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Manejo

Monitoramento de vacas leiteiras no período de transição

Monitoramento de vacas leiteiras no período de transição

Texto: Tiago F. Moreira, Rodrigo M. Meneses, Ronaldo A. Martins, Luiza B. Leite, Antônio U. de Carvalho, Elias J. Facury Filho

O monitoramento de vacas no período de transição é uma ferramenta que auxilia o diagnóstico precoce de enfermidades, especialmente as subclínicas, permitindo a adoção de medidas para a prevenção de doenças de produção, como mudanças no manejo e na nutrição dos animais. Além disso, permite tratar precocemente as vacas enfermas, minimizando as perdas econômicas.

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Introdução

A expansão e a evolução dos sistemas de produção de bovinos leiteiros e um mercado cada vez mais exigente, trouxe novos desafios para os produtores e os técnicos na bovinocultura de leite. A medicina de produção ou medicina de rebanho é uma área da veterinária que vem crescendo como um auxílio para superar estes desafios, visando garantir a saúde e bem estar animal, juntamente com a produtividade do rebanho.

Os programas estabelecidos nesta filosofia são baseados em sistemas de prevenção e monitoramento e começam por desenvolver um plano de ação, estabelecendo objetivos e metas para a saúde do rebanho. O próximo passo é desenvolver ferramentas para estabelecer esse monitoramento, sendo as mais usadas na produção leiteira o exame clínico de animais, a produção e composição do leite, o registro das doenças, os índices reprodutivos, o consumo de alimento, a observação do comportamento, os marcadores do metabolismo, como alguns parâmetros sanguíneos, e a condição corporal.

Um programa de monitoramento tem por objetivo fazer o diagnóstico de uma situação de forma mais precisa e precoce. Ele deve ser capaz de diagnosticar enfermidades clínicas e subclínicas tanto ao nível individual como ao nível de rebanho e fornecer uma oportunidade para investigar e intervir de forma rápida e precisa para minimizar as consequências e os prejuízos de doenças e erros de manejo que causem queda de produtividade e do bem estar animal. Este programa de monitoramento, a tomada de decisões e os resultados das ações são um processo contínuo.

O programa de monitoramento ocorre especialmente durante o período de transição, que compreende o intervalo de tempo de três semanas antes e três semanas após o parto. Este período é caracterizado pelo estresse fisiológico no qual esses animais passam devido às profundas mudanças endócrinas e metabólicas. Estas alterações, quando intensas e não compensadas pelo animal, resultam em doenças clínicas e, principalmente, subclínicas.

As principais doenças metabólicas e infecciosas que ocorrem neste período são consideradas como doenças de produção e consistem na hipocalcemia, deslocamento de abomaso, síndrome cetose/fígado gorduroso, mastite, retenção de placenta e metrite. Todas essas enfermidades encontram-se extremamente interligadas, como é o caso de vacas com hipocalcemia clínica que são oito vezes mais propensas a desenvolver mastite, assim como o de vacas com cetose subclínica, as quais também possuem oito vezes mais chances de desenvolver deslocamento de abomaso.

Do ponto de vista financeiro, as perdas econômicas não se concentram apenas nos casos clínicos, mas, especialmente, nos casos subclínicos. Isto é conhecido como o princípio do iceberg, pois em muitas situações as doenças classificadas como subclínicas superam em várias vezes a incidência das doenças clínicas. As doenças em seu aspecto subclínico são caracterizadas pela ausência de manifestações clínicas identificadas pelo veterinário que poderiam auxiliar o seu diagnóstico. Por isso, elas passam despercebidas em muitos casos, mas são as maiores responsáveis pela perda de saúde, queda do desempenho produtivo e reprodutivo, e representam maior perda econômica do que as doenças clínicas. Dessa forma, o monitoramento rigoroso e quantitativo da saúde do rebanho é essencial.

A intenção deste artigo é mostrar algumas das ferramentas que estão à disposição para monitorar e prevenir o aparecimento de doenças de produção.

 

Monitoramento de vacas no pré-parto

Testes de ácidos graxos não esterificados (AGNE) para balanço energético negativo no pré-parto

O organismo animal compensa o balanço energético negativo no período de transição com a mobilização de reservas corporais, especialmente gordura. Esta mobilização é caracterizada por redução da síntese de triglicerídeos e aumento da lipólise, liberando AGNE na circulação. Dessa forma, as concentrações de AGNE sanguíneo refletem a intensidade de lipólise e do balanço energético negativo no organismo.

Em vacas que se encontram no pré-parto, espera-se que o balanço energético negativo ocorra apenas nas últimas 24-48 horas que antecedem o parto. Portanto, este teste é utilizado para avaliar a presença de balanço energético negativo em vacas com 2-14 dias anteriores ao parto. O ponto de corte de 0,4 mEq/L é utilizado para definir vacas com alto ou baixo risco de desenvolver problemas metabólicos no pós-parto, especialmente cetose e deslocamento de abomaso. Porém, em se tratando de um diagnóstico do rebanho, rebanhos que apresentam mais de 10% dos animais com valores superiores ao ponto de corte (0,4 mEq/L) possuem alto risco para doenças de produção. Com isso, os altos níveis de AGNE permitem focar atenção na secagem e manejo da vaca pré-parto.

O número mínimo de animais necessários para refletir adequadamente a situação do rebanho é 12 vacas, no entanto, isto pode ser difícil, já que o período de amostragem é estreito (2-14 dias antes do parto), assim como também é difícil prever exatamente o parto. Por isso, uma amostragem de aproximadamente 20 animais deve ser realizada para que se consiga o mínimo de 12 vacas dentro do período estabelecido. Dessa forma, quanto maior o rebanho, mais rápida é a obtenção da amostragem, o que permite a sua realização em menores intervalos de tempo, refletindo de forma mais confiável a situação do rebanho em determinado momento.

A manipulação adequada da amostra é importante para a obtenção de resultados confiáveis de AGNE. As amostras devem ser coletadas em tubos com EDTA e mantidas refrigeradas até serem centrifugadas. Após o plasma ser separado, o mesmo deve ser congelado até a análise laboratorial.

 

Testes de pH urinário para monitoramento da acidificação da dieta

O pH da urina é uma ferramenta para monitorar a eficiência da acidificação da dieta quando dietas aniônicas são utilizadas no pré-parto para a prevenção de hipocalcemia. O grau de acidificação da dieta é relacionado ao pH da urina e, em geral, os valores devem se situar entre 6,0 e 7,0 para vacas da raça Holandesa e entre 5,5 e 6,5 para vacas da raça Jersey.

Em rebanhos pequenos, é sensato checar o pH urinário de todas as vacas no pré-parto que estejam recebendo dieta aniônica até atingir, pelo menos, 8 vacas. Os valores médios desses animais devem ser interpretados e usados para a análise da necessidade ou não de ajustar a dieta. O pH urinário pode ser determinado satisfatoriamente com fita de pH. O efeito do tempo pós-alimentação sobre o pH urinário é pequeno quando o acesso ao alimento é bom durante todo o dia. Se a disponibilidade de alimento não é constante durante o dia para vacas no pré-parto, este é um problema muito mais importante para ser corrigido do que o ajuste imediato da dieta.

Quando os valores médios de pH urinário encontram-se ao redor do limite máximo, isto indica que a acidificação não está adequada e uma causa comum para isso é a alta quantidade de potássio na dieta. Por outro lado, quando os valores médios de pH da urina encontram-se próximos do limite inferior, isto demonstra uma superacidificação da dieta, que usualmente é acompanhada por redução do consumo pelos animais.

 

Monitoramento de vacas no pós-parto

Dosagem de cálcio para hipocalcemia subclínica

A concentração sérica normal de cálcio no bovino adulto se mantém em torno de 8,5 a 12 mg/dL e é de extrema importância que ela permaneça nestes níveis, pois, do contrário, ocorrem várias consequências graves para os processos fisiológicos e para a vida, como a perda da função de músculos e nervos.

No período de transição a vaca passa por um grande desafio para manter sua concentração sanguínea de cálcio dentro dos valores normais. Uma estimativa de quanto cálcio a vaca deve mobilizar pode ser feita rapidamente: em uma vaca de 600kg existem cerca de 3g de Ca no plasma e apenas 8 a 9g em todos os fluidos extracelulares juntos. O colostro produzido pela vaca contém cerca de 1,7 a 2,3g Ca/kg e o leite cerca de 1,1g de Ca/kg. Se esta vaca produzir 15 kg de colostro ela retiraria aproximadamente 25g de Ca destas reservas corporais para a produção deste colostro. Ou seja, em pouco tempo ela deveria mobilizar quase nove vezes a quantidade de cálcio presente em seu sangue. Desta mesma forma, vacas com grandes produções de leite podem chegar a perder 50g de Ca por dia, ou seja, dezesseis vezes a quantidade de cálcio sanguíneo.

Vacas que não conseguem manter seus níveis sanguíneos de cálcio possuem balanço energético negativo mais acentuado e maior imunossupressão, favorecendo a ocorrência de mastite, metrite, retenção de placenta e deslocamento de abomaso.

Desempenhando um papel tão importante para determinar a saúde da vaca no início da lactação, o diagnóstico da hipocalcemia subclínica é de extrema importância e relevância nos rebanhos leiteiros. Porém, o quadro de hipocalcemia subclínica é difícil de diagnosticar com exames de rotina nas fazendas, caindo sobre o exame bioquímico sanguíneo a condição de diagnóstico.

Normalmente, a concentração de Ca mais baixa no sangue ocorre nas 24 horas depois do parto, sendo este momento o melhor para avaliar a ocorrência de hipocalcemia subclínica. Em rebanhos pequenos, a dosagem de cálcio poderia ser feita em todos os animais ao parir, mas em rebanhos grandes os exames podem ser feitos por amostragem com um número mínimo de 12 animais. Uma proporção menor do que 30% dos animais com hipocalcemia subclínica seria um bom parâmetro, mas o ideal seria que nenhum animal apresentasse este quadro.

 

Temperatura retal

A aferição da temperatura retal é uma ferramenta que nos permite uma identificação rápida de animais doentes, possibilitando um tratamento precoce. Como a maioria das doenças infecciosas (metrite e mastite) acontece até duas semanas pós-parto, o monitoramento da temperatura retal durante esta fase apresenta um ótimo resultado no auxílio de diagnóstico de doenças, devendo ser realizado diariamente, principalmente nos primeiros sete dias pós-parto. É importante lembrar que existe uma variação da temperatura das vacas durante o dia, sendo que à tarde a temperatura retal tem uma tendência de ser superior à temperatura aferida de manhã. Para evitar que esta variação influencie o monitoramento, é aconselhável que a aferição da temperatura seja feita sempre na mesma hora todos os dias. A temperatura retal normal de um bovino varia entre 38 e 39,5 ºC.

Vacas que se apresentem acima dos valores normais devem ser examinadas para se decidir qual o tratamento a se seguir. Medicar com antibiótico todas as vacas que estiverem com temperaturas elevadas pode levar a um excesso de tratamentos com antibióticos e, como consequência, um descarte de leite indesejado.

Vacas que apresentem aumento de temperatura significativo de um dia para o outro também devem ser examinadas, pois muitas vezes animais doentes não alcançam a temperatura de 39,5 ºC. 

 

Escore de condição corporal (ECC)

A avaliação de escore corporal das vacas de leite durante toda a sua vida produtiva é uma das formas mais simples e importantes de monitoramento para que ocorra uma transição saudável entre o final de gestação e início de lactação.

A avaliação de condição corporal é feita utilizando uma escala de 1 a 5, sendo 1 a vaca mais magra e 5 a mais gorda. Na fazenda, este monitoramento deve ser feito principalmente na secagem e no parto e, se possível, também quando a vaca for inseminada e quando atingir 150, 200 e 250 dias em lactação. A avaliação pode ser feita em grupo ou lotes de animais, calculando a média entre os mesmos. Neste caso, deve-se atentar quando um lote apresentar grandes variações individuais. A avaliação individual deve ser feita tendo-se em mãos a ficha com a escala de condição corporal, bem como a palpação do animal.

Vacas muito gordas, com condição corporal acima de 4, têm a tendência de diminuir o consumo pós-parto, agravando o balanço energético negativo, mobilizando mais gordura corporal tornando, assim, mais provável a ocorrência de fígado gorduroso, cetose, retenção de placenta e deslocamento de abomaso. Já foi provado também que vacas gordas são mais propensas a terem hipocalcemia clínica. Por isso, a condição considerada ótima para a vaca parir é de 3,5. A perda de escore corporal no pós-parto também é um ponto a ser observado e não deve exceder 0,5. Esta pequena perda é natural, e não é possível eliminá-la aumentando a quantidade de alimento. Porém, se a perda de condição exceder 0,5 ponto na escala, isso demonstra que o que está sendo consumido está muito deficiente em relação à exigência do animal. Em alguns sistemas de criação, esta meta pode ser mais difícil de alcançar, dependendo da produção dos animais e do tipo de alimentação fornecida.

 

Testes de β-hidroxibutirato (BHB) para cetose subclínica

As concentrações sanguíneas de BHB consistem no teste de referência para a determinação de cetose subclínica. Este corpo cetônico é mais estável no sangue do que a acetona e o acetoacetato. O ponto de corte utilizado para definir animais com ou sem cetose subclínica é de 1400 μmol/L, equivalente a 14,4 mg/dL de BHB. Vacas que possuem concentrações de BHB sanguíneo superiores a esse ponto de corte possuem maior risco de desenvolvimento de deslocamento de abomaso, cetose clínica e de apresentarem produção de leite reduzida.

Ao nível de rebanho, assim como para os AGNE no pré-parto, a existência de mais de 10% de vacas com concentrações de BHB superiores ao ponto de corte é suficiente para classificar um rebanho como de alto risco para doenças associadas à cetose subclínica.

O teste para BHB pode ser realizado em amostras de soro sanguíneo, o qual deve ser armazenado congelado ou refrigerado até a análise laboratorial. No entanto, mais recentemente, foi desenvolvido um método que consiste em um aparelho portátil, o qual faz leitura a partir de uma pequena quantidade de sangue colocada em uma fita específica para este corpo cetônico. Para a sua análise, pode ser feito um pequeno pique na ponta da cauda do animal e a fita encostada à gotícula de sangue e, na sequência, faz-se a inserção da fita no aparelho para a dosagem. Porém, em condições nas quais a cauda encontra-se suja e/ou molhada, é necessária a coleta de sangue do animal em outra região para evitar erros. É importante ressaltar que, apesar da facilidade, a veia mamária não deve ser utilizada para a coleta do material, uma vez que ela drena o sangue da glândula mamária a qual consome BHB.

Uma avaliação para cetose subclínica em vacas no início da lactação deve ser realizada em pelo menos 12 vacas. Em grandes rebanhos, a amostragem pode ser realizada em um único dia, mas em rebanhos menores, há a necessidade de coletar amostras até que esse número mínimo de vacas seja atingido.

A dificuldade em predizer se um rebanho terá uma alta prevalência ou não para cetose subclínica justifica o monitoramento de vacas a partir das concentrações de BHB, tendo em vista que os sinais da própria doença clínica são sutis e não específicos.

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Escore de fezes

As fezes dos bovinos podem ser avaliadas e monitoradas quanto à sua consistência e conteúdo. O aspecto das fezes pode nos indicar sobre alterações no trato gastrointestinal e saúde dos animais.

A acidose ruminal subclínica é um distúrbio muito comum no período de transição por causa da quantidade de concentrado que os animais normalmente ingerem e da baixa adaptação ruminal das vacas recém-paridas. Este distúrbio leva a prejuízos na produção e na saúde do animal, favorecendo a ocorrência de laminite e diminuindo a ingestão de matéria seca. O excesso de ácidos produzidos no rúmen causa um aumento da osmolaridade e irritabilidade intestinal, aumentando a taxa de passagem e a quantidade de água nas fezes. Por meio destes mecanismos as fezes se tornam mais líquidas nos casos de acidose ruminal, e o escore fecal é uma maneira de se avaliar a ocorrência deste distúrbio.

A avaliação das fezes dos bovinos é também uma ferramenta auxiliar na avaliação da nutrição e do manejo da fazenda, ajudando na tomada de decisões.

As fezes podem ser avaliadas usando uma escala de 1 a 5, sendo:

Escore fecal 1: fezes muito líquidas, diarreicas;

Escore fecal 2: fezes pastosas que não formam um bolo fecal, causada por falta de fibra na dieta;

Escore fecal 3: formação de bolo fecal com anéis concêntricos, escore ideal para vacas leiteiras;

Escore fecal 4: fezes mais firmes formando pilhas mais altas;

Escore fecal 5: Fezes ressecadas, às vezes em forma de bolas.

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Testes de pH do líquido ruminal para acidose ruminal subclínica

A aferição do pH ruminal é o teste definitivo para acidose ruminal. A ocorrência de acidose ruminal subclínica em vacas no período de transição está associada à menor capacidade de absorção da mucosa ruminal, com consequente acúmulo de ácidos graxos voláteis no rúmen, assim como à utilização de dietas ricas em carboidratos não fibrosos no início da lactação sem uma prévia adaptação do ambiente e da microbiota ruminal.

Sinais clínicos de acidose ruminal subclínica em rebanhos afetados incluem baixa ou flutuante ingestão de matéria seca, baixa condição de escore corporal, diarreia, entre outros. Nenhum desses sinais, sozinho, é suficiente para o diagnóstico de acidose ruminal subclínica, entretanto, quando considerados juntos, eles formam a base para um diagnóstico presuntivo dessa enfermidade no rebanho. Quando os valores de pH ruminal se encontram abaixo de 5,5 por prolongados períodos de tempo observam-se os sinais clínicos relacionados à acidose ruminal subclínica.

A forma menos invasiva para a coleta de líquido ruminal é por meio de uma sonda oral, porém, deve-se tomar cuidado para que não haja contaminação do líquido ruminal com a saliva, a qual, por ser alcalina, pode aumentar o pH do material a ser analisado. Uma via alternativa é a ruminocentese, mas, por se tratar de uma técnica mais invasiva, deve ser utilizada com parcimônia. Além disso, deve-se tomar cuidado com o horário da coleta, buscando-se os menores valores de pH ruminal, que ocorrem entre 6 e 8 horas após a alimentação, no caso de vacas alimentadas com dieta total, e entre 2 e 4 horas se o concentrado for fornecido separadamente do volumoso.

O pH ruminal deve ser mensurado por meio de um pHmetro de boa qualidade, o qual deve ser calibrado sempre antes da realização do exame. As fitas de pH estão disponíveis no mercado, porém possuem baixa acurácia e são influenciadas pela cor do líquido ruminal. Um número mínimo de 12 vacas por grupo (de cada dieta) é necessário para a avaliação adequada do percentual de animais com pH ruminal inferior a 5,5. O rebanho tem alto risco de acidose subclínica quando mais de 25% dos animais possuem valores de pH ruminal inferiores a 5,5. Quando mais de 30% das vacas apresentarem pH inferior a 5,5 há alto risco de acidose ruminal subclínica, e quando a proporção for menor que 15% o risco é baixo. Caso dois, três ou quatro dos 12 animais, ou seja, 16,7 a 33,3% das vacas testadas possuam pH ruminal inferior a 5,5, há necessidade de realizar a análise do pH ruminal de mais vacas, a não ser que informações adicionais referentes a esta enfermidade sejam suficientes para definir o rebanho como de baixo ou alto risco para a doença. É provável que a intervenção imediata na dieta não seja crítica em rebanhos com prevalências intermediárias, sendo necessário mais tempo para obter informações adicionais.

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Considerações finais

O monitoramento de vacas no período de transição tem grande potencial para auxiliar o produtor e o técnico em rebanhos leiteiros, porém tem sido pouco utilizado no Brasil. Dentre os benefícios trazidos por esta ferramenta está o diagnóstico precoce de enfermidades, especialmente as subclínicas. Isso permite a adoção de medidas para a prevenção de doenças de produção, como mudanças no manejo e na nutrição dos animais. Além disso, permite tratar precocemente as vacas enfermas, minimizando as perdas econômicas.

Várias são as ferramentas a serem utilizadas no monitoramento de vacas no período de transição, no entanto, a facilidade de implantação e os benefícios trazidos devem ser analisados em cada situação.


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