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Fazendas

Fazenda Santa Luzia - Passos/MG

Fazenda Santa Luzia - Passos/MG

Texto: João Paulo V. A. dos Santos

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A fazenda

Muitas histórias sobre pecuária de leite e sistemas de produção podem ser conhecidas por meio da consulta a arquivos, entrevistas ou relatos de produtores tradicionais e expoentes do setor. No entanto, talvez tenhamos poucos exemplos, envolvendo o agronegócio, que se pareçam com a história da Fazenda Santa Luzia, relatada por Maurício Silveira Coelho, médico veterinário, formado em 1982 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsável pelo rebanho leiteiro do Grupo Cabo Verde.

Maurício Coelho, como é conhecido por muitos, é um dos 5 filhos de José Coelho Vitor, tradicional e reconhecido agropecuarista no município mineiro de Passos, que iniciou a atividade leiteira produzindo 50 litros/dia. Com a construção da Usina de Furnas, para atender à demanda dos trabalhadores em acampamento na construção da mesma, o volume aumentou para 150 litros/dia. Desde então, a produção não parou mais de crescer, atingindo hoje a marca de 15.000 litros diários.

A trajetória de sucesso do grupo começou há muitos anos, quando em 1943 Joãozinho Cabo Verde (avô de Maurício) adquiriu a Santa Luzia, mantendo o nome dado à mesma (Santa - protetora dos olhos), pelo seu antigo dono, Rodolfo Grilo, que explorava suas terras com agricultura de subsistência, com as culturas de milho, feijão, mandioca, abóbora, e criava gado zebu (Gir). No final dos anos 50, a fazenda passou a direcionar seu trabalho para uma agricultura mais intensificada, introduzindo culturas como algodão e café, além da produção de milho.

Foi neste período que ocorreram os primeiros cruzamentos de vacas zebuínas (Gir) com touros holandeses, dando origem aos primeiros animais cruzados que alavancaram, de modo significativo, a produção de leite da fazenda. Dos anos dos primeiros cruzamentos na década de 50 até hoje, a fazenda Santa Luzia caracterizou-se como um grande celeiro de matrizes Girolandas. Com plantel constituído atualmente por um total de 3.500 fêmeas, a Santa Luzia vem se consagrando, ano após ano, como berço genético para o desenvolvimento da raça no Brasil, e seu leilão pode ser considerado como compromisso obrigatório para todos que creditam ao cruzamento do sangue holandês com Gir a melhor forma para se produzir leite em condições tropicais. O sucesso na comercialização de animais Girolandos em leilões faz deste evento um fator motivacional extra para toda a equipe de trabalho da fazenda e, especialmente, para Maurício, que precisa redobrar esforços nos meses que antecedem o grande evento. Segundo ele, o leilão precisa ser realizado “mas a fazenda continua e não pode parar”. Mesmo assim, com trabalho apertado, foi interessante poder sentir essa energia positiva no ar da fazenda, na expressão dos funcionários e no envolvimento do seu principal gestor que não poupa esforço, trabalhando com afinco, prazer e uma boa dose de orgulho em poder transformar uma fazenda comercial em um cenário propício para receber muitas pessoas em curto espaço de tempo. Quem trabalha com produção de leite e sabe o quão difícil é a rotina diária de uma fazenda pode imaginar o que é incorporar um evento de grande porte associado a uma produção diária de 15.000 litros de leite.

Na verdade, a Santa Luzia está em um negócio diferente da maioria dos produtores. Maurício não revela o quanto a genética agrega de valor ao litro de leite, mas pelas cifras alcançadas nos últimos leilões, o número é muito significativo, tornando a atividade leiteira altamente competitiva.

Além da genética de ponta e do tradicional leilão, a fazenda Santa Luzia também é consagrada pelo seu manejo  simples, extremamente funcional, uma vez que é adaptado às características particulares da propriedade. Com relevo acidentado em algumas áreas, cada porção de terra na fazenda é aproveitada, de modo que locais com maior declive são destinadas ao pastejo (módulos rotacionados de Tanzânia, tifton e brachiarão) enquanto que as de melhor topografia são utilizadas para produção de forrageiras conservadas como milho  e capim elefante, ambos ensilados para suplementação dos animais no período de inverno. A Santa Luzia é reconhecida e caracterizada por muitos como um sistema de produção a pasto, em larga escala, devido ao volume diariamente ordenhado. No entanto, é classificada por Maurício como um “sistema misto”, terminologia cada vez mais usada por aqueles que fazem uso do pastejo intensivo no verão e confinamento durante o inverno, como alternativa para suprir a quebra de produção dos capins tropicais sem alterar a lotação animal.

A produção de leite da Santa Luzia é integralmente vendida para o mesmo laticínio há 10 anos. Segundo Maurício, a relação entre a empresa e a fazenda é de parceria. “Cada lado sempre quer lutar pelas melhores condições de preço. No entanto, recebemos um adicional por quantidade, além do programa de qualidade da empresa, e nossa negociação é feita por contrato anual”.

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O sistema

O sistema de produção de leite da fazenda Santa Luzia é popularmente caracterizado como sistema a pasto, no entanto, podemos considerar e classificá-la como uma fazenda que faz uso de sistema misto, alternando a exploração a pasto com períodos de confinamento quando há escassez de alimento.

Segundo Maurício, esse sistema foi a melhor forma encontrada para otimizar o uso da terra. “Se partíssemos para o confinamento, estaríamos limitados à capacidade de produção das nossas áreas agriculturáveis”. Com a adoção do pastejo e confinamento, foi possível explorar melhor a propriedade. Ao visitarmos a Santa Luzia, encontramos animais em praticamente todas as áreas da propriedade, seja em piquetes, ou cochos de alimentação.

A propriedade é composta por 900 ha, sendo 200 ha destinados para módulos de pastejo intensivo (rotacionado) e 200 ha de pastagens em sistema extensivo; 180 ha para produção de milho, 50 ha para capineira de napier, mais 100 ha de reserva, estradas, benfeitorias e 120 ha ocupados com lavouras de café.  Além do leite, existem na propriedade instalações (galpões) de terminação de suínos (10.000 cabeças). A área remanescente é ocupada com pastagens não cultivadas onde novilhas e vacas secas realizam pastejo extensivo. Do total de área ocupada pela propriedade, cerca de 500 hectares são destinados exclusivamente à atividade leiteira (instalações, pastagens e áreas de produção de alimentos).

Em função da comercialização de animais, a propriedade realiza programação e concentração de partos, sendo que não ocorrem nascimentos nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, com a estação de parição sendo reiniciada a partir de março (o leilão é realizado em abril). A concentração de partos neste período também é interessante economicamente para a produção da fazenda, uma vez que permite que  as vacas atinjam o pico de lactação quando os preços tendem a ser mais altos, e recebem uma dieta com silagem e concentrado, potencializando a produção.

A área destinada ao pastejo (200 ha) é dividida em módulos compostos por 17 a 20 piquetes, com período de ocupação variável, de acordo com a disponibilidade de forragem dos mesmos. Existem piquetes que são pastejados por 24 horas, outros apenas por 12 horas. A premissa básica para se promover um bom manejo, segundo Maurício, é o controle da altura de entrada nos piquetes. A área de pastagem é ocupada por 3 tipos de forrageiras: Brachiarão, Tanzânia e Tifton-85. A média de lotação empregada no verão é de 6 a 7 vacas/ha. No inverno, essa lotação cai para 20% desse valor e apenas animais menos exigentes como vacas secas e novilhas são mantidos em pastejo. Para alcançar estes índices a Santa Luzia faz correção anual do solo com uso de calcário, adubação fosfatada e potássica. Para adubação de produção são utilizados de 200 a 300 kg de nitrogênio (N)/ha/ano.

Todos os piquetes são irrigados com dejeto líquido, proveniente de instalações usadas para suinocultura e leite, que é separado do sólido, por meio de linha mestra principal bombeada, levando o chorume até as partes mais altas onde derivam em linhas laterais via aspersão. Além das áreas de pastejo, a irrigação por aspersão de chorume é realizada na área de produção de napier. Os dejetos sólidos são aproveitados em diferentes áreas da propriedade, principalmente nas destinadas à agricultura.

Durante o verão, em média, para vacas em produção, o consumo de pasto perfaz o montante de 10 kg de MS/cab/dia. Os principais ingredientes consumidos nos concentrados misturados na propriedade, hoje, são: farelo de soja, farelo de milho e, como subproduto, polpa cítrica. Devido ao preço exorbitante, o caroço-de-algodão, importante ingrediente de rações, não vem sendo utilizado. Segundo Maurício, os custos hoje para este alimento estão ainda mais proibitivos.

Para alimentar todo o rebanho a Santa Luzia possui uma fábrica de ração equipada com misturadores de concentrados e um total mix estacionário. De acordo com Maurício, esta foi a forma mais barata para se resolver o problema de constantes quebras de vagões TMR, em função do elevado número de pontos de alimentação e distâncias percorridas. Diversos vagões forrageiros distribuidores foram adquiridos para captar a dieta misturada no vagão estacionário e, posteriormente, levá-la às categorias e lotes designados. A fazenda não trabalha com pré-mistura de concentrados (fábrica de ração). Os ingredientes são adicionados diretamente no misturador Khun estacionário e, apenas para bezerras, há um cuidado especial com concentrado específico. Para alimentar um montante de 3.500 animais, em média, ao longo do ano, são utilizados de 3 a 5 funcionários, entre rotina de tratos e trabalho com misturador total mix estacionário.

Na Santa Luzia, o custo médio das pastagens ficou na casa de R$70,00/ton de MS; a silagem de milho fechou em R$240,00/ton e o napier em R$130,00/ton de MS.

A propriedade possui 2 retiros, um principal de 24 x 24 unidades e outro de 12 x 12 simples, totalizando uma capacidade de extração de leite de 200 animais/hora (instalados em locais diferentes, sendo o segundo ativado somente no período do leilão, por logística dos animais.

O período de maior produção individual (média) é no inverno, quando os animais são confinados, com médias de 18 a 20 litros/cabeça/dia, caindo para 15 litros durante o verão.

No verão, os animais são mantidos em regime de pastejo com suplementação de concentrado e apenas 3 kg de silagem para diminuir a competição, velocidade e voracidade dos animais no momento do fornecimento deste alimento. No inverno, praticamente 100% dos animais são confinados, apenas alguns menos produtivos e em final de lactação são mantidos em regime de pastejo.

A recria é mantida em piquetes menores e sua alimentação é, em sua quase totalidade, fornecida no cocho. Bezerras em aleitamento são alojadas em bezerreiros coletivos tipo Tropical, ao ar livre, providos de linha de sombrite no sentido perpendicular ao eixo do sol (norte-sul) para gerar sombra (por projeção) aos animais amarrados por correntes e presos em fio de arame junto ao solo, caracterizando-se como um sistema barato e funcional. Segundo Maurício, este foi o melhor sistema encontrado para criar seus animais, estando muito satisfeito com os resultados do mesmo. Acredita ser uma solução barata (cerca de R$ 300,00/unidade alojada) em relação a outras opções de alojamento desta categoria. Para ele, é uma instalação sadia para as bezerras, pois promove pouca formação de barro, boa sombra e contato dos animais com carrapato, “preparando” a resistência dos mesmos para o futuro, com baixa mortalidade.

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A Gestão

A história da Santa Luzia e do Grupo Cabo Verde apresenta aspectos interessantes e ímpares como negócio, no que se refere à gestão. O vínculo com a terra passou de pai para filho e de filho para os 5 netos de Joãozinho Cabo Verde. A diversificação é característica marcante do grupo, que explora outras atividades como pecuária de corte e suinocultura, além de café e agricultura (cereais).

Apesar de ser um grupo familiar, a gestão do negócio é realizada de forma empresarial e profissional. Segundo Maurício, um aspecto importante para que a família permaneça unida e centrada em um único objetivo é, justamente, a gestão independente de cada segmento. Dentre os irmãos, cada qual assume uma função e responsabilidade. Maurício no leite, Roberto, também médico veterinário, controla a suinocultura, lavouras de café e áreas de agricultura. A pecuária de corte é dirigida por Murilo, engenheiro civil, enquanto que todos são “administrados” pelos “controllers” do grupo, Rubens e Maria Lúcia, engenheiro civil e dentista, respectivamente, completando o eclético time da família frente aos negócios.

A fazenda Santa Luzia é conduzida por Maurício Coelho que conta com o auxílio imediato de seu gerente geral, Deni Castro Soares, que coordena toda a equipe. Cada setor da fazenda possui um profissional responsável pelo mesmo, sendo a equipe dividida nos setores, abaixo:

a-) Plataforma (sendo uma mulher responsável pela coordenação de todo o trabalho da ordenha)

b-) Recria e Maternidade

c-) Reprodução (1 responsável e 2 auxiliares)

d-) Gado Solteiro

e-) Processamento de dados: coleta e processa informações zootécnicas de todos os setores da propriedade

A propriedade utiliza consultores em várias áreas e um software de gestão e monitoramento de rebanho. Segundo Maurício, sem informatização não seria possível conduzir de maneira eficiente seu sistema de produção.

Desde 2005, a propriedade vem investindo em formação e capacitação de seus funcionários (mão–de-obra), com a construção de um centro de treinamento e a realização de, pelo menos, 10 cursos ao longo do ano sobre as mais diferentes áreas da propriedade.

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A visão do técnico

Quando chegamos à Santa Luzia, diversos aspectos nos chamaram a atenção. Primeiramente, o nível de organização da propriedade associado à funcionalidade. É importante salientar que beleza nem sempre implica em funcionalidade e rentabilidade. Nas propriedades do Grupo Cabo Verde encontramos muito trabalho e organização. Dentro da fazenda encontramos movimentação constante de máquinas, funcionários, tratores, de forma constante e organizada. É comum encontrarmos propriedades com picos de correria e atropelos em determinados momentos do dia ou na realização de tarefas específicas. Nas horas em que visitamos a propriedade estava sendo realizada a colheita de napier para silagem e todos os setores estavam funcionando em “velocidade cruzeiro”. Tudo isso sem contarmos o fato de que um grande leilão estava para ser realizado dentro de 10 dias apenas. Quem trabalha com rotina, envolvendo a produção de leite, sabe como é difícil fazer com que uma propriedade funcione como uma engrenagem perfeita ou um relógio. Na Santa Luzia, apesar do volume de trabalho, envolvendo os cuidados de 3.500 fêmeas leiteiras, tudo parece correr tranquilamente.

Quando visitamos propriedades costumamos dizer que uma fazenda tem “a cara do dono”. Ao conversarmos com Maurício Coelho e avaliarmos sua personalidade, conseguimos perceber essas características na prática: simplicidade, competência, ordem e serenidade. Maurício é um pecuarista que está envolvido no dia-a-dia da atividade. Para controlar uma equipe de 30 funcionários é cuidadoso e extremamente respeitoso. Chama todos pelo nome e, segundo ele, quase sempre se reporta aos chefes de setores, respeitando a hierarquia dentro da estrutura organizacional da fazenda.

Sistemas de produção de leite são complexos, e propriedades voltadas para exploração de leite devem ser moldadas de acordo com aspectos particulares de cada uma delas. Para Maurício, essa mensagem é bem clara e evidente em seu sistema de produção. Para o gestor da Santa Luzia, não existem preconceitos sobre estruturas, regras e técnicas pré-estipuladas. Por este motivo, seu sistema de produção, nas suas palavras, é considerado um sistema misto.

Há anos venho conversando com diversos produtores e técnicos sobre os desafios impostos por diferentes sistemas de produção, seja o confinamento ou pastejo. É evidente que cada um apresenta vantagens e desvantagens. Muitos dos envolvidos na atividade são “céticos” e julgam que o sucesso somente pode ser estabelecido mediante o emprego de protocolos pré-estabelecidos. Para pequenas ações, como tratamentos de animais ou criação de bezerras e outros tantos exemplos, podemos ter sucesso dessa forma. No entanto, quando abordamos um sistema de produção como um todo é necessário diagnosticar e compreender os “pontos de estrangulamento” ou, em outras palavras, as limitações de cada sistema. Maurício Coelho institui, de forma clara e objetiva em sua propriedade, o sistema mais adaptado para a sua realidade. Em nossa conversa, chegamos à conclusão de que se ele optasse por regime de confinamento, por exemplo, sua produção estaria limitada às áreas com topografia favorável para produção de alimentos conservados. Se optasse por pastejo na maior extensão de área possível, seu sistema não seria sustentável, pois não conseguiria manter a lotação de verão durante o inverno e não poderia apenas trabalhar com 2 retiros em função das grandes distâncias.

Apesar de ter seu sistema de produção estruturado para produção de leite a pasto, Maurício tem buscado alternativas que possam otimizar sua produção como a possibilidade de construir um free-stall para 80 a 100 vacas, anexo à sua ordenha, para confinar suas vacas de maior produtividade.

Particularidades interessantes puderam ser vistas e absorvidas durante a visita, como o manejo e produção de silagem de napier. Apesar de ser uma forrageira de menor valor nutricional, a mesma recebe um tratamento “vip”, desde a adubação orgânica, com lançamento de dejetos líquidos dos animais, até a colheita, com colhedora automotriz (usada para colher milho e aproveitada para colher napier). Essa forragem recebe inoculação no momento do corte e dentro do silo, resultando em um produto bem interessante. Devido à grande necessidade de produção de alimento conservado, Maurício resolveu simplificar ao invés de complicar. Se optasse por silagem de milho, para fechar a demanda do ano, correria riscos. Com o capim, produzindo anualmente 200 ton/ha, foi possível ajustar essa conta. Quem visita a propriedade e observa uma automotriz colhendo napier pode estranhar. No entanto, para atender sua demanda, com colhedeiras montadas em tratores (tradicionais, colhedoras de uma linha, na lateral de tratores ou mesmo colhedoras de área total), isso não seria possível devido ao baixo rendimento operacional e constante desgaste com quebra desses equipamentos. Aprendemos que quando somos consumidos pela escala é necessário pensarmos “grande”, em soluções práticas. Para tal, é necessário mentalidade empreendedora e coragem, atributos evidentes na gestão do Grupo Cabo Verde.

Em nossa conversa, um aspecto muito interessante foi levantado por Maurício: “para vendermos alguma coisa precisamos mostrar que aquilo que produzimos é algo positivo, interessante e sustentável, caso contrário não teremos sucesso”. Realmente, isso é verdade e pode ser comprovado por qualquer um que visite a fazenda; é possível acreditar e confiar no manejo empregado. Se confiamos podemos comprar. Simples. Já visitamos muitos sistemas de produção com instalações e práticas interessantes, mas dúbias... “Será que sou capaz ou consigo fazer isso em minha propriedade?”. Essa dúvida não existe na Santa Luzia. O produto de suas vendas (matrizes, novilhas e bezerras) é um componente de um sistema de produção eficaz e sustentável. Como diz Maurício, quem for lá irá ver 1.000 vacas em lactação e a fazenda funcionando.

Ao final, percebemos que a Santa Luzia está “na mão”, a despeito da complexidade da operação e dos negócios familiares, que envolvem outras atividades além do leite. Prova disso é o fato do clã dos Coelho estar em busca de novas oportunidades que possam viabilizar crescimento adicional.

 

Alguns números

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