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Fazendas, Gestão, Manejo

Conheça a Chácara Sempre Verde (Castro/PR), onde tecnologia e manejo mantêm a produção estável o ano inteiro

Fiel à árvore que lhe dá nome, a Chácara Sempre Verde, localizada em Castro/PR, não muda com as estações, porque tecnologia e manejo mantêm a produção estável o ano inteiro

Conheça a Chácara Sempre Verde (Castro/PR), onde tecnologia e manejo mantêm a produção estável o ano inteiro

Sempre-verde é a denominação de algumas espécies de árvores comuns nos Campos Gerais, região onde fica o município de Castro (PR). Elas recebem esse nome porque não perdem a cor quando as estações mudam. Foi nelas que a família de Douwe Groenwold se inspirou para dar nome à propriedade. Hoje, essa escolha se tornou a metáfora perfeita dos resultados produtivos que quase não variam ao longo do ano. Os investimentos em infraestrutura, tecnologia e manejo permitem que a genética de excelência expresse todo o seu potencial durante todo o ano.

A Chácara Sempre Verde iniciou suas atividades em 1988, quando Douwe decidiu dar continuidade, por conta própria, à tradição da produção de leite da família. Hoje, ele e a esposa, Annie, dividem a gestão com o filho, Jonathan Groenwold, engenheiro-agrônomo dedicado integralmente à rotina da fazenda.


A coragem veio no navio

“Meus avós chegaram de navio, com esperança e coragem”, conta Jonathan Groenwold. É por essa imagem que ele começa quando lhe perguntam sobre a Chácara Sempre Verde. Afinal, a história da propriedade exige uma volta ao passado.

Os avós de Jonathan estavam entre os holandeses que deixaram seu país de origem, em 1951, para recomeçar a vida no Brasil. Agricultores, trouxeram algumas vacas com a intenção inicial de produzir leite para o consumo da família. Pouco depois, perceberam que aquela poderia ser também uma fonte de renda.

“Quando eles chegaram aqui, não havia muitos produtos que gerassem renda. Então, viram a oportunidade de começar a produzir leite para vender”, relata Jonathan.

Antes que a soja ganhasse espaço na região, a partir da década de 1960, foi o leite que ajudou os imigrantes a sustentar a família e a permanecer no novo país.


Vista aérea da Chácara Sempre Verde, em Castro (PR), no coração dos Campos Gerais, com os barracões de confinamento cercados pelas lavouras

A trajetória dos Groenwold se confunde, desde o início, com a história da Castrolanda. Os imigrantes chegaram organizados em torno de um modelo cooperativo trazido da Holanda e, juntos, estruturaram a produção, a comercialização e a vida na nova comunidade. Décadas depois, o leite da Chácara Sempre Verde continua sendo entregue à cooperativa, enquanto a família participa diretamente de suas decisões.

Douwe Groenwold, pai de Jonathan, cresceu nessa comunidade e deu continuidade à atividade que sustentara a geração anterior. Durante alguns anos, produziu leite em sociedade com um dos irmãos. Em 1988, a divisão do negócio deu origem à Chácara Sempre Verde.

Quando olha para a geração dos avós, Jonathan a resume em duas palavras: coragem e visão.

“Eles saíram de algo certo para algo muito incerto. Não sabiam como seria viver em um país cuja língua não falavam e com uma infraestrutura muito diferente daquela que conheciam.”

É dessa disposição para enfrentar o desconhecido que Jonathan diz ter orgulho. E é também uma característica que reconhece no pai sempre que a Chácara Sempre Verde decide rever um manejo, incorporar uma tecnologia ou investir na expansão da atividade. A fazenda mudou profundamente desde 1988, mas preservou o mesmo princípio que orientou seus fundadores: criar condições para continuar produzindo leite no longo prazo.


O ano do avanço

Quem conheceu a Chácara Sempre Verde na infância de Jonathan dificilmente reconheceria a propriedade de hoje. O sistema de semiconfinamento — com pastagens de tifton, alimentação no cocho, ordenha no balde ao pé duas vezes ao dia, média próxima de 25 litros por vaca e muito trabalho manual — deu lugar a uma estrutura de produção intensiva, com animais confinados e cada vaca monitorada de perto.

O ponto de virada veio em 2014, quando Douwe, que já conduzia a lavoura, passou a assumir também a gestão da produção de leite de forma mais direta.


Jonathan Groenwold, agrônomo e terceira geração de produtores de leite, divide com o pai, Douwe Groenwold, a gestão da Chácara Sempre Verde


A nova rotina mostrou que seria necessário ampliar a capacidade de acompanhar o rebanho e organizar o trabalho.

Uma das primeiras apostas veio de uma visita à Agroleite, vitrine de tecnologia do leite no país.

“Eu era adolescente; lembro que meu pai chegou para mim e falou: ‘Tem um negócio diferente lá que eu quero mostrar para você’”, recorda Jonathan.

Eram os colares de monitoramento, uma novidade no país.

“Ele via a necessidade da tecnologia. Não tinha tempo de olhar cada vaca e precisava de uma ferramenta para ajudar.”

Os colares chegaram junto com o primeiro galpão de Compost Barn e marcaram o início de uma sequência de mudanças. A fazenda passou a confinar progressivamente o rebanho e, em 2017, aumentou de duas para três ordenhas diárias. Até então, a média era próxima de 34 litros por vaca; após a mudança, passou a alcançar cerca de 40 litros.

Esse processo também revela uma característica de Douwe que Jonathan considera decisiva para a trajetória da fazenda: a disposição para avaliar o novo.

“Meu pai sempre foi uma pessoa muito aberta. Quando aparece uma tecnologia ou um manejo diferente, ele quer fazer as contas, entender e ver se funciona. Ele não tem medo do desafio.”


Genética para a próxima geração

A evolução da Chácara Sempre Verde também passou por uma mudança na forma de escolher quais animais deveriam formar o rebanho do futuro. Durante muito tempo, essa seleção dependia principalmente da experiência de quem conhecia as vacas, observava sua conformação e acompanhava o desempenho das famílias. A partir de 2015, a fazenda começou a incorporar a genômica a esse processo.

Naquele primeiro momento, porém, ainda havia dúvidas sobre como utilizar essas informações. A fazenda identificava quais bezerras apresentavam maior potencial genético, mas não estava claro como transformar esse conhecimento em decisões de acasalamento e reposição. O trabalho foi interrompido em 2016 e retomado no ano seguinte, quando a família recebeu orientação para estruturar um programa de seleção. Desde então, a genotipagem passou a abranger todo o rebanho.

“Hoje a gente conhece quais são os melhores animais e sabe quem realmente quer reproduzir”, explica Jonathan.

As fêmeas de maior mérito genético recebem sêmen sexado e dão origem a bezerras destinadas à reposição. Nas de menor potencial, a fazenda utiliza sêmen de touros Angus, dentro da estratégia beef on dairy. Os bezerros oriundos desse cruzamento permanecem na propriedade durante a primeira semana de vida, recebem colostro e leite e, depois, são vendidos a um recriador.

A estratégia evita a produção de um número excessivo de fêmeas e concentra o investimento nas linhagens de maior interesse para a fazenda.

“A gente só reproduz a melhor genética do rebanho”, resume Jonathan.

Embora o mercado brasileiro de bezerros oriundos do cruzamento entre raças leiteiras e de corte ainda esteja em consolidação, ele observa que alguns compradores já reconhecem a qualidade desses animais.

A transferência de embriões completa a estratégia. As melhores novilhas passam por protocolos de superovulação, e os embriões produzidos são transferidos para vacas receptoras. Com isso, a Chácara Sempre Verde amplia a participação dos animais de maior valor genético na geração seguinte.

Para Jonathan, a genética é apenas o ponto de partida.

“Não adianta ter a melhor genética se a bezerra chega mal desenvolvida ao parto.”

Essa percepção levou a fazenda a investir também na recria, para que o potencial identificado nos testes possa, de fato, se traduzir em produção.


Monitoramento desde a recria

Na Chácara Sempre Verde, o acompanhamento individual começa antes mesmo de a novilha entrar no lote de vacas em lactação. Por volta dos 11 ou 12 meses de idade, os animais recebem os colares de monitoramento SenseHub, da MSD Saúde Animal, que permanecem com eles durante toda a vida produtiva. Nessa fase, o principal objetivo é apoiar a reprodução, identificando alterações de atividade associadas ao cio e auxiliando na definição do momento mais adequado para a inseminação.

“Nas novilhas, toda a reprodução é feita com base no colar”, afirma Jonathan.



Novilhas de reposição no cocho: criadas em confinamento, recebem dieta ajustada e são acompanhadas pelos colares de monitoramento SenseHub, da MSD Saúde Animal

Segundo Paulo Dancosky, consultor de pecuária da MSD Saúde Animal, a colocação dos colares ainda na recria permite que a fazenda acompanhe também informações relacionadas à saúde. Mudanças no comportamento, na atividade ou na ruminação podem gerar alertas precoces e indicar quais animais precisam ser avaliados pela equipe.

A tecnologia participa de uma etapa da criação que recebeu atenção especial nos últimos anos. Atualmente, 90% da recria da Chácara Sempre Verde é conduzida em confinamento. Nos primeiros dias de vida, as bezerras permanecem em casinhas individuais, com acesso à água e à ração. Recebem leite pasteurizado duas vezes ao dia, em um programa que começa com oito litros e reduz gradualmente o volume até o desaleitamento, por volta dos 75 dias.

Depois de desaleitadas, seguem para grupos pequenos, ainda em instalações com cama sobreposta de palha. Aos seis meses, entram nos galpões de Compost Barn destinados à recria. Primeiro, são alojadas em lotes de aproximadamente 25 animais; mais tarde, passam para grupos de 50 novilhas. A reprodução ocorre dentro do confinamento, já com o suporte das informações geradas pelos colares SenseHub, da MSD Saúde Animal.

A nova estrutura de recria melhorou o desenvolvimento dos animais, o ganho de peso e a condição sanitária, com efeito direto na primeira lactação. A fazenda percebeu que novilhas leves ao parto produzem menos, ainda que tenham elevado mérito genético. A genética só se converte em leite quando vem acompanhada de bom desenvolvimento corporal.



Nas casinhas individuais, as bezerras recebem leite pasteurizado até o desaleitamento

Depois da confirmação da gestação, as novilhas permanecem por um curto período no pasto e retornam ao confinamento entre dois e três meses antes do parto. O colar continua acompanhando cada animal durante todo esse percurso e segue sendo utilizado quando ele entra no rebanho produtivo.

Assim, a futura vaca já é conhecida quando chega à primeira lactação. A equipe dispõe de informações sobre atividade, reprodução e comportamento individual, além do histórico construído durante a recria. Esse acompanhamento ajuda a concentrar a atenção nos animais que apresentam alguma alteração e reduz o intervalo entre o primeiro sinal de um problema e a decisão de manejo.

As novilhas são criadas no confinamento, recebem dieta ajustada e são acompanhadas pelos colares durante toda a vida produtiva



Conforto medido em dados

Na Chácara Sempre Verde, o conforto térmico tornou-se uma condição essencial para reduzir a diferença de desempenho entre as estações. Atualmente, 80% do rebanho permanece em galpões climatizados pelo sistema cross ventilation. Apenas os lotes de menor produção e as vacas em final de lactação ficam em barracões abertos, com ventilação e aspersão.

No sistema cross ventilation, o ar entra pelas placas evaporativas, é resfriado e percorre todo o galpão, enquanto exaustores instalados no lado oposto promovem sua retirada. O sistema opera por pressão negativa, permitindo maior controle das condições ambientais no interior das instalações.


O colar de monitoramento SenseHub, da MSD Saúde Animal, registra a atividade e a ruminação de cada animal

Antes da climatização, o verão costumava vir acompanhado de queda na produção e nos índices reprodutivos. Com os novos galpões, a fazenda conseguiu diminuir essa oscilação. Mesmo nos meses mais quentes, manteve médias superiores a 50 litros de leite por vaca.

“Ainda existe uma pequena diferença, e o inverno continua um pouco melhor. Mas conseguimos entregar muito mais conforto para os animais e manter uma produção bastante estável durante o ano”, afirma Jonathan.

Os colares de monitoramento SenseHub, da MSD Saúde Animal, ajudam a avaliar se o ambiente está cumprindo essa função. Segundo Paulo, os dados dos lotes mostram alterações na ruminação, na atividade e nos indicadores relacionados ao estresse térmico. As informações também auxiliam nos ajustes dos barracões climatizados.

O acompanhamento não se limita ao ambiente. A ordenha duplo 30 mede individualmente a produção de cada vaca, enquanto os colares registram atividade e ruminação. Reunidas no sistema de gestão, essas informações permitem verificar com rapidez como os animais respondem às mudanças na rotina.

Um ajuste na dieta, a abertura de um silo ou uma alteração no manejo podem aparecer nos dados já no dia seguinte. Uma queda na ruminação de um lote, por exemplo, leva a equipe a investigar a alimentação, o conforto ou a ocorrência de algum problema sanitário.

Jonathan define essa contribuição:

“Os colares de monitoramento SenseHub, da MSD Saúde Animal, são ferramentas que ajudam a gente a errar menos.”

Para ele, o maior ganho está em reduzir o tempo entre uma alteração e sua identificação, porque um problema que demora a ser percebido pode representar perdas elevadas em um rebanho desse tamanho.


Jonathan Groenwold e Paulo Dancosky, consultor de pecuária da MSD Saúde Animal: parceria técnica que apoia a reprodução, a sanidade e o monitoramento do rebanho


Reprodução e saúde de perto

A parceria com a MSD Saúde Animal também se estende aos protocolos reprodutivos da Chácara Sempre Verde. A fazenda utiliza o Duplo Ovsync, protocolo baseado em aplicações de GnRH e prostaglandina, sem o uso de implante intravaginal. Embora seja amplamente utilizado nos Estados Unidos, sua adoção ainda é menos frequente nas propriedades brasileiras.

A implantação do protocolo, liderada pelo médico-veterinário Eduardo Simon, da CastroVet Assistência Veterinária, contou também com o acompanhamento da equipe técnica da MSD Saúde Animal para definir procedimentos, ajustar doses e avaliar os resultados.

“Até então, eu não conhecia fazendas no Brasil que trabalhassem dessa forma. Ao lado do nosso time, a equipe da MSD Saúde Animal deu uma assistência muito grande para a implantação”, relata Jonathan.

Segundo Paulo Dancosky, os indicadores reprodutivos são avaliados periodicamente para identificar oportunidades de melhoria. O trabalho conta também com a participação de Rodolfo Mingoti, gerente técnico da área de reprodução da MSD Saúde Animal.

A identificação eletrônica ajuda a organizar esses manejos. Além dos colares, os animais possuem identificadores eletrônicos que podem ser lidos por um bastão conectado ao software. Durante uma rotina reprodutiva, o equipamento informa qual procedimento deve ser realizado em cada vaca — aplicação hormonal, diagnóstico de gestação ou confirmação de prenhez, por exemplo — e registra imediatamente o que foi feito. Com isso, a equipe evita anotações paralelas e a necessidade de digitar as informações posteriormente. O registro ocorre ao lado de cada animal, o que reduz o risco de trocas e erros durante o manejo.

A sanidade passou recentemente por uma revisão semelhante. Com o apoio da MSD Saúde Animal, a Chácara Sempre Verde redesenhou o programa sanitário, considerando os desafios encontrados nas diferentes categorias do rebanho. Foram definidas as fases de aplicação e a adequação das medidas preventivas à realidade da propriedade.

O trabalho contou com uma visita do professor Ricardo Chebel, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, e com a participação da equipe técnica da MSD Saúde Animal ligada à área de vacinas.


A entrada de Jonathan no dia a dia da fazenda ocorreu durante a pandemia. Ainda universitário, com as aulas suspensas, ele passou a estar na propriedade em tempo integral e, desde então, seu envolvimento só aumentou. A mãe, Annie, cuida da gestão de dados da fazenda e acompanha o médico-veterinário; o pai conduz o negócio como um todo. Jonathan atribui boa parte da boa convivência familiar à mente aberta de Douwe. As duas irmãs, Cristiane e Ana — uma médica e outra arquiteta — não atuam diretamente na propriedade, mas mantêm um forte vínculo com a fazenda, algo que ele faz questão de destacar.

O horizonte é naturalmente de longo prazo. Com a nova ordenha, o objetivo é chegar perto de 2 mil vacas em lactação. Mas a pergunta que orienta as decisões da família vai além de qualquer meta produtiva: o que fazer hoje para continuar produzindo leite daqui a 20 ou 30 anos?

“O nosso negócio é para a próxima geração, para os meus filhos, quem sabe para os meus netos”, diz Jonathan.

Não por acaso, a família segue envolvida nos rumos da cooperativa que seus antepassados ajudaram a construir: Douwe integra o Conselho de Administração da Castrolanda, enquanto Jonathan participa do Comitê de Bovinocultores. Aos 75 anos da Castrolanda, permanece o mesmo compromisso dos imigrantes que desembarcaram no Brasil em 1951: deixar para as próximas gerações mais do que receberam.


Equipe da SG Consultoria e Qualidade em Saúde Animal — Simony Guerra e Cassiano Moreira — que atua na criação de bezerras e novilhas, além da qualidade do leite; e Paulinho, gerente da Chácara Sempre Verde, conduzindo a vacinação com a nova vacina reprodutiva da MSD Saúde Animal, Bovilis Vista 5L5.



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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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