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Fazendas, Gestão

Precisão genética, alma leiteira: conheça a história da Fazenda Casa Branca (Pompéu/MG)

Na região de Pompéu/MG, a Fazenda Casa Branca transforma investimentos em genética; manejo qualificado e tecnologia de ponta em desempenho produtivo. Sob a liderança de Carlos Eduardo Durcercino da Silva, a propriedade se consolida como referência nacional na criação de Girolando

Precisão genética, alma leiteira: conheça a história da Fazenda Casa Branca (Pompéu/MG)

A Serra da Moeda guarda mistérios e segredos. Colorida pelo minério, a geografia narra em suas curvas a própria história de Minas Gerais – antigamente rota de passagem dos portugueses e dos bandeirantes. Ainda hoje, mistura verde e ouro no vai e vem da estrada. Lá, tudo tem cheiro de mato, barulho de bicho, e as noites são mais longas e mais frias. 

É desse lugar (encantado) que vem Carlos Eduardo Durcercino da Silva, mais especificamente do município de Moeda. A paixão pelo universo do agronegócio nasceu nos anos vividos ao lado dos 12 irmãos, cercado por liberdade e pela alegria que só a vida no campo pode oferecer. 

Embora tenha se mudado cedo para a capital mineira – onde construiu sua trajetória como empreendedor da construção civil –, o chamado da terra nunca se calou. Pelo contrário: cresceu com o tempo. Assim como os bandeirantes, Carlos Eduardo cruzou Minas Gerais em direção ao oeste e fincou raízes na Fazenda Casa Branca, em Pompéu/MG. Foi ali que deu início a um novo capítulo, marcado por visão estratégica e investimentos que o tornaram referência nacional na genética do rebanho Girolando.

Raízes no campo 

Filho de agricultores, Carlos Eduardo foi criado entre a Serra de Moeda e as ruas de Belo Horizonte. Sempre entendeu que viver na fazenda significava um retorno às origens e também uma escolha empresarial. “Eu nunca apliquei em banco. Meu dinheiro está todo aqui, no chão. Meu patrimônio é rural”, afirma.

A história da Fazenda Casa Branca começou em 2007, quando Carlos Eduardo adquiriu a propriedade, localizada nos arredores de Pompéu/MG – à época, bastante desestruturada. Sem instalações, sem rebanho de ponta, sem pasto formado. Bastaram 40 novilhas meio-sangue Girolando e um tanque de 4 mil litros para que o improvável se tornasse evidente: em pouco tempo, a produção de leite transbordava e o tanque precisou ser substituído. “Riram quando viram a capacidade do tanque. Diziam que levaria um ano para encher. Bastou o primeiro lote de partos para ele não dar conta do volume”, lembra. 

Desde então, a aposta na raça Girolando, guiada por orientação técnica e sustentada por investimentos consistentes em genética, transformou a Fazenda Casa Branca em referência nacional.

Carlos Eduardo conta que foi reconhecido duas vezes. A primeira, em 2012, quando venceu o torneio leiteiro da Superleite. A segunda, mais recentemente, em 2023, quando teve 100 vacas listadas entre as mil melhores do país no quadro de genoma nacional da raça Girolando. 

A repercussão foi rápida. Logo, a Fazenda Casa Branca chamava a atenção de técnicos, compradores e revistas especializadas. “Meus animais sempre foram todos registrados. Foi isso que permitiu que montássemos o primeiro leilão virtual, com grande sucesso”, diz Carlos Eduardo. O nome da Casa Branca passou a circular por todo o Brasil.  

Hoje, a produção gira em torno de 5 mil litros de leite por dia. Mas o plano é claro: chegar a 10 mil litros com equilíbrio de custos e base genética ainda mais sólida. Para isso, Carlos Eduardo comprou 330 receptoras, alugou uma fazenda exclusiva para implantação de embriões e construiu um galpão de Compost Barn para 300 vacas. “Quero encher o galpão com a melhor genética que tenho.” 

A Fazenda Casa Branca se tornou referência nacional na genética do Girolando, sob a liderança de Carlos Eduardo da Silva



Estrutura para evoluir 

Quando comprou a fazenda, a estrutura era precária. “Era capoeira, mato fechado. Comprei animais comuns para começar, fazer capineira e plantar pasto”, relata Carlos Eduardo. A terra deu resposta rápida. Localizada no sopé de uma serra calcária, dispensou correção de solo e favoreceu o crescimento de um capim forte, rico em minerais. “Aqui é um lugar raro. A água é calcária, o rebanho engorda com facilidade. Isso ajudou muito.” 

Em 2021, depois de visitar propriedades-modelo na região, Carlos Eduardo decidiu dar o próximo salto. Do sistema de piquetes e alimentação em pista, ele investiu na construção do galpão de Compost Barn, contribuindo para aumentar o conforto dos animais e a produtividade. Além do galpão, construiu silos largos, com 15 metros de largura, implantou usinas fotovoltaicas e trocou a rede elétrica por cabos trifásicos isolados de padrão urbano: “A minha rede de energia é toda profissional, para proteger as pessoas e os animais.” 

No rebanho, são mais de mil cabeças, com uma recria forte e em crescimento. O desafio é manter o equilíbrio: “Se eu paro de vender, as bezerras viram vacas. E aí eu alcanço os 10 mil litros de leite com estabilidade”, comenta Carlos Eduardo.

Galpão de Compost Barn implantado em 2021: conforto térmico e ganho produtivo com estrutura pensada para eficiência e bem-estar 

Nutrição estratégica e os desafios da execução 

Os investimentos em infraestrutura, conforto animal e genética vêm gerando impactos positivos na produtividade da Fazenda Casa Branca. A implantação do Compost Barn, por exemplo, resultou em um aumento estimado de 25% na produção individual de leite por vaca – reflexo direto do bem-estar e de dietas nutricionalmente ajustadas. 

No entanto, como enfatiza Carlos Eduardo, um dos principais gargalos está na execução dos manejos. “Não adianta ter uma dieta tecnicamente perfeita se ela não é entregue corretamente ao animal.” Mesmo com vagões modernos e balança eletrônica, a falta de capacitação e de comprometimento operacional afeta o resultado. Se há inconsistência na pesagem dos ingredientes, desvios na ordem de inclusão dos insumos e falhas na distribuição da dieta, a eficiência alimentar fica prejudicada, impactando os índices zootécnicos e elevando o custo por litro de leite produzido.

Carlos Eduardo confia a gestão técnica da Casa Branca ao médico veterinário Dimitri Moreira e ao gerente Hamilton Mendes: gestão focada em metas, precisão e desempenho 


OS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA, CONFORTO ANIMAL E GENÉTICA VÊM GERANDO IMPACTOS POSITIVOS NA PRODUTIVIDADE DA FAZENDA CASA BRANCA

Nutrição de precisão, manejo criterioso e acompanhamento técnico garantem desempenho zootécnico consistente 


Diante desse cenário, a reestruturação da equipe tornou-se necessária. A gestão da fazenda passou a ser conduzida por Hamilton Mendes de Souza, novo gerente-geral da propriedade, em parceria com o médico veterinário Dimitri Toledo Moreira, responsável técnico pela gestão da produção. “A fazenda exige precisão. Não há espaço para erros recorrentes. Fizemos mudanças estruturais e passamos a exigir controle rigoroso de metas, relatórios mensais e acompanhamento técnico próximo”, explica Carlos Eduardo. 

Foi também nesse momento que a Leitepéu, cooperativa parceira com longa história na propriedade, reassumiu um papel estratégico. Além do fornecimento de insumos e tecnologias nutricionais, a Leitepéu oferece suporte técnico contínuo, com foco em nutrição, reprodução e sanidade. “O diferencial é que eles não entregam apenas produto. Trazem equipe, capacitação e gestão técnica. Vieram justamente quando a mão de obra estava fragilizada. E fizeram a diferença”, conta Carlos Eduardo. 

A integração entre gestão profissional, assessoria técnica e reorganização dos processos tem sido essencial para restaurar o equilíbrio produtivo da Fazenda Casa Branca e viabilizar os próximos passos rumo à estabilidade e ao crescimento.

Tecnologia a serviço da reprodução e da saúde animal 

Sob nova administração e com foco em indicadores zootécnicos bem-definidos, a Fazenda Casa Branca passa por uma reestruturação com metas claras: ampliar a taxa de prenhez, aumentar a produção média diária e otimizar a eficiência do sistema. A atual rotina contempla três ordenhas por dia, realizadas em sistema duplo 12 da DeLaval, com cerca de 200 animais em lactação. A chave para dobrar a produção está na intensificação do manejo reprodutivo, com inseminações programadas e foco no encurtamento do DeL (dias em lactação), além da reposição de qualidade.  

INVESTIR EM FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS PARA ALAVANCAR O DESEMPENHO PRODUTIVO FOI UMA DAS APOSTAS MAIS RECENTES NA FAZENDA. A ATIVAÇÃO DOS COLARES SENSEHUB DAIRY DA MSD SAÚDE ANIMAL FEZ OS RESULTADOS COMEÇAREM A APARECER: MELHORIAS NA IDENTIFICAÇÃO DO CIO, MAIOR PRECISÃO NO TRATAMENTO DE VACAS DOENTES E AGILIDADE NAS DECISÕES CLÍNICAS


Investir em ferramentas tecnológicas para alavancar o desempenho produtivo foi uma das apostas mais recentes na fazenda. A ativação dos colares Sensehub Dairy da MSD Saúde Animal fez os resultados começarem a aparecer: melhorias na identificação do cio, maior precisão no tratamento de vacas doentes e agilidade nas decisões clínicas. “A equipe recebe mensagens em tempo real, otimizando o acompanhamento dos animais. Já conseguimos melhorar a observação do cio e o diagnóstico precoce de doenças. É tecnologia com função prática”, resume o veterinário Dimitri. 

Com 100 colares em operação no galpão, a equipe fez auditoria criteriosa no sistema, otimizando o uso em animais ativos e com maior potencial de resposta, especialmente no período de transição. A prioridade é clara: vacas recém-paridas recebem atenção redobrada, e o foco está centrado na reprodução. A combinação entre dados dos colares e manejo reprodutivo estratégico tem sido determinante para recuperar a taxa de prenhez e elevar o volume de leite no tanque. Já se percebe a necessidade de ampliação do número de dispositivos. “Tivemos uma boa resposta reprodutiva apenas com ajuste de manejo. Agora, o foco está definido de maneira adequada; com os colares funcionando como devem, a tendência é melhorar ainda mais”, explica Ubiratan Tadeu Lima de Souza, consultor de pecuária da MSD Saúde Animal em Minas Gerais. 

A INTEGRAÇÃO ENTRE GESTÃO PROFISSIONAL, ASSESSORIA TÉCNICA E REORGANIZAÇÃO DOS PROCESSOS TEM SIDO ESSENCIAL PARA RESTAURAR O EQUILÍBRIO PRODUTIVO DA FAZENDA CASA BRANCA





Bezerreiro do tipo argentino: taxa de desaleitamento precoce, alto ganho de peso e protocolos padronizados


A VISÃO DE FUTURO DA FAZENDA CASA BRANCA ESTÁ ANCORADA EM UM PROJETO ROBUSTO DE MELHORAMENTO GENÉTICO, GUIADO POR UM OBJETIVO ESTRATÉGICO: FORMAR UM REBANHO ¾ DE ALTÍSSIMO PADRÃO, COM BASE EM VACAS GIR DE EXCELÊNCIA 

Cuidado desde o primeiro passo 

Com capacidade para até 120 animais, o bezerreiro argentino da Fazenda Casa Branca representa um dos setores mais estratégicos da propriedade. As bezerras são desaleitadas aos 90 dias, com peso médio que supera os 140 kg – resultado de um protocolo nutricional e sanitário bem-definido desde o nascimento. 

Nesse contexto, a parceria com a MSD Saúde Animal tem sido fundamental. Por meio do programa Primeiros Passos, a empresa oferece um conjunto estruturado de treinamentos, protocolos preventivos e acompanhamento técnico contínuo. A equipe da fazenda é orientada quanto ao uso correto de colostragem com avaliação do grau Brix, vacinação e medicamentos essenciais para controle de diarreias e doenças neonatais. “O Programa Primeiros Passos, da MSD Saúde Animal, um dos mais completos do país, atua diretamente na redução da mortalidade e da morbidade, no ganho de peso e na eficiência dos processos, garantindo que as bezerras cheguem com idade precoce e  peso ideal à fase reprodutiva”, explica Ubiratan.


 

O futuro da Casa Branca é construído com base em dados genômicos e seleção criteriosa

O futuro nasce da genética 

A visão de futuro da Fazenda Casa Branca está ancorada em um projeto robusto de melhoramento genético, guiado por um objetivo estratégico: formar um rebanho ¾ de altíssimo padrão, com base em vacas Gir de excelência. Para isso, Carlos Eduardo aposta em embriões de linhagens consagradas – como as filhas da Jiba, da Soja e de outros exemplares premiados nacionalmente – e conduz um processo criterioso de seleção. 

Essa aposta na base genética, no entanto, vem acompanhada de uma diretriz clara: genotipar e selecionar com precisão. “Nosso objetivo agora é o genoma. Assim que o animal nasce, registramos o quanto antes para já fazer o genoma e poder selecionar com base nesses dados. É isso que vai permitir evoluir de verdade”, diz Carlos Eduardo. A estratégia eleva o padrão genético e evita decisões baseadas apenas em aparência ou em desempenho pontual. 

Carlos Eduardo reconhece que o investimento em genoma encarece o processo, mas o considera indispensável: “Se você não entra nessa tecnologia, fica andando em círculos. Ela já está aí, disponível. A gente tem que usar”. 

Na Fazenda Casa Branca, o futuro não é uma promessa. Ele está sendo construído, animal por animal, com base em dados, técnica e visão de longo prazo.

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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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