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Como trabalhar nutrição e proteica e nitrogênio ureico do leite na formulação de dietas de vacas leiteiras?

Entenda como o nitrogênio ureico do leite (NUL) ajuda o nutricionista a equilibrar dietas mais eficientes

Como trabalhar nutrição e proteica e nitrogênio ureico do leite na formulação de dietas de vacas leiteiras?

Durante muitos anos, a formulação de dietas para vacas leiteiras esteve fortemente baseada no atendimento da proteína bruta (PB). Entretanto, para vacas de alta produção, o simples aumento da concentração de PB não garante maior produção de leite ou de proteína. O National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine, 2021 (NASEM) reforça uma abordagem de formulação baseada na proteína metabolizável (PM) e no suprimento de aminoácidos (AA) específicos no intestino, permitindo avaliar não apenas a quantidade de PM disponível, mas também a oferta e a eficiência de utilização dos AA essenciais.

Além de substratos, pesquisas têm mostrado que os AA atuam como sinalizadores metabólicos. Eles ativam mecanismos intracelulares relacionados à síntese proteica na glândula mamária bovina. A explicação é que o aumento da disponibilidade de AA essenciais promove a ativação da via mTORC1, estimulando a iniciação da tradução e a síntese de caseína (Appuhamy et al., 2014; Castro et al., 2016) (Figura 1). A pergunta nutricional mais importante deixa de ser apenas “qual o teor de PB da dieta?” para se tornar: quanto de PM chega ao animal, e quais AA estão efetivamente disponíveis para a síntese de leite, tecidos e funções metabólicas?

Embora a lisina e a metionina sejam tradicionalmente consideradas os principais AA potencialmente limitantes para a síntese de proteína do leite, evidências recentes (Weston et al., 2024; Martineau et al., 2026) demonstram que outros AA essenciais também podem atuar, tanto como substratos quanto como sinalizadores metabólicos na glândula mamária. Esses estudos ainda apontam que estratégias que combinem os AA que compõem a PM com diferentes fontes de energia podem potencializar a síntese de proteína do leite e a eficiência de utilização do nitrogênio (N).



Figura 1. Processos de degradação da proteína da dieta e o metabolismo dos AA na glândula mamária

De forma geral, bovinos de leite conseguem converter cerca de 25% do N consumido em proteína do leite, sendo que animais altamente eficientes conseguem converter mais de 30% (Powell et al., 2010; Dijkstra et al., 2013). Dessa forma, o restante do N consumido é eliminado do organismo dos animais via urina, fezes e leite, sendo o nitrogênio ureico do leite (NUL) a forma de avaliação da excreção de nitrogênio pelo leite.

Uso do NUL como ferramenta para avaliação de dietas

Valores elevados de NUL podem representar uma situação de desbalanceamento entre oferta de nitrogênio e energia, excesso de proteína degradável ou fornecimento de proteína acima da capacidade de utilização do animal. Uma metanálise recente (Zhao et al., 2025), envolvendo 48 trabalhos, mostrou que os teores de PB e de carboidratos não fibrosos, além da relação entre os dois, estão entre os principais fatores associados ao NUL.

O NUL elevado, associado à produção e ao consumo de matéria seca adequados, pode indicar excesso de N ou falta de carboidratos fermentáveis sendo fornecidos aos animais. Por outro lado, NUL muito baixo não significa necessariamente que a dieta é mais eficiente: se estiver acompanhado de queda de produção, redução da proteína do leite ou outros sinais de deficiência de PM, pode indicar que a redução do fornecimento de nitrogênio foi excessiva.

Assim, a interpretação do NUL deve considerar outros fatores, e valores fixos de referência não devem ser aplicados indistintamente a todos os rebanhos.

Os primeiros modelos desenvolvidos para relacionar NUL, consumo de nitrogênio, produção de leite e eficiência de utilização do nitrogênio estimaram valores-alvo próximos de 10 a 16 mg/dL, dependendo da produção de leite e do estágio de lactação (Jonker et al., 1998; Kohn et al., 1999). Recentemente, Zhao et al. (2025) observaram valores médios de NUL de 12,5 mg/dL e sugeriram que valores persistentemente superiores a 14–16 mg/dL ou inferiores a 8–10 mg/dL podem ser reflexo de algum desbalanço nutricional, exigindo uma investigação mais detalhada. Entretanto, esses valores devem ser utilizados como faixas de referência, e não como metas absolutas, pois o NUL é influenciado por diversos fatores dietéticos e metabólicos. Fica, então, o conceito central: o NUL deve ser utilizado para identificar desequilíbrios, não como um número a ser perseguido independentemente da produção e da composição do leite.  

Passo a passo na rotina do nutricionista

O NUL representa uma parte do metabolismo do nitrogênio e pode ser uma ferramenta extremamente útil para o nutricionista. Entretanto, ele não deve ser interpretado isoladamente. A interpretação prática deve seguir uma sequência lógica.   



 
A nutrição proteica moderna não deve ser baseada na busca pelo menor teor possível de PB. O objetivo é fornecer a quantidade adequada de PM, com o perfi l de AA necessário, sincronizada com a energia disponível para os microrganismos ruminais e para o metabolismo da vaca.

O NUL deixa de ser apenas um número no laudo de leite para se tornar uma ferramenta de diagnóstico. Essa interpretação, porém, é mais precisa quando realizada dentro do contexto específico de cada propriedade, considerando seu histórico e suas condições de manejo. Cada fazenda pode apresentar uma faixa de referência própria, definida a partir desse histórico. A combinação entre PB, PDR, PNDR, PM, AA, consumo de MS, produção de proteína do leite e NUL permite ao nutricionista trabalhar com maior precisão. O futuro da nutrição proteica não está em fornecer mais proteína, mas em aumentar a eficiência com que o nitrogênio consumido é convertido em proteína do leite, reduzindo as perdas de nitrogênio, com a PM e os AA como unidades centrais da formulação, e o NUL como uma das ferramentas de monitoramento dessa eficiência.



O objetivo da dieta não é fornecer mais proteína, mas aumentar a efi ciência com que o nitrogênio consumido é convertido em proteína do leite 

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Agroceres Multimix

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