Como mitigar os efeitos do estresse calórico na produção de leite, com a solução da dsm-firmenich
O impacto do estresse calórico na produtividade, saúde e bem-estar dos animais de produção é uma preocupação crescente.
O impacto do estresse calórico na produtividade, saúde e bem-estar dos animais de produção é uma preocupação crescente. Com o aumento expressivo das temperaturas em todo o planeta, os impactos sobre a pecuária se tornam cada vez mais evidentes. No Brasil, o número de ondas de calor aumentou de 7 para 52 entre 1960 e 2020, e em algumas regiões as temperaturas aumentaram em até 3°C nos últimos 60 anos.
Se nós, humanos, já sentimos os efeitos das mudanças climáticas, imagine as vacas! Para elas, o estresse calórico pode comprometer diversas funções biológicas: reduz a produção de leite, prejudica a saúde, interfere na reprodução e, em casos extremos, pode até levar à morte. O desafio está posto - e exige soluções urgentes e eficazes.
Como o estresse calórico afeta as vacas leiteiras?
O estresse calórico ocorre quando o calor produzido pelos processos biológicos, somado ao calor absorvido do ambiente, excede a capacidade da vaca de perder calor. Ao longo dos anos, com o melhoramento genético voltado à alta produtividade, o metabolismo da vaca também se tornou mais vigoroso - o que as deixou também menos resilientes às mudanças nas condições climáticas.
Um dos principais indicadores utilizados para avaliar o estresse calórico na pecuária leiteira é o Índice de Temperatura e Umidade do ambiente (ITU). A partir desse índice, é possível classificar a vaca em diferentes níveis de estresse calórico, de leve a severo (Figura 1). Como consequência a elevação do ITU, em seus diferentes níveis, a temperatura corporal da vaca sobe, desencadeando uma série de mudanças fisiológicas para reduzir a carga excessiva de calor no corpo.

O ESTRESSE CALÓRICO OCORRE QUANDO O CALOR PRODUZIDO PELOS PROCESSOS BIOLÓGICOS, SOMADO AO CALOR ABSORVIDO DO AMBIENTE, EXCEDE A CAPACIDADE DA VACA DE PERDER CALOR
De fato, a vaca aciona uma variedade de mecanismos adaptativos para eliminar o excesso de calor do corpo, como o aumento da frequência respiratória, aumento na sudorese, redução da produção de leite, vasodilatação e diminuição do desempenho reprodutivo. Esses ajustes envolvem processos fisiológicos, bioquímicos e endócrinos complexos, e têm sido objeto de crescente investigação científica, especialmente com foco no desenvolvimento de estratégias de mitigação.
A regulação do excesso de calor é coordenada pelo sistema nervoso autônomo, que comanda funções corporais involuntárias. Sob estresse calórico, esse sistema induz alterações hormonais relevantes: há aumento na liberação de glicocorticoides como o cortisol, redução nos níveis de prolactina e alteração nos hormônios da tireoide, com o objetivo de reduzir o metabolismo e, consequentemente, o calor gerado internamente. Além disso, outros hormônios são ativados para diminuir a excreção urinária.
Essas respostas trazem efeitos em cadeia: aumentam os custos energéticos de manutenção, reduzem o apetite e o consumo, e prejudicam o balanço energético. No fígado e pâncreas, aumenta-se a liberação de hormônios para aumentar a glicose disponível. Há uma queda na produção de saliva, redução na absorção de ácidos graxos voláteis, redução no pH do rúmen, aumento na entrada de endotoxinas na circulação sanguínea. A barreira intestinal fica prejudicada devido ao menor aporte de oxigênio para as células intestinais, causado pela dilatação periférica dos vasos sanguíneos e ao estresse oxidativo, aumentando ainda mais a entrada de endotoxinas no sangue e desencadeando inflamações.
Há aumento no catabolismo muscular e perda de peso. A imunidade da vaca é prejudicada, aumentando o risco de distúrbios como a cetose, acidose e laminite. Durante todo esse processo, a função das células epiteliais mamárias se altera e há redução no fluxo de nutrientes para a glândula mamária - o que corrobora com a redução na produção e na composição do leite. A eficiência do sistema reprodutivo cai e a reprodução fica prejudicada (Sammad et al., 2020).
De acordo com uma compilação dos resultados de 31 estudos que avaliaram a produção e a composição do leite de vacas submetidas ao estresse calórico, observou-se queda de 17,9% na produção de leite corrigido para gordura, redução de 3,9% na produção de proteína do leite e redução de 19,3% no consumo de dieta, com variações conforme o estágio de lactação da vaca (Chen et al., 2024).
E não para por aí: as perdas na taxa de concepção das vacas no verão chegam a cair para 20% ou até menos. Estudos sobre perdas econômicas com estresse calórico, apontam perdas ao redor de 383 dólares por vaca por ano, no estado do Texas, e ao redor 1,5 bilhões de dólares anuais, nos Estados Unidos (St-Pierre et al., 2003).
Nutrição como aliada no combate ao calor
Para reduzir os impactos do estresse calórico, ferramentas de manejo ambiental, como ventiladores, nebulizadores e dimensionamento adequado das instalações, são amplamente utilizadas. No entanto, para que essas medidas sejam mais eficazes, é fundamental associá-las ao manejo nutricional, que contribui para manter o equilíbrio fisiológico das vacas sob altas temperaturas.
Nesse contexto, os compostos fitogênicos passaram a receber especial atenção por terem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, antimicrobianas e de suporte imunológico. Esses compostos têm substâncias de origem vegetal que podem incluir plantas inteiras, ervas ou especiarias em pó, e óleos essenciais específicos.
Para avaliar a eficácia dos fitogênicos, pesquisadores suplementaram bezerras com o produto Digestarom e as submeteram a uma onda de estresse calórico por sete dias (Wickramasinghe et al., 2023). Os resultados demonstraram redução numérica no cortisol plasmático (hormônio relacionado a situações de estresse, como o calórico), redução de 38% na concentração de lipopolissacarídeos (endotoxinas que entraram na corrente circulatória), redução de 44% na haptoglobina (indica redução dos processos inflamatórios), e aumento na quantidade de oxigênio no sangue (pO2 ). Esses resultados demonstram que o uso do fitogênico contribuiu para reduzir os efeitos do estresse calórico no estresse oxidativo e nos processos inflamatórios.
Outra estratégia nutricional eficaz envolve o uso de leveduras, tanto vivas quanto inativas. As leveduras vivas ajudam a remover o oxigênio do rúmen, melhoram a digestão das fibras, estabilizam o ambiente ruminal e favorecem o consumo. Já as leveduras mortas atuam como fonte de metabólitos com efeito prebiótico, estimulam bactérias fibrolíticas e fortalecem o sistema imunológico.
Em um estudo realizado no Brasil, durante o verão - com mais de 39% do tempo apresentando ITU acima de 72 - vacas suplementadas com leveduras produziram 1,3 kg a mais de leite por dia, apresentaram menor frequência respiratória e maior concentração de glicose e niacina no plasma, em comparação com vacas não suplementadas (Salvati et al., 2015). Os autores concluíram que, com a melhora na regulação da homeotermia, houve maior disponibilidade de glicose para a síntese de lactose e leite. Além disso, a suplementação de leveduras pode ter estimulado a síntese de niacina no rúmen, vitamina com efeitos positivos no metabolismo lipídico e na vasodilatação, o que ameniza os efeitos do estresse calórico.
Outro estudo demonstrou que o uso de cultura de levedura morta aumentou a niacina plasmática em níveis semelhantes aos observados com niacina protegida, além de reduzir a frequência respiratória, a temperatura retal, aumentar a glicose e melhorar a eficiência alimentar (Dias et al., 2017).
Victus® Thermo: uma solução integrada da dsm-firmenich
A síntese de niacina no rúmen pode não ser sufi ciente para amenizar os efeitos do estresse calórico. Partindo desse princípio, alguns pesquisadores suplementaram vacas submetidas ao estresse calórico com ácido nicotínico, observando redução na temperatura da pele, embora sem efeito na produção de leite (Di Constanzo et al., 1997). Em outro estudo, a suplementação de niacina protegida aumentou a taxa de sudação e reduziu a temperatura vaginal e retal, sem efeito na produção de leite (Zimbelman et al., 2010).
Além da niacina, o cromo também se destaca por melhorar o metabolismo energético da vaca sob estresse calórico. A suplementação com cromo levedura reduziu a temperatura retal, a taxa respiratória, aumentou a glicose e reduziu a insulina plasmática, o que levou a um aumento na produção de leite de 2,6 kg por vaca por dia (Wo et al., 2023). Nesse mesmo estudo, houve redução no hormônio T3, aumento no T4, redução numérica no cortisol e aumento na niacina plasmática, indicando que o cromo reduz os efeitos do estresse calórico por atuar tanto na função endócrina quanto no metabolismo da glicose (Wo et al., 2023).
Partindo-se da hipótese de que o estresse calórico aumenta a apoptose das células mamárias, a morte celular programada, que prejudica as junções estreitas dessas células, e que o zinco tem função na regulação de proteínas de junção estreita, alguns pesquisadores suplementaram diferentes fontes de zinco para vacas submetidas ao estresse calórico (Weng et al., 2018). O resultado foi uma menor concentração plasmática de lactose com o uso do zinco orgânico, o que significa melhor integridade na barreira do epitélio mamário.
Com base nos benefícios observados, a dsm-firmenich desenvolveu o Victus® Thermo, uma solução integrada composta por seu fitogênico Digestarom, minerais orgânicos Tortuga, niacina e leveduras. O Victus® Thermo foi desenvolvido exclusivamente para amenizar os impactos do estresse calórico e, com isso, aumentar a produção de leite.
Recentemente, o Victus® Thermo foi testado em uma pesquisa realizada em parceria com o Laboratório de Pesquisa em Bovinos de Leite/USP, com resultados apresentados na reunião do American Dairy Science Association (ADSA), em Kentucky. O estudo foi realizado durante o verão, em Pirassununga/SP, com ITU médio foi de 73,7.
VICTUS® THERMO, UMA SOLUÇÃO INTEGRADA COMPOSTA POR SEU FITOGÊNICO DIGESTAROM, MINERAIS ORGÂNICOS TORTUGA, NIACINA E LEVEDURAS. O VICTUS® THERMO FOI DESENVOLVIDO EXCLUSIVAMENTE PARA AMENIZAR OS IMPACTOS DO ESTRESSE CALÓRICO E, COM ISSO, AUMENTAR A PRODUÇÃO DE LEITE
Os principais resultados apontaram que o Victus ® Thermo reduziu a temperatura vaginal, indicando efeito direto na mitigação do estresse calórico. Além disso, houve aumento de 3,8 kg por vaca/dia na produção de leite corrigido para gordura e melhora de 11,6% na eficiência alimentar (Chesini et al., 2025) (Figura 2) - resultados que demonstram o potencial da tecnologia na proteção do rebanho e na lucratividade da produção.

Figura 2. Consumo de matéria seca, produção de leite corrigida para gordura e temperatura vaginal de vacas leiteiras suplementadas com Victus ® Thermo, comparadas ao grupo controle (*) Estatisticamente diferente Fonte: Chesini et al. (2025)
Autor
DSM
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