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Fazendas, Gestão

Conheça a Agropecuária Taffarel (Tangará/SC), onde a produção de leite é construída em família

Na Agropecuária Taffarel, em Tangará/SC, a produção de leite é resultado de uma trajetória construída com trabalho, técnica e laços que atravessam gerações

Conheça a Agropecuária Taffarel (Tangará/SC), onde a produção de leite é construída em família

Uma família é feita de laços. Os da família Taffarel são tecidos ao redor da mesa farta, onde se sentam o pai, a mãe, os filhos, as noras e as netas. Laços que se estendem das mãos postas em oração até o cotidiano da fazenda. É ali, em Tangará, no meio-oeste catarinense, que a história da Agropecuária Taffarel ganha forma. As casas dos filhos cercam a sede, erguidas ao redor da mesma terra, e honram a escolha de permanecerem por perto. 

À frente dessa trajetória está Célio Taffarel, ao lado da esposa, Margarete. Foi deles a decisão de transformar o trabalho no campo em projeto de vida, capaz de sustentar a família e, ao mesmo tempo, preparar o caminho para as próximas gerações. Os filhos, Rafael, Rodrigo e Daniel, cresceram nesse ambiente, aprendendo desde cedo que produzir é ofício e, sobretudo, compromisso diário com a terra, com os animais, com as pessoas e com o futuro.

O trabalho que atravessa gerações

“Aqui, a vida sempre foi uma só. Família e fazenda andam lado a lado.” A fala de Célio Taffarel traduz com exatidão a história que se construiu ao longo de décadas na Agropecuária Taffarel. A trajetória foi sendo escrita aos poucos, no ritmo do trabalho, da convivência e da escolha contínua de seguir adiante juntos. 

A origem da família está ligada à imigração italiana e à chegada ao meio-oeste catarinense em um tempo em que tudo precisava ser feito do zero. Quem chegou antes abriu área, cultivou a terra, criou animais e sustentou a família com o que era possível produzir. O leite, naquele início, não era atividade principal; era complemento, subsistência, parte da rotina de quem precisava diversificar para viver. 

Logo cedo, aos 22 anos, Célio assumiu a condução da propriedade ao lado de Margarete. O crescimento aconteceu de forma gradual, sempre sustentado pelo trabalho e pela lógica do reinvestimento. Primeiro vieram as lavouras, depois a suinocultura, a estruturação da área agrícola e, aos poucos, a ampliação da propriedade. 

Foi nesse ambiente que os filhos cresceram, participando desde cedo da rotina e aprendendo que a fazenda era extensão da casa. Com o tempo, cada um encontrou seu caminho dentro do negócio. Rafael seguiu mais ligado à agricultura, ao lado da esposa Franciele, com quem constrói o dia a dia da propriedade e cria a filha Luísa. Daniel também permaneceu próximo das atividades agrícolas, e sua esposa, Carla, participa ativamente da rotina e do manejo dos animais. Já Rodrigo, movido pela afinidade com a atividade leiteira, passou a conduzir essa área junto com sua esposa Dieli e da pequena filha Alice, que crescerá acompanhando de perto a vida no campo.  





Hoje, os três irmãos seguem juntos à frente da Agropecuária Taffarel, cada um contribuindo em sua área de atuação, mas unidos por uma mesma visão de trabalho. A sucessão aconteceu sem rupturas, construída no diálogo, na confiança e no entendimento de que o projeto só se sustenta quando é coletivo. 

Essa lógica de união não se restringe à família. Ela se estende à equipe e aos parceiros que caminham juntos, formando uma rede baseada em respeito, proximidade e comprometimento. É essa base, humana antes de técnica, que sempre sustentou tudo o que foi construído na fazenda. E assim se mantém. 

Genética: o início de um novo patamar produtivo 

A consolidação da pecuária leiteira na Agropecuária Taffarel começou no momento em que a família entendeu que era preciso estruturar um sistema capaz de sustentar crescimento ao longo do tempo. Essa virada aconteceu em 2014, quando Rodrigo trouxe para a família uma reflexão direta: ou a atividade passava a ser conduzida de forma técnica e planejada ou deixaria de fazer sentido. 

Até então, o leite existia como complemento. Havia produção, mas sem um direcionamento claro. O rebanho era simples, a genética limitada e a estrutura ainda não acompanhava aquilo que se desejava construir. Foi a partir dessa constatação que veio a decisão de reorganizar a base da atividade. 

O primeiro passo foi a genética. A família entendeu que não havia como avançar sem elevar o nível do rebanho. O trabalho começou com a introdução de embriões oriundos da região de Castro/PR, referência nacional em melhoramento genético. Esses embriões foram implantados em vacas da própria fazenda, dando início a um processo de seleção que nunca mais foi interrompido. 

A partir dali, a estratégia passou a ser clara: trabalhar com fertilização in vitro, transferência de embriões e uso de sêmen de alto valor genético, sempre com foco em produção, sanidade, fertilidade e longevidade.


A SUCESSÃO ACONTECEU SEM RUPTURAS, CONSTRUÍDA NO DIÁLOGO, NA CONFIANÇA E NO ENTENDIMENTO DE QUE O PROJETO SÓ SE SUSTENTA QUANDO É COLETIVO  


 Agropecuária Taffarel vista de cima: organização, escala e cuidado traduzidos em um sistema produtivo bem estruturado 

Em 2020, esse trabalho avançou mais um passo com a importação de embriões dos Estados Unidos, reforçando o nível genético do plantel e consolidando o projeto iniciado anos antes. A partir desse ponto, a fazenda passou a trabalhar praticamente com rebanho fechado, produzindo as próprias novilhas e garantindo controle total sobre a evolução genética. 

Hoje, a Agropecuária Taffarel conta com mil fêmeas no total, sendo 420 vacas em lactação, número que segue em crescimento à medida que as novilhas entram no sistema. O rebanho é jovem, fruto direto do trabalho contínuo com genética e reprodução. 

Para sustentar esse crescimento, a estrutura também precisou evoluir. A fazenda opera atualmente com cinco galpões de Compost Barn, implantados de forma gradual, conforme o rebanho aumentava. O sistema foi escolhido justamente por oferecer conforto, bem-estar e melhor controle ambiental, fatores essenciais para expressar o potencial genético dos animais. 

Paralelamente à evolução da estrutura, a ordenha se expandiu, acompanhando o crescimento da fazenda. O sistema adotado é do tipo linha média com saída rápida, com 18 postos, dimensionado para atender ao volume atual do rebanho com fluidez e segurança, permitindo uma rotina organizada e eficiente. A condução da ordenha segue protocolos bem-definidos de higiene e manejo, com atenção à rotina dos animais e à qualidade do leite, desde a entrada na sala até o resfriamento. 

O resultado desse conjunto de decisões se manifesta de maneira contínua e evidente: um rebanho equilibrado, com boa produção média, baixos índices de problemas sanitários e uma base genética capaz de sustentar o crescimento da fazenda nos próximos anos.




Nutrição: a base que sustenta o sistema 

Com a base genética consolidada, o passo seguinte foi estruturar um sistema nutricional capaz de contribuir, ao longo do tempo, para a expressão do potencial genético dos animais. A decisão passou por planejamento, leitura de cenário e construção conjunta entre família e equipe técnica. “Não adianta ter genética se o animal não consegue expressar isso. A nutrição precisa acompanhar o sistema como um todo”, resume Rodrigo. 

A entrada da dsm-firmenich marcou um novo momento nesse processo. Desde o início, a proposta foi clara: pensar a nutrição de forma integrada, olhando para o ciclo completo – da produção dos alimentos volumosos ao desempenho final das vacas em lactação. 

Flávio Bolsão, representante técnico da dsm-firmenich, lembra que o trabalho nunca esteve restrito ao uso de produtos: “O foco nunca foi o produto em si. A gente sempre discutiu o sistema. Planejamento de safra, produção de alimentos volumosos, organização dos lotes, projeção de crescimento. Sem isso, nenhuma dieta funciona”. 

Esse conceito se traduziu em um planejamento rigoroso da alimentação produzida na própria fazenda. A produção de silagem de milho, o pré-secado de aveia e azevém e o uso de grão úmido passaram a ser pensados com antecedência, considerando não apenas a safra atual, mas o rebanho projetado para os anos seguintes. 

Diego Magro, gerente técnico leite regional sul da dsm-firmenich, reforça: “A dieta começa no campo. A escolha do híbrido, o ponto de colheita, a qualidade do alimento volumoso. Tudo isso define o que vai acontecer depois. Quando o alimento volumoso é bem-feito, metade do trabalho já está resolvido”. 

Com essa base estruturada, a fazenda organizou o manejo nutricional por categorias. As vacas em lactação são divididas em lotes, de acordo com o estágio produtivo – pós-parto, primíparas, alta, média e baixa produção. Cada um desses lotes recebem dieta específica, ajustada à exigência fisiológica do momento e fase do animal.


 “NÃO ADIANTA TER GENÉTICA SE O ANIMAL NÃO CONSEGUE EXPRESSAR ISSO. A NUTRIÇÃO PRECISA ACOMPANHAR O SISTEMA COMO UM TODO” 


Há ainda lotes destinados às vacas secas e às novilhas, além de um manejo cuidadoso das bezerras, com atenção à ambiência, sanidade e desenvolvimento inicial. 

Esse desenho permite precisão e controle. Cada animal recebe o que precisa, no momento certo, evitando excessos, reduzindo perdas metabólicas e favorecendo a longevidade produtiva.

Dentro desse sistema, os aditivos passaram a ser utilizados de forma estratégica. Exclusivos biotransformadores de micotoxinas, que atuam como solução total contra esse desafio, e fitogênicos inovadores, que ajudam na saúde intestinal e na prevenção do intestino hemorrágico – um dos principais problemas de vacas de alta produção – foram incorporados como parte do manejo preventivo. 

Diego explica que a lógica sempre foi manter o equilíbrio. “A gente não trabalha com dietas agressivas. O objetivo nunca foi tirar o máximo possível em curto prazo, mas garantir produção constante, saúde e reprodução. Vacas saudáveis produzem por mais tempo e dão menos problema.”


“A DIETA COMEÇA NO CAMPO. A ESCOLHA DO HÍBRIDO, O PONTO DE COLHEITA, A QUALIDADE DO ALIMENTO VOLUMOSO. TUDO ISSO DEFINE O QUE VAI ACONTECER DEPOIS. QUANDO O ALIMENTO VOLUMOSO É BEM-FEITO, METADE DO TRABALHO JÁ ESTÁ RESOLVIDO”  

Esse cuidado se reflete nos resultados. A fazenda mantém média produtiva próxima de 44 litros por vaca, com baixos índices de mastite, CCS controlada e boa eficiência reprodutiva. Os teores de gordura e proteína também evoluíram, reflexo direto do ajuste fino entre genética, nutrição e manejo. 

Célio acompanha todo esse processo com atenção. Para ele, o diferencial está na forma como as decisões são tomadas: “A gente sempre procurou crescer com responsabilidade. Tudo é conversado, analisado e pensado no longo prazo”. Rodrigo complementa: “O que a gente aprendeu é que nutrição não é custo; é investimento. Mas tem que ser investimento consciente. Não adianta colocar coisa cara se ela não entrega retorno. Aqui tudo passa por avaliação”. 

Esse alinhamento entre família, equipe técnica e parceiros criou um sistema sólido, previsível e eficiente, sustentado por resultados que alavancam a saúde dos animais e a viabilidade econômico-financeira da atividade.


“O QUE A GENTE APRENDEU É QUE NUTRIÇÃO NÃO É CUSTO; É INVESTIMENTO. MAS TEM QUE SER INVESTIMENTO CONSCIENTE. NÃO ADIANTA COLOCAR COISA CARA SE ELA NÃO ENTREGA RETORNO. AQUI TUDO PASSA POR AVALIAÇÃO”  




 Ajuste nutricional, qualidade dos ingredientes e manejo preciso formam a base para desempenho de excelência alcançado 

Tecnologia e gestão: precisão no dia a dia 

Com a estrutura produtiva organizada e o rebanho em crescimento, a tecnologia passou a ter papel central na rotina da Agropecuária Taffarel. A adoção de brincos eletrônicos de monitoramento veio como ferramenta para ampliar o controle do rebanho. 

Por meio dos brincos, é possível acompanhar informações como atividade, ruminação e comportamento dos animais, o que permite identificar alterações precoces de saúde, acompanhar o desempenho produtivo e apoiar o manejo reprodutivo. Esses dados passaram a fazer parte da rotina da fazenda, auxiliando na leitura diária do rebanho e na tomada de decisão. “A gente consegue perceber quando alguma coisa sai do padrão antes de virar um problema maior. Isso ajuda muito no dia a dia e evita perda”, explica Rodrigo. 

O monitoramento contínuo possibilita intervenções mais rápidas e precisas, reduzindo riscos sanitários e melhorando a eficiência do sistema. As informações também auxiliam no ajuste das dietas, no acompanhamento do comportamento dos animais e no controle reprodutivo, contribuindo para maior regularidade nos resultados.








Rafael Taffarel ao lado da esposa, Franciele, e da filha Luísa. A presença da família no cotidiano da fazenda reforça a construção de um trabalho que atravessa gerações 

Entre gerações 

Gerações caminhando juntas. Respeito à história construída e atenção constante ao que vem pela frente. Vínculos fortes: entre pai e filhos, entre família e trabalho, entre as pessoas que fazem parte do dia a dia da propriedade. São laços que se mantêm vivos tanto na forma como as decisões são tomadas na Agropecuária Taffarel quanto na responsabilidade de seguir adiante sem romper com as origens. 

O que começou com Célio ganhou continuidade com os filhos e hoje se expressa em um modelo de produção técnico, organizado e com envolvimento direto de quem está à frente do negócio. A sucessão se dá de forma natural, sustentada pelo diálogo, pela convivência e pelo compromisso com aquilo que foi construído ao longo dos anos.

Ao falar sobre esse percurso, Célio resume o sentimento que atravessa gerações: “A gente trabalhou a vida inteira pensando nos filhos. Vê-los aqui hoje, tocando tudo com responsabilidade, é a certeza de que valeu a pena”. 

Rodrigo resume esse movimento com clareza ao falar do futuro da propriedade: “A gente olha para frente, mas sempre lembrando de tudo o que foi feito até aqui. É isso que dá segurança para continuar”. 

O futuro é continuidade. Um caminho que segue sendo trilhado a partir dos laços familiares, do respeito à história e da construção diária de um projeto baseado nas pessoas, no trabalho, no propósito e na fé.  


 Os brincos integram o sistema de monitoramento da fazenda, contribuindo para decisões mais precisas no manejo e na nutrição do rebanho 







 

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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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