Qual protocolo de IATF recomendamos em gado de leite?

José Luiz Moraes Vasconcelos | 23 de Janeiro de 2017 Voltar

 

 Qual protocolo de IATF recomendamos em gado de leite?

 

Marcos Henrique Colombo Pereira e Jose Luiz Moraes Vasconcelos

DPA – FMVZ – UNESP, Botucatu, SP

 

Em gado de leite o desempenho reprodutivo é responsável direto pela produção de leite por dia de vida útil da vaca, número de animais de reposição, aumento do ganho genético e decréscimo do descarte involuntário. Entretanto, falhas na detecção de estro e baixa fertilidade estão comumente associados a baixa eficiência reprodutiva em rebanhos leiteiros. Estes fatores justificam investimentos no desenvolvimento de tecnologias visando aumentar a capacidade de emprenhar mais vacas mais rapidamente. Protocolos hormonais têm sido utilizados para sincronizar a ovulação, permitindo inseminar vacas sem a detecção de cio, estes protocolos são desenvolvidos para aumentar a taxa de serviço, ou seja, inseminar mais vacas, entretanto, diversos fatores podem impactar na fertilidades das vacas submetidas ao protocolo de IATF, sendo que melhores índices podem ser obtidos quando utilizamos protocolos de sincronização mais adequados.

Protocolos de sincronização são compostos da administração estratégica de hormônios reprodutivos em uma maneira sequencial  e tem como objetivo a ovulação do folículo em um momento pré determinado. A maioria dos protocolos de sincronização de ovulação emprega métodos para controlar o desenvolvimento folicular, (induzindo a ovulação com gonadotropinas ou sincronizando da emergência folicular com benzoato de estradiol e progesterona), regredir o corpo lúteo (prostaglandina) e sincronizar o momento da ovulação (gonadotropina ou estradiol), permitindo a IA em momento pré determinado. Existem duas estratégias hormonais para sincronizar a emergência da nova onda folicular no inicio do protocolo sincronização: a indução da ovulação do folículo dominante com gonadotropinas (protocolo Ovsynch), ou uso de estrógenos associado a progesterona para induzir atresia folicular. Estes hormônios também podem ser utilizados como estimulo ovulatório. A definição do uso da cada tipo de protocolo depende dos hormônios disponíveis no mercado e também pelo custo, em alguns países estrógenos não são comercializados, estes países utilizam geralmente protocolos ovsynch. No Brasil estrógenos são comercializados e apresentam menor custo em relação à gonadotropinas por isso, protocolos a base de estrógeno são os mais utilizados. Além disso, o uso de estrógeno em protocolos de sincronização pode trazer vantagens para fertilidade, pois vacas em lactação têm maior metabolismo de hormônios esteróides.

Durante o protocolo de IATF diversos fatores podem interferir na fertilidade das vacas, como por exemplo: a concentração de progesterona durante o desenvolvimento do folículo, a duração do proestro, a idade do folículo ovulatório, a concentração de estrógeno durante o proestro, a concentração de progesterona no momento da IA e após a IA, estes são os principais fatores que interferem na fertilidade de vacas submetidas a protocolos de IATF. Tem sido sugerido que utilizando protocolos de IATF que conciliam os principais fatores que impactam na fertilidade pode-se obter melhores resultados.

Em estudo recente avaliou-se a utilização de um protocolo que concilia maior numero de fatores que impactam na fertilidade. Foi acrescentado uma dose de GnRH no inicio do protocolo a base de E2/P4 com objetivo de aumentar a progesterona durante o desenvolvimento do folículo e foram realizadas 2 tratamentos com prostaglandina para aumentar a regressão do corpo lúteo e reduzir a concentração de progesterona circulante no momento da IA. Este protocolo aumentou as taxas de P/IA em vacas holandesas em lactação, sendo que maior efeito foi observado na estação mais fria do ano (tabela 01).

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O interessante foi que mesmo fazendo um protocolo mais adequado no verão, não foi observado efeito positivo na fertilidade, mostrando a importância de trabalhar em melhorar o conforto das vacas para ter melhores respostas aos protocolos. Avaliando as medidas fisiológicas que impactam na fertilidade, observou-se que foram reduzidas na estação quente, como por exemplo: % de vacas com corpo lúteo no momento da prostaglandina diminuiu 6,7%, o diâmetro do folículo ovulatório diminuiu 0,9 mm, a expressão de estro diminuiu 6,8% e a sincronização do protocolo diminuiu em 5,4%. Estudos anteriores também mostram efeitos do estresse térmico no desenvolvimento folicular, produção de esteróides, expressão de estro e ovulação.

Todas estas medidas fisiológicas citadas podem diminuir a fertilidade, por exemplo, a falta de sincronização pode diminuir a fertilidade de 50% para 0%, causando uma redução de 2,7% na P/IA média, além disso os outros fatores também sugerem a diminuição na fertilidade, como por exemplo a expressão de estro reduzindo a P/IA média em 0,72% a diminuição do tamanho do folículo em - 1,2% e a ausência de corpo lúteo no momento da prostaglandina em -0,90%. Neste estudo apenas 5,5% da redução na fertilidade entre a estação fria e a quente foi devido a alterações das medidas fisiológicas, e que o maior impacto do estresse térmico na fertilidade está mais associado a qualidade do oócito, taxa de fertilização ou desenvolvimento do embrião e que apenas a implementação de protocolos mais eficientes tem pouco efeito na fertilidade quando vacas estão em estresse térmico.

Em relação ao aspecto econômico da adição de GnRH e uma segunda dose de prostaglandina, o custo do protocolo aumentou em torno de 78% por vaca, de R$ 13,5 do grupo controle para R$ 24,0 para o protocolo GnRH. Considerando um preço médio de sêmen de R$ 26,2 o custo da prenhez aos 60d seria de R$120,67 no grupo controle e R$ 120,67 no grupo GnRH. O que claramente mostra que apesar do protocolo GnRH ter maior custo por vaca, quando o preço do sêmen é maior que R$ 26,2 o preço por vaca prenha é menor no protocolo GnRH. Além disso existem outros benefícios como menor mão de obra, menor taxa de destarte, dias em aberto e reposição de novilhas.

Em conclusão, o uso de GnRH com BE no inicio do protocolo de IATF aumentou a fertilidade de vacas leiteiras e deve ser implementado para ter mais vacas gestantes na fazenda.