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Agroleite 2026: movidos por um legado!

Governança, primeiros ativos científicos e um novo modelo de ocupação transformaram o parque de exposições da Castrolanda, espaço onde é realizado o Agroleite, em território permanente de pesquisa, formação e negócios para a cadeia do leite

Agroleite 2026: movidos por um legado!

Quando contou pela primeira vez sobre o Parque Tecnológico Agroleite, Gustavo Viganó, gestor do Agroleite, descrevia um projeto que existia, sobretudo, no papel: uma pedra fundamental lançada pela Castrolanda em 2024 e a promessa de que o espaço onde era realizado o Agroleite seria mais que o cenário da feira.

Em conversa mais recente, o gestor relata uma realidade bem diferente. O que era plano ganhou obra, parceria com universidade, laboratório em construção e até estrutura de governança. “A gente se surpreende por estar, em dois anos, com o projeto do Parque Tecnológico neste nível”, resume Gustavo. Ainda assim, ele ressalta que o parque não opera em capacidade plena e que o avanço até aqui é resultado de um planejamento estruturado pela cooperativa desde o lançamento do projeto.


Produtividade para o cooperado, vitrine para o país 

O ponto de partida, explica Gustavo, foi um objetivo simples de enunciar e complexo de executar: fazer com que o espaço do Agroleite tivesse uso o ano inteiro, e não apenas durante a semana do evento. Para isso, a Castrolanda foi observar, no Brasil e no exterior, como funcionam outros parques tecnológicos. A conclusão foi que a cooperativa já tinha um ecossistema formado por cooperados, empresas e universidades, mas faltava um elemento estruturante: a governança.

Foi esse entendimento que mudou a forma como a cooperativa passou a falar do evento. “Ficou muito claro para nós que o Agroleite deixou de ser só a feira. Hoje é uma plataforma de conexão entre produtor, indústria, universidade e empresas, com o objetivo de desenvolver a cadeia do leite”, diz Gustavo.

A partir desse diagnóstico, a Castrolanda formalizou um planejamento estratégico para o parque, organizado em dois grandes objetivos. O primeiro é aumentar a produtividade dos cooperados e do produtor rural, por meio de tecnologia e pesquisa aplicada, em um mercado que Gustavo descreve como cada vez mais competitivo e profissionalizado. O segundo objetivo tem um alcance mais amplo: posicionar a Castrolanda como referência nacional, capaz de atrair, para Castro, cada vez mais produtores de outras regiões em busca de tecnologia e desenvolvimento, inclusive fora da semana do Agroleite. “De nada adianta vivermos isolados e não conseguirmos ter uma envergadura, inclusive internacional. É melhor crescer em unidade”, afirma Gustavo. Para ele, esse caminho conjunto é o que pode abrir o “passaporte do leite” – a porta para que a produção nacional se torne competitiva também fora do país.

Os ativos científicos dão corpo ao parque tecnológico

Para Gustavo, o nome do parque exigia uma contrapartida real de geração de conhecimento, não apenas espaço físico. “De nada adiantava ter o “T” de tecnológico no nome do parque se não tivéssemos os ativos científicos que propusessem a geração de conhecimento”, resume.

“DE NADA ADIANTAVA TER O “T” DE TECNOLÓGICO NO NOME DO PARQUE SE NÃO TIVÉSSEMOS OS ATIVOS CIENTÍFICOS QUE PROPUSESSEM A GERAÇÃO DE CONHECIMENTO”

O primeiro desses ativos nasceu da articulação com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), por intermédio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em defesa da tese de que um centro de excelência em bovinocultura de leite deveria ter sede em Castro. Tal conquista trará cursos de especialização em bovinocultura, oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de forma gratuita e de alcance nacional. Isso vai estimular a formação de mão de obra para a pecuária leiteira dentro da própria bacia que mais produz leite no país. O projeto está em fase de licitação, aprovação e liberação de licença, com a parceria da Castrolanda em um terreno do parque. Também integrando o ecossistema, o Centro de Treinamento de Pecuaristas vai contribuir com a parte prática dos treinamentos por meio de sua estrutura e experiência de mais de 55 anos.

O Parque Tecnológico Agroleite, em fase de expansão, já reúne dezenas de colaboradores em circulação diária  

O segundo ativo é o Laboratório do Leite, fruto da aproximação com o governo do estado do Paraná, que buscava investir em novas plataformas de negócio para a cadeia leiteira. No modelo acertado, a cooperativa entra com a estrutura do prédio; e o estado, com o investimento em equipamentos. Voltado à biotecnologia do leite, o laboratório vai se dedicar a questões como soluções de sustentabilidade, economia circular, tratamento de dejetos e novos produtos derivados do leite.

O terceiro ativo é a parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para a criação de um curso de Medicina Veterinária, autorizado pelo governo do estado. Um grupo de trabalho reúne UEPG, prefeitura, estado e Castrolanda para desenhar um curso que aproxime a iniciativa privada, representada pela cooperativa, da universidade pública, com oportunidades de estágio mais próximas da prática e da realidade do mercado. 

Funciona o ano todo

Mais 14 casas de empresas foram inauguradas dentro do parque no ano passado. Até então, segundo Gustavo, as empresas buscavam o espaço basicamente para ter uma estrutura mais adequada durante o Agroleite. E a cooperativa não tinha muita clareza sobre qual portfólio de serviços poderia oferecer a elas.

Para esta edição, a lógica se inverteu. Antes de ocupar uma casa, as empresas interessadas precisaram apresentar projetos concretos de contribuição ao desenvolvimento do parque. O resultado surpreendeu a própria cooperativa pelo nível de qualificação das propostas recebidas. “Nós tivemos mais de 30 cartas de intenção. Foi difícil dizer não para algumas, mas a gente não consegue atender a toda a demanda nesse momento”, diz Gustavo. Oito empresas foram selecionadas e mais oito novas casas estão em construção.

O parque também abriga a sede do Pool Leite – que reúne Capal, Frísia e Castrolanda na logística do produto –, bem como a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, presente diariamente com equipe própria, e a sede da Associação Jersey Brasil. Há ainda algumas startups incubadas nas fundações ligadas ao parque. Somando todas as empresas residentes à equipe da Castrolanda, Gustavo estima 120 colaboradores circulando diariamente pelo parque.

Cada empresa parceira do Parque Tecnológico Agroleite passa a ter acesso a um portfólio de serviços que inclui aproximação com propriedades de cooperados já catalogadas para testes e um centro de eventos recém construído, com estrutura para plenárias e conferências, que será inaugurado ainda este ano. A ideia é que nenhuma empresa precise alugar espaço fora do parque para realizar seus eventos, podendo, inclusive, encerrar a programação com uma recepção em sua casa.






Animais em exposição: na pista de julgamento, as raças Holandesa e Jersey reafirmam a tradição genética que sustenta o Agroleite 


Governança para sustentar o crescimento 

Para viabilizar políticas públicas e avançar nas frentes de pesquisa, a estruturação do parque exigiu a criação de uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), com CNPJ próprio, cuja governança funciona em paralelo à da Castrolanda. A presidência da nova instituição fi cou a cargo de Armando de Paula Carvalho Filho, que divide as funções executivas do projeto com a condução da Agro Arkafla.

O cenário no qual o parque cresce, salienta Gustavo, não é o mais fácil. O mercado do leite passou por um período de difi culdade nos últimos meses. Para ele, é exatamente nesses momentos que o planejamento estratégico feito pela cooperativa mostra sua função: a de direcionar e de ajudar a desenvolver a cadeia, mesmo quando o cenário econômico não se mostra favorável.

Entre conquistas formalizadas e frentes ainda em construção, o Parque Tecnológico Agroleite chega a 2026 como obra em andamento. Um espaço que se tornou um lugar de trabalho todos os dias do ano.

O Agroleite e o legado da Castrolanda 

Se 2025 marcou os 25 anos do Agroleite, 2026 é o ano dos 75 anos da Castrolanda. Gustavo conta que a cooperativa construiu sua trajetória sobre três pilares: educação, fé e cooperação. O Agroleite se sustenta com eles, de tal forma que a comunicação da edição 2026  do evento adotou o mote “Movidos por um legado”, em homenagem direta à cooperativa. “O que hoje nos move como Agroleite é o legado da Castrolanda”, diz.

Depois de três edições com quatro dias de programação, o evento volta a ter cinco dias, de segunda a sexta-feira. O anúncio foi feito pelo presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, durante a abertura da edição 2025. Essa edição registrou o maior público da história do evento: 163 mil visitantes, 370 expositores e R$ 969 milhões em negócios, com 650 animais das raças Holandesa e Jersey passando pela pista de julgamento, além de ovinocultura. O dia extra de programação em 2026 também deve beneficiar a Arena de Julgamento, dando mais espaço para a avaliação das diferentes raças.

Gustavo define o Agroleite como um evento construído em torno de experiências. E é com essa lógica que ganha força a Rota do Leite, descrita por ele como uma das ações mais emblemáticas do Agroleite. A iniciativa leva visitantes a propriedades de cooperados selecionados, que recebem a rota com orgulho durante o evento. Segundo o gestor, a procura começa cerca de 30 dias antes do Agroleite e, em poucos dias, as vagas se esgotam. O interesse, afi rma Gustavo, ultrapassa o público tradicionalmente ligado à pecuária e atrai também moradores da cidade. É nessa experiência que o parque tecnológico e o restante da programação da feira ganham sentido.

“O QUE HOJE NOS MOVE COMO AGROLEITE É O LEGADO DA CASTROLANDA”  


Em 2026, a Castrolanda celebra 75 anos de cooperativa sob o mote “Movidos por um legado” 



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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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