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Manejo, Sanidade

Agroceres apresenta: como a sanidade da bezerra impacta a futura vaca?

Agroceres apresenta: como a sanidade da bezerra impacta a futura vaca?

A criação de bezerras para reposição representa um custo relevante nas fazendas leiteiras, especialmente pelos investimentos em nutrição, manejo e protocolos sanitários. No período pré-desmame, os riscos de morbidade e mortalidade são elevados devido à alta susceptibilidade a infecções, impactando diretamente os custos de criação, o desempenho zootécnico e a produtividade futura.

Colostragem e primeiros cuidados

Os ruminantes possuem placenta do tipo sinepiteliocorial, que impede a transferência de imunoglobulinas para o feto. Associado à imaturidade do sistema imune neonatal, isso torna as bezerras dependentes da transferência passiva de imunidade via colostro. Dessa forma, os cuidados devem começar ainda no pré-parto, com manejo adequado das vacas, fornecimento de dietas balanceadas e boas condições de conforto, favorecendo o desenvolvimento fetal e a produção de colostro de alta qualidade.

Para uma colostragem eficiente, recomenda-se colostro com concentração de IgG superior a 50 g/L (BRIX ≥ 22%), fornecido em volume equivalente a 10-12% do peso vivo nas primeiras duas horas de vida, seguido de uma segunda oferta de colostro ou leite de transição em até 6-12 horas. Falhas nesse processo comprometem a transferência de imunidade passiva e aumentam a ocorrência de enfermidades.


Doenças mais frequentes no pré-desmame

Entre as principais doenças que acometem bezerras nos primeiros meses de vida estão as enfermidades entéricas e respiratórias (Tabela 1). As diarreias podem ter origem bacteriana, viral, protozoária ou estar relacionadas a falhas de manejo, higiene e alimentação. Clinicamente, caracterizam-se pelo aumento da frequência de evacuações e alteração da consistência fecal, podendo variar de quadros leves a severos.


Já as doenças respiratórias bovinas (DRB) englobam alterações do trato respiratório superior e inferior, envolvendo agentes virais, como IBR, BRSV e parainfluenza 3, além de infecções bacterianas secundárias. Estima-se que cerca de 61% das bezerras leiteiras apresentem ao menos um episódio de DRB no primeiro ano de vida. Além disso, infecções sistêmicas, como as sepses neonatais, podem surgir secundariamente a enfermidades como diarreias e onfalites.

A rápida identificação de animais enfermos é essencial para minimizar perdas produtivas. Em muitos casos, sinais como febre, redução do consumo, tosse e dificuldade respiratória facilitam o diagnóstico. Entretanto, diversas bezerras apresentam manifestações clínicas discretas, o que reforça a necessidade de monitoramento constante. A intervenção precoce reduz impactos sobre ganho médio diário (GMD), idade ao primeiro parto e produção futura de leite.


Reflexos na primeira lactação

Abuelo et al. (2021), avaliando 2.272 bezerras, observaram que episódios de diarreia estiveram associados à redução de 50 g/dia no GMD e diminuição de 325 kg de leite na primeira lactação. Além disso, bezerras diagnosticadas com DRB antes do desmame apresentaram menor taxa de inseminação e maior idade ao primeiro parto. Goh et al. (2024) demonstraram que bezerras com diarreia pré-desmame tiveram risco de mortalidade 1,48 vezes maior até o primeiro parto e maior probabilidade de descarte nos primeiros 300 dias de lactação.

Em revisão sistemática, Buczinski et al. (2021) verificaram que animais acometidos por DRB na fase inicial da vida produziram 121,2 kg a menos de leite na primeira lactação e apresentaram maior risco de mortalidade e descarte antes do primeiro parto. Resultados semelhantes foram observados por Moroz et al. (2022), que relataram maior produção de leite na primeira lactação em bezerras saudáveis quando comparadas àquelas que apresentaram diarreia ou DRB durante o período pré-desmame (Figura 1).

Letras minúsculas diferentes representam diferença estatística (P ≤ 0,05) definidas pelo teste de Kruskall-Wallis entre os grupos analisados. DRB: Bezerras em aleitamento que apresentaram somente doença respiratória bovina; Diarreia: Bezerras em aleitamento que apresentaram somente diarreia; Diarreia + DRB: Bezerras em aleitamento que apresentaram diarreia associada à doença respiratória bovina; Saudáveis: Bezerras em aleitamento que não apresentaram DRB ou diarreia.

Dessa forma, protocolos sanitários eficientes no pré-parto, colostragem adequada e manejo criterioso durante a cria e recria são fundamentais para reduzir a incidência de enfermidades. A melhoria da sanidade das bezerras reflete diretamente em maior desempenho zootécnico, melhor efi ciência reprodutiva, menor idade ao primeiro parto e maior produção de leite, resultando em animais mais longevos e maior rentabilidade da atividade.


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Agroceres Multimix

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