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Manejo, Nutrição

Microrganismos que atuam no eixo intestino-cérebro ganham espaço na nutrição de bovinos. Conheça seu potencial!

Microrganismos que atuam no eixo intestino-cérebro começam a ganhar espaço na nutrição de bovinos e mostram potencial para melhorar conforto, desempenho e composição do leite

Microrganismos que atuam no eixo intestino-cérebro ganham espaço na nutrição de bovinos. Conheça seu potencial!

Nos últimos anos, o interesse por microrganismos benéficos cresceu, especialmente no setor leiteiro. Já se sabe que os teores de gordura e proteína do leite são influenciados pela genética, manipulação de genes e nutrição associada ao bem-estar animal. Dentro desse contexto, a saúde intestinal exerce papel central, modulando o microbioma e influenciando o perfil de ácidos graxos, o teor de gordura e compostos bioativos do leite. O uso de probióticos surge como estratégia relevante para otimizar a microbiota ruminal, melhorar a digestão e promover efeitos positivos na qualidade nutricional e sensorial do leite. 

Um desses grupos promissores são os microrganismos psicobióticos. O que eles são e como podem beneficiar a produção leiteira?

O que são microrganismos psicobióticos? 

Os psicobióticos são microrganismos vivos, como bactérias e leveduras, que em doses adequadas exercem um impacto positivo na saúde mental e intestinal dos seres vivos. Em bovinos, configuram-se como importantes aliados na melhoria da produtividade, da qualidade dos alimentos e da sustentabilidade da cadeia do leite. Atuam regulando o eixo intestino-cérebro, favorecendo o equilíbrio do humor, a imunidade e o bem-estar geral dos animais. Alguns exemplos conhecidos incluem Lactobacillus e Bifidobacterium, microrganismos historicamente usados como probióticos e agora estudados por seus benefícios neurológicos.




OS PSICOBIÓTICOS SÃO MICRORGANISMOS VIVOS, COMO BACTÉRIAS E LEVEDURAS, QUE EM DOSES ADEQUADAS EXERCEM UM IMPACTO POSITIVO NA SAÚDE MENTAL E INTESTINAL DOS SERES VIVOS

Como os psicobióticos ajudam na produção leiteira? 

A saúde dos animais tem impacto direto na qualidade do leite e no desempenho da fazenda. O uso de psicobióticos pode trazer diversas vantagens. 

1. Redução do estresse e aumento do bem-estar animal: evidências científicas indicam que vacas submetidas a menor estresse apresentam maior produção de leite e com qualidade superior. Esse resultado reflete diretamente na matéria-prima, influenciando características nutricionais e sensoriais dos produtos lácteos, como o perfil de ácidos graxos, o teor de gordura, a composição de compostos voláteis, além da presença de pequenos peptídeos e aminoácidos; 

2. Melhora da digestão e absorção de nutrientes: psicobióticos equilibram a microbiota intestinal, melhoram a fermentação ruminal e a absorção de nutrientes, além de fortalecer a barreira intestinal. A microbiota intestinal pode produzir neurotransmissores, vitaminas e enzimas, comunicando-se com o sistema nervoso por vias neurais, hormonais e imunológicas. Assim, psicobióticos modulam o eixo HPA, reduzem inflamação e podem aliviar sintomas de ansiedade e depressão. Espécies como Lactobacillus e Bifidobacterium inibem patógenos e produzem ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor que acalma a atividade cerebral reduzindo a ansiedade, o estresse e o medo, promovendo o relaxamento e contribuindo para o bem-estar;

3. Fortalecimento do sistema imunológico: probióticos contribuem para a integridade da barreira intestinal, estimulam a produção de mucina e modulam células de defesa, como linfócitos e macrófagos. Além disso, promovem maior produção de IgA e citocinas anti-inflamatórias, reduzindo inflamações sistêmicas e aumentando a resistência a patógenos. Como resultado, animais mais saudáveis apresentam menor incidência de infecções, como mastite, podendo reduzir o uso de antibióticos e melhorar a segurança e qualidade do leite; 

4. Impacto positivo na fertilidade e reprodução: o equilíbrio do microbioma contribui para a saúde reprodutiva do rebanho, favorecendo melhores índices de prenhez e eficiência reprodutiva. Além disso, a redução do estresse, e consequentemente dos níveis de cortisol desempenha papel crucial nesse processo. Concentrações elevadas de cortisol estão associadas à menor expressão de cio, maior incidência de falhas reprodutivas e aumento do risco de abortamento em vacas leiteiras.  

A Figura 1 apresenta, de forma sintética, esses impactos:




Como incorporar psicobióticos na rotina da fazenda?

Os psicobióticos podem ser integrados à dieta dos bovinos de maneira prática, promovendo o equilíbrio da microbiota intestinal e benefícios à saúde física e mental dos animais. Algumas estratégias incluem: 

• Rações enriquecidas: algumas rações comerciais já contêm culturas vivas de bactérias benéficas, como Lactobacillus e Lactococcus, auxiliando na manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal e na produção de neurotransmissores que podem influenciar o comportamento e o bem-estar; 

• Suplementação líquida ou em pó: probióticos podem ser adicionados diariamente à alimentação ou à água, garantindo ingestão consistente e facilitando a administração em diferentes grupos de animais;

• Silagem fermentada de qualidade: alimentos fermentados naturalmente, como silagens bem preparadas, são fontes de microrganismos benéficos e ajudam a manter a saúde intestinal, além de melhorar a digestibilidade e absorção de nutrientes; 

• Monitoramento e adaptação da dieta: é importante avaliar a saúde intestinal, a resposta produtiva e o comportamento dos animais, ajustando as doses e combinações de psicobióticos conforme a necessidade da fazenda. 

Incorporar psicobióticos de forma consistente pode melhorar o desempenho produtivo, a saúde reprodutiva, reduzir estresse e infecções, além de impactar positivamente a qualidade do leite e o bem-estar geral do rebanho.  

Silagens bem fermentadas são fontes naturais de microrganismos benéficos e ajudam a sustentar o equilíbrio da microbiota


INCORPORAR PSICOBIÓTICOS DE FORMA CONSISTENTE PODE MELHORAR O DESEMPENHO PRODUTIVO, A SAÚDE REPRODUTIVA, REDUZIR ESTRESSE E INFECÇÕES, ALÉM DE IMPACTAR POSITIVAMENTE A QUALIDADE DO LEITE E O BEM-ESTAR GERAL DO REBANHO 

Psicobióticos: o futuro da pecuária leiteira? 

Embora a pesquisa sobre psicobióticos na bovinocultura ainda esteja em desenvolvimento, os resultados iniciais são promissores. Animais mais saudáveis e com menor estresse demonstram maior produtividade e melhor qualidade do leite. A adoção de soluções naturais, como os psicobióticos, representa um diferencial estratégico para produtores que buscam unir eficiência produtiva, bem-estar animal e qualidade da matéria-prima.

Conclusão 

Os microrganismos psicobióticos são aliados que podem melhorar a saúde do rebanho e a produtividade leiteira. Com benefícios que vão desde a digestão até a redução do estresse, eles representam um caminho inovador para um manejo mais sustentável e eficiente. Ficar de olho nessas inovações pode trazer grandes vantagens para os produtores que desejam estar um passo à frente no mercado.

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Autores

EMBRAPA GADO DE LEITE

EMBRAPA GADO DE LEITE

BRUNA VIEIRA ALONSO

BRUNA VIEIRA ALONSO

Médica-veterinária, Mestre em Ciência e Tecnologia do Leite e Derivados, Bolsista da FAPEMIG na EPAMIG/ILCT

LORHAYNNE AMANDHA DE AGUIAR RABELLO SOARES

LORHAYNNE AMANDHA DE AGUIAR RABELLO SOARES

Médica-veterinária, Bolsista da FAPEMIG na Embrapa Milho e Sorgo

JOÃO BATISTA RIBEIRO

JOÃO BATISTA RIBEIRO

Biólogo, Doutor em Microbiologia Agrícola, Pesquisador da Embrapa na área de Recursos Genéticos Microbianos e Microbiologia Aplicada


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