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Manejo, Sanidade

História, tecnologia e confiança no monitoramento leiteiro com a Nedap

Como a experiência acumulada em tecnologia e análise de padrões sustenta o monitoramento animal e redefine variáveis produtivas na pecuária leiteira

História, tecnologia e confiança no monitoramento leiteiro com a Nedap

Em um setor cada vez mais orientado por dados, a palavra confiança deve estar necessariamente associada à tecnologia. Essa associação surge de forma inevitável ao se observar a trajetória da multinacional Nedap. Fundada na Holanda, a empresa atravessou décadas de transformações industriais, crises globais e revoluções tecnológicas, consolidando sua presença em áreas nas quais precisão, estabilidade e segurança representam premissas operacionais.

Muito antes de se tornar referência em monitoramento animal, a Nedap construiu uma reputação sólida em segmentos altamente exigentes. Essa origem ajuda a compreender um atributo frequentemente valorizado pelos produtores: estabilidade operacional ao longo do tempo.

A base tecnológica da Nedap

Para milhões de pessoas, o Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã (Holanda), é um ponto de passagem. Um ambiente regido por sistemas de decisão e controle automatizado que asseguram que cada indivíduo transite por áreas específicas sob critérios rigorosos de segurança. O que raramente se percebe é que parte dessa engrenagem tecnológica carrega um nome presente em contextos muito distintos – do varejo global à saúde – e que, de forma crescente, também se insere na pecuária leiteira: Nedap.

Muito antes de associar sua marca ao monitoramento animal, a empresa construiu uma forte trajetória em setores nos quais confiabilidade operacional e precisão tecnológica são condições básicas de funcionamento. Sistemas de controle de acesso em infraestruturas críticas, como aeroportos internacionais e instituições governamentais europeias, figuram entre as aplicações que moldaram a base tecnológica da organização.

Segundo Anna Luiza Belli, gerente da Nedap Brasil, essa origem ajuda a compreender a lógica por trás das soluções voltadas à pecuária: “Quando uma tecnologia é responsável por ambientes de alta segurança, como aeroportos, ela precisa operar de forma contínua e com margem mínima para falhas. Esse mesmo rigor acompanha o desenvolvimento das soluções em outros mercados”.

A atuação da empresa nas áreas de varejo e saúde reforça esse mesmo princípio. No segmento de Radio-Frequency Identification (RFID), ou Identificação por Radiofrequência, a Nedap consolidou sua presença global em sistemas de prevenção de perdas e controle de estoques. Na Holanda, plataformas digitais voltadas à gestão de cuidados, especialmente em estruturas de assistência a idosos, tornaram-se parte relevante de seu portfólio tecnológico.

À primeira vista, são universos desconectados. Sob a ótica tecnológica, entretanto, o denominador comum é evidente: captura massiva de dados, interpretação contínua de padrões e geração de informações capazes de sustentar decisões críticas.

A experiência acumulada pela Nedap em setores de alta exigência tecnológica sustenta as soluções de monitoramento contínuo aplicadas ao comportamento animal

Da origem industrial à pecuária de precisão

Essa trajetória antecede em décadas a entrada definitiva no setor pecuário. Fundada em Amsterdã em 1929, inicialmente dedicada à produção de componentes técnicos e materiais voltados à infraestrutura, a Nedap atravessou transformações industriais e tecnológicas profundas. O período pós-Segunda Guerra Mundial marcou uma inflexão estrutural, com a transferência da sede para Groenlo, na Holanda, onde tradição e engenharia de ponta convivem em uma mesma narrativa corporativa.

Para Anna Luiza, essa herança histórica influencia diretamente a relação com o produtor rural. “Na pecuária, especialmente quando falamos de tecnologias de longo ciclo de vida, confiança é o elemento central. O produtor sabe que está adotando um sistema que fará parte da rotina da fazenda por muitos anos.”  

Nesse contexto, a atuação da empresa no monitoramento animal consolidou-se por meio de tecnologias de sensoriamento individual, com destaque para os colares utilizados no acompanhamento contínuo do comportamento e dos indicadores fisiológicos das vacas. A lógica de engenharia de sistemas, desenvolvida ao longo de décadas em outros setores, passa a ser aplicada à dinâmica biológica dos rebanhos leiteiros.

No mercado brasileiro, a Nedap estrutura sua presença por meio de parcerias com empresas de genética e fabricantes de equipamentos de ordenha, como Alta Genetics, GEA, Genex, BouMatic e Lely. O modelo privilegia integração tecnológica e proximidade com o produtor, permitindo que o monitoramento seja incorporado às rotinas já consolidadas nas fazendas, sem rupturas operacionais. Além de viabilizar a adoção da tecnologia, essa rede amplia o suporte técnico – aspecto decisivo para que os dados capturados se convertam em decisões efetivas de manejo.

Como o monitoramento transforma comportamento em dados zootécnicos

No cotidiano das fazendas leiteiras, eventos de grande impacto econômico frequentemente têm origem em variações discretas: um cio não identificado, oscilações sutis de ruminação ou alterações no padrão de ingestão. O monitoramento individual atua justamente nesse campo de pequenas mudanças, dificilmente acompanhadas pela observação humana contínua.

Por meio de colares ou brincos, variáveis comportamentais – como atividade, alimentação e ruminação – são registradas de forma permanente. Esses indicadores refletem o estado fisiológico dos animais e permitem reconhecer desvios relevantes antes que se convertam em perdas produtivas.

Como observa Anna Luiza: “O comportamento de uma vaca é profundamente sensível a mudanças metabólicas, reprodutivas e sanitárias. Alterações sutis em atividade, ingestão ou ruminação frequentemente antecedem eventos produtivos relevantes”.

Na reprodução, essa dinâmica amplia a precisão na identificação de eventos estrais. Sob a perspectiva sanitária, variações em ingestão e ruminação funcionam como sinais precoces de possíveis distúrbios, deslocando o momento das intervenções. A mesma lógica se aplica às condições ambientais, especialmente em cenários de estresse térmico, nos quais os efeitos do ambiente se manifestam de forma contínua no comportamento animal.

Além das variáveis biológicas, a leitura coletiva dos padrões comportamentais amplia a compreensão dos processos operacionais, permitindo identificar falhas de rotina e ajustes de manejo.

Na sede da Nedap, em Groenlo (Holanda), tradição industrial e engenharia de sistemas moldam a base tecnológica que se estende ao monitoramento animal

De acordo com Anna Luiza, o principal ganho reside na capacidade de antecipação: “Grande parte dos eventos que afetam desempenho e saúde não surge de forma abrupta. São variações graduais que, quando acompanhadas continuamente, podem ser identificadas e corrigidas com antecedência”.

Nesse contexto, o monitoramento fortalece a leitura sistêmica da fazenda e sustenta decisões tecnicamente mais consistentes.

Retorno sobre investimento: impacto econômico direto

A adoção de tecnologias de monitoramento na fazenda se sustenta, em última instância, pela capacidade de gerar impacto econômico mensurável. Os ganhos decorrem da combinação de melhorias em variáveis críticas do sistema produtivo.

Na reprodução, a maior precisão na detecção do cio e a redução de dias em aberto alteram diretamente a eficiência biológica e financeira do rebanho. Sob a perspectiva sanitária, a identificação precoce de desvios comportamentais desloca o momento das intervenções. Problemas tratados em estágios iniciais tendem a implicar menor perda produtiva, menor custo terapêutico e maior probabilidade de recuperação dos animais.

Para Anna Luiza, o retorno depende fundamentalmente do cenário inicial da propriedade quando da sua adoção: “Quanto maior a margem de ajuste do sistema, mais rapidamente os efeitos do monitoramento se traduzem em resultado econômico”.

O comportamento animal, registrado de forma contínua pelos colares, converte variações, mesmo discretas, em informações relevantes para decisões reprodutivas, sanitárias e gerenciais

Monitoramento como decisão estrutural

Em um ambiente produtivo cada vez mais pressionado por eficiência, previsibilidade e controle de custos, o monitoramento animal integra o núcleo das decisões zootécnicas, sanitárias e gerenciais. Trata-se, em essência, de algo bastante concreto: compreender os sinais emitidos diariamente pelos animais, reduzir incertezas e sustentar a gestão da fazenda em bases menos intuitivas e mais fundamentadas em evidências.

Quando essa leitura contínua do rebanho se ancora em sistemas tecnologicamente robustos, como os desenvolvidos pela Nedap, o monitoramento passa a compor a lógica de gestão da fazenda, qualificando a interpretação dos eventos biológicos e sustentando decisões em um sistema produtivo em que variáveis fisiológicas, sanitárias e econômicas permanecem inseparáveis.


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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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