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Gestão

Datamars apresenta: como os dados comportamentais estão redefinindo a gestão de fazendas leiteiras?

Datamars apresenta: como os dados comportamentais estão redefinindo a gestão de fazendas leiteiras?

A rotina na fazenda leiteira sempre foi baseada na observação do produtor: olhar o rebanho, identificar sinais e decidir a partir da experiência. Esse modelo tem um limite claro: quando os sinais se tornam visíveis, o problema já está instalado e o impacto econômico já aconteceu. Distúrbios metabólicos, falhas nutricionais e perdas de desempenho começam com pequenas alterações comportamentais que passam despercebidas no manejo diário.

Com o avanço das tecnologias de monitoramento comportamental, essa realidade começa a mudar. Sistemas como o Active Tag permitem acompanhar, de forma contínua, indicadores como ruminação, alimentação, atividade e tempo de descanso, identificando padrões individuais e de grupo e tornando visível aquilo que antes passava despercebido no dia a dia da fazenda. E é exatamente nesse espaço que a Agrícola dos Kiwis, uma fazenda leiteira familiar no sul do Chile, passou a gerenciar o rebanho a partir de uma perspectiva totalmente diferente.


O sensor como guia do manejo nutricional

A história da Agrícola dos Kiwis com o Active Tag começa como na maioria das fazendas: a tecnologia foi adotada com a necessidade de tornar a detecção de cio mais eficiente e escalável. Encerrada a estação reprodutiva, que na Agrícola dos Kiwis, por se tratar de uma operação sazonal, dura apenas algumas semanas, surgiu uma pergunta inevitável: “O que os colares fazem no restante do ano?” Essa pergunta mudou tudo. O sensor deixou de ser uma ferramenta puramente reprodutiva e passou a ser uma ferramenta de gestão completa.

Na prática, a fazenda passou a utilizar os dados comportamentais como base para o manejo nutricional e metabólico do rebanho. Segundo a produtora Georgia White, responsável pela operação, a principal mudança foi na forma de interpretar os dados. Em vez de olhar apenas para alertas individuais, o foco passou a ser entender padrões de comportamento, tanto no nível individual quanto, principalmente, no nível de grupo. Essa mudança de abordagem permitiu enxergar algo que antes não era possível: como as vacas estavam respondendo, em tempo real, às decisões de manejo.


Tempo de alimentação e ruminação como indicadores metabólicos

O principal avanço na utilização dos dados na Agrícola dos Kiwis veio da interpretação conjunta de dois indicadores-chave: tempo médio de alimentação e de ruminação. Mais do que analisar cada variável isoladamente, a fazenda passou a observar a relação entre elas. Na prática, essa relação tornou-se um indicador direto de como o grupo estava respondendo metabolicamente à dieta. De forma geral, vacas em equilíbrio nutricional e ruminal apresentam tempo de ruminação superior ao tempo de alimentação¹, um padrão que se tornou referência prática no dia a dia da fazenda. Quando essa relação se altera, especialmente quando as curvas se aproximam ou se invertem, é um sinal claro de que algo precisa ser ajustado no manejo nutricional.

Ao longo do tempo, alguns padrões se tornaram evidentes:

  •  Mudanças no padrão médio do grupo frequentemente antecipavam quadros de desequilíbrio metabólico, incluindo cetose subclínica ou acidose;
  • Alterações na relação entre tempo de alimentação e ruminação refletiam rapidamente problemas na qualidade da dieta ou na oferta de forragem;
  • A estabilidade da ruminação ao longo do tempo mostrou forte relação com consistência produtiva e desempenho do rebanho.


Ruminação e produção de leite

A fazenda passou a integrar os dados comportamentais com os indicadores de produção e composição do leite, permitindo quantificar, de forma mais objetiva, o impacto das variações comportamentais sobre o desempenho produtivo.

Dessa análise emergiu um padrão consistente: um incremento de aproximadamente 30 minutos no tempo médio diário de ruminação do grupo foi correlacionado a um ganho médio de cerca de 0,5 litro de leite por vaca por dia, resultado alinhado com o reportado na literatura científica, em que vacas com maior tempo de ruminação produziram até 1,7% mais leite em comparação a animais com menor ruminação diária¹. A estabilidade da ruminação passou a ser utilizada como um indicador direto de consistência produtiva e eficiência nutricional, ou seja, do aproveitamento metabólico da dieta pelo rebanho.

Com base nessas observações, foram configurados alertas em nível de grupo para monitorar desvios no padrão de ruminação. Diante de qualquer variação significativa, o protocolo estabelecido era direto: investigar o campo e a dieta para identificar a causa raiz antes que o impacto produtivo se tornasse visível. Nas palavras de Georgia: “Ao longo do pico da primavera, ficamos realmente obcecados em manter a ruminação constante, porque isso se traduzia diretamente em resultado. Eram mais litros de leite no tanque.”

Essa abordagem representou uma mudança estrutural na lógica de manejo: de um modelo reativo, baseado na observação de sinais clínicos e quedas de produção já instaladas, para um modelo preventivo, no qual desvios comportamentais funcionam como indicadores precoces de desequilíbrio metabólico ou nutricional. Essa capacidade de antecipação é respaldada pela evidência científica: alterações no tempo de ruminação tendem a preceder em 12 a 24 horas outros indicadores tradicionais de comprometimento da saúde, como elevação da temperatura corporal, redução do consumo de matéria seca ou queda na produção de leite².



Monitorando a operação através do comportamento

Os dados comportamentais foram além do manejo nutricional. Georgia passou a usar padrões de grupo, especialmente tempo em pé e tempo deitado, como indicadores da consistência operacional da fazenda. Alertas configurados para variações atípicas revelaram ocorrências dificilmente detectáveis pelo manejo visual convencional, como:

  • falhas no fornecimento de água ou quebras de bebedouro;
  • atrasos na rotina de ordenha;
  • excesso de movimentação ou perturbação dos animais no piquete;
  •  distúrbios noturnos, incluindo tentativas de invasão e furto de animais, identificados por alterações atípicas na atividade do grupo durante a madrugada.

Sem o monitoramento contínuo, grande parte dessas ocorrências passaria despercebida ou só seria identificada depois de já ter gerado impacto no desempenho do rebanho.

Nas palavras de Georgia: “É incrível quantas coisas os colares me dizem que não têm nada a ver com saúde ou reprodução. Eles me mostram como toda a operação está funcionando.”


Conclusão

A experiência da Agrícola dos Kiwis ilustra algo ainda subutilizado: o potencial dos dados comportamentais como ferramenta de gestão nutricional e operacional. Quando interpretados de forma integrada, cruzados com indicadores de produção e validados por observações de campo, o sensor deixa de ser apenas um dispositivo de monitoramento e passa a funcionar como uma extensão da capacidade de gestão do produtor.

Segundo Georgia White: “A detecção de cio é, provavelmente, a coisa menos interessante que o colar faz. É todo o resto que realmente importa.”

E é justamente esse “todo o resto” que começa a redefinir o que significa gerir bem um rebanho leiteiro.




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Datamars Livestock

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