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Fazendas, Gestão, Manejo

Na Chácara Sempre Verde (Castro/PR), o futuro é sinônimo de atenção

Na Sempre Verde, o futuro é sinônimo de atenção: com os colares de monitoramento, nenhuma vaca passa despercebida

Na Chácara Sempre Verde (Castro/PR), o futuro é sinônimo de atenção

Jonathan Groenwold cresceu na Sempre Verde, em Castro/PR, acompanhando de perto a rotina dos pais, Douwe e Annie Groenwold, e dos animais. A relação se formou tão cedo que, quando chegou a hora de decidir se entraria no negócio, a decisão já estava tomada fazia tempo.

A tecnologia entrou na vida dele quase na mesma época em que ele entrou na vida da fazenda. Foi ainda adolescente, ao lado do pai, que conheceu os colares de monitoramento, numa edição da Agroleite. Douwe queria uma ferramenta que fizesse o olhar do produtor alcançar todas as vacas de um rebanho que não parava de crescer.

Hoje, com 1.150 vacas em lactação, seria impossível conhecer cada animal de perto sem ajuda. Os colares devolvem essa proximidade em outra escala: registram a atividade e a ruminação de cada vaca, da recria ao fim da vida produtiva, e avisam quando alguma delas precisa de atenção. O animal é atendido antes de adoecer e a equipe trabalha com mais previsibilidade. A rotina de todos, de quem cuida e de quem é cuidado, fica mais tranquila.

O rebanho deve seguir crescendo, e a pergunta que orienta a família continua sendo a de sempre: o que fazer hoje para produzir leite daqui a 20, 30 anos? Se a resposta passa pela tecnologia, é porque ela permite que uma fazenda de 2.500 animais conserve algo que veio desde a infância de Jonathan: nenhum animal passa despercebido.

O fornecimento de lipídeos para vacas leiteiras é cada vez mais comum no Brasil e no mundo, principalmente em rebanhos de alta produção. Inicialmente, o fornecimento de fontes de gordura tinha por principal objetivo promover o adensamento energético das dietas por fornecerem 2,25 vezes mais energia do que os carboidratos. Entretanto, os estudos têm mostrado que a suplementação de gorduras compostas por ácidos graxos (AG) específi cos pode aumentar a produção de leite, manipular a composição da gordura do leite e atuar positivamente no metabolismo animal (Neto et al., 2021; Lock et al., 2025).

No Brasil, as principais formas de suplementar gordura nas dietas são por meio do uso de ingredientes que possuem alto teor de AG (como caroço de algodão e grãos de soja tostada), fornecimento de gordura protegida/inerte no rúmen (sais de cálcio), e gorduras com alta concentração de AG saturados. Os AG podem ser classificados como saturados (ácidos palmítico e esteárico) e insaturados (ácido oleico, linoleico e linolênico), sendo que sua estrutura química define seus efeitos ruminais e no metabolismo pós-absortivo.

De maneira geral, AG insaturados são tóxicos para os microrganismos ruminais, que realizam a biohidrogenação como forma de reduzir os efeitos deletérios desses AG (Russell, 2002). Além disso, no processo de biohidrogenação, especialmente do AG linoleico (C18:2), há a formação de alguns intermediários capazes de reduzir a síntese de gordura na glândula mamária (Baumgard et al., 2002).
 

O efeito na reprodução

Na revisão de Staples et al. (1998), o fornecimento de fontes de gordura aumentou a taxa de concepção ao primeiro serviço em 17 unidades percentuais em 11 dos 20 estudos avaliados. Nesse estudo, os fatores que foram associados ao ganho incluem amenização do balanço energético negativo, melhor desenvolvimento folicular, estímulo da síntese de progesterona e modifi cação na produção e liberação de prostaglandina (Staples et al., 1998).

Em geral, as respostas com efeito positivo na reprodução de bovinos estão associadas à suplementação de AG insaturados, principalmente os ácidos linoleicos e linolênicos (ômega-6 e ômega-3). Além disso, estudos relatam os efeitos do AG oleico (C18:1) sobre a partição de energia, sendo ele capaz de reduzir a resistência à insulina e aumentar o direcionamento de energia para os tecidos periféricos, alterações metabólicas que podem ser vantajosas no pós-parto imediato como forma de atenuar a perda de peso e a mobilização de gordura (de Souza e Lock, 2019; Lock et al., 2025).

Palmítico e a produção de leite

Por outro lado, a utilização de óleo de palma tem sido cada vez mais comum nos rebanhos brasileiros como fonte de gordura, decorrente da alta proporção de ácido palmítico (C16:0). Estudos apontam que maior adição de C16:0 na dieta pode aumentar a produção de leite e de gordura do leite (Figura 1) devido à maior secreção desse ácido pela glândula mamária (Neto et al, 2021; Lock et al., 2025). Geralmente as vacas respondem melhor à suplementação de ácido palmítico quando comparado com esteárico (C18:0) (Neto et al., 2021). Existem dois possíveis mecanismos de ação do AG palmítico que justifi cam seus efeitos positivos sobre a produção de leite e de gordura do leite:

1) O AG palmítico representa aproximadamente 30% dos AG presentes na gordura do leite, sendo parte dele produzido na própria glândula mamária via síntese de novo. Desse modo, o maior aporte desse AG via dieta aumenta sua incorporação na gordura do leite reduzindo a necessidade de síntese interna o que pode poupar energia para a produção de leite (Palmquist, 2006);

2) O AG palmítico pode ser precursor de ceramidas que inibem a captação de glicose nos tecidos periféricos (McFadden e Rico, 2019) e consequentemente aumentam o direcionamento de energia para a glândula mamária (Lock et al., 2025), mecanismo que corrobora os resultados de aumento da produção de leite.



Figura 1. Efeitos do fornecimento de fontes lipídicas sobre a produção de leite e de gordura do leite Fonte: Lock et al. (2025)


Quanto fornecer em cada fase

Atualmente, o NASEM (2021), principal modelo nutricional utilizado para bovinos de leite, descreve a composição em AG dos alimentos. Entretanto, mesmo sabendo da importância dos AG, não sugere quais os requerimentos de AG para vacas em lactação. De forma geral, alguns nutricionistas utilizam como valores de referência as recomendações do pesquisador Jonas de Souza (Tabela 1).


Tabela 1. Recomendações de ácidos graxos por fase da lactação

Portanto, estratégias de suplementação de gorduras em bovinos leiteiros podem ser utilizadas de acordo com o status fisiológico e estágio de lactação explorando os diversos tipos de AG disponíveis e seus efeitos no metabolismo animal. De modo geral, gorduras com maior proporção de AG insaturados têm sido recomendadas no período de transição, pré e pós-parto, em que teremos efeitos benéficos em imunidade, reprodução e redução do balanço energético negativo. Por outro lado, a suplementação de AG saturados, especialmente o palmítico, pode ser feita após o período de transição ou a partir do pico de lactação buscando incremento da produção de leite. 71-250 DEL 1,0 - 1,5 0,2 - 0,5 0,5 - 0,8 1,0 - 2,0 0,1 - 0,5 2,2 - 2,5 


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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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