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Retrato do mercado brasileiro de queijos

Muçarela e requeijão lideram o mercado brasileiro de queijos, com ampla vantagem tanto em volume comercializado quanto em faturamento

Retrato do mercado brasileiro de queijos

O mercado lácteo brasileiro tem se tornado cada vez mais dinâmico e diverso, com o segmento de queijos desempenhando papel central na agregação de valor. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o queijo é o terceiro derivado lácteo mais consumido no país, com média de 1,9 kg por habitante ao ano. Dados do Observatório do Consumidor mostram que a categoria representa sozinha 23% de todos os produtos lácteos encontrados nos supermercados brasileiros.

Os mais vendidos 

Quais são os tipos de queijos mais vendidos no Brasil? Dados do varejo em 2025 não deixam dúvidas: os queijos queridinhos dos brasileiros são requeijão e muçarela (Figura 1).

Muçarela e requeijão dominam o mercado em volume e faturamento. São produtos mais básicos, presentes no dia a dia do consumidor e fundamentais para garantir escala e fl uxo de caixa das empresas. Por outro lado, queijos de maior valor agregado, como parmesão e especiais, permanecem com participação mais restrita. Esse comportamento não é isolado. Ele dialoga com uma característica mais ampla do consumo de lácteos no país, marcado pela forte presença de produtos mais acessíveis e padronizados, como o leite UHT.

A renda ajuda a explicar o consumo

Essa dinâmica fica mais clara quando se observa a estrutura de renda no Brasil. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que a classe AB representa apenas 17% da população, enquanto a classe C responde por 61%, e as classes D e E, por 22%.


 

A SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA NÃO ESTÁ EM SUBSTITUIR PRODUTOS DE MASSA, MAS EM COMBINÁ-LOS COM INICIATIVAS DE AGREGAÇÃO DE VALOR, EXPLORANDO ESPECIALMENTE NICHOS E CATEGORIAS INTERMEDIÁRIAS

Isso significa que o mercado de lácteos, especialmente o de queijos, é sustentado majoritariamente por consumidores de renda mais baixa e mais sensíveis ao preço. Nesse contexto, produtos mais acessíveis, padronizados e versáteis tendem a concentrar o consumo.

No entanto, interpretar esse cenário como simples dicotomia entre produtos commodities e premium pode levar a conclusões equivocadas.

Os dados indicam a existência de uma espécie de gradiente de valor dentro do próprio mercado de queijos. Entre os extremos (requeijão e parmesão), há uma faixa intermediária composta por produtos como o queijo prato e os queijos Minas, que combina preços mais elevados com um mercado amplo e consolidado (Tabela 1). Essa faixa, muitas vezes negligenciada, pode representar uma oportunidade mais viável de captura de valor para produtores e indústrias.

A diferença de preços entre as categorias evidencia um aspecto central do mercado: existe um gradiente claro de valorização, que não reflete, necessariamente, na mesma proporção, as diferenças nos custos de produção.
Queijos como o parmesão e os queijos finos exigem maior tempo de maturação, processos mais complexos e tecnologias específicas, fatores que elevam os custos. Ainda assim, o diferencial observado no varejo sugere que uma parcela relevante do preço decorre do posicionamento do produto e da disposição de determinados consumidores em pagar mais por ele. Em outras palavras, não se trata apenas de custo, mas de captura de valor. Enquanto requeijão e muçarela operam como produtos de giro essenciais para garantir escala, liquidez e fluxo de caixa, os queijos de maior valor agregado, mesmo com menor volume, apresentam margens potencialmente superiores.


Tabela 1. Preço médio e posicionamento das principais categorias de queijos no Brasil


Presentes no consumo cotidiano, os queijos de maior giro sustentam boa parte do volume e do faturamento do mercado brasileiro

Portfólio como estratégia de valor

Esse equilíbrio entre volume e valor aponta para um caminho estratégico importante para o setor. A sustentabilidade econômica não está em substituir produtos de massa, mas em combiná-los com iniciativas de agregação de valor, explorando especialmente nichos e categorias intermediárias.

Queijos artesanais e maturados cumprem bem esse papel ao incorporar atributos como origem, modo de fazer e identidade regional, ainda que voltados a um público mais restrito. O desafio, portanto, não é apenas produzir diferentes tipos de queijo, mas estruturar um portfólio que permita capturar valor em múltiplos segmentos, aproveitando o volume onde ele é necessário e a margem onde ela é possível.


















 


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EMBRAPA GADO DE LEITE

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