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Fazendas, Manejo, Notícias

Em Arapoti, Campos Gerais do Paraná, a terceira geração da família Noordegraaf mantém viva a tradição de cuidado com o rebanho

Afinada pelo colar GEA CowScout, com tecnologia Nedap

Em Arapoti, Campos Gerais do Paraná, a terceira geração da família Noordegraaf mantém viva a tradição de cuidado com o rebanho

Chegar à região de Arapoti, nos Campos Gerais do Paraná, dá a impressão de estar em outro país. Os sobrenomes ganham vogais que se repetem, e é possível degustar um stroopwafel – aquela bolacha holandesa fina e crocante, recheada de caramelo, tradicionalmente servida sobre a xícara de chá para amolecer com o vapor – como se estivesse na Holanda. A cidade guarda até um museu dedicado à imigração holandesa, testemunho de uma herança que moldou a arquitetura, os costumes e, sobretudo, a produção de leite da região. Essa herança é tão forte que é facilmente possível ser transportado para lá e entender a origem da família proprietária da Fazenda Condessa.  

Três gerações na atividade leiteira

Os Noordegraaf chegaram ao Brasil há mais de 60 anos e já estão na terceira geração à frente da propriedade.

O pioneirismo de Leendert Noordegraaf deu origem ao que viria a ser a Fazenda Condessa. Hoje, quem administra a propriedade é Jan Noordegraaf Neto, filho de Leendert; e o nome que já começa a circular como o da próxima geração é o de Leonardo Noordegraaf, filho de Jan. “Já estamos quase na terceira geração”, resumiu Jan, orgulhoso da linha sucessória que se formou.

Gilvani Carlos Fernandes, gerente da Fazenda Condessa, viveu essa passagem de perto. Chegou à propriedade ainda no fim da primeira geração. “Eu vivenciei a mudança de gestão e venho acompanhando toda a trajetória da sucessão da família”, contou. Pela proximidade com o dia a dia do rebanho, é ele o porta-voz da propriedade nesta matéria. Seu conhecimento técnico e sua capacidade de gestão conquistaram, ao longo dos anos, um espaço raro numa propriedade familiar: as principais decisões, da sala de ordenha ao colar de monitoramento, são divididas entre a família e o gerente.

Quando Gilvani chegou, havia em torno de 90 animais, cerca de 50 em lactação, soltos a pasto, com uma ordenha canalizada, mas distante, em estrutura e dinâmica, do que a é a fazenda hoje. Pouco tempo depois vieram o confinamento em sistema Free Stall e uma escalada de crescimento que não parou mais. A cada novo patamar de produção, uma nova exigência de manejo, de genética e de saúde animal.

O crescimento do rebanho, no entanto, tirou da equipe uma ferramenta que antes bastava: o olhar. Entre centenas de vacas, mudanças sutis de comportamento escapam da observação direta e precisam ser percebidas antes de se tornarem visíveis. Os colares de monitoramento GEA CowScout, tecnologia powered by Nedap, entraram na rotina da Fazenda Condessa para diminuir essa distância.  

Os olhos não bastam

Num rebanho pequeno, boa parte da reprodução até pode depender da observação direta: alguém acompanha o comportamento das vacas, percebe o cio, decide a hora de agir. Com o crescimento da operação, essa tarefa ganha outra escala. “Você pode ter a melhor equipe, mas só visualmente você não consegue identificar o cio ou o início de um problema de saúde com a mesma precisão”, explica Gilvani. Foi para preencher essa lacuna que a equipe implantou o monitoramento por colares:

o GEA CowScout, com tecnologia Nedap, passou a acompanhar continuamente o comportamento de cada animal – atividade, ruminação, alimentação – e a apontar alterações que, em meio a centenas de vacas, o olho humano dificilmente identificaria a tempo.

Na prática, o colar muda o ponto de partida da equipe: em vez de percorrer o lote tentando descobrir qual vaca precisa de atenção, o sistema já indica onde olhar. A diferença fica mais evidente quanto maior o potencial produtivo do animal, porque também é maior o custo de perceber tarde um problema de saúde ou perder uma janela de reprodução. “Um sistema de monitoramento automatizado tem o objetivo de aumentar a precisão nas tomadas de decisão. Isso acontece por meio da identificação precoce de possíveis problemas, tanto do animal quanto do rebanho como um todo”, declara o gerente.

Se for preciso escolher um único exemplo para explicar o impacto dos colares na produção, Gilvani não hesita: a reprodução. Antes da implantação, já havia bons resultados, mas a taxa de serviço, segundo ele, estava, no máximo, em 70%. “Em dois meses, a gente já viu esse número mudar de forma radical, atingindo 82% em alguns momentos”, conta.

Os demais instrumentos de manejo reprodutivo não foram abandonados depois do colar; eles passaram a seguir uma rotina fixa. Toda sexta-feira é dedicada à reprodução, com acompanhamento de um médico-veterinário terceirizado: exames de ultrassom e avaliação de cada animal, conforme seu momento. Depois do parto, há um período de espera voluntária de 45 dias; se a vaca não cicla nesse intervalo, a equipe


Da esquerda para a direita: Gilvani Carlos Fernandes, gerente da Fazenda Condessa; Leonardo Noordegraaf, terceira geração; Leendert Noordegraaf, fundador da propriedade; e Jan Noordegraaf Neto, segunda geração

adota um protocolo com GnRH ou prostaglandina – hormônios usados para estimular o ciclo – e, após a inseminação, confi rma a prenhez: 30, 60, 150 e 200 dias de gestação. A inseminação em tempo fixo (IATF), que antes respondia por boa parte dos serviços, tornou-se residual. A taxa de serviço é de 88%; a de concepção, de 46%; e a de prenhez, 38%.

O cuidado com a reprodução não termina na inseminação. A seleção genômica de todo o rebanho gera índice customizado (IC), base do trabalho de reposição do plantel. É esse rigor de seleção – por produção, conformação, saúde e sólidos –, mantido geração após geração, que sustenta a afirmação categórica de Gilvani: “Qualquer animal que sai daqui vai produzir no mínimo 40 litros”. Quando o material genético usado na reposição é consistente, a variação entre um animal e outro cai, e uma promessa desse tipo deixa de soar como exceção para se tornar o padrão esperado.

Já os machos seguem a lógica do beef on dairy, prática cada vez mais comum em rebanhos leiteiros de alta produção. Nessa técnica de reprodução, os bezerros nascem do cruzamento com touros Angus, o que gera animais de corte precoces. É mais uma fonte de renda, comercializada em parceria com a cooperativa Capal, que intermedeia o direcionamento desses animais.  


O monitoramento individual começa no colar GEA CowScout, com tecnologia Nedap: a leitura contínua ajuda a equipe a perceber mudanças que poderiam passar despercebidas em meio ao lote 

Dados e decisão

Os resultados alcançados na Fazenda Condessa mostram algo essencial sobre a tecnologia de monitoramento: o colar muda a forma como a equipe trabalha. Bruna Zdepski, gerente regional de pós-vendas da GEA, chama a atenção justamente para essa capacidade de usar bem a informação: “O Gilvani sabe trabalhar muito bem os relatórios com a equipe. Ele entende como a tecnologia amplia a visão sobre o rebanho e consegue transformar essa informação em gestão. A organização e a forma como os dados são incorporados à rotina são exemplares”.

Cada setor, cada tarefa tem responsabilidades bem definidas, do bezerreiro à ordenha. A divisão organiza o trabalho sem fragmentar a equipe: quando é hora de discutir e tomar decisões, atuam de forma conjunta.

Essa organização é essencial para que a tecnologia tenha efeito prático. Um alerta que permanece apenas na tela não melhora a reprodução nem a saúde; é preciso gerar uma ação a partir dele. Uma vaca com atividade alterada é avaliada; um comportamento compatível com o cio entra na programação reprodutiva no momento indicado; uma queda de ruminação ou consumo chama a atenção para um possível problema de saúde. A observação humana continua indispensável. O que muda é para onde ela é direcionada.


Bruna Zdepski, gerente regional de pósvendas da GEA, analisa com Gilvani as informações do rebanho, no celular e no computador, aproximando os dados gerados pelo monitoramento das decisões tomadas no dia a dia 

UMA VACA COM ATIVIDADE ALTERADA É AVALIADA; UM COMPORTAMENTO COMPATÍVEL COM O CIO ENTRA NA PROGRAMAÇÃO REPRODUTIVA NO MOMENTO INDICADO; UMA QUEDA DE RUMINAÇÃO OU CONSUMO CHAMA A ATENÇÃO PARA UM POSSÍVEL PROBLEMA DE SAÚDE. A OBSERVAÇÃO HUMANA CONTINUA INDISPENSÁVEL. O QUE MUDA É PARA ONDE ELA É DIRECIONADA



Instalada em 2019, a sala de ordenha GEA tornouse um dos pontos de integração entre identificação, monitoramento e seleção dos animais

Da ordenha ao manejo

O colar GEA CowScout entrou na rotina em um momento em que a sala de ordenha já exigia um sistema de identificação mais preciso. A estrutura atual – paralela, dupla 16, de saída rápida – foi instalada em 2019. No início, os animais ainda eram identificados por brincos. “A ordenha evoluiu a tal ponto que o sistema de identificação usado já não atendia às exigências da rotina”, conta Leandro Buttenbender, sócio-proprietário da Sabeck, revendedora autorizada da GEA.

A adoção dos colares permitiu integrar a identificação dos animais à porteira de seleção automática. Com base nos critérios definidos pela equipe, vacas com problemas de casco, queda de consumo ou atividade elevada, por exemplo, são direcionadas automaticamente na saída da ordenha. Não é mais necessário percorrer os lotes à procura de cada uma delas. “Depois que os animais são selecionados no sistema, o portão faz a separação na saída da ordenha. Quando a equipe chega para o manejo, a vaca já está esperando no local certo”, explica Gilvani.

Esse avanço faz parte de uma relação técnica adotada pela propriedade, que incorporou novos recursos de ordenha, resfriamento, monitoramento e automação. Mais recentemente, também entrou em operação o robô responsável por empurrar o alimento no cocho. “Tudo foi colocado para facilitar o trabalho e gerar mais resultado”, resume Leandro.

Em um cenário de mão de obra cada vez mais restrita, esse encadeamento entre identificação, monitoramento e seleção automática passou a ter papel ainda mais importante na rotina da propriedade. A tecnologia reduz o tempo gasto em tarefas repetitivas e permite que a equipe concentre a atenção nos animais que realmente precisam de intervenção.

Antes que o sintoma apareça

Na saúde, o valor do monitoramento está, em grande medida, no tempo. Alterações de consumo, ruminação e atividade podem surgir antes que um problema se torne evidente. O colar não faz o diagnóstico, mas sinaliza quando uma vaca se afasta do padrão e merece ser observada com mais atenção.  


Rodrigo de Camargo Fogaça, vendas e pós-vendas da Sabeck; Leonardo, Leendert e Jan Noordegraaf, representantes de três gerações da família; Gilvani Carlos Fernandes, gerente da Fazenda Condessa; e Bruna Zdepski, gerente regional de pós-vendas da GEA. Todos reunidos por um propósito comum: fazer a propriedade avançar sem perder a essência construída ao longo de décadas

Esse acompanhamento ganha importância especial no início da lactação. Os primeiros 20 dias após o parto são tratados pela equipe como decisivos. “É fundamental que a vaca comece bem a lactação. Caso contrário, o desempenho no decorrer de todo o período pode ficar comprometido”, explica Gilvani. Em um rebanho desse tamanho, acompanhar individualmente cada animal o tempo todo seria inviável. “Como são muitas vacas, não dá para observar uma por uma. A tecnologia ajuda a mostrar onde precisamos olhar.”

A mesma atenção aparece no conforto. Gilvani ressalta que o bem-estar dos animais acompanha a história da propriedade e permanece como um dos critérios das decisões atuais. As vacas são alojadas nos galpões que preservam a ventilação natural, e a propriedade investe em ventiladores e aspersores para amenizar o estresse térmico. “Tudo o que está ao nosso alcance para garantir conforto aos animais a gente procura fazer”, resume.

Esse mesmo padrão se estende à qualidade do leite. A propriedade registra contagem de células somáticas (CCS) em torno de 90 mil células/mL e contagem padrão em placas (CPP) próxima de 2,3 mil UFC/ mL, além de baixa ocorrência de mastite. Pequenas variações já são sufi cientes para mobilizar a equipe. “Qualquer alteração na qualidade do leite acende um alerta, por menor que seja”, conta Gilvani.

A atenção com os colaboradores na propriedade segue a mesma lógica de cuidado. Quem ordenha de manhã tem seu período de descanso; e férias e folgas são respeitadas. Rotinas que, segundo Gilvani, preservam o bem-estar das pessoas que cuidam do rebanho.


Atividade, ruminação e alimentação compõem o retrato diário de cada vaca e ajudam a sinalizar alterações no comportamento

A próxima geração

Leendert iniciou a atividade com poucas dezenas de vacas, ainda mantidas a pasto. Jan conduziu boa parte da expansão e da tecnificação. Leonardo encontra uma propriedade em que cada animal pode ser monitorado individualmente, identificado na ordenha, separado automaticamente para o manejo e acompanhado também por câmeras. Mudaram as ferramentas e a escala das decisões. Permanecem, no entanto, as perguntas que definem o rumo de qualquer negócio leiteiro: quando crescer, no que investir e até onde avançar em produção sem comprometer saúde e conforto?

É nesse movimento que a frase de Gilvani ganha sentido: “Fazenda é estar sempre fazendo”. Na Fazenda Condessa, fazer significa observar, medir, corrigir, decidir. Os atuais 45 litros por vaca/dia, com duas ordenhas ao dia, não resultam de uma tecnologia isolada nem de uma solução definitiva, mas de um sistema que foi sendo revisto à medida que o rebanho se tornou maior e mais exigente. O GEA CowScout passou a fazer parte desse percurso porque permitiu acompanhar com mais precisão cada animal – sempre o centro das decisões.

Talvez essa seja também a linha que melhor une as três gerações. A tecnologia mudou profundamente a forma de olhar o rebanho, mas não substituiu o cuidado nem a capacidade de decidir. Apenas tornou mais nítido o que precisa ser visto e mais preciso o momento de agir.


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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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