Este site utiliza cookies

Salvamos dados da sua visita para melhorar nossos serviços e personalizar sua experiência. Ao continuar, você concorda com nossa Política de Privacidade, incluindo a política de cookie.

x
ExitBanner
Manejo, Sanidade

Conheça os principais prejuízos da mastite em novilhas e primíparas

A mastite em novilhas e primíparas compromete o desempenho produtivo desde o início da lactação e pode causar prejuízos duradouros, exigindo atenção precoce, estratégias de manejo específicas e vigilância constante para garantir a saúde do úbere e o retorno do investimento

Conheça os principais prejuízos da mastite em novilhas e primíparas

A mastite é a doença que mais acomete os rebanhos leiteiros no Brasil e no mundo. Embora os prejuízos econômicos e financeiros decorrentes da mastite clínica em vacas adultas sejam amplamente reconhecidos, os impactos causados pela doença em novilhas, durante a primeira lactação, muitas vezes não são contabilizados. 

Um estudo publicado em 2021 demonstrou que vacas primíparas que desenvolveram mastite em qualquer fase da lactação apresentaram reduções de 382 a 989 kg na produção total de leite e nos teores de gordura e proteína. As perdas foram mais acentuadas em novilhas que apresentaram mastite no período de transição e na fase final da lactação. Esses prejuízos de produção resultaram em perdas econômicas diretas e indiretas consideráveis: a receita do leite foi reduzida em até $591 dólares canadenses, a margem sobre custo alimentar caiu até $540 dólares canadenses, e o lucro bruto caiu entre $649 e $908 dólares canadenses. Entre os prejuízos indiretos, foram identificados o descarte de leite, a compra de medicamentos e as visitas veterinárias. 

A mastite é uma doença multifatorial, caracterizada por inflamação da glândula mamária, geralmente causada por um patógeno. Um dos principais fatores de risco para a ocorrência dessa doença nos rebanhos leiteiros é o processo de ordenha. Por esse motivo, acreditava-se que as novilhas seriam uma categoria livre desse risco. No entanto, falhas no manejo sanitário, inadequações nas instalações, acúmulo de matéria orgânica e a presença de vetores como as moscas aumentam signifi cativamente o risco de infecção nessa categoria. 

A mastite em novilhas no período pré-parto e em vacas primíparas no pós-parto compromete a produção de leite e a saúde do úbere, tanto na primeira quanto nas lactações subsequentes. Sendo assim, a prevenção e o controle da doença exigem abordagem integrada, baseada em quatro pilares: 

  1. o estabelecimento de metas; 
  2. a avaliação dos sistemas de manejo da fazenda; 
  3. a aplicação de intervenções específicas; 
  4. o monitoramento.

Estabelecimento de metas 

O primeiro passo no controle da mastite em novilhas no período periparturiente é definir parâmetros claros para identificar quando há um problema no rebanho. Considera-se que a incidência da doença está acima do aceitável quando: 

• Mais de 15% das novilhas apresentam mastite clínica próximo ao parto; e/ou 

• Mais de 15% das vacas primíparas apresentam contagem de células somáticas (CCS) acima de 150.000 células/mL no primeiro teste, realizado entre 10 e 35 dias após o início da lactação. Rebanhos que excedem esses limites devem ser cuidadosamente avaliados. A recomendação é que sejam adotadas ações imediatas para aprimorar os protocolos de prevenção, controle e monitoramento da mastite nesse grupo de animais.  

Para começar bem, é preciso cuidado e prevenção: ambiente limpo, manejo específico e atenção antes e após o parto ajudam a evitar a mastite e protegem o futuro produtivo 


Avaliação dos sistemas de manejo da fazenda

1. O prejuízo começa antes da lactação 

Estudos indicam que entre 29% e 75% das glândulas mamárias de novilhas gestantes já podem estar infectadas antes mesmo do parto. Durante o período pré-parto, a combinação de fatores como o aumento da pressão interna no úbere e predisposições genéticas pode levar à perda do tampão de queratina — barreira natural que protege o canal do teto contra a entrada de microrganismos. Isso torna a glândula mamária especialmente vulnerável à infecção por patógenos. 

Entre os agentes mais comuns associados à mastite em novilhas destacam-se Staphylococcus não-aureus e Mamallicoccus, Streptococcus ambientais e coliformes. 

Em propriedades rurais que não têm controle de moscas, S. aureus também pode representar um desafio sanitário adicional, devido à sua alta capacidade de colonização e transmissão. 

No final da gestação - momento de maior risco de novas infecções - a glândula mamária da novilha inicia o último estágio de desenvolvimento, no qual há aumento do tecido secretor, substituindo o tecido adiposo e preparação para iniciar a produção do colostro. Caso ocorra a infecção da glândula mamária ainda nesse estágio, haverá redução expressiva do crescimento e da expansão do tecido secretório, resultando em menor número de células produtoras de leite. Isso ocorre devido ao desequilíbrio entre as taxas de proliferação das células secretórias e a apoptose das células do estroma mamário, resultando na redução da expansão do tecido mamário ao longo do tempo.


2. Atenção redobrada nos primeiros 100 dias de lactação 

O período inicial de lactação é decisivo para o desempenho e a longevidade produtiva das vacas primíparas. Casos de mastite clínica nos primeiros 100 dias pós-parto aumentam significativamente o risco de novos episódios ao longo da lactação atual e nas seguintes. 

Dados dos Estados Unidos demonstram que, para cada novo caso clínico nos primeiros 100 dias, há um aumento de 34% no risco de descarte do animal. Isso significa que episódios precoces de mastite comprometem a saúde imediata do úbere, a permanência e o potencial produtivo da vaca no rebanho ao longo do tempo.  


Principais fatores de risco para a ocorrência da mastite em primíparas 


Aplicação de intervenção específicas 

Para reduzir efetivamente os índices de mastite em novilhas, é fundamental adotar medidas direcionadas e baseadas em evidências. A implementação de um programa de vigilância contínua, com realização de culturas microbiológicas de amostras de leite de vacas primíparas recém-paridas, é ferramenta essencial para identificar os agentes causadores predominantes no rebanho e orientar intervenções mais precisas. 

Uma das formas mais eficazes de controlar a propagação das bactérias responsáveis pela mastite em novilhas e primíparas é adotar estratégias de prevenção antes que o problema se manifeste de forma clínica. 

Nesse contexto, o Conselho Nacional da Mastite (NMC) dos Estados Unidos propôs o Programa de 10 Pontos para Controle e Prevenção da Mastite em Novilhas, que reúne recomendações práticas nas áreas de manejo, controle ambiental, nutrição e intervenções clínicas. Para a implementação eficaz desse programa, o primeiro passo é estabelecer metas claras de saúde mamária, como: 

• Taxa de mastite clínica ao parto inferior a 15%; 

• CCS abaixo de 150.000 células/mL nos primeiros 30 dias de lactação, em pelo menos 85% das primíparas. 

Com esses indicadores definidos, é possível avaliar o sistema de manejo da fazenda e identificar os pontos críticos que precisam de correção. A partir daí, recomenda-se a aplicação progressiva dos dez pontos propostos, com monitoramento constante dos resultados e ajustes periódicos com base em dados atualizados. 

Esse plano integrado — estruturado em vigilância microbiológica, definição de metas, avaliação do manejo e intervenções práticas — permite reduzir de forma consistente a ocorrência de mastite em novilhas e proteger o potencial produtivo dos animais nas lactações seguintes. O resultado é um rebanho mais saudável, eficiente e preparado para altos desempenhos produtivos.

UMA DAS FORMAS MAIS EFICAZES DE CONTROLAR A PROPAGAÇÃO DAS BACTÉRIAS RESPONSÁVEIS PELA MASTITE EM NOVILHAS E PRIMÍPARAS É ADOTAR ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO ANTES QUE O PROBLEMA SE MANIFESTE DE FORMA CLÍNICA  



Monitoramento 

Levando em consideração a importância econômica das primíparas na composição do rebanho leiteiro, o monitoramento e as práticas de prevenção da mastite devem começar ainda durante a fase de novilha gestante e se estender até, pelo menos, os primeiros 100 dias de lactação. 

Esse processo de monitoramento contínuo deve contemplar: 

1. Acompanhamento da incidência de mastite clínica e subclínica no período periparturiente; 

2. Realização de testes de diagnóstico frequentes como: 

  1. Cultura Microbiológica; 
  2. CCS. 

3. Acompanhamento do desempenho produtivo das bezerras e novilhas ao longo do tempo até o momento do parto; 

4. Monitoramento do escore de condição corporal das novilhas, considerando que valores elevados estão associados ao aumento do risco de mastite, devido ao estresse metabólico gerado pelo balanço energético negativo no pós-parto. 


Conclusão 

Garantir a saúde mamária de novilhas gestantes e vacas primíparas é investimento estratégico para o futuro do rebanho. Essa fase, muitas vezes negligenciada, exige atenção redobrada nos cuidados pré e pós-parto, com a adoção de medidas preventivas eficazes e monitoramento contínuo. 

A implementação de um programa integrado de manejo sanitário, controle ambiental e acompanhamento produtivo cria as condições ideais para que as novilhas expressem todo o seu potencial genético, contribuindo com mais saúde, longevidade e produtividade ao rebanho.


AGRADECIMENTOS 

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq - CNPq 310462/2021) e à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – FAPESP 23/02512-0; 24/21514-7) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Financial Code 001) pelas bolsas concedidas, bem como à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), processo RED-00132-22, pelo apoio financeiro.  

Compartilhar:


Autor

LeiteInova

LeiteInova


Comentários

Enviar comentário


Artigos Relacionados