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Geral, Gestão

Agroleite 2025: evento onde inovação, emoção e negócios se encontram

Na celebração dos 25 anos do Agroleite, Gustavo Viganó revela a arquitetura física e simbólica que transforma o evento em um espaço único voltado à pecuária leiteira, onde inovação, emoção e negócios se encontram

Agroleite 2025: evento onde inovação, emoção e negócios se encontram

Muito antes de ocupar o cargo de gestor do Agroleite, Gustavo Viganó já conhecia cada linha traçada sobre o solo onde repousa o mais simbólico parque de exposições da pecuária leiteira nacional, em Castro/PR. Como engenheiro civil, ele fez parte da equipe que desenhou, projetou e ajudou a erguer, tijolo por tijolo, a estrutura que hoje abriga um evento com essência. Essa coincidência constitui-se na metáfora perfeita do que significa fazer a gestão do Agroleite: é preciso compreender profundamente suas fundações para conduzi-la rumo ao futuro. 

Ao completar 25 anos, a feira é ponto de encontro dos grandes nomes da cadeia do leite. E mais: é vitrine tecnológica, palco de julgamentos emocionantes e espaço de negócios capazes de redefinir rumos da atividade. Cada detalhe foi pensado para integrar pessoas, conhecimento, inovação e muito, muito sentimento. Um lugar especial, único, vivo, onde o leite é símbolo, é cultura, é pertencimento.

A arquitetura do evento: um parque que respira o ano todo 

O que torna o Agroleite único entre as feiras agropecuárias do país não se resume à sua escala ou ao seu prestígio. Está, sobretudo, na forma como foi concebido. O Castrolanda Expo Center foi desenhado para ser um território permanente, vivo, em constante movimento. 

Há mais de uma década, a decisão de construir sedes fixas para empresas foi um passo estratégico. No lugar de estandes temporários, surgiram pequenas casas que carregam logomarcas e, o mais importante, vínculos. E novas estruturas seguem sendo erguidas, com mais 14 para serem inauguradas na edição de 2025. Ao todo, serão cerca de 50 unidades ocupadas por marcas do setor leiteiro. Cada uma dessas casas traduz um gesto de confiança mútua: entre a cooperativa Castrolanda, as empresas parceiras e o projeto coletivo que o Agroleite representa. 

Essas sedes funcionam todos os dias. Acolhem encontros, reuniões técnicas, visitas internacionais, grupos de estudo. Tornam o parque um ponto de convergência da pecuária leiteira – um centro de trocas que pulsa o ano inteiro. 

Para Gustavo, a força desse modelo está na capacidade de reunir o que há de mais estratégico no setor com uma ocupação que gera vida constante ao parque. “A empresa entra com a sua marca e ganha relevância. E nós conseguimos tornar o evento mais atrativo para a região, para o Estado e para o país”, resume. O resultado é uma feira que ultrapassa as fronteiras do calendário: ela existe antes, durante e depois da semana oficial. 

O parque é palco do Agroleite e é parte dele. É ali que a estrutura física se transforma em símbolo. E é onde cada nova construção se torna também a afirmação de um compromisso de longo prazo com a cadeia do leite.

 


O Castrolanda Expo Center é o coração físico e simbólico do Agroleite, projetado para ser permanente, vivo e integrador 


A essência da feira 

No coração do parque, uma arena circular reúne olhares atentos, câmeras posicionadas e silêncios carregados de expectativa. É ali que ocorre o julgamento dos animais – momento em que o Agroleite revela, com nitidez, sua essência. A vaca, conduzida com orgulho, preparada com esmero e tratada com afeto, é a protagonista incontestável. Nada, nem mesmo a mais avançada tecnologia, rivaliza com a emoção que toma conta daquele espaço. 

“Já me perguntaram se as pessoas vêm por causa dos equipamentos ou por causa dos animais. Eu diria, sem dúvida: é por causa das vacas”, afirma Gustavo. Para ele, a arena de julgamento é o ápice da experiência; um lugar onde o amor pelo leite se materializa. Antes de pisar na pista, cada animal passa por um ritual de cuidado impressionante. É comum ver o produtor agradecendo ao animal. Há uma entrega que transcende o técnico. 

E, de fato, cada animal apresentado carrega o esforço de uma cadeia inteira: genética apurada, nutrição precisa, manejo competente, bem-estar garantido. Tudo se alinha para aquele instante em que a pista deixa de ser apenas uma arena e se converte em palco. O julgamento é técnico, mas é, sobretudo, reverência. 

Por isso mesmo, a feira guarda uma homenagem permanente. A cada edição, os grandes campeões são eternizados nas estrelas da Calçada da Fama, fixadas no chão, logo na entrada do Castrolanda Expo Center. Gravadas em placas de granito, essas marcas celebram as vacas que ganharam o título de Campeã Suprema das Raças e os criadores que dedicaram a vida a elas. Entre os passos dos visitantes, repousa a memória viva da excelência – uma constelação construída com trabalho, emoção e respeito.





 

Se liga! Durante a pandemia, quando o Agroleite precisou ser suspenso, a ausência dos animais foi representada por um gesto silencioso e poderoso: duas estrelas foram instaladas na Calçada da Fama do Castrolanda Expo Center, uma para 2020 e outra para 2021, marcando esse momento desafiador enfrentado pelo mundo todo.


Música que veio do coração 

Entre os muitos símbolos que compõem a identidade do Agroleite, há um que nasceu em silêncio e se transformou em hino: a música oficial da feira. Composta por Jorreni Marcon, esposa de Gustavo, a canção surgiu em uma madrugada de luto e delicadeza, logo após o falecimento de Leila Dione Marques Gomes, referência incontornável na história do evento. 

Jorreni acordou com a melodia na cabeça e a emoção à flor da pele. Sentou-se e escreveu: “A pata marcada na terra molhada indica o lugar / Cada vaca marcada traz com carinho o brilho no olhar.” 

A canção, gravada por Jorreni, fala de raízes, de força, da conexão visceral entre gente, terra e rebanho. Toca fundo porque traduz, com simplicidade e beleza, aquilo que o Agroleite representa.

“Nas veias desta gente / o sangue que corre é leite / Nutre a esperança de um futuro feliz.” 

O hino embala o início da feira e ecoa pelos corredores do parque como um lembrete de que a pecuária leiteira também se move por afeto, por legado e por pertencimento. Uma trilha sonora que emociona, porque nasceu exatamente de onde o Agroleite vem: do coração. Clique aqui e ouça a canção.


Negócios e conhecimento: a missão do Agroleite 

O Agroleite é uma plataforma inteligente de conexões. É esse o termo que Gustavo prefere usar: “Nossa missão está baseada em três pilares: gerar conhecimento, promover negócios e criar conexões inteligentes.” A força do evento está justamente em articular esses três eixos com clareza, sem dispersar o foco técnico que o define. 

Ao contrário de eventos que apostam em entretenimento para atrair público, o Agroleite mantém um compromisso com a qualificação. A música de fundo é a das conversas entre produtores, pesquisadores, técnicos e empresas. São diálogos voltados à tomada de decisão, ao aprimoramento de sistemas, à implementação de novas tecnologias.


“NOSSA MISSÃO ESTÁ BASEADA EM TRÊS PILARES: GERAR CONHECIMENTO, PROMOVER NEGÓCIOS E CRIAR CONEXÕES INTELIGENTES”  


A programação reflete esse perfil. Em vez de shows, há workshops, painéis, apresentações de soluções inovadoras, dias de campo e espaços de capacitação. É comum que os expositores usem a feira como palco de lançamento de tecnologias. “Eles esperam o Agroleite para apresentar o que têm de mais novo. Isso nos enche de orgulho – e também de responsabilidade”, observa Gustavo. 

Negócios são fechados. E muitos. Mas, antes de qualquer assinatura, há troca de conhecimento. É essa a dinâmica que transforma o evento em um lugar estratégico para a cadeia produtiva do leite. O produtor sai dali com contratos assinados, repertório ampliado, atualização em dia e, mais ainda, visão de futuro.

A Rota do Leite é uma das principais atrações técnicas do Agroleite, oferecendo aos visitantes a oportunidade de conhecer de perto algumas das mais destacadas propriedades leiteiras de Castro. A iniciativa é coordenada pela área de Negócios Leite da Castrolanda, que também acompanha os participantes durante as visitas. 

As propriedades selecionadas para a Rota do Leite variam em tamanho e capacidade de produção, com volumes diários que vão de 1.800 a 50.000 litros de leite. Entre os destaques estão fazendas que utilizam sistemas de confinamento em Free Stall, ordenha robotizada e manejo familiar de alta eficiência. 

Essa atividade proporciona uma experiência imersiva, permitindo que os participantes observem, na prática, as tecnologias e os manejos que tornam a produção leiteira da região uma referência nacional.  


Tecnologia e futuro: o Parque Tecnológico 

Anunciado oficialmente em 2024, o Parque Tecnológico Agroleite nasce como uma aposta de longo prazo da Castrolanda para consolidar a cidade de Castro como um polo de inovação voltado à cadeia do leite. Representa um ambiente de colaboração contínua, que conecta empresas, universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento com um objetivo claro: desenvolver soluções para tornar o setor mais produtivo, sustentável e competitivo. 

Embora ainda em construção, o parque já vem colhendo frutos. “Mesmo em fase de planejamento, já atraiu parcerias importantes. No longo prazo, não tenho dúvida de que será um fator decisivo para consolidar Castro, a Capital do Leite, ainda mais na vanguarda da inovação e da tecnologia da pecuária leiteira nacional”, afirma Gustavo. Os investimentos já em andamento incluem novos laboratórios, espaços de formação e o Centro de Excelência do Leite, do Sistema Senar – um projeto de R$ 40 milhões voltado à capacitação técnica e à retenção de talentos no campo. O Parque Tecnológico insere o Agroleite em um novo patamar: o de incubadora permanente de soluções para o futuro da pecuária leiteira brasileira.


Legado e emoção: os próximos 25 anos do Agroleite 

Em 2025, o Agroleite celebra suas bodas de prata. São 25 anos de história, evolução e impacto na cadeia do leite. Mas, para Gustavo, esse marco é ponto de partida: “O que me motiva a estar à frente desse projeto é saber que meus filhos terão oportunidades aqui na região”. É nesse gesto – de olhar o parque como espaço para as próximas gerações – que se revela o verdadeiro sentido do evento. 

O Agroleite movimenta a economia. Move também outras forças: o pertencimento, o orgulho, a continuidade. Assume o papel de balizador da atividade leiteira nacional, oferecendo ao produtor uma espécie de termômetro. “É aqui que ele entende se está no caminho certo, se precisa ajustar a rota. É aqui que ele se conecta com o que há de melhor na cadeia produtiva do leite”, ressalta Gustavo. 

É também um evento que carrega memórias. O desafio de suceder Leila Gomes, gestora histórica do Agroleite, ainda emociona Gustavo. “Assumir essa função foi uma grande responsabilidade. A Leila deixou um legado de excelência e credibilidade. Eu só entreguei um evento com qualidade porque caminhei sobre essa base sólida que ela construiu”, reconhece. 

O tempo que passa imprime marcas – na estrutura física do parque, nas histórias dos expositores, no brilho dos animais em pista. Mas é no modo como o Agroleite continua tocando vidas que reside sua grandeza. Trata-se de um evento que não se repete, porque se reinventa com quem o faz; e com quem acredita que o leite é um elo profundo entre território, cultura e futuro.  


“ASSUMIR ESSA FUNÇÃO FOI UMA GRANDE RESPONSABILIDADE. A LEILA DEIXOU UM LEGADO DE EXCELÊNCIA E CREDIBILIDADE. EU SÓ ENTREGUEI UM EVENTO COM QUALIDADE PORQUE CAMINHEI SOBRE ESSA BASE SÓLIDA QUE ELA CONSTRUIU”

Com 25 anos de história, o Agroleite consolida seu papel como espaço estratégico da pecuária leiteira brasileira. É onde os negócios são fechados, o conhecimento é compartilhado e o futuro do setor é construído em conjunto


Em memória: Leila Dione Marques Gomes 

A história do Agroleite jamais será contada sem reverência ao nome de Leila Dione Marques Gomes. Jornalista, gerente da Cooperativa Castrolanda e uma das mentes idealizadoras da feira, Leila foi uma profissional comprometida com o agronegócio; foi a força motriz, a liderança sensível e determinada que ajudou a transformar um sonho coletivo em realidade concreta. 

Leila faleceu em janeiro de 2024, aos 46 anos, após um ano e meio de luta contra o câncer. A despedida comoveu toda a comunidade do leite pelo vazio que deixou e pela grandeza de sua passagem. Leila foi homenageada em vida com o prêmio Personalidade do Marketing 2023 pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil – Seção Paraná (ADVB-PR), em reconhecimento à sua competência, visão e impacto. 

Seu legado permanece visível em cada detalhe do Agroleite – da organização impecável à credibilidade conquistada ao longo das 23 edições sob sua condução. 

Leila foi uma inspiração e sua história seguirá presente nas trilhas do parque, nos encontros da feira e na memória de todos aqueles que reconhecem, no agronegócio, um lugar de construção coletiva.



 


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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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