Conheça a Estância K (Bela Vista de Goiás/GO), referência nas raças Girolando e Gir leiteiro
Com visão empresarial e forte aposta em genética, Luiz Eduardo Branquinho transformou a Estância K em referência nas raças Gir Leiteiro e Girolando
Foi preciso que Luiz Eduardo Branquinho percorresse um longo e bem-sucedido caminho como empresário para reencontrar, em outro momento da vida, uma relação iniciada ainda na infância. Ele cresceu, junto com os irmãos, acompanhando o pai nas idas à fazenda. Depois da escola, o destino era passar os fins de semana na propriedade, em uma rotina movimentada pela estrada, pela convivência familiar e pelo contato com a vida rural.
A Estância K, localizada em Bela Vista de Goiás/GO, foi idealizada como uma propriedade voltada ao lazer da família que Luiz Eduardo constituiu ao lado da esposa, Karla. Incialmente, não havia animais nem um projeto pecuário definido. Aos poucos, no entanto, o espaço começou a receber investimentos, estrutura e rebanho, até se transformar em projeto de vida, negócio estruturado e, hoje, uma das mais reconhecidas referências do país em genética das raças Gir Leiteiro e Girolando.
Visão empresarial
Quando adquiriu a propriedade que daria origem à Estância K, Luiz Eduardo já carregava uma trajetória consolidada fora da pecuária. Aos 20 anos, ele havia montado uma distribuidora de medicamentos, negócio que prosperou e lhe deu experiência em gestão, equipe, investimento e tomada de decisão.
Esse repertório foi decisivo quando a Estância K começou a desenhar um novo caminho. Ao lado da esposa, Karla; da filha, Kamilla; do genro, Frederico; dos netos Bento e Enrico; do filho, Luiz Felipe; e da nora, Júlia, Branquinho passou a olhar para aquele espaço como um projeto robusto, tanto em produção quanto em genética.
A aproximação com o Gir Leiteiro e o Girolando veio primeiro com a compra de embriões; depois, com a formação das estruturas iniciais e a aquisição de vacas que deram base ao rebanho. Branquinho cercou-se de pessoas preparadas, passou a frequentar exposições, acompanhar leilões e observar de perto o trabalho dos principais criadores.
A virada ocorreu em 2019. Naquele ano, a Estância K intensificou os investimentos em genética com a compra de animais que marcariam uma nova fase do plantel. Entre eles, a vaca Sojinha FIV de Brasília, apontada por Branquinho como um divisor de águas na trajetória da propriedade, e o touro Ivã FIV de Brasília, eleito o melhor touro Gir do mundo.
A Estância K se organiza sobre três pilares: genética, leite e agricultura. A genética concentra valor, reputação e perspectiva de crescimento. A atividade leiteira mantém a rotina produtiva e dá sustentação à operação. E a agricultura garante alimento de qualidade, fortalecendo a eficiência do sistema. Na combinação entre essas frentes, Branquinho imprimiu à propriedade a mesma disciplina que orientou sua vida empresarial, agora aplicada a um negócio que também envolve família e admiração pelas raças leiteiras.
A força da genética do Gir Leiteiro e do Girolando
Na Estância K, a genética ocupa o centro das decisões. Esse setor orienta os investimentos, define o planejamento reprodutivo, influencia a formação dos lotes e dá identidade ao trabalho conduzido por Branquinho com Gir Leiteiro e Girolando.
“A gente acredita muito que as filhas têm que ser melhores que as mães”, afirma Branquinho.
A frase resume a direção do trabalho genético da fazenda. Cada geração precisa avançar em relação à anterior, e isso exige escolha criteriosa dos acasalamentos, análise de genealogias e atenção aos pontos que podem ser melhorados em cada animal.
Nesse processo, Frederico Machado, genro de Branquinho, ocupa papel estratégico. Ele chegou à Estância K em 2019, no mesmo período em que a fazenda iniciava a fase mais intensa de investimentos em genética. Segundo Branquinho, Frederico assumiu a área comercial e se aprofundou no universo do Gir Leiteiro, tornando-se uma das maiores referências na condução dos acasalamentos. Esse conhecimento é fundamental para orientar as escolhas genéticas do plantel, fortalecer o relacionamento com criadores e ampliar a projeção da marca Estância K no Brasil e em outros países.
Com Frederico, a seleção ganhou leitura técnica e presença comercial mais apurada. Famílias, acasalamentos, resultados, preparo para pista e oferta genética nos leilões compõem a mesma lógica de trabalho. Frederico ressalta: “O nosso trabalho começa com o cuidado na escolha dos animais e se confirma na relação de confiança construída com os compradores”.
A base genética da Estância K foi formada a partir de investimentos em animais capazes de imprimir produção, morfologia e força genética ao plantel. A escolha das doadoras, dos touros e das combinações não se apoia apenas no valor individual de cada exemplar, mas no que aquele acasalamento pode entregar à geração seguinte. “É uma seleção que olha para a vaca de hoje, mas também para a matriz, a filha e a descendência que ainda será construída”, afirma Branquinho.
Na prática, a fazenda utiliza de forma intensa a fertilização in vitro para acelerar o ganho genético. O planejamento considera características como úbere, tetos, estrutura corporal, estatura, produtividade e origem genética. Cada acasalamento carrega uma intenção: corrigir pontos específicos, preservar qualidades já consolidadas e formar animais capazes de responder tanto na produção de leite quanto na valorização genética.
“Na pecuária leiteira, uma decisão tomada hoje só mostrará seu resultado real anos depois. O embrião precisa ser produzido, implantado, nascer, crescer, emprenhar, parir e expressar seu potencial como vaca em lactação. Esse intervalo obriga a fazenda a trabalhar com processos estruturados, porque o erro também demora a aparecer e, quando aparece, já consumiu tempo, investimento e oportunidade”, explica Branquinho.

A Estância K, em Bela Vista de Goiás/GO: paisagem, estrutura e manejo em uma rotina voltada à produção de leite e à seleção genética
O Girolando ocupa papel relevante nesse projeto. Na Estância K, 70% dos animais produzidos atualmente são Girolando, enquanto o Gir Leiteiro responde por 30% da base de seleção. A escolha reflete a leitura que Branquinho faz da pecuária leiteira brasileira: uma atividade que funciona a partir de diversos sistemas, em que produção, rusticidade, fertilidade e adaptação têm peso decisivo.
Entretanto, o Gir Leiteiro permanece como base importante da seleção. Além da força própria da raça, sustenta parte do avanço genético do Girolando. É nesse cruzamento entre raças, objetivos produtivos e ambiente de criação que a Estância K construiu sua reputação. A fazenda seleciona animais para produzir leite, mas também para formar matrizes e reprodutores capazes de gerar valor dentro e fora da porteira.
Leilões como vitrine da genética
Os leilões ajudaram a consolidar a presença da Estância K no mercado. Em 2019, depois de intensificar os investimentos em animais de Gir Leiteiro, Branquinho realizou o primeiro leilão da marca na própria fazenda, reunindo criadores de várias regiões do país. Desde então, os remates se tornaram uma das principais formas de apresentar ao mercado o resultado do trabalho genético desenvolvido na propriedade.
Na visão de Branquinho, o leilão não se resume à venda de animais. É também uma oportunidade de mostrar a estrutura da fazenda, o desempenho do rebanho e a coerência entre o que se seleciona, o que se produz e o que se entrega ao comprador. Por isso, pista, produção e oferta genética caminham juntas na Estância K. O animal que chega ao leilão carrega origem, preparo, resultado e a reputação de uma seleção construída na fazenda.

Nos leilões da Estância K, cada animal apresentado carrega o resultado de anos de seleção, investimento e leitura criteriosa da genética Gir Leiteiro.
O animal que chega ao leilão carrega origem, preparo, resultado e a reputação de uma seleção construída na fazenda

Produção de leite: resultado comprovado
A produção de leite dá ritmo à Estância K. Se a genética concentra a valorização do rebanho, o leite sustenta a operação diária, movimenta a equipe e mantém a fazenda em atividade permanente. Para Branquinho, esta é uma diferença importante da pecuária leiteira: todos os dias há ordenha, manejo, alimentação, cuidado com os animais e acompanhamento dos resultados.
Hoje, a Estância K mantém cerca de 250 animais Girolando em produção, alojados em Compost Barn, estrutura implantada há cinco anos. Antes, o rebanho era criado a pasto. Com a mudança, a fazenda ganhou maior controle sobre o ambiente, os lotes e a dieta, criando condições para que os animais expressem melhor seu desempenho.
Na visão de Branquinho, o sistema mostra que, quando recebe conforto, alimentação adequada e condução técnica, o Girolando consegue alcançar altas médias de leite sem perder os atributos de rusticidade e adaptação que explicam sua força em diferentes sistemas produtivos no Brasil.
No Compost Barn, as vacas recebem dieta balanceada por lote, conforto térmico e acompanhamento diário da rotina de ordenha. Esse conjunto ajudou a Estância K a alcançar destaque nacional em média de produção para rebanhos Girolando com até 200 animais, reconhecimento registrado pelo Ranking Nacional do Girolando, organizado pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Para Branquinho, o desempenho reflete a combinação entre genética, estrutura, nutrição e gestão.
Nesse conjunto de manejo, conforto e nutrição, a Estância K incorporou o Lactotropin®, da Agener, à rotina produtiva do rebanho. O produto tem como princípio ativo o sometribove, uma versão recombinante da somatotropina bovina, hormônio naturalmente produzido pelos animais e relacionado ao direcionamento de nutrientes para a síntese de leite durante a lactação. Na prática, seu uso busca favorecer maior eficiência produtiva em vacas em lactação, sempre dentro de um manejo nutricional, sanitário e reprodutivo bem ajustado.
A produção leiteira, no entanto, não se resume ao volume entregue ao laticínio. Para Branquinho, ela também demonstra a eficiência do trabalho genético desenvolvido na fazenda. Ao abrir as portas para leilões, visitas técnicas e compradores, a Estância K mostra os animais em produção, na rotina real da propriedade. É nesse ambiente que a genética aparece nos resultados zootécnicos, na qualidade do leite produzido, na fertilidade e na docilidade dos animais.
Especial atenção é dada às fases iniciais da vida dos animais. A maternidade e o bezerreiro são tratados como pontos decisivos do sistema. Depois do parto, o recém-nascido recebe colostro avaliado por qualidade, permanece sob cuidados até a cicatrização do umbigo e depois segue para as baias individuais. Branquinho descreve o bezerreiro como “a menina dos olhos” da propriedade, justamente por entender que o futuro produtivo e genético do rebanho começa ali.
A recria acompanha essa mesma lógica. As novilhas são preparadas para atingir peso e condição adequados para a primeira inseminação ainda jovens, reforçando a busca por precocidade, eficiência reprodutiva e longevidade produtiva. Em uma fazenda em que a maior parte dos animais nasce de fertilização in vitro, cada etapa precisa preservar o potencial genético planejado desde o acasalamento.
A produção de leite dá ritmo à Estância K. Se a genética concentra a valorização do rebanho, o leite sustenta a operação diária, movimenta a equipe e mantém a fazenda em atividade permanente

No Compost Barn da Estância K, o manejo da cama, a ventilação e o conforto dos animais fazem parte da rotina de cuidado com o rebanho leiteiro

O cuidado com as primeiras fases da vida orienta a formação das futuras matrizes do rebanho

Cada cuidado no bezerreiro é um investimento no futuro do rebanho
Agricultura: alimento produzido no próprio sistema
A agricultura completa a estrutura da Estância K. Branquinho entende que a produção de alimento é parte essencial da eficiência do negócio. A propriedade não depende apenas da compra externa de insumos para alimentar o rebanho; ela organiza uma parte importante da produção agrícola no próprio sistema.
Além da área principal, a Estância K conta com outras fazendas na região. Segundo Branquinho, a Estância K2 é utilizada para receptoras de embriões, enquanto a K3 recebe plantio de soja. A K4 é destinada ao milho para silagem, e a K5 combina soja e milho. Essa organização permite que a agricultura atenda diretamente às necessidades da pecuária, especialmente na produção de silagem e milho seco consumidos pela fazenda.
A soja, por sua vez, é comercializada e ajuda a distribuir custos na estrutura agrícola. Como a fazenda mantém equipe, tratores e maquinário para a produção de alimento do rebanho, a atividade agrícola amplia o aproveitamento dessa base operacional.
Para Branquinho, é essa integração que dá racionalidade ao sistema.
A qualidade da silagem é tratada como ponto técnico de grande impacto. Branquinho relata: “Na última safra, a fazenda obteve milho de qualidade suficiente para atravessar o ano com segurança, sem necessidade de arriscar uma safrinha em uma janela de chuva mais curta. A análise da silagem confirmou o bom resultado do material produzido”.
Na Estância K, portanto, a agricultura alimenta e contribui para o bom desempenho do rebanho, além de conferir previsibilidade ao sistema. “Quando a dieta é mais estável, a produção de leite responde. E, quando a fazenda produz o alimento que consome, o negócio ganha mais controle sobre custos, qualidade e resultado”, reflete Branquinho.

O futuro da fazenda começa no vínculo: no contato com os animais, na rotina compartilhada e na memória que se forma desde cedo
Projeto de vida, negócio de futuro
O empresário, que construiu uma trajetória sólida fora do campo, levou para a fazenda a disciplina da gestão, a leitura de mercado e a capacidade de formar equipes. E encontrou no Gir Leiteiro e no Girolando algo que não cabe apenas nos indicadores que fazem da Estância K um negócio bem-sucedido: o prazer de produzir, conviver, receber pessoas e participar de uma comunidade de criadores movida por admiração genuína pelas raças.
Esse é um dos traços mais marcantes da Estância K.
A fazenda tem estrutura empresarial, acompanha custos, mede resultados, organiza seus pilares produtivos e investe em genética com planejamento. Ao mesmo tempo, preserva uma atmosfera familiar. Cada um, à sua maneira, ajuda a dar continuidade a uma propriedade que carrega nome, identidade e reputação. “Tudo o que construí deve servir aos filhos, aos netos e às próximas gerações, sempre com a bênção de Deus”, afirma Branquinho. Nessa frase, está a noção de legado que orienta boa parte de suas decisões.
O futuro, para ele, passa por seguir fazendo melhor. Produzir animais superiores, ampliar parcerias, fortalecer a presença nos leilões, mostrar a eficiência do Girolando, valorizar o Gir Leiteiro e manter a fazenda aberta a quem deseja conhecer o trabalho. “Não existe sucesso se você não profissionalizar seu negócio. É preciso saber onde está ganhando e onde está perdendo”, afirma Branquinho.
Visão empresarial, união familiar e paixão pela seleção genética sustentam a Estância K. A história de Branquinho mostra que a pecuária leiteira, quando conduzida com gestão e entusiasmo, pode se tornar uma das formas mais concretas de transformar trabalho em projeto de vida.
Não existe sucesso se você não profissionalizar seu negócio. É preciso saber onde está ganhando e onde está perdendo
Na Lida”: os bastidores da Estância K
Na Estância K, a comunicação também é conduzida em família. Kamilla e Luiz Felipe, filhos de Luiz Eduardo Branquinho e Karla, estão à frente das redes sociais da fazenda e criaram a série “Na Lida” – iniciativa que apresenta os diferentes setores da propriedade e mostra, em linguagem simples e visual, a rotina que sustenta o trabalho com genética, leite e agricultura.
A proposta aproxima o público da fazenda, valoriza a equipe, dá transparência aos processos e permite que criadores, compradores e admiradores das raças Gir Leiteiro e Girolando conheçam melhor a estrutura da Estância K. Pelo perfil no Instagram, também é possível acompanhar o calendário de leilões, os depoimentos de Branquinho e Frederico, além de conteúdos que registram o dia a dia da propriedade.
A presença da família se revela ainda no olhar de Karla, esposa de Branquinho. Fotógrafa, ela mantém um estúdio na fazenda; um espaço que reforça a forma como a Estância K reúne trabalho e identidade familiar em um mesmo território.
Tags
Autor
Adriana Vieira Ferreira
EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural

Enviar comentário