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Gestão, Notícias

Governança que move: Armando de Paula Carvalho Filho lidera a inovação no Parque Tecnológico Agroleite

Como presidente da Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação do Parque Tecnológico Agroleite, Armando de Paula Carvalho Filho conduz a estrutura que transforma projetos em realidade

Governança que move: Armando de Paula Carvalho Filho lidera a inovação no Parque Tecnológico Agroleite

Quando a Castrolanda decidiu criar uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação – a ICT do Parque Tecnológico Agroleite –, a escolha de quem a presidiria não foi resultado de uma seleção formal. Foi algo, nas palavras de Armando de Paula Carvalho Filho, “natural”. Como membro do Conselho de Administração da cooperativa e alguém já ligado à cadeia leiteira, o nome apareceu por consenso. “O Gustavo Viganó é o motor das ações, a pessoa que corre atrás, o nosso operador. Estou como presidente da ICT. Foi assim, algo natural”, resume.

Natural, porém, nada simples. A função que Armando ocupa exige navegar entre instituições, esferas públicas e prazos que nem sempre obedecem ao planejamento. É ele quem conduz a governança que sustenta o crescimento do parque e que faz, quando necessário, o que ele chama de “lobby do bem”.

Por que uma ICT?

Para viabilizar acesso a políticas públicas, editais de pesquisa e benefícios fiscais, o Parque Tecnológico precisava de uma estrutura jurídica própria, separada da cooperativa, com CNPJ e governança independentes. 

A Castrolanda abrange muitos negócios, e a ICT precisava andar com as próprias pernas. “A questão é mais fiscal, mas também de gestão: a ICT precisava ter vida própria”, explica Armando.

Na prática, isso significa que a ICT funciona como catalisadora: é ela que aproxima os atores, alinha os objetivos e empurra os processos quando a burocracia freia. “Nem sempre o resultado está na nossa mão. Dependemos de questões públicas, de parceiros com governanças próprias. Nossa função é catalizar. Fazer as coisas andarem”, ressalta Armando.



O que está sendo construído

Armando fala dos projetos do parque não como iniciativas paralelas, mas como peças de um mesmo mecanismo. O Centro de Excelência do Senar, o Laboratório do Leite em parceria com o governo do estado do Paraná e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o curso de Medicina Veterinária, a Fazenda Modelo vinculada ao Centro de Treinamento de Pecuaristas (CTP), nenhum deles, na sua leitura, é mais importante que o outro. São todos necessários para que o conjunto funcione. “Não tem um projeto que seja o mais importante de todos. Todos se interligam, todos convergem”.


O curso de Medicina Veterinária é o caso que mais o motiva pela velocidade. A ideia surgiu há menos de um ano e já existe previsão de processo seletivo. Para o primeiro ano, o município se comprometeu a reformar uma estrutura da Associação dos Produtores de Castro para receber as aulas de forma temporária, enquanto o campus definitivo avança em negociação de área com o governo do estado. “Quando todo mundo senta na mesa com o mesmo norte, sem ninguém puxar para o lado contrário, as coisas acontecem”, diz Armando.


Já a Fazenda Modelo, desenvolvida em parceria com o CTP, vai oferecer a estrutura prática que dá suporte ao Centro de Excelência. Ela será instalada numa área da Castrolanda. Parceiros privados vão contribuir com infraestrutura e maquinário; a gestão fica a cargo do CTP. A premissa de Armando para o projeto é esta: “Que seja disruptivo, mas aplicável; rentável”.

Vender algo concreto

Se os projetos acadêmicos e científicos do parque dependem de articulação com o setor público, a próxima frente é trazer a iniciativa privada: empresas ligadas à cadeia leiteira que queiram fazer parte do hub, com produtos, pesquisa, apoio ao desenvolvimento. 

“Não podemos vender só um sonho. Precisamos vender algo concreto, palpável, para que as empresas percebam valor e entendam que isso não é utopia”, afirma Armando. 

É por isso que a ordem importa: primeiro consolidar os projetos já em andamento, depois atrair novos parceiros com algo real para mostrar.

O cenário econômico do mercado do leite, que passou por dificuldades no último ano, complica um pouco esse movimento. “As empresas estão com o orçamento reprimido. Temos que trabalhar com certa contenção”, reconhece Armando. Mas ele sublinha que o mercado leiteiro é cíclico e que os projetos estruturantes do parque não foram criados para o período de euforia. Foram criados para sustentar o setor justamente quando o ciclo vira.


A cereja do bolo

Armando tem clareza sobre o que representa o próximo marco do parque: o momento em que todos os projetos começarem a funcionar juntos e a conversar entre si. Centro de Excelência, Fazenda Modelo, curso de Medicina Veterinária, Laboratório do Leite, empresas parceiras. “A cereja do bolo será o momento em que tudo se interligar, se integrar numa rede colaborativa. Aí, sim, o parque estará pleno.”

Não é uma visão distante. Parte do que precisava acontecer já aconteceu. O primeiro passo está consolidado, como Armando diz. O que vem a seguir é mais difícil de nomear – é a transição de um parque que se apresenta para um parque que produz. Que gera conhecimento e o mostra. “Em pouco tempo, quando esses projetos se consolidarem, vamos começar a produzir conhecimento de verdade. E depois pensaremos no próximo passo. Porque isso não pode parar”, completa.

Tecnologia, pesquisa e desenvolvimento estão na origem da Castrolanda. Essa é a leitura que Armando faz da história da cooperativa e que justifi ca o investimento no parque mesmo em tempos de margem apertada. “A cultura da Castrolanda está totalmente ligada ao desenvolvimento. Foi por isso que chegamos aonde chegamos. E é com base nessa cultura que enxergamos a solução para os desafi os do futuro.”


Armando acredita que o desenvolvimento acontece quando pessoas, conhecimento e propósito caminham na mesma direção


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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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