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Cetose bovina e o manejo preventivo em vacas leiteiras

A cetose bovina é uma doença metabólica, frequentemente observada em rebanhos de alta produção, ocorrendo, normalmente, dentro de poucos dias após a parição.

Cetose bovina e o manejo preventivo em vacas leiteiras

A cetose bovina é uma doença metabólica, frequentemente observada em rebanhos de alta produção, ocorrendo, normalmente, dentro de poucos dias a poucas semanas após a parição. O período pós-parto é um estágio crítico da lactação para vacas leiteiras de alta produção, sendo caracterizado por drásticas mudanças metabólicas, imunossupressão, balanço negativo de energia e níveis elevados de estresse, que podem levar ao aumento da incidência de doenças e menor eficiência animal.

Entenda a Cetose Bovina: Sintomas, Causas e Impactos na Produção

A cetose bovina é caracterizada por baixa glicose sanguínea, excesso de corpos cetônicos no corpo e urina, falta de apetite, letargia ou excitabilidade, perda de peso, menor produção de leite e, ocasionalmente, em casos severos, falta de coordenação e sinais neurológicos. Com base em vários trabalhos, a incidência de cetose clínica pode alcançar de 2% a 15%, e a de cetose subclínica, de 9% a 34%.

Qualquer fator que resulte na redução da ingestão de matéria seca (IMS) aumenta o risco de cetose bovina, o que ocorre naturalmente no peri-parto devido ao estágio avançado da gestação, bem como às mudanças metabólicas que ocorrem nesse período. Durante a última semana de desenvolvimento, o feto usa aproximadamente 46% da glicose materna. O início da lactação torna essa escassez de energia ainda mais notável. Esses fatores, associados à redução na IMS, em geral, leva ao balanço energético negativo (BEN).

  • Para mais caraterísticas, como detectar e como tratar a cetose bovina, leia: O que é a cetose?

Demanda energética durante a lactação

Quando a lactação se inicia, a glândula mamária requer uma grande quantidade de glicose para síntese da lactose do leite. Estima-se que a glândula mamária consuma 60% a 70% de toda a glicose do corpo, principalmente para a síntese de lactose. Nesse caso, uma vaca produzindo 66 libras (~30 quilos) de leite por dia usa, pelo menos, 3,3 libras (~1,5 quilos) da glicose do sangue para sintetizar a lactose do leite. A alta demanda de energia durante esse período de escassez de glicose desencadeia um processo compensatório de divisão de nutrientes e mobilização de gordura, com produção de uma fonte alternativa de energia - os corpos cetônicos - que são utilizados como combustível para as funções celulares básicas, além de fornecer energia para manter a produção de leite.

Impactos da cetose bovina no desempenho e saúde

Vários estudos descreveram os efeitos deletérios da cetose bovina na saúde animal e na reprodução. Além das perdas produtivas, a cetose clínica está associada com um aumento de 2 a 3 dias para o primeiro serviço e uma redução de 4% a 10% nas gestações por inseminação artificial no primeiro serviço. Outras pesquisas identificaram uma associação entre a cetose bovina e uma maior incidência de cistos ovarianos.

A cetose clínica está associada a uma redução de 4% a 10% nas gestações por inseminação artificial.

Fatores de risco e prevenção da cetose bovina

A cetose bovina é uma doença que apresenta impacto severo no desempenho do animal e, consequentemente, no retorno econômico da atividade leiteira. Como em qualquer doença, a prevenção é menos onerosa que o tratamento e reduz as perdas de produção

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O escore de condição corporal (ECC) tem sido relacionado a mudanças metabólicas durante o período pós-parto. Um ECC elevado na parição é um importante risco para cetose bovina, sendo que  vacas com ECC ≥ 4,0 apresentam níveis elevados de corpos cetônicos circulantes no plasma e maior risco de desenvolver cetose clínica e subclínica quando comparadas com vacas classificadas com ECC moderado ou baixo. Administrar o ECC  no final da lactação é uma prática importante de manejo para minimizar a cetose bovina e outras doenças metabólicas pós-parto.

Devido à maior demanda de energia requerida antes da parição, estratégias para prevenir doenças metabólicas precisam estar focadas no manejo nutricional de vacas secas e em transição, com o objetivo de fornecer todos os nutrientes requeridos, minimizar a redução na IMS, e adaptar o rúmen para mudanças futuras nas dietas de lactação.

Texto de: Ralph Bruno, Ellen Jordan, Todd Bilby, Kevin Lager


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