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Manejo, Sanidade

Trypanossoma vivax: conheça os prejuízos e saiba controlar esse impostor em seu rebanho

O agente Trypanosoma vivax infiltra-se sorrateiramente nos rebanhos, compromete a saúde e a produtividade dos animais e reduz a rentabilidade do negócio

Trypanossoma vivax: conheça os prejuízos e saiba controlar esse impostor em seu rebanho

O Trypanosoma vivax é o protozoário responsável por causar a tripanossomose bovina, enfermidade que se tornou ameaça significativa à pecuária brasileira. Esse parasito pode infectar bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, e embora não represente risco à saúde humana, provoca sérios prejuízos econômicos e produtivos. A impressionante capacidade de driblar o sistema imunológico do hospedeiro permite sua sobrevivência e disseminação, resultando em infecções que podem se apresentar de forma aguda, subclínica ou crônica.

Originário do continente africano, onde é transmitido biologicamente pelas moscas tsé-tsé (Glossina spp.), o T. vivax encontrou condições favoráveis para se espalhar na América do Sul, mesmo sem a presença desses vetores (Figura 1). No Brasil, a transmissão ocorre de forma mecânica por meio de insetos hematófagos, como as mutucas (tabanídeos), ou pelo uso compartilhado de seringas e agulhas contaminadas. Há suspeitas de que a “mosca dos estábulos” (Stomoxys calcitrans) também possa atuar como vetor mecânico, mas estudos recentes sugerem que essa forma de transmissão é pouco significativa em condições de campo.

A primeira ocorrência de T. vivax no Brasil foi registrada na década de 1970, em búfalos no estado do Pará. Inicialmente restrita às regiões Norte e Centro-Oeste, a doença começou a se espalhar pelo país a partir dos anos 2000. Em 2007, foi identificada pela primeira vez na região Sudeste, no município de Igarapé/MG. Desde então, a disseminação tem ocorrido rapidamente, impulsionada pelo comércio de animais assintomáticos entre diferentes regiões e pela facilidade de transmissão mecânica. Surtos da doença já foram relatados nos estados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Paraíba, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e, mais recentemente, Goiás. A tripanossomose também tem impactado pequenos ruminantes, como caprinos e ovinos, ampliando ainda mais os desafios para os pecuaristas.



Figura 1:  Distribuição geográfica do Trypanosoma vivax

Fonte: Desquesnes, Marc et. al (2022) 


Biologia e comportamento de Trypanosoma vivax

Mesmo na ausência de um vetor biológico no Brasil, T. vivax demonstra notável capacidade de multiplicação no hospedeiro, utilizando a divisão binária para se proliferar rapidamente. Esse crescimento acelerado é um dos principais fatores que garantem sua persistência no organismo animal. Além disso, o parasito apresenta proteínas estruturais em sua superfície que estão em constante modificação, permitindo-lhe escapar do sistema imunológico e dificultando sua eliminação. Esse mecanismo de evasão imunológica contribui para o desenvolvimento de infecções crônicas, levando à exaustão do sistema de defesa do bovino, que passa a produzir níveis reduzidos de anticorpos. A queda na produção de anticorpos pode comprometer a precisão dos exames sorológicos, resultando em falsos negativos.

Outro aspecto que dificulta o diagnóstico da tripanossomose é a capacidade do parasito de se fixar nas paredes dos vasos sanguíneos, evitando a circulação livre no sangue e tornando sua detecção por exames diretos mais desafiadora. Esses comportamentos adaptativos reforçam a capacidade de sobrevivência do T. vivax, representando grande obstáculo para o diagnóstico e controle eficaz da enfermidade. 


Fatores de risco e transmissão

Alguns fatores têm sido associados à disseminação desse agente no Brasil, principalmente a compra de animais parasitados e a reutilização de agulhas e seringas. Em muitos casos, os surtos de tripanossomose ocorrem devido à introdução de animais já infectados em rebanho saudável, uma vez que poucas propriedades realizam a quarentena de forma adequada ou submetem os novos animais a exames laboratoriais para detecção da infecção.   

A disseminação de T. vivax dentro do próprio rebanho está diretamente relacionada à reutilização de agulhas e seringas, especialmente na aplicação de ocitocina exógena durante a ordenha, prática comumente utilizada para estimular a descida do leite em vacas (Figura 2). O uso repetido de materiais contaminados pode resultar na transmissão direta do parasito entre os animais. Estudos indicam que a reutilização de uma única seringa e agulha de um animal com infecção aguda por T. vivax pode infectar até três bovinos por via subcutânea, cinco por via intramuscular e oito por via intravenosa. Demonstrou-se também que a reutilização de luvas na prática de palpação retal também pode transmitir o agente de um animal para outros.

Além disso, o protozoário é capaz de sobreviver em soluções injetáveis, como a própria ocitocina, bem como em antibióticos, antiparasitários, outros hormônios e vacinas, aumentando ainda mais o risco de disseminação dentro do rebanho e tornando essa prática um problema sanitário crítico.

Assim, T. vivax age como um verdadeiro impostor, infiltrando-se silenciosamente nas práticas de manejo rotineiras, como a ordenha, e espalhando-se de forma disfarçada entre os animais, sem que os produtores percebam o risco iminente.



Se liga!

Um novo estudo publicado por pesquisadores brasileiros comprovou: reutilizar luvas de palpação pode transmitir doenças entre vacas leiteiras. A prática, comum em algumas fazendas, representa risco real à sanidade do rebanho. O artigo, assinado por Luccas Lourenzzo Leal e coautores de instituições como UFMG e UFG, é um alerta importante para veterinários e produtores.

Clique aqui e acesse o artigo completo!


EM MUITOS CASOS, OS SURTOS DE TRIPANOSSOMOSE OCORREM DEVIDO À INTRODUÇÃO DE ANIMAIS JÁ INFECTADOS EM REBANHO SAUDÁVEL, UMA VEZ QUE POUCAS PROPRIEDADES REALIZAM A QUARENTENA DE FORMA ADEQUADA OU SUBMETEM OS NOVOS ANIMAIS A EXAMES LABORATORIAIS PARA DETECÇÃO DA INFECÇÃO


Sinais clínicos e consequências

A infecção por T. vivax pode causar uma ampla gama de sinais clínicos inespecíficos, que variam conforme a condição geral do animal e o grau de parasitemia. O período de incubação nos bovinos varia de 2 a 31 dias.  . Na fase aguda, os animais acometidos podem apresentar febre, anemia, perda de peso, letargia, lacrimejamento, fraqueza, diarreia e, em casos graves, óbito em até cinco semanas. A fase crônica se estabelece devido à capacidade do parasito de escapar do sistema imunológico, levando a anemia progressiva, perda de peso e redução na produtividade, embora a temperatura corporal possa permanecer próxima à normalidade. 

A tripanossomose bovina compromete não apenas a rentabilidade da propriedade, mas também a saúde reprodutiva dos animais. A produção leiteira é severamente impactada, com perdas financeiras significativas. Um estudo publicado em 2024 revelou que o indicador financeiro Receita Menos Custo de Alimentação (RMCA) sofreu redução de 38,2% em rebanhos cronicamente infectados, com prejuízos anuais de R$1.865,00 por vaca. 

Além disso, em vacas, a infecção pode resultar em sérias complicações reprodutivas, como abortos, partos prematuros, nascimento de bezerras enfraquecidas, retenção de placenta e repetição de cio, exigindo um maior número de inseminações artificiais em tempo fixo (IATF) para a concepção (Figura 3). Nos touros, o parasito pode comprometer a qualidade do sêmen, o que pode levar à infertilidade progressiva. 

Um súbito declínio na produção de leite, acompanhado de emagrecimento e debilidade geral dos animais (Figura 4), associado à compra de animais de origem desconhecida e ao compartilhamento de agulhas e seringas, deve servir como alerta para os produtores, indicando a necessidade de diagnóstico preciso e adoção de medidas corretivas para minimizar perdas econômicas. 

NA FASE AGUDA, OS ANIMAIS ACOMETIDOS PODEM APRESENTAR FEBRE, ANEMIA, PERDA DE PESO, LETARGIA, LACRIMEJAMENTO, FRAQUEZA, DIARREIA E, EM CASOS GRAVES, ÓBITO EM ATÉ CINCO SEMANAS





Figura 4. Vacas apresentando sinais clínicos de tripanossomose bovina A, B e C) Manifestação clínica da doença em diferentes estágios 

Fonte: Pedro Henrique Vieira Germano (2023) 


Diagnóstico

O diagnóstico da tripanossomose bovina pode ser desafiador devido à semelhança dos sinais clínicos com outras enfermidades, como babesiose e anaplasmose (tristeza parasitária bovina), além da capacidade do parasito de escapar da detecção por diferentes mecanismos biológicos. Assim, a combinação de sinais clínicos e métodos laboratoriais é essencial para a obtenção de um diagnóstico definitivo (Figura 5).



Os métodos laboratoriais podem ser diretos, identificando a presença do parasito no sangue, ou indiretos, detectando a resposta imunológica do animal por meio da presença de anticorpos. Vale ressaltar que um resultado positivo em exames sorológicos não indica necessariamente infecção ativa, já que os anticorpos podem permanecer detectáveis por meses ou anos após a eliminação do parasito, especialmente após um tratamento eficaz. 

No campo, os métodos diretos mais utilizados incluem a técnica de gota fresca, o esfregaço sanguíneo e o microhematócrito de Woo. Outra técnica útil é o método Buffy coat, que analisa a camada leucoplaquetária formada após a centrifugação do sangue (Figura 6). No entanto, essas técnicas exigem equipamentos como microscópio e centrífuga, que, apesar do custo inicial, representam investimentos valiosos para o monitoramento sanitário do rebanho, auxiliando no diagnóstico de outras enfermidades, como a tristeza parasitária bovina, e exames para procura de parasitos em fezes (microscópio). Essas técnicas, mesmo que ainda sejam pouco sensíveis durante a fase crônica da doença, são ferramentas importantes para detectar animais com a doença ativa na fase aguda, quando há vários parasitos circulantes. 

Os exames laboratoriais incluem métodos moleculares, que detectam o DNA do parasito, e sorológicos, que identificam os anticorpos gerados contra ele. A técnica molecular mais sensível para detecção do T. vivax é a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), capaz de identificar infecções crônicas mesmo quando a parasitemia é baixa. Outra metodologia promissora é a técnica LAMP (Amplificação Isotérmica do DNA), que oferece alta sensibilidade com menor necessidade de infraestrutura laboratorial. 

Os testes sorológicos são ferramentas essenciais para avaliar o histórico de exposição do rebanho ao T. vivax, ainda que não confirmem necessariamente uma infecção ativa. A Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), o teste imunoenzimático ELISA e o teste rápido por Ensaio Imunocromatográfico são amplamente utilizados para detectar anticorpos contra o parasito, permitindo identificar se o animal já teve contato com o agente em algum momento da vida.

 

VALE RESSALTAR QUE UM RESULTADO POSITIVO EM EXAMES SOROLÓGICOS NÃO INDICA NECESSARIAMENTE INFECÇÃO ATIVA, JÁ QUE OS ANTICORPOS PODEM PERMANECER DETECTÁVEIS POR MESES OU ANOS APÓS A ELIMINAÇÃO DO PARASITO, ESPECIALMENTE APÓS UM TRATAMENTO EFICAZ


O teste rápido é uma opção prática e de fácil aplicação no campo, funcionando de maneira similar aos testes de COVID-19. Para sua realização, utiliza-se soro (sangue colhido sem anticoagulante) ou plasma (sangue colhido com anticoagulante e centrifugado) afim de detectar a presença de anticorpos contra T. vivax, com resultados disponíveis em aproximadamente 20 minutos. Apesar de sua utilidade e praticidade, é fundamental considerar o histórico sanitário do rebanho e confirmar o diagnóstico com exames laboratoriais mais detalhados para garantir uma abordagem eficaz no controle da enfermidade. 

Em Minas Gerais, produtores podem enviar amostras para a realização de exames como PCR e RIFI no Laboratório de Protozoologia Veterinária da Escola de Veterinária da UFMG, garantindo diagnóstico preciso e contribuindo para o controle eficaz da tripanossomose bovina.



Figura 6. Técnicas de Woo e Buffy Coat para diagnóstico de Trypanosoma vivax A) Capilares preenchidos com sangue em centrífuga de micro-hematócrito; B) Capilares após centrifugação, evidenciando a separação do soro e do plasma (a partir desta etapa, cada técnica segue uma avaliação distinta); C) Técnica de Woo – avaliação da camada leucoplaquetária no capilar por microscopia óptica; D) Visualização de T. vivax pela técnica de Woo; E) Técnica de Buffy Coat – corte do capilar na região da camada leucoplaquetária; F) Deposição do conteúdo do capilar em lâmina; G) Posicionamento da lâmina após esfregaço e coloração da camada leucoplaquetária; H) Visualização de T. vivax por microscopia óptica após coloração 

Fonte: Desquesnes et al. (2017) 


TAIS CUSTOS PODEM VARIAR AMPLAMENTE E SÃO GERALMENTE CLASSIFICADOS EM TRÊS CATEGORIAS PRINCIPAIS: GRAVIDADE DA INFECÇÃO, NÚMERO DE ANIMAIS AFETADOS E FREQUÊNCIA DE SURTOS NA REGIÃO, ALÉM DE DESPESAS ADICIONAIS, COMO HONORÁRIOS VETERINÁRIOS E EXAMES LABORATORIAIS


Tratamento e custos 

O tratamento da tripanossomose bovina representa um grande desafio para a pecuária, pois sua eficácia depende de um diagnóstico preciso, considerando a condição clínica e o histórico dos animais a serem tratados. O uso de medicamentos tripanocidas, como o Cloridrato de Isometamidium, é fundamental para o controle da infecção, sendo este o antiparasitário mais indicado para o tratamento de T. vivax. No entanto, o Diaceturato de Diminazene, embora apresente eficácia inferior ao Cloridrato de Isometamidium, ainda é considerado uma alternativa importante para o manejo seguro de animais infectados. 

Os custos e benefícios das estratégias de tratamento envolvem não apenas as perdas diretas relacionadas à produtividade dos animais, mas também os custos associados à administração dos medicamentos mencionados. Tais custos podem variar amplamente e são geralmente classificados em três categorias principais: gravidade da infecção, número de animais afetados e frequência de surtos na região, além de despesas adicionais, como honorários veterinários e exames laboratoriais.

Assim, além das perdas produtivas, os custos diretos das estratégias de tratamento representam um investimento considerável para o produtor. Estudos indicam que os gastos podem variar entre R$50,00 e R$200,00 por animal, dependendo do protocolo de tratamento adotado e da necessidade de cuidados adicionais. 

É importante ressaltar que, em áreas onde a tripanossomose é endêmica, os produtores podem enfrentar custos indiretos significativos, como perda de peso dos animais, redução na produção leiteira e queda na taxa de natalidade, gerando prejuízos financeiros expressivos ao longo do tempo. Dessa forma, o investimento na prevenção e no monitoramento contínuo de T. vivax apresenta um custo-benefício significativamente mais vantajoso do que os gastos decorrentes do tratamento após a introdução do agente no rebanho.


Controle e prevenção 

A implementação de programas eficazes de controle e prevenção da Trypanosoma vivax é essencial, especialmente em regiões endêmicas. O manejo adequado da doença exige uma abordagem integrada, que combine medidas de biossegurança rigorosas com práticas de manejo sanitário apropriadas. Estudos recentes apontam que os principais fatores de risco para a disseminação e persistência do parasito nos rebanhos incluem a introdução de animais infectados e o uso inadequado de ocitocina com seringas e agulhas reutilizadas durante a ordenha.

A estratégia mais eficaz para controlar a disseminação de T. vivax envolve a adoção de práticas preventivas rigorosas, capacitação contínua dos funcionários e melhorias nas condições sanitárias da propriedade. 


O INVESTIMENTO NA PREVENÇÃO E NO MONITORAMENTO CONTÍNUO DE T. VIVAX APRESENTA UM CUSTO-BENEFÍCIO SIGNIFICATIVAMENTE MAIS VANTAJOSO DO QUE OS GASTOS DECORRENTES DO TRATAMENTO APÓS A INTRODUÇÃO DO AGENTE NO REBANHO


Medidas fundamentais incluem o uso de materiais limpos e estéreis, a proibição do compartilhamento de seringas e agulhas e um rigoroso controle na aquisição de novos animais, garantindo que sejam provenientes de fontes confiáveis e submetidos a exames diagnósticos antes da introdução ao rebanho. 

Embora as pesquisas sobre T. vivax tenham avançado, ainda não há uma vacina eficaz disponível para prevenção da doença. No entanto, esforços científicos continuam sendo realizados para o desenvolvimento de uma solução definitiva que possa mitigar os impactos dessa enfermidade na pecuária.



Agradecimentos 

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG pelas bolsas concedidas, bem como à FAPEMIG, processo RED-00132- 22 e APQ-00708-21, APQ-02531-24 pelo apoio financeiro.


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Autores

LeiteInova

LeiteInova

João Paulo Soares

João Paulo Soares

Pós-graduando em Ciência Animal, EV/UFMG

Pedro Henrique Cotrin Rodrigues

Pedro Henrique Cotrin Rodrigues

Pós-graduando em Ciência Animal, EV/UFMG

Mariana Rodrigues Pereira

Mariana Rodrigues Pereira

Pós-graduanda em Ciência Animal, EV/UFMG

Viviane Missaki Kaminaga Sugimoto

Viviane Missaki Kaminaga Sugimoto

Graduanda em Medicina Veterinária, EV/UFMG

Lorena Lopes Ferreira

Lorena Lopes Ferreira

Professora do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, EV/UFMG

Camila de Valgas Bastos

Camila de Valgas Bastos

Professora do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, EV/UFMG

Júlia Angélica Gonçalves da Silveira

Júlia Angélica Gonçalves da Silveira

Professora do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, EV/UFMG

Luccas Lourenzzo Lima Lins Leal

Luccas Lourenzzo Lima Lins Leal

Pós-graduando em Ciência Animal, UFG


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