Neosporose Bovina: Diagnóstico e Controle.
A Neosporose em bovinos é uma doença causada pelo protozoário Neospora caninum, identificado pela primeira vez em 1988, em cães com encefalomielite.
A Neosporose em bovinos é uma doença causada pelo protozoário Neospora caninum, identificado pela primeira vez em 1988, em cães com encefalomielite. O cão foi identificado como o hospedeiro definitivo de N. caninum, porém outros hospedeiros também podem estar envolvidos. Há poucos relatos sobre o quadro clínico da Neosporose em caninos, a maioria desses são assintomáticos. Nos cães, quando ocorrem, os sinais normalmente são neurológicos (incoordenação e paralisia dos membros pélvicos devido a encefalomielite).
A Neosporose está amplamente disseminada nos diferentes continentes. Em bovinos, os dois mecanismos de infecção por N. caninum são a transferência do parasita da mãe para o feto e a ingestão de oocistos esporulados. Vários estudos demonstram que vacas soropositivas cronicamente infectadas têm um risco de aborto cerca de três a sete vezes maior em comparação com as vacas soronegativas, sendo que o maior risco de aborto ocorre em novilhas de primeira cria. A idade dos bovinos também é um importante fator. Animais mais velhos possuem maior soroprevalência nos rebanhos, devido à maior exposição aos oocistos e outras formas infectantes do protozoário conforme o passar dos anos na propriedade.
Quanto ao clima, temperaturas mais altas favorecem a esporulação de oocistos em pastagens onde os bovinos circulam. A alta umidade nas pastagens e períodos de chuva prolongados também favorecem a esporulação e sobrevivência de oocistos no ambiente, podendo aumentar o risco de infecção por causar estresse direto e indireto ao rebanho bovino devido a diferenças de temperatura, qualidade alimentar prejudicada e higiene diminuída.

A importância econômica da Neosporose bovina é atribuída principalmente aos custos associados ao aborto, ao valor dos fetos, à inseminação artificial ou à cobertura, à diminuição da produção de leite, ao aumento do descarte e à reposição dos animais. No Brasil, os anticorpos contra N. caninum foram detectados em bovinos e bubalinos em vários estados, com soroprevalência variando de 11 a 64%.
A Neosporose causa aborto, infertilidade, nascimento de bezerros natimortos ou doentes, ou nascimento de bezerros normais congenitamente infectados. O aborto pode ocorrer em qualquer estação do ano, tanto em novilhas quanto em vacas. O período de gestação em que ocorre o aborto é variável de três meses até o fim da gestação, mas principalmente na metade da gestação.
Diagnóstico
O diagnóstico depende de uma combinação entre o histórico do rebanho, sinais clínicos e diagnóstico laboratorial. O quadro clínico sugestivo de Neosporose é a presença de sinais neurológicos e polimiosite em bovinos jovens. Em bovinos adultos, normalmente observa-se aborto e bezerros natimortos.
Os casos assintomáticos em bovinos e os sinais inespecíficos dificultam o diagnóstico clínico da doença, por isso o diagnóstico laboratorial é imprescindível para confirmar uma infecção por N. caninum.
Os métodos utilizados para diagnosticar a Neosporose em bovinos são sorológicos (Ensaio de Imunoadsorção Enzimático–ELISA, Reação de Imunofluorescência Indireta – RIFI, Teste de Aglutinação do Neospora– NAT, Teste de Imunocromatografia Rápida - RIT, Teste de Aglutinação em Latex - LAT e Immunoblotting), técnicas moleculares (Reação em Cadeia da Polimerase - PCR), histopatológicas (Imunohistoquímica– IHQ) e ainda por isolamento, podendo utilizar cultivo celular em camundongos.
O diagnóstico sorológico prevalece no cenário atual por ser uma metodologia comumente utilizada em levantamentos soroepidemiológicos, como ferramenta de triagem da doença na propriedade rural. Um estudo realizado no Rio Grande do Sul, pelo método ELISA em três diferentes regiões encontrou uma soroprevalência de 21,8% a 35%, sendo o aborto apontado como fator de risco para a disseminação da doença.
O mercado brasileiro tem disponível o kit Dot-ELISA ImmunoComb Bovine Neospora para diagnóstico de Neosporose, por meio da titulação de anticorpos IgG no soro, plasma e leite. A utilização de leite confere mais praticidade e rapidez ao diagnóstico, pois as amostras poderão ser obtidas durante a ordenha. O kit possui antígenos altamente purificados (taquizoítos específicos de N. caninum) o que reduz a reatividade cruzada com antígenos similares. O kit é uma ferramenta eficaz para monitoramento do rebanho, prevenção e diagnóstico de Neosporose bovina. Pesquisas indicaram a eficiência desse kit em bubalinos.

Mais informações sobre o kit Immunocomb Bovine Neospora.
Controle
As práticas de manejo do rebanho são utilizadas para tentar eliminar ou reduzir a infecção e os prejuízos causados por Neospora caninum. A estimativa de prevalência da infecção no rebanho é o passo inicial para selecionar as estratégias de controle do aborto por Neosporose. O descarte pode ser feito se a prevalência da doença for baixa, mas não é economicamente viável nos rebanhos com prevalência elevada. O descarte deve ser feito de modo gradativo, evitando prejuízos econômicos na produção.
Uma estimativa da prevalência pode ser obtida com o exame sorológico de um grupo de 30 a 50 vacas em lactação, selecionadas ao acaso, dependendo do tamanho do rebanho. O exame sorológico de vacas com e sem histórico de aborto pode ser usado para avaliar se os abortos podem ser atribuídos à Neosporose. Se o parasita contribui para os abortos, a proporção de vacas soropositivas e com histórico de abortos será significativamente maior que a de vacas soro positivas sem aborto. Se a taxa de soro positividade não for significativamente maior para as vacas com aborto, não existem evidências para a infecção por Neospora no rebanho.
O exame sorológico irá auxiliar na escolha de novos animais, testando todos antes de introduzir no rebanho, impedindo assim a entrada da doença na propriedade. A utilização de animais soronegativos para reposição do rebanho é uma medida importante para controlar a Neosporose, pois representa uma alternativa de menor custo para a eliminação da infecção em médio prazo. O exame sorológico também pode estimar a extensão da infecção congênita, por meio da titulação de anticorpos anti-Neospora em amostras de leite da vaca recém-parida.
Outra importante forma de controle da transmissão da Neosporose é evitar o acesso de cães aos fetos, placentas e carne crua. É preciso também evitar a contaminação de bovinos por oocistos eliminados nas fezes dos cães. Isto é possível diminuindo o número de cães convivendo com o rebanho, protegendo locais de armazenamento de alimento e de água e removendo as fezes dos cães dos cochos e bebedouros. Deve-se também evitar o contato das vacas com fetos e placentas, para impedir a placentofagia. Em rebanhos leiteiros isto poderia ser feito com a separação dos animais no momento do parto.
A maioria das vacas infectadas produz bezerros infectados e a infecção congênita parece permanecer no rebanho por muito tempo. Se a sorologia inicial de uma amostragem de vacas indicar uma baixa prevalência para justificar o descarte, as fêmeas remanescentes do rebanho devem ser avaliadas e as vacas positivas descartadas. Uma opção mais gradativa de controle seria realizar os exames sorológicos das mães e filhas de vacas que abortaram. O estado sorológico de uma vaca pode ser associado a outros critérios para justificar o descarte, como diminuição de produção, outras doenças, como mastites, problemas de casco, etc.
O monitoramento sorológico deve continuar a ser realizado periodicamente em um número representativo de animais de forma individual ou pelo leite.
Tratamento para Neosporose
Atualmente, várias pesquisas experimentais in vivo e in vitro estão sendo realizadas para tratar a Neosporose ou combater as formas infectantes nos hospedeiros, porém até hoje nenhum medicamento disponível é considerado seguro e eficaz para o tratamento da infecção em ruminantes.
Estudos estão sendo conduzidos sobre vacinas inativadas contra Neosporose em bovinos, mas ainda não há uma vacina disponível comercialmente no Brasil.
Considerações finais
O acompanhamento sorológico da propriedade é essencial para estabelecer as estratégias de controle da Neosporose no rebanho.
As medidas para controle são ferramentas importantes para reduzir a taxa de aborto e retorno ao cio, diminuindo as perdas reprodutivas e econômicas com descarte de animais e queda na produção leiteira.
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Autor
VP DIAGNÓSTICO
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