAS MAIS NOBRES. COM BAIXA EXIGÊNCIA VOLUMÉTRICA NESSA FAIXA ETÁRIA, A FAZENDA CONSEGUE DESTINAR PARA AS BEZERRAS APENAS OS LOTES DE FENO PERFEITOS: MACIOS, PROTEICOS, SEM TALOS


Após o desaleitamento, as novilhas seguem para a Fazenda Pereira, onde a recria é feita em estruturas adaptadas – antigos aviários de perus transformados em Compost Barns. O manejo sanitário também é progressivo: as novilhas iniciam em camas mais secas e limpas e avançam gradualmente para ambientes com maior carga microbiana, o que estimula o desenvolvimento natural da imunidade, especialmente contra a coccidiose. 

Essa adaptação controlada é parte da filosofia da fazenda, que aposta na medicina da produção: prevenir em vez de remediar. “O foco não é apenas tratar o animal doente. É garantir que o sistema promova saúde desde o início”, afirma Júlio. Da nutrição ao conforto, tudo segue um mesmo princípio: controle. A dieta de todas as categorias é preparada na sede e distribuída diariamente por caminhão. “Não temos silos ou misturadores nas áreas externas”, diz Júlio. “A lógica é enxuta, sem sobra e sem desperdício.” 

Com manejo preciso, protocolos consolidados e uma equipe altamente treinada, a Melkstad transforma a criação de bezerras em um dos pilares decisivos da eficiência produtiva. 


Alimentadas com feno de altíssima qualidade, produzido nas áreas mais nobres da fazenda, as bezerras da Melkstad recebem dieta pensada para estimular o desenvolvimento precoce, a saúde intestinal e a expressão máxima do potencial genético 


A genética que o mercado pediu – e a Melkstad entregou 

O protagonismo da Melkstad na venda de genética não foi planejado, mas se consolidou como um dos capítulos mais bem-sucedidos da fazenda. A primeira venda ocorreu em 2022, quando a produção ainda girava em torno de 80 mil litros de leite por dia. O objetivo à época era outro: escalar a produção para alcançar os 100 mil litros diários. No entanto, o mercado identificou antes o que já se formava ali. 

A receptividade foi imediata. A qualidade genética dos animais – medida e reconhecida – passou a ser um diferencial competitivo. Em parte, esse reconhecimento veio graças a um projeto de genotipagem subsidiado pela intercooperação das cooperativas Frísia, Capal e Castrolanda. Com os genomas mapeados, os dados falaram por si: a Melkstad dominou os rankings, com a maioria dos animais no Top 20 e presença maciça entre os oito primeiros colocados.


ENQUANTO MUITOS REBANHOS SE ESPECIALIZAM EM UMA OU OUTRA CARACTERÍSTICA, A MELKSTAD CONSEGUIU DESENVOLVER VACAS COMPLETAS: PRODUTIVAS, LONGEVAS, COM EXCELENTE CONFORMAÇÃO DE ÚBERE E MUITO, MUITO BONITAS


O mercado respondeu com entusiasmo. Os animais da fazenda passaram a ser procurados não apenas por seu desempenho produtivo, mas por algo mais raro: o equilíbrio entre genética avançada e tipo funcional. Enquanto muitos rebanhos se especializam em uma ou outra característica, a Melkstad conseguiu desenvolver vacas completas: produtivas, longevas, com excelente conformação de úbere e muito, muito bonitas. O sucesso foi tanto que muitas delas foram compradas para participar de exposições, tornando-se campeãs nacionais por outras propriedades, mas com o afixo da fazenda. 

O auge dessa trajetória veio com o último leilão, em março de 2025, considerado a consagração de uma genética que combina consistência, beleza e potencial produtivo. Além disso, dois touros com o afixo Melkstad estão hoje na central da Semex. Um deles, o Rockstar, é o touro nacional com maior número de doses vendidas na pecuária leiteira atualmente. 

Tudo isso é fruto de um trabalho iniciado ainda em 2020, com a importação de embriões genotipados da fazenda canadense Progenesis, referência mundial em genética. Os animais da Melkstad já estão na quarta geração desses embriões, plenamente integrados ao sistema de produção e levando adiante uma linhagem que já conquistou o país.  




Altos, arejados e equipados com aspersores e ventiladores nos pontos ANÚNCIO estratégicos, os barracões de Free Stall da Melkstad são ambientes otimizados para saúde, conforto térmico e eficiência operacional


Escala, inovação e eficiência 

Com sete galpões destinados ao confinamento de vacas, a Fazenda Melkstad dispõe de um sistema Free Stall robusto, capaz de alojar até 3 mil animais simultaneamente. Cada barracão apresenta capacidades variáveis, mas, juntos, formam uma engrenagem pensada para a alta produtividade e o bem-estar animal. 

Atualmente, 2.500 vacas estão alojadas na propriedade, sendo 2.240 em lactação – responsáveis por uma produção média diária de 98 mil litros de leite. Isso se traduz na produtividade média de 43,75 litros por vaca/dia. Mas alguns lotes de elite, compostos por 400 animais, alcançam impressionantes 60 litros por vaca/dia. Outros 200 animais, manejados em sistema robotizado, mantêm média de 55 litros por vaca/dia. 

A infraestrutura foi pensada com precisão para que o sistema funcione em plena harmonia. Os barracões são altos, aproveitando a ventilação natural da região, situada a 1.150 metros de altitude. Ventiladores foram adicionados recentemente, mas de forma pontual, nos lotes mais sensíveis ao calor e no setor robotizado, onde as vacas não passam pela sala de espera tradicional, ficando o tempo todo no barracão. Ali, o resfriamento é feito com ventiladores e também com aspersores ligados à captação de água de chuva, armazenada em grandes lagoas e caixas com capacidade para 100 mil litros. A mesma água é usada para limpeza de pisos e, em alguns barracões, o sistema de flushing emprega esterco líquido previamente separado da areia, que também é tratada e retorna às camas das vacas. 

Todo o resíduo gerado é aproveitado. O esterco sólido vai para a adubação das áreas agrícolas; o líquido é utilizado tanto para a limpeza quanto para a fertirrigação. 

A sala de ordenha rotatória, principal núcleo de ordenha da fazenda, é capaz de atender até 2 mil vacas por dia, operando em três turnos. O processo só é interrompido por uma hora, destinada à limpeza e ao intervalo das colaboradoras. A operação funciona em ritmo contínuo, mas com precisão e planejamento. 



A ordenha que organiza o sistema

“Nosso crescimento será com robôs.” A afirmação de Diogo resume uma decisão estratégica. Na propriedade, a tecnologia é uma filosofia de produção que reorganiza toda a lógica do sistema. Segundo Júlio, classificar um modelo produtivo apenas como “confinado” já não basta. É preciso nomear também o tipo de ordenha adotado, pois ele influencia diretamente o desenho da rotina, o perfil da equipe, o manejo e até a genética do rebanho. “Não é só a ordenha que muda. É o todo.”

 Na Melkstad, o “todo” é um sistema confinado com ordenha robotizada – modelo que rompe com o paradigma tradicional de tocar as vacas três vezes por dia para a sala de ordenha. No formato convencional, o animal é retirado de seu ciclo natural, tendo sono, alimentação ou ruminação interrompidos. “A vaca que não dorme não dá leite. A vaca que não come também não dá leite”, lembra Júlio. 

No sistema robotizado, essa lógica se inverte. As vacas circulam livremente e escolhem o melhor momento para se dirigir ao robô, motivadas não apenas pela ordenha em si, mas também pela alimentação complementar oferecida individualmente. No caso das vacas de maior produção, até 9 quilos de alimento concentrado por dia. É um modelo que respeita o comportamento natural dos animais e promove bem-estar como ferramenta de eficiência. 

A tecnologia também reconfigura a gestão de pessoas. A ordenha robotizada eliminou o turno da madrugada no setor. E, embora demande menos funcionários, exige profissionais mais qualificados, com remuneração condizente. O resultado é uma equipe mais estável e engajada, e uma produtividade até 25% superior em comparação aos sistemas convencionais. 

O diferencial da Melkstad está na forma como essa infraestrutura se integra a uma cultura de gestão orientada por dados. A cada visita ao robô, centenas de informações são geradas: volume de leite, condutividade elétrica, tempo de ordenha, consumo de ração, frequência de visitas. O monitoramento individual das vacas começa com o uso de colares inteligentes, tecnologia essencial para garantir eficiência, precisão e bem-estar. Na Melkstad, dois  sistemas atuam de forma integrada: os colares vermelhos ANÚNCIO utilizados nas vacas em ordenha robotizada se conectam diretamente a um software, dispensando a necessidade de múltiplas plataformas. São eles que autorizam ou bloqueiam a ordenha, com base em critérios de saúde, cio e produção.

 

A ordenha robotizada faz todo o processo com sensores de alta precisão, sem intervenção humana. O sistema reconhece a vaca, posiciona os braços automaticamente e coleta o leite de forma segura, higiênica e confortável


Paralelamente, um novo projeto implantado em parceria com a Frísia tornou possível equipar todo o rebanho com colares de monitoramento térmico e comportamental. Sensores espalhados pelos barracões captam o índice de estresse térmico (THI) por lote, permitindo acionar respostas precisas em ventilação e manejo. O sistema ainda identifica a localização exata das vacas e emite alertas em caso de deslocamento entre lotes, garantindo organização, vigilância contínua e uma resposta ágil aos desafios do dia a dia. “Toda segunda-feira nos reunimos com os coordenadores para analisar os indicadores. Se algo sai fora do previsto, atuamos. Se está dentro das curvas ideais, seguimos. É um sistema que se autorregula com precisão, mas sem perder flexibilidade”, explica Diogo. 

Na prática, é uma ordenha que organiza todo o sistema, conectando genética, nutrição, bem-estar e gestão em uma mesma engrenagem. E que projeta a Melkstad como uma fazenda moderna e um modelo de produção em constante construção.


Uma história que se entrelaça com a Frísia 

A relação da Melkstad com a cooperativa Frísia vai muito além de uma parceria comercial. É uma história de origem, pertencimento e visão de futuro. 

A Frísia, que completa 100 anos em 2025, tem entre seus fundadores o bisavô de Diogo Vriesman. “A cooperativa é a principal parceira da Melkstad desde o início. Foi ela que permitiu que a gente existisse”, afirma.

 O vínculo é tão profundo que um dos sócios da fazenda presidiu a Frísia por 18 anos. Quando a cooperativa retomou a industrialização de lácteos, em 2011, passou a incentivar fortemente a produção de leite, financiando vacas, lavouras e novos projetos. Foi nesse contexto que, em 2012, a Melkstad deu seus primeiros passos: 50 vacas financiadas, uma lavoura de milho e um arrendamento estratégico. 

“A Frísia fomenta o empreendedorismo, oferece assistência técnica de excelência, paga um preço justo e incentiva o crescimento com base em eficiência e visão de longo prazo”, ressalta Diogo.  

Construir o futuro e fazer parte da mudança 

Diogo Vriesman movimentou, ainda muito jovem, um conjunto importante de sócios e um time técnico e inquieto. Não apenas porque sonhou alto, mas porque trabalhou com afi nco para estar pronto quando as oportunidades surgissem. E elas sempre surgem. “Às vezes a gente busca. Outras, batem à porta. E aí, é preciso estar pronto para atender”, afirma ele, com a convicção de quem transformou planilhas em projeto e projeto em empresa. 

O sonho declarado é ousado: tornar a Melkstad uma das gigantes do agronegócio brasileiro. E não se trata apenas de volume ou escala, mas de protagonismo. Estar à frente de um movimento maior, que coloque o leite no lugar estratégico que merece, dentro e fora do Brasil. 

A equipe vislumbra o que está por vir: a concentração da produção, o avanço das grandes fazendas, a chegada de investidores de outros setores, a valorização da gestão, da genética e do conhecimento como ativos de valor. Tudo o que já ocorreu em mercados maduros como Estados Unidos e alguns países da Europa começa a tomar forma no Brasil. E a Melkstad quer estar na vanguarda dessa transformação – e se prepara para isso.


O SONHO DECLARADO É OUSADO: TORNAR A MELKSTAD UMA DAS GIGANTES DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO. E NÃO SE TRATA APENAS DE VOLUME OU ESCALA, MAS DE PROTAGONISMO. ESTAR À FRENTE DE UM MOVIMENTO MAIOR, QUE COLOQUE O LEITE NO LUGAR ESTRATÉGICO QUE MERECE, DENTRO E FORA DO BRASIL  

Mais do que esperar o futuro, a fazenda quer antecipá-lo. Ser parte da mudança. Ajudar a elevar a representatividade do leite nacional, profissionalizar a cadeia, tornar-se referência para projetos integrados e abrir portas para a exportação. 

O cluster dos Campos Gerais, onde a Melkstad está inserida, reúne vantagens únicas: escala produtiva, logística eficiente, proximidade com o porto e densidade técnica difícil de replicar. Ali, pode estar o embrião do polo exportador que o Brasil ainda não tem, mas inevitavelmente terá. 

Quando esse momento chegar, Diogo espera que as grandes empresas que queiram entrar no leite pensem logo em um nome. “Nós queremos que a Melkstad seja lembrada. Queremos ser os primeiros a vir à mente quando alguém disser: ‘quero montar algo grande, com quem entende do negócio’.” 

Se tem algo que a história da Melkstad ensina é que o futuro não se espera: se constrói.



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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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