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Geral, Gestão

Conversa franca: uma abordagem prática e inovadora sobre desafios e oportunidades no setor

Prepare-se para um diálogo franco e enriquecedor, que transformará sua visão sobre a pecuária moderna. Com ampla experiência, Marcelo Grossi trará, na coluna Conversa Franca, uma abordagem prática e informativa sobre os desafios e as oportunidades que impulsionam o setor.

Conversa franca: uma abordagem prática e inovadora sobre desafios e oportunidades no setor

Vivemos um importante momento de transição na pecuária brasileira. A promessa da revolução digital está batendo às portas das fazendas, oferecendo soluções que, em tese, poderiam otimizar processos e impulsionar a produtividade. Mas por que apenas uma fração ínfima dos produtores adota essas tecnologias? E o que isso diz sobre o ritmo de transformação no campo? 

De acordo com estimativas, menos de 1% das fazendas brasileiras utilizam softwares de gestão. Considerando que existem mais de 400 mil propriedades profissionais no país, o mercado potencial é imenso, mas o avanço ainda é tímido. O líder de mercado, por exemplo, atende cerca de 6 mil fazendas. Isso demonstra o tamanho do desafio: não basta ter as ferramentas; é preciso que elas sejam absorvidas e utilizadas de forma eficiente.

O fator humano 

A modernização no campo já é uma realidade, mas o processo de adaptação às novas ferramentas digitais ainda enfrenta desafios. A grande maioria dos trabalhadores do setor rural não teve contato com computadores durante a infância, o que difi culta a adoção de novas tecnologias. Hoje, há uma familiaridade maior com smartphones, mas ainda assim há obstáculos – como conectividade limitada, treinamento insuficiente e alta rotatividade de funcionários – que tornam a implementação de softwares de gestão uma tarefa complexa. 

Um exemplo claro dessa realidade vem da minha experiência. Meu pai tentou implementar um software de gestão em nossa propriedade leiteira por seis anos. Mesmo com sua base educacional e determinação, ele concluiu que a ferramenta não atendia às necessidades práticas da fazenda. Essa experiência me faz refletir: será que um colaborador com pouca escolaridade ou sem o incentivo direto do gestor insistiria por tanto tempo?

Além disso, o setor leiteiro tem a sina de acreditar que a força da natureza é biológica, dinâmica e imprevisível sobre a atividade. Muitas vezes, a prioridade do produtor é salvar uma bezerra em dificuldade em vez de dedicar tempo ao aprendizado de um novo sistema de gestão, já que essa ação “não terá tanto impacto a curto prazo”. Esse comportamento é compreensível, já que historicamente a produção agropecuária está associada à dependência de fatores naturais.  

Ainda há uma questão cultural importante. Enquanto empresas criadas por investidores urbanos têm uma mentalidade voltada para a eficiência e a adoção de tecnologia, produtores tradicionais tendem a priorizar métodos mais intuitivos e práticos. O desafio, portanto, não é apenas oferecer tecnologia de ponta, mas garantir que sua implementação seja acessível e alinhada às demandas do dia a dia no campo. 

A crescente disponibilidade de bancos de dados robustos traz uma oportunidade valiosa para os produtores. Coletar e interpretar grandes volumes de informações sobre nutrição, sanidade e produtividade pode ser um divisor de águas na gestão da fazenda, permitindo uma tomada de decisão mais embasada e precisa. No entanto, sem uma cultura de utilização eficaz desses dados, a tecnologia se torna subutilizada, reforçando a necessidade de capacitação e suporte contínuos.

COLETAR E INTERPRETAR GRANDES VOLUMES DE INFORMAÇÕES SOBRE NUTRIÇÃO, SANIDADE E PRODUTIVIDADE PODE SER UM DIVISOR DE ÁGUAS NA GESTÃO DA FAZENDA, PERMITINDO UMA TOMADA DE DECISÃO MAIS EMBASADA E PRECISA


Produtores que utilizam softwares de gestão, conseguem transformar dados em decisões estratégicas, tornando a operação mais eficiente e sustentável na pecuária leiteira

Do campo à nuvem: caminhos possíveis 

Ferramentas como o FarmTell™ Milk, voltado para a gestão produtiva e financeira das fazendas leiteiras, e a Lore, inteligência artificial que facilita o diálogo entre dados e decisões, indicam um futuro promissor para o setor. Essas tecnologias vão além da simples otimização de processos, capacitando os produtores para tomarem decisões mais precisas e transformando desafios diários em oportunidades de crescimento sustentável. 

Essas soluções se enquadram no conceito de Software as a Service (SaaS), modelo que disponibiliza ferramentas digitais de forma recorrente, como a Netflix ou TV a cabo, que você que paga um valor baixo mensalmente, garantindo acompanhamento contínuo das operações da propriedade. Empresas de saúde e nutrição, por estarem em contato frequente com os produtores, desempenham papel fundamental nessa transição digital. Ao visitarem regularmente as propriedades, tornam-se agentes essenciais na coleta de dados e no suporte técnico para a implementação das soluções tecnológicas. 

No entanto, a qualidade das informações inseridas nos sistemas de gestão é determinante para o sucesso. A forma como os dados são coletados e organizados influencia diretamente a capacidade do produtor de tomar decisões estratégicas. 

Mais do que apenas registrar números, os produtores desejam comparar seu desempenho ao longo do tempo e em relação a outras propriedades, processo essencial de benchmark que permite identificar pontos de melhoria e planejar o futuro com mais segurança. Um dos principais desafios enfrentados atualmente é a falta de integração entre as diversas plataformas disponíveis, o que dificulta a troca de informações e impede uma visão completa do negócio. 

Embora existam iniciativas globais para padronizar e centralizar dados de diferentes fontes, a realidade ainda é fragmentada, obrigando o produtor a lidar com múltiplas soluções que, muitas vezes, não se comunicam entre si. Por isso, mais do que nunca, é fundamental que as tecnologias sejam desenvolvidas com foco na usabilidade e no acesso prático aos dados, permitindo que o produtor tenha informações precisas e acessíveis em tempo real, independentemente de sua localização.


A QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES INSERIDAS NOS SISTEMAS DE GESTÃO É DETERMINANTE PARA O SUCESSO. A FORMA COMO OS DADOS SÃO COLETADOS E ORGANIZADOS INFLUENCIA DIRETAMENTE A CAPACIDADE DO PRODUTOR DE TOMAR DECISÕES ESTRATÉGICAS

O que se pode concluir 

A digitalização da pecuária é inevitável, mas não será um processo imediato. Ela exige não apenas investimento em infraestrutura e capacitação, mas também mudança cultural. O desafio está lançado: transformar a visão do produtor, mostrando que a tecnologia não é uma ameaça ao seu modo de vida, mas uma ferramenta que pode potencializar o que ele já faz de melhor. 

Há diversos softwares disponíveis no mercado, e escolher aquele que melhor se adapta à realidade da fazenda é fundamental para obter os melhores resultados. Além de atender às necessidades específicas da propriedade, é essencial considerar a experiência de uso e a qualidade do suporte oferecido. Esses fatores são cruciais para garantir a implementação eficaz e o aproveitamento pleno das funcionalidades da ferramenta, resultando em uma gestão mais eficiente e precisa. 

Que esta coluna sirva como um convite à reflexão e à ação. Estamos apenas começando a explorar as possibilidades da pecuária digital. A jornada é longa, mas as oportunidades são imensas. Até a próxima, com mais uma conversa franca.

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