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Fazendas

Sekita Agronegócios: A visão integrada de um sistema de produção de leite

Sekita Agronegócios: A visão integrada de um sistema de produção de leite

Texto: Maria Beatriz T. Ortolani

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A Sekita Agronegócios entrou na atividade leiteira em 2008 e hoje é uma das maiores e mais bem sucedidas fazendas leiteiras do Brasil. O crescimento expressivo é resultado da gestão, integração com a agricultura e uso eficiente dos dejetos.

Um pouco de história

A história do Grupo Sekita começa em 1974, quando a família Sekita chegou em São Gotardo, na região do Alto Paranaíba (MG), para iniciar a produção de café e cereais. Em 1988, começaram a cultivar a cenoura e, dez anos depois, o alho - culturas que levariam a marca do grupo aos quatro cantos do país. Coincidentemente, dez anos mais tarde, novos desafios foram traçados e, em 2008, iniciaram a produção de leite. Em 2011, o grupo começou a produzir beterraba.

A produção de leite foi idealizada em 2007, quando os altos custos dos fertilizantes deixaram os agricultores de hortaliças preocupados, uma vez que o gasto aproximado é de 3.000 a 4.000 kilos de fertilizantes/hectare. Nesse cenário, a criação do gado leiteiro apresentou-se como uma opção viável, uma vez que poderia contribuir com a produção de dejetos e aliviar a estrutura de custo de produção das outras culturas. Assim, iniciaram a integração lavoura-pecuária.

Decidiu-se por plantar a brachiaria, para fazer rotação com as culturas de cenoura e  alho, outro fato que contribuiu para a escolha da pecuária leiteira. “A rotação de culturas é de fundamental importância para a produção de hortaliças. A escolha da brachiaria deveu-se às suas raízes profundas, que proporcionam uma boa estruturação do solo”, disse Makoto Edison Sekita, Diretor Executivo da Sekita Agronegócios.

A pecuária leiteira também proporcionaria outras vantagens, como:

- Otimização das terras: sem necessidade de comprar mais áreas para começar a atividade leiteira, foi feito uma aproveitamento das terras já existentes, sem, contudo, reduzir a produção de hortaliças.

- Otimização de maquinários: quanto mais atividades envolvidas, menor é o custo com maquinários, pois utilizam-se os mesmos equipamentos da área agrícola para a pecuária.

- Renda mensal: com a venda do leite foi possível ter mais segurança para fazer os pagamentos rotineiros, sendo uma vantagem sobre os cereais e as hortaliças.

- Redução do ciclo da cultura do milho: uma observação interessante é que para produzir silagem é necessário um corte antecipado da cultura, obtendo um risco menor de acamamento.

- Redução da exportação de nutrientes: possibilidade de utilização do milho, da brachiaria, do triticale e da aveia, utilizados na rotação, para a alimentação dos animais e consequente produção de esterco para a atividade agrícola.

- Agregação de valor aos nutrientes exportados: melhor aproveitamento das atividades agrícolas, como por exemplo, o triticale sendo utilizado para a dieta dos animais e as palhas para as camas, o azevém para a produção de feno, o tífton das áreas mais inclinadas para pastejo e feno.

- Aumento da produtividade nas lavouras: a produtividade acontece de forma mais intensa pela adição de biofertilizantes nas áreas agrícolas.

Por todas essas vantagens, em 2008 começaram a comprar as primeiras novilhas e, em junho, estavam ordenhando 3 animais. Em janeiro de 2009 iniciaram as obras das salas de ordenha e, em dezembro, já estavam com 429 animais em lactação, com média de 14,26 L/animal/dia.

Em 2010, com praticamente o mesmo número de animais, aumentaram a produção por animal/dia e atualmente estão com 648 animais em lactação e quase 21 mil litros de leite diários. Veja na tabela 1 como foi a evolução e quais são as metas daqui para frente.

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Para alcançar as metas de 2016, o grupo faz parcerias com empresas de genética e lança mão da técnica de fertilização in vitro, visando acelerar o processo para atingir o maior número de fêmeas.

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Aproveitamento do esterco

Os dejetos oriundos da raspagem do esterco (urina, palhas das camas dos animais e a água dos aspersores) vão para um tanque de homogeneização, onde então é feita a separação das partes sólida e líquida.

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Dejetos Sólidos

A parte sólida dos dejetos é encaminhada para um pátio de compostagem, onde recebe rocha fosfática e é inoculada com bactérias que eliminarão ácidos para tornar a rocha fosfática disponível para as plantas. É importante que o composto seja frequentemente revolvido para que a temperatura não ultrapasse 60°C e, com 60 dias já esteja estabilizado e pronto para ser aplicado nas culturas de alho, cenoura e milho.

Considerando 885 animais e produção de 12 toneladas de dejetos sólidos por dia, haverá, no final das compostagem, um rendimento aproximado de 40%. Os cálculos abaixo simulam o resultado obtido com essa técnica:

12.000 kg x 40% = 4.800 kg/855 animais = 5,61 kg de composto/animal/dia x 365 dias = 2,05 t/composto/animal/ano

Fazendo o cálculo equivalente N, P, K e S, temos:

Valor equivalente N, P, K, S:

R$ 236,43/t composto

R$ 236,43 – R$ 102,00 = R$ 134,43/t de composto

R$ 134,43 x 2,05 t/animal/ano = R$ 275,58/animal/ano

R$ 275,58/365 dias  R$ 0,76/animal/dia

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Dejetos Líquidos

Um erro comum, cometido por muitos produtores, é o desprezo da parte líquida dos dejetos, embora seja a fração que traz as maiores vantagens.

Do tanque, os dejetos líquidos passam para os biodigestores, onde ficam por 21 dias para então ser feita a aplicação na lavoura via pivô.

Considerando novamente 885 animais, tem-se a produção de 140.000 litros/dia de dejetos líquidos. Acompanhe o raciocínio:

140.000 L/ 855 animais = 163,74 L/animal/dia x 365 dias = 59.766,08 L/animal/ano /1000 = 59,77 m3/animal/ano

Fazendo novamente o mesmo cálculo de equivalência de N, P, K e S, temos:

R$/m3 = 19,81

59,77m3/animal/ano

59,77 m3 x R$ 19,81 = R$ 1.184,04/animal/ano

R$ 1.184,04 / 365 dias = R$ 3,24/animal/dia

Fazendo uma projeção com 2.000 animais, teremos:

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Sólido

• R$ 0,76/animal/dia

  R$ 275,58/animal/ano

  x 2000 animais = R$ 551.160,00

 

Líquido

• R$ 3,24/animal/dia

• R$ 1184,04/animal/ano

• x 2000 animais = R$ 2.368.080,00

 

Total

• R$ 4,00/animal/dia

• R$ 1459,62/animal/ano

• x 2000 animais =  R$ 2.920.000,00

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Conclusões

A Sekita Agronegócios é um exemplo interessante de aproveitamento de dejetos e otimização da integração lavoura-pecuária.

O alto grau de gestão, organização e planejamento das atividades promove a excelência dos negócios do grupo. 

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