Castrolanda 75 anos: resultado líquido recorde e o maior pacote de investimentos da sua história
“Quantas empresas chegam aos 75 anos?”, pergunta Willem Bouwman, presidente da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial. A resposta ele mesmo dá: são poucas. E é justamente essa raridade que, para ele, torna a data digna de comemoração, como evidência de algo que foi construído para durar.
Entre a travessia do Atlântico, em 1951, e a Castrolanda que fecha balanços recordes, está a história que justifica essa afirmação. Um grupo de imigrantes holandeses, marcado pelas difi culdades do pós-guerra, chegou à região dos Campos Gerais do Paraná carregando o conhecimento técnico em pecuária leiteira e a convicção de que o trabalho coletivo poderia reconstruir o que haviam perdido. À nova comunidade deram o nome de Castrolanda – uma homenagem a Castro/PR, a cidade onde se instalaram, e um elo simbólico com a terra de origem.
É a partir desse primeiro ato de coragem, seguido de uma série de boas (e coletivas) decisões ao longo do tempo, que a cooperativa completa 75 anos em 2026, com muita história para contar e números para mostrar.
Uma história construída a várias mãos
A Castrolanda foi fundada sobre três pilares: fé, educação e cooperação. Mais de sete décadas depois, Willem Bouwman, presidente da Castrolanda desde 2020, continua recorrendo a esses pilares ao descrever o que move a cooperativa. “São valores absolutos. Independentemente de como ou onde a gente está, nós temos sempre de usá-los como nossa base sólida”, afirma.
A trajetória que veio em seguida foi feita de decisões tomadas em conjunto. Em 1954, a união com a Batavo deu origem à Cooperativa Central de Laticínios do Paraná. Em 1966, surgiu o Centro de Treinamento para Pecuaristas. Na década de 1970, diante da necessidade de ampliar a renda dos cooperados, a cooperativa diversifi cou suas atividades e passou a atuar também na produção de grãos, batata e carnes. Em 1984, Castrolanda, Batavo (hoje Frísia) e Capal criaram a Fundação ABC, voltada à pesquisa e ao desenvolvimento agrícola. Em 2001, nasceu o Agroleite. Em 2003, a primeira indústria própria – a unidade de batata frita. Em 2008, a primeira indústria de laticínios. Em 2017, da intercooperação entre Castrolanda, Frísia e Capal, nasceu a marca Unium, que processa hoje mais de 1,7 bilhão de litros de leite por ano. Em 2024, foi criado o projeto do Parque Tecnológico Agroleite.
A cooperativa se diversificou, profissionalizou a gestão, ampliou sua atuação industrial e, mais recentemente, cruzou as fronteiras do Paraná. Em todos esses movimentos, o cooperado seguiu no centro das decisões.
“A Castrolanda construiu uma identidade, uma maneira própria de fazer agro, fundamentada na confiança entre os cooperados, na disciplina institucional e no compromisso com o bem comum”, afirma Willem. É essa identidade que chega intacta aos 75 anos.
“A CASTROLANDA CONSTRUIU UMA IDENTIDADE, UMA MANEIRA PRÓPRIA DE FAZER AGRO, FUNDAMENTADA NA CONFIANÇA ENTRE OS COOPERADOS, NA DISCIPLINA INSTITUCIONAL E NO COMPROMISSO COM O BEM COMUM”
A Castrolanda encerrou 2025 com resultado líquido de R$ 287,5 milhões, o maior de sua história, superando os R$ 273,1 milhões registrados em 2024. Além do resultado recorde, a cooperativa registrou receita operacional líquida de R$ 6,201 bilhões e destinou R$ 65,5 milhões em sobras aos cooperados. “De fato, 2025 foi um ano recorde para nós, apesar de ter sido um período difícil para o agro como um todo. A cooperativa conseguiu, por meio de diversos projetos e processos, reduzir as despesas e aumentar a eficiência e a rentabilidade dos negócios. Como estamos mais estruturados, conseguimos trazer um excelente resultado tanto para a cooperativa quanto para o produtor”, resume Willem.

Willem Bouwman, presidente da Castrolanda: um ano de resultados recordes às vésperas dos 75 anos da cooperativa Willem Bouwman, presidente da Castrolanda: um ano de resultados recordes às vésperas dos 75 anos da cooperativa
“DE FATO, 2025 FOI UM ANO RECORDE PARA NÓS, APESAR DE TER SIDO UM PERÍODO DIFÍCIL PARA O AGRO COMO UM TODO. A COOPERATIVA CONSEGUIU, POR MEIO DE DIVERSOS PROJETOS E PROCESSOS, REDUZIR AS DESPESAS E AUMENTAR A EFICIÊNCIA E A RENTABILIDADE DOS NEGÓCIOS. COMO ESTAMOS MAIS ESTRUTURADOS, CONSEGUIMOS TRAZER UM EXCELENTE RESULTADO TANTO PARA A COOPERATIVA QUANTO PARA O PRODUTOR"

Tabela 1. Indicadores financeiros da Castrolanda (em R$ mil)
A cadeia leiteira atingiu 568,975 milhões de litros produzidos, cerca de 6,1% a mais que os 536 milhões registrados em 2024 – um novo recorde para a Castrolanda. No campo, a safra somou 806,953 mil toneladas de grãos. Além disso, foram 73,328 mil toneladas de batata consumo; 11,103 mil toneladas de batata semente; 20,015 mil toneladas de sementes industriais; 48,066 mil toneladas de carne suína; e 151 toneladas de carne ovina.
Entre os negócios da cooperativa, a cadeia de lácteos segue como a mais representativa: a receita líquida do segmento somou R$ 2,686 bilhões em 2025, respondendo por 43% de toda a receita líquida da Castrolanda. “Aqui nós respiramos todo dia a atividade leiteira”, resume Willem, que aponta um crescimento de 8% ao ano na produção de leite da cooperativa nos últimos 20 anos, impulsionado pelo clima favorável e por um ambiente de assistência técnica e tecnologia que considera maduro.
Para o presidente da cooperativa, esse avanço sustenta dois objetivos de prazo mais longo: tornar o Brasil, um dia, exportador de leite; e viabilizar financeiramente o pequeno produtor, de forma que ele consiga ganhar escala, contratar mão de obra ou investir em tecnologia, sem que isso comprometa a sucessão familiar do negócio.
Tabela 2. Receita líquida por segmento de negócio, em R$ mil
Reconhecimento que vem de fora
Em 2025, a cooperativa também colecionou reconhecimentos externos. A agência Moody’s Local Brasil elevou o rating de emissor da Castrolanda de A para A+, com perspectiva estável, citando a fidelização dos cooperados, o baixo risco de originação e a eficiência operacional como pontos estruturais do desempenho. A cooperativa recebeu ainda o Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão, na categoria Rumo à Excelência, e conquistou a certificação Great Place to Work (GPTW) 2025, figurando entre as 20 melhores empresas de grande porte do Paraná para trabalhar, ranking que avaliou 323 organizações e mais de 134 mil colaboradores no estado.
Na frente ambiental, a Castrolanda recebeu, pelo terceiro ano, a premiação nível A do Selo Clima Paraná, na categoria Mercado Interno, e manteve a certificação que atesta que suas sete unidades armazenadoras cumprem os requisitos da Instrução Normativa MAPA nº 29/2011.

Em Castro/PR, a sede administrativa da Castrolanda reúne sob o mesmo teto a gestão de uma cooperativa que movimenta mais de R$ 6 bilhões por ano
Sustentabilidade na prática
A Castrolanda, com sua política de sustentabilidade, consolida compromissos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ao Pacto Global da ONU, com foco em valorização das pessoas, inovação e crescimento sustentável. Em 2025, a cooperativa não registrou acidentes graves, resultado atribuído aos investimentos em estrutura física e ao Programa Preservando Vidas.
Na gestão de resíduos, as operações da cooperativa geraram 28.441 toneladas em 2025, das quais 98,81% são classificadas como não perigosas (Classe II) e 1,19% como perigosas (Classe I).
Em paralelo, a Castrolanda celebrou um marco de longo prazo: 40 anos desde a aquisição de sua primeira fazenda de reflorestamento, decisão que hoje sustenta 1.694,54 hectares de área plantada, com produção média de 72 mil toneladas de madeira por ano. A meta é alcançar 100 mil toneladas anuais nos próximos cinco anos, consolidando a base da matriz energética limpa da cooperativa.
Novos investimentos, nova fase
Para crescer com solidez, a Castrolanda precisou, antes, olhar para dentro. Entre 2022 e 2025, a cooperativa se dedicou a reorganizar processos internos e reequilibrar o caixa, etapa que Willem descreve como necessária e concluída. A partir deste ano, o caminho está aberto para o que ele chama de crescimento como prioridade declarada.
Parte desse movimento já está em obras. Em Colinas do Tocantins/TO, a cooperativa está construindo uma unidade de recepção de grãos que deve viabilizar a chegada de cooperados à região, adquirindo terras e iniciando a produção de grãos no MATOPIBA. Ao mesmo tempo, outras questões estão sendo resolvidas: um gargalo local de armazenagem e a ampliação do acesso à assistência técnica e a insumos de qualidade na nova fronteira agrícola do país.
Dois outros investimentos avançam em paralelo. Um deles é uma indústria de tortilhas voltada ao mercado B2B, que vai abastecer uma empresa parceira responsável pela venda do produto, principalmente em Santa Catarina. O outro tem foco na pecuária leiteira: uma unidade de grande porte para preparo de mistura nutricional destinada ao rebanho bovino. O produtor, que hoje adquire os ingredientes separadamente, passará a receber a mistura pronta da cooperativa e precisará apenas acrescentar a silagem de milho produzida na propriedade para completar a dieta do rebanho.

Em Colinas do Tocantins/TO, a nova unidade de recebimento de grãos em construção: a aposta da Castrolanda na fronteira agrícola do MATOPIBA
Os pilares dos próximos 75 anos
A celebração de 2026 vem acompanhada de uma nova logomarca comemorativa, construída sobre três pilares: história, união e crescimento – conceito que dialoga diretamente com o Mapa Estratégico Horizonte 2030, cuja visão é ser a melhor opção para cooperados, colaboradores e clientes, crescendo de forma sustentável. Para tornar essa visão concreta, a cooperativa anunciou, para este ano, o maior pacote de investimentos de sua história. O objetivo é fortalecer a organização, preparar suas estruturas para o crescimento da produção dos cooperados e proteger sua posição no mercado.
Quando fala dos 75 anos, Willem considera números, mas sempre volta aos fundamentos. “O que nós temos que manter – e que isso continue vivo, sempre – é esse desejo de crescer junto. Não que cada um busque o seu caminho, a sua solução. Juntos, as soluções são muito mais sustentáveis. Talvez não vá tão rápido, mas é muito mais duradouro, muito mais seguro”, afirma.
Willem reconhece que o momento atual da agricultura – em todo o mundo – é delicado, mas recorre à própria lógica cooperativista para explicá-lo: altos e baixos sempre fi zeram parte da equação, e cabe à cooperativa se preparar em conjunto tanto para os ciclos ruins quanto para os ciclos bons. Talvez seja essa lógica, mais do que qualquer número recorde, que explica como uma cooperativa chega aos 75 anos sólida e em crescimento.
“O QUE NÓS TEMOS QUE MANTER – E QUE ISSO CONTINUE VIVO, SEMPRE – É ESSE DESEJO DE CRESCER JUNTO. NÃO QUE CADA UM BUSQUE O SEU CAMINHO, A SUA SOLUÇÃO. JUNTOS, AS SOLUÇÕES SÃO MUITO MAIS SUSTENTÁVEIS. TALVEZ NÃO VÁ TÃO RÁPIDO, MAS É MUITO MAIS DURADOURO, MUITO MAIS SEGURO”

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Autor
Adriana Vieira Ferreira
EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural
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