Fazenda Santo Isidoro - Coxilha/RS
Texto: João Paulo Santos
Ao atravessarmos a cidade de Coxilha-RS e cruzarmos a linha do trem, no final da cidade entraremos numa estrada de terra bem conservada, com pedra britada. À nossa direita veremos uma grande área com aveia plantada até, praticamente, encostar nos trilhos da linha férrea. Cada extensão e milímetro de terra são aproveitados. Percorremos um bom trecho nessa estrada, com a fazenda à nossa direita. Nada de cercas ou barrancos. Apenas produtividade. Quando entramos, uma estrada central divide sua extensa área em duas glebas de terra de encher os olhos. Palhada de ambos os lados a perder de vista. Paisagem maravilhosa para todos que acreditam na força da agricultura como geradora de recursos e riqueza para nosso país. Por ora chegamos a nos perguntar: “Estamos no Brasil?”.

A fazenda
A fazenda Santo Isidoro, com seus 2.600 hectares de terra, foi adquirida em 1959 por Henrique Stedile, empresário do ramo de terraplanagem que, numa oportunidade, resolveu liquidar suas máquinas e mudar de atividade. Os primeiros anos foram marcados pela pecuária de corte extensiva e, naquela época, o gado ainda desembarcava de trem, dentro da propriedade. Em meados dos anos 60, por meio de uma liquidação de rebanho Holandês na região, Henrique Stedile resolveu comprar um lote com cerca de 20 vacas Holandesas. O objetivo era produzir leite para consumo próprio da fazenda. Esses animais foram a base do rebanho atual da fazenda. Com o passar dos anos, a agricultura na região e na propriedade foram ganhando força. Aos poucos a fazenda se especializou em agricultura, tornando-se importante produtora de sementes de soja e trigo (HS Sementes), produzindo também milho para comercialização.
Em 1989, após se formar em engenharia agronômica, Fernando Stedile, que gerenciava a criação de ovinos (raça Suffolk) da Santo Isidoro, resolveu diversificar mais e buscar novos desafios e oportunidades, uma vez que seu irmão Joacir, também agrônomo, formado em 1972, era quem dava as diretrizes técnicas para a exploração agrícola. Dessa forma, Fernando foi buscar conhecimento sobre como produzir leite de modo mais intensivo e técnico, e dar um novo direcionamento aos animais leiteiros da fazenda, cujo rebanho tinha crescido e merecia maiores cuidados. Ao começar a se envolver com o leite e com o volume de trabalho gerado, os ovinos foram liquidados e os recursos transferidos para a produção de leite. O ano de 1991 é considerado como marco inicial da exploração leiteira da Santo Isidoro. No primeiro ano de leite comercializado, a fazenda produziu 91.984 litros (252 litros/dia). Em 2012, a produção anual foi de 4.159.015 litros, perfazendo uma média diária de 11.394 litros com 500 vacas em produção. A perspectiva para 2013 é chegar até 600 vacas em produção, com média de 550 vacas em lactação e produção de 5.110.000 litros de leite, ou seja, 14.000 litros/dia, e uma média individual diária de 25 litros.
A fazenda Santo Isidoro não é e nem pode ser enquadrada como uma propriedade comum. Apresenta aspectos particulares extremamente interessantes, como o conceito de ciclo completo ou fechado em todos os aspectos que abrangem sua produção. Em termos de alimentação, todas as forragens são produzidas na fazenda (silagem de milho e silagem de aveia pré-secada). Por ser produtora de grãos, a propriedade não compra subprodutos tradicionais como caroço de algodão ou polpa cítrica. As dietas são elaboradas com farelo de milho triturado na propriedade e farelo de soja, também produzido internamente. A fazenda possui uma extrusora para soja, para produção de óleo, comercializado para biodiesel, e farelo para os animais. De cada 100 kg de soja, são produzidos 85 kg de farelo e 15 kg de óleo, gerando receita adicional. O farelo, por ser selecionado e livre de impurezas, apresenta concentração proteica acima da média de mercado, com teor de proteína bruta (PB%) oscilando entre 47 a 49%, e com uma vantagem adicional: teor de gordura mais elevado, com 7 a 8% de extrato etéreo (bem mais elevado que os usuais 1 a 2% do mercado). Dessa forma, a fazenda economiza em frete e produz um alimento rico e seguro. Segundo Fernando, em algumas categorias, a redução de custo pela inserção desse farelo em dietas chega a 25%. Além dessa vantagem, uma parte desse farelo mais nobre é comercializada para outros produtores com preços 15% superiores ao mercado, por conta da qualidade do produto. O gestor da atividade leiteira da propriedade é cético ao avaliar aspectos qualitativos de ingredientes e segurança alimentar do rebanho: “Qual é a melhor e mais usual fonte de energia para ruminantes? E a fonte de proteína? Então por que inventar? Por que correr riscos se tenho o alimento bem produzido e controlado aqui na minha propriedade?”
Com estes comentários, Fernando chamou atenção ainda para o aspecto do potencial de produção de leite dessa região no Rio Grande do Sul. Sob seu ponto de vista, a produção de leite tem um vasto campo de oportunidades nesta área rica em agricultura por questões de vantagens comparativas. Nos rincões de terras gaúchas exploradas pela agricultura intensiva, certamente essa é uma grande oportunidade, considerando que a propriedade tem como objetivo atingir a marca de 15.000 litros de leite/ha em 2013. Com os preços praticados no mercado, fica claro que em termos de receita bruta/área a atividade leiteira é uma alternativa interessante e competitiva, muito superior aos grãos. Na Santo Isidoro, o leite, segundo Fernando, responde por 40% dos negócios do grupo.


O sistema
O sistema de produção da Santo Isidoro é classificado como sistema a pasto, nas palavras de Fernando Stedile, pelo fato dos animais consumirem a forragem durante o ano todo. No entanto, não seria errado dizer que o sistema de produção é misto, uma vez que suas vacas recebem suplementação de volumoso e concentrado no cocho, o ano todo, na saída da ordenha, realizada 2 vezes por dia em sistema side-by-side (paralela), duplo 16, totalmente automatizada e informatizada (com coleta de informações e dados de produção em tempo real).
Suplementação
A suplementação dos animais é feita por meio de vagão total mix, automotriz, com grande eficiência e praticidade, em cochos com canzis, onde os lotes são alimentados na saída da ordenha. O vagão automotriz é equipado com rotor desensilador para retirada de silagem de milho e pré-secado de aveia. A dieta suplementar é composta pelos dois volumosos, acrescida dos farelos de milho e soja produzidos na própria fazenda.
Para suplementação forrageira, são destinados 200 ha para produção de milho irrigado debaixo de pivô central. No inverno, planta-se aveia para produção de silagem pré-secada, colhida entre 26 a 32% de matéria seca. Para dominar o corte de módulos de 50 ha de aveia plantados, Fernando trabalha de modo alternativo, com dessecação e colheita da forrageira 2 dias após a desseca. “Quando a forrageira começa a ameaçar amarelar, entramos colhendo. Isso garante o ponto adequado de matéria seca para obtermos uma silagem de qualidade. No segundo dia, dessecamos outra gleba, de modo que a colheita é escalonada e contínua. Quando uma quadra está começando a secar, a colheita vem na sequência”. Enfim, talento agronômico para dominar grandes extensões de terras a serem manejadas. Para garantir estabilidade da silagem pré-seca faz-se a aplicação de inoculante. Ao verificarmos este silo constatamos um material perfeito, palatável e sem odores, ideal para ser consumido por bovinos. Na fazenda, são produzidas 7.500 toneladas de silagem de milho e 2.200 toneladas de silagem pré-secada de aveia por ano.

Pastejo
O sistema de produção de leite da Santo Isidoro utiliza 150 ha de pastagens. São cerca de 120 ha de Piatã e 30 ha de quicuio, no verão. No inverno, naturalmente, a produção destas gramíneas diminui e as mesmas são substituídas por azevém nativo, com pico de produção no mês de julho. A área de pastagem é dividida em piquetes de 1 ha cada, que são pastejados por 3 lotes em lactação. Os piquetes foram totalmente planejados e focados para boa produção e, ao mesmo tempo, para gerar conforto aos animais. Fileiras de eucaliptos foram plantadas em todas as divisas no sentido norte-sul, garantindo sombra permanente ao gado, o dia todo. Módulos de bebedouros foram montados, servindo sempre 2 piquetes, abastecidos por gravidade e interligados, sendo que o abastecimento dos mesmos somente ocorre nos piquetes ocupados. Os demais permanecem sempre vazios. O período de ocupação padrão é de 24 horas e, a cada dia, o funcionário responsável por manejar os animais e trocá-los de piquetes é encarregado do fechamento de registro do módulo anterior e ativação do presente. Tal característica permite um manejo muito racional, sem desperdício, garantindo sempre água fresca aos animais e mantendo os bebedouros sempre limpos, sem a necessidade de lavá-los. O período de descanso varia de acordo com a época do ano e oscila entre 20 a 40 dias. Os piquetes são distribuídos em módulos de diferentes tamanhos, com 10, 15 ou 20 ha, pastejados por lotes de, no máximo, 200 cabeças.
A fertilidade natural do solo da fazenda é muito boa, com teores de fósforo entre 30 a 40 ppm em muitas áreas. Uma terra densa e pesada, tipo 3, com teores de argila de mais de 50% (latossolo vermelho escuro) e saturação por bases (V%) entre 60 a 70%. Dessa forma, de acordo com Fernando, o manejo para correção e adubação do solo existe, mas de forma bem simples, com uma aplicação anual de uréia em torno de 150 a 200 kg/ha. A cada 2 anos realiza-se uma adubação de 350 kg/ha (N-K) e a correção do solo é feita a cada 4 anos com aplicação de 3 toneladas de calcário/ha.


Confinamento
As bezerras são criadas em bezerreiros individuais, recebendo leite de descarte, pasteurizado, 2 vezes ao dia, e são alojadas em abrigos individuais. Após o desmamame são transferidas para um sistema de confinamento, sendo alimentadas com TMR até a prenhez. Após o diagnóstico e confirmação de prenhez passam a ser manejadas em pastejo, juntamente com as vacas secas. Aos 30 dias antes da parição são transferidas para o piquete pré-parto, onde a oferta de forragem é limitada (quando há sobre-oferta a mesma é cortada, ou seja, o pasto é mantido sempre baixo para evitar consumo elevado de volumoso) e recebem dieta aniônica.

Manejo do esterco
Um projeto a ser destacado na Santo Isidoro é o sistema único e central de captação de esterco. Todos os dejetos, provenientes das lavagens das instalações, são coletados em uma esterqueira de alvenaria, cilíndrica, com capacidade para 150.000 litros, equipada com separador de sólidos e bombeada (fração líquida) para tanque decantador. Na sequencia, a fração líquida é novamente bombeada para outro tanque para separação e tratamento da água, por meio de processo de aeração forçada, antes de ser lançada ao meio ambiente. A água suja decantada é reinserida no tanque coletor, sendo incorporada à massa de esterco. Segundo Stedile, a fertirrigação é uma técnica interessante, mas com limitações e problemas como veiculação excessiva de determinados nutrientes ao solo, podendo atingir níveis de contaminação, se não houver controle ou correto monitoramento das aplicações. Por este motivo, considera essencial o correto manejo do esterco, tanto para atender as questões ambientais e preservação do meio como para produzir um adubo orgânico estável (curtido), de altíssima qualidade, para ser aproveitado de modo racional nas lavouras da propriedade. Em segundo plano está a possibilidade de comercialização dos resíduos sólidos, como fonte de receita adicional à propriedade, com produto de maior valor agregado.
A Gestão
A gestão da Santo Isidoro foge à regra de muitos de sistemas de produção intensivos de grande porte nas mais diferentes regiões do nosso país. Seu principal administrador tem o hábito de estar presente no negócio em tempo integral, até mesmo nas horas vagas. Fernando, apesar de morar em Passo Fundo, cidade próxima a Coxilha, costuma ir, inclusive aos finais de semana, à propriedade. “Não tenho o costume de ir na casa de pessoas, de chamar amigos para ir em casa. Nossa vida é na fazenda, fomos criados assim, e o que vamos fazer na cidade? Na cidade não tem nada para fazer, não é verdade? Isso acontece comigo, com meu irmão, com meu pai. Todos nós temos nossas vidas, rotinas e horários diferentes, mas trombamos por aqui. Mesmo que na fazenda esteja tudo em ordem ou mesmo que não haja nada de especial acontecendo, a gente vem para cá. É aqui que nós ficamos”. No tempo em que permanecemos na propriedade, foi possível averiguar a veracidade de tais palavras. Enquanto nos acompanhava em nossa visita pelos diferentes setores da fazenda, encontramos Joacir Stedile, trabalhando no escritório anexo à oficina, e Henrique Stedile, o pai, caminhando em diferentes locais, em momentos distintos.
Como em outros sistemas de produção bem sucedidos, as atribuições e responsabilidades são bem divididas. Joacir responde pela agricultura. A atividade leiteira é comandada por Fernando, com auxílio de um gerente de produção, o médico veterinário Gabriel Sobierayski Esnaola, e mais 18 funcionários, que trabalham sempre em turnos completos de 6 horas, divididos da seguinte forma: 8 funcionários na ordenha (4 no turno da manhã e 4 no turno da tarde), 2 funcionários responsáveis pela reprodução, 2 pela alimentação, 2 campeiros (responsáveis pela condução do gado da ordenha aos piquetes, vistoria dos mesmos, manejo e trocas) e 4 funcionários designados exclusivamente ao manejo das bezerras (aleitamento), sendo 2 por turno (manhã e tarde).

A visão do técnico
Como dissemos na introdução do nosso texto e apresentação da fazenda, quando conhecemos a Santo Isidoro chegamos a nos indagar se realmente estávamos visitando uma propriedade no Brasil ou em outro país. O que pode ser considerado um elogio para aqueles que não conhecem a propriedade é a mais pura verdade para aqueles que já tiveram a oportunidade de visitá-la. Além da imensidão e vasta extensão de terras que se perdem ao horizonte, chama atenção o grau de intensificação, seja na agricultura ou pecuária de leite. Cada centímetro de terra é aproveitado, e de forma racional. Chama muita atenção o projeto dos piquetes e a preocupação em garantir conforto térmico por meio de sombreamento natural feito com o plantio de fileiras de eucalipto, plantadas estrategicamente para projetar sombra em praticamente 100% de cada piquete o dia todo, sem ser excessiva ou comprometedora para o desenvolvimento da forragem por falta de luminosidade. Enquanto muitos sistemas de produção a pasto com suplementação no cocho apresentam problemas de consumo de forragem por excesso de suplementação (efeito substitutivo) ou stress térmico (muito sol incidindo nos animais), na Santo Isidoro é possível observarmos animais deixando a sombra e buscando o pastejo a partir das 11:00hs, o que certamente otimiza a porcentagem de FDN forrageiro oriundo da pastagem consumido diariamente pelas vacas em produção, gerando melhores resultados. A disposição da sombra em fileiras é fundamental, não só para garantir a sombra como para promover uma boa distribuição das vacas e evitar o acúmulo de barro em áreas restritas ou concentradas dos piquetes. Um grande aprendizado, traduzido nas palavras de Fernando enquanto conversávamos: “Quem confina faz o conforto na instalação. Investe em ventiladores e sistemas de climatização. Quem utiliza o pastejo tem que investir no sombreamento natural”. Este “investimento”, como o mesmo qualifica o plantio de árvores, é relativamente recente dentro do sistema de produção da fazenda, com início em 2007. Após o crescimento das árvores e projeção de sombra, segundo ele, os resultados em termos de produção foram animadores.
Além da distribuição e projeto dos módulos rotacionados, chama muita atenção o planejamento de cada instalação dos diferentes setores da propriedade, cada detalhe fazendo a diferença, com o “dedo” de Fernando como idealizador e mentor de cada um deles, como o sistema de coleta de esterco. Em um país como o Brasil, com dimensões continentais, excessiva burocracia, excesso de leis, mas pouca fiscalização efetiva, a Santo Isidoro apresenta uma mentalidade diferente e infinitamente mais avançada que a média nacional. Diria que o sistema de produção, como um todo, é correto, sob o olhar de qualquer técnico crítico e rígido do mundo. Na Santo Isidoro, tudo se encaixa, o ciclo é completo, ou seja, dos recursos vegetais (agricultura) se faz o alimento que gera proteína animal (leite). O que é desperdiçado (fezes e urina/esterco) é reaproveitado e devolvido à natureza de forma prudente e ambientalmente correta.
Um aspecto interessante na fazenda é a mistura e fusão de conceitos, envolvendo técnicas de confinamento e pastejo. Os animais que requisitam mais cuidados, como a recria, são criados em regime de confinamento total. Quando podem ser criados de maneira mais rústica e econômica vão para o pasto. Quando confirmam prenhez, são trazidos novamente para confinamento, para consumirem dieta aniônica, por exemplo. Em uma única propriedade, diferentes conceitos (confinamento e pastejo) são aproveitados e utilizados da melhor forma e no momento mais adequado, contrariando a tese da exclusividade como única forma de se obter sucesso em um sistema de produção de leite. Cai por terra a ideia antiga de que somente o pastejo pode solucionar problemas ou ser a opção mais barata para produção de leite, ou o confinamento como tradução de produtividade, médias elevadas e escala de produção. Fernando é enfático ao dizer que as soluções encontradas para sua propriedade são intrínsecas a ela, e que os motivos que levaram a determinada escolha ou decisão em um sistema são sempre particulares. Quando observamos a tecnologia da sua fábrica de ração e a instalação de uma extrusora de soja, em um primeiro momento até assustamos e nos indagamos: “nossa, mas produzir o próprio farelo, esmagar, produzir óleo?”. Quando avaliamos a produtividade, capacidade de trabalho e produção da fazenda começamos a compreender melhor e perceber como as peças se encaixam e as decisões tomadas pelo grupo fazem sentido.
Aspectos técnicos precisam, entretanto, ser avaliados com critério, para que conclusões precipitadas não sejam tomadas como, por exemplo, o manejo simplificado da adubação. Funciona na Santo Isidoro porque a propriedade possui solo com bom teor de argila, corrigido na parte química ao longo dos anos. Na região não há verão rigoroso, com dias excessivamente quentes. Estes podem ser contados nos dedos, segundo os gestores da propriedade. Somado a estes fatores, a distribuição de chuvas na região é bem regular ao longo do ano todo, com cerca de 120 a 140 mm/mês, diferindo bastante da precipitação estacional de outras regiões do país.
Dessa forma, percebemos que as decisões em relação aos mais diversos investimentos foram fundamentadas de acordo com o potencial da propriedade e capacidade de planejamento do administrador e responsável pelo leite, o engenheiro agrônomo Fernando. É perceptível a sua habilidade na condução de projetos extremamente técnicos, como o recém-implantado sistema de manejo de dejetos e produção de farelo de soja, por exemplo. Além dessas particularidades, nos chamou muito a atenção a maneira como Fernando conduz a manutenção de todas as máquinas e equipamentos da propriedade. Também, com exceção de defensivos agrícolas e fertilizantes químicos, praticamente tudo é produzido na fazenda ou mantido pelos proprietários. Segundo Fernando, quem tem um sistema de produção como o da Santa Isidoro não pode depender de assistência técnica terceirizada. Na fazenda, a manutenção da ordenha, máquinas, vagão forrageiro e equipamento é feita pelo próprio dono. “Não posso ficar esperando 5 dias pela solução e resolução de um problema cujo técnico precise vir de fora do Estado, por exemplo. Se eu agir dessa forma, meu negócio fica comprometido”. Tal dificuldade e demanda fez de Fernando um expert em soluções de desafios. Este espírito é facilmente compreendido quando avaliamos sua vida pessoal e carreira como piloto de corridas (Kart e Fórmula Ford). No meio de tratores, semeadoras e grandes colhedeiras, encontramos uma oficina fechada por uma grande porta corrediça. Fomos convidados a entrar, e dentro nos deparamos com diversos cockpits sob cavaletes, motores expostos, peças, pneus, rolamentos e engrenagens, além de uma vastidão de troféus e galeria de fotos de corrida. Premiações e conquistas de Fernando e de seu irmão... Paixão pelo resultado, pela eficiência, pela precisão e planejamento. Atributos de muitos campeões das pistas. “Para quem monta isso, desmontar uma ordenha é tranquilo”, completou Fernando ao ver minha expressão de espanto. Realmente. Os Stedile... são diferentes.

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