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Opinião

Evandro Guimarães: Perspectivas para o meu final de vida.

Até os meus quase 73 anos trabalhei para empresas e empreendimentos privados. Nos últimos 6 anos dedico-me a uma atividade rural de melhoramento de Gado Leiteiro. Nesse período, trabalhei muito.

Evandro Guimarães: Perspectivas para o meu final de vida.

ACHEI BOM: apesar de minha mínima importância no setor tive um sentimento de orgulho e conforto em estar fazendo sem sombra de dúvida algo de verdadeiro interesse do Brasil. Essa tem se revelado a melhor  fase de minha existência profissional. É a melhor pela clareza, pela certeza de estar empenhado em algo muito útil para a Nação. Todos sabem que é esse mesmo sentimento gratificante o que move os mecenas e os voluntários sérios, em  dezenas de outras causas de evidente valor humanístico e social. 

O QUE NÃO É BOM: no entanto, as realizações visíveis ainda são inexpressivos. Explicando melhor: nesses últimos anos elegi como missão trabalhar pelo apoio efetivo aos pequenos e médios produtores de leite. São centenas de milhares. Com suas famílias, são milhões de Brasileiros. Tenho como foco a disseminação do melhoramento genético adequado, para o gado de leite rústico e produtivo. Mas, para que algo de vulto se concretize (ou comece) é necessário que Homens Públicos e Entidades se interessem de verdade, com empenho e seriedade. Mas, a enorme maioria se acostumou com a desigualdade e está paralisada. A maior carência é de vontade política, de interesse social verdadeiro. Na verdade, faltam atenção cívica para o assunto, formulação e implementação urgente de novas medidas público/privadas. Medidas que tenham visão de conjunto da pecuária de leite, foco, vivência no mundo real, conhecimento técnico, recursos adequados. Medidas que sejam criativas, eficazes e viáveis. Essa paralisia vem permitindo a observação do desaparecimento acelerado dos pequenos produtores, ceifando geração de renda e empregos. 

Não me esqueço que já existem bons exemplos na direção desse objetivo. Cito os programas do Sebrae, de alguns Municípios como Estrela Dalva, de Cooperativas como a de Governador Valadares e vários outros meritórios que peço perdão por não citar aqui. O assunto não é novo, o que falta é dar a ele a atenção e o tamanho proporcional à sua importância. Não sou idiota a ponto de ignorar que, ao longo do tempo, haverá maior concentração na atividade. Mas, com a velocidade e a CRUELDADE observada no que vem acontecendo, ALGO precisa começar a ser feito de imediato. Não ignoro também que muitas outras variáveis para apoio aos pequenos produtores precisam de maior atenção: a anomalia dos baixos preços pagos à pequena produção primária, questões sanitárias, nutrição, assistência técnica,  recuperação de pastagens, manejo, equipamentos, carência de trabalhadores, infraestrutura de estradas, conforto animal, etc., etc. 

Em plano mais abrangente o Brasil precisa se preparar para exportar derivados de leite. Não vamos exportar sem um robusto período de preparação que nunca começou. No entanto, trabalho pelo melhoramento dos pequenos rebanhos como a prioridade lógica. A esperança de rápida melhoria do seu gado de leite é o que muda a esperança e atitude positiva do produtor frente a seu futuro. É o que permite a cada um pensar no aumento de receitas mensais e no aumento expressivo do valor patrimonial de seu gado. Isso estará facilitando e agilizando outras mudanças produtivas. Não adianta querermos resolver tudo de uma única vez, isso é paralisante. Produtores de porte pequeno ou médio que tenham condições básicas mínimas para cuidar e melhorar o mesmo número de cabeças que hoje estão no seu rebanho podem corresponder com aumento da produtividade, o objetivo final. Não nos esqueçamos que os pequenos produtores podem se tornar médios e esses podem se tornar grandes. 

E QUAIS SÃO AS PERSPECTIVAS? Conheço atualmente poucas Pessoas e Entidades que se importam verdadeiramente com o contexto perverso que se acentuou nas últimas décadas. Deposito minhas melhores esperanças nesse pequeno grupo. Mas me defendo de uma eventual enorme frustração pensando que devo contar para viver o final da minha vida apenas com a satisfação do dever cumprido, a convicção de que me dedico a fazer uma coisa certa.


Evandro Guimarães -  [email protected]


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