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PAI PRESENTE

Em homenagem ao Dia dos Pais, a Revista Leite Integral conversou com produtores de leite que deram a seus filhos o próprio nome, perpetuando a marca entre gerações.

PAI PRESENTE

O nome próprio é a primeira marca que recebemos. Uma espécie de herança documentada, algo que está entre o direito de existir e a sorte de se encaixar. Diz muito sobre o desejo dos outros, mas nos permite entender, quando devidamente chamados, quem somos e de onde viemos. Ética e estética se misturam nas denominações que ganham sentido, pois são escolhidas por inúmeros motivos: pelo significado literal, pela proteção dos santos que evocam, pela homenagem que prestam aos ascendentes, pelos momentos políticos e culturais que revelam e até pelas personagens marcantes das novelas ou pelos craques de futebol na época do nascimento. Na verdade, todo mundo tem uma boa história para contar quando o assunto é o próprio nome. Foi a partir dessa certeza que a Revista Leite Integral decidiu conhecer a história de produtores de leite que compartilham o mesmo nome com seus filhos. Essa prática parece criar uma identidade ainda mais forte, como se implicasse a continuidade do legado, a esperança de uma vida mais próxima ou a mais expressiva declaração de amor. Entre as muitas conversas inspiradoras que tivemos, selecionamos alguns depoimentos emocionantes que agora apresentamos como presente para o Dia dos Pais.

O NOME PRÓPRIO É A PRIMEIRA MARCA QUE RECEBEMOS. UMA ESPÉCIE DE HERANÇA DOCUMENTADA, ALGO QUE ESTÁ ENTRE O DIREITO DE EXISTIR E A SORTE DE SE ENCAIXAR  

Três vezes Mat(h)eus 


 

 
“Meu nome é Mateus Simão e atuo na agricultura, suinocultura e pecuária há mais de 20 anos. Trabalho em parceria com meus filhos: meu caçula, Marcelo, assumiu a parte da agricultura, eu me dedico à suinocultura e meu primogênito, Matheus, está envolvido com a pecuária leiteira. Meu filho Matheus Simão, após se formar no Colégio Instituto Cristão como Técnico em Agropecuária, assumiu a gestão da leiteria na Chácara Vó Ita em Castro/PR, onde dedicou-se com muita paixão pelos animais. Após algum tempo de trabalho, enfrentamos problemas com a tuberculose no rebanho, o que nos obrigou a sacrificar todos os animais. Foi um momento de desespero e tristeza, mas com fé e com Deus em nossos corações, encontramos forças para recomeçar.
Compramos vacas da raça Holandês e alugamos a Chácara Bela Vista em Piraí do Sul/PR, que posteriormente adquirimos. O amor e a paixão pelas vacas nos impulsionaram, e hoje produzimos quase 10.000 litros de leite por dia. Cada dia de trabalho árduo é recompensador, pois notamos o crescimento e a melhoria da qualidade do nosso rebanho, resultado da seleção das melhores vacas e da priorização da qualidade do leite.
Além do amor de pai para fi lho envolvendo a pecuária leiteira, temos também o nosso nome em comum. Tanto o nome quanto o sobrenome possuem significado bíblico, escolhido pela minha mãe. Como pai, decidi manter o mesmo nome para meu filho, que levará adiante o meu nome com sua própria família. Matheus Simão Filho é casado e tem duas filhas e um filho. Em homenagem a mim e para dar continuidade à nossa linhagem, ele deu o nome de Mateus Simão Neto ao seu fi lho. Desde o ventre, essa criança já tem contato com a pecuária. Hoje, com apenas alguns meses de vida, acompanha seus pais na leiteria. São três gerações e um só nome: pai, filho e neto”.  

Três vezes André

 

               

“Meu nome é André Luciano Teixeira e tenho 48 anos. Sou filho de André Martins Teixeira, proprietário da Fazenda dos Macacos, em Nazareno/MG, onde minha família foi criada com o resultado da atividade leiteira. Tudo o que sei, aprendi com meu pai. Atualmente, resido no Sítio Sagrada Família, originado da fazenda do meu pai, junto com minha esposa e três filhos.
Nem sempre estive ligado à produção de leite. Sou Técnico em Agropecuária formado pela tradicional Escola Agrotécnica de Barbacena/MG e fui funcionário da EMATER/MG por longos anos. Foi quando meu coração se inclinou novamente para as minhas raízes na atividade leiteira, decidindo assim deixar a estabilidade do emprego para retornar à minha terra de origem, quando meus filhos eram pequenos, em 2007. O recomeço não foi fácil, mas tem sido gratificante. Atualmente, produzimos cerca de 400 litros de leite por dia. Tenho grande orgulho da nossa trajetória e espero que os meus filhos sigam o legado, trilhando o caminho do sucesso e do conhecimento.”
“Meu nome é André Augusto Costa Teixeira e sou filho e neto de André. Tenho 21 anos e estou cursando Zootecnia na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Desde muito pequeno, quando ainda morava na cidade, com três ou quatro anos de idade, brincava de tirar leite das vacas de brinquedo. Essa tradição familiar como produtores de leite me motiva a profissionalizar os negócios. O projeto para a construção do galpão de Compost Barn já está em andamento, com a terraplanagem do local. Conto com a parceria dos meus irmãos, Pedro Antônio, que está cursando Agronomia na UFLA, e Ana Catarina, que está se graduando em Economia na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). Com o objetivo de perpetuar o legado familiar, tenho o compromisso de dar o nome André ao meu primeiro filho, e, assim que ele estender suas mãozinhas, tenho certeza de que nos ajudará nos negócios.”  


Amor entrelaçado

O tempo ganhou contornos especiais para Luis Fernando Laranja da Fonseca durante a sessão de fotos realizada na Guaraci Agropastoril, com o objetivo de ilustrar a matéria sobre sua fazenda e que foi apresentada na mais recente edição da Revista Leite Integral.

 

Luis Fernando Laranja da Fonseca e suas filhas, Carolina e Fernanda, compartilham um momento especial, que resgatou as memórias mais queridas ao lado dos animais da fazenda

Suas lembranças entrelaçam duas cenas retratadas: a atual, com suas filhas Carolina e Fernanda acariciando uma vaca no Compost Barn, e outras duas do seu arquivo pessoal, eternizadas quando as meninas ainda eram bem pequenas, diante das bezerras.
A captura desses momentos distintos ganharam novo valor no momento do reencontro especial das suas filhas com os animais, sempre sob seu olhar cuidadoso:
“Essa foto foi uma experiência verdadeiramente tocante para mim, pois imediatamente me lembrei daquelas outras imagens preciosas, onde minhas meninas, ainda bem pequenas, alimentavam carinhosamente as bezerras com mamadeiras. Foi um daqueles momentos mágicos que ficam gravados no coração. Ao me deparar com a foto atual, decidi verificar o brinco que a vaca ostentava, por meio do qual eu poderia estimar a idade. Nesse instante, uma onda de lembranças e emoções tomou conta de mim, fazendo-me refletir sobre o tempo que passou desde aquela foto anterior. Embora eu não possa ter certeza absoluta de que a vaca retratada seja exatamente uma das bezerras daquelas fotos, sei que ela compartilha a mesma idade, tornando-se um possível reencontro das minhas filhas com uma antiga amiga”.  





ADRIANA VIEIRA FERREIRA - EQUIPE REVISTA LEITE INTEGRAL




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