Ancorada em governança sólida, inovação e laços de pertencimento, conheça a história da Castrolanda
Ancorada em governança sólida, inovação e laços de pertencimento, a Castrolanda cultiva o futuro com base na confiança entre pessoas, gerações e territórios
O atual presidente da Castrolanda carrega em sua trajetória pessoal a própria origem da cooperativa. Filho de cooperados e nascido sob o espírito cooperativista que moldou a Castrolanda, Willem Bouwman representa um ciclo que se renova com raízes profundas. Em 2020, assumiu a presidência depois de anos de envolvimento direto com a vida da cooperativa – atuando tanto como produtor quanto como membro ativo dos conselhos.
Ao suceder Frans Borg, que esteve à frente da instituição por 24 anos consecutivos, Willem recebeu a responsabilidade de dar continuidade a um legado de excelência e de conduzir a Castrolanda em um dos períodos mais desafiadores e transformadores do agronegócio brasileiro. “Frans foi meu professor. Um exemplo de serenidade, sabedoria e zelo com a instituição. Espero levar adiante essa referência com o mesmo senso de dever e abertura para o novo”, afirma Willem.
Respeitado entre os pares, engajado nos bastidores e com perfil conciliador, Willem simboliza o equilíbrio entre experiência, tradição e renovação. A Castrolanda confia na liderança que conhece a casa por dentro e que carrega, no sobrenome e na prática, os valores de seus fundadores.
Além de ser uma função estratégica, a presidência da Castrolanda é uma missão que se cumpre em conjunto. Willem exerce esse papel por meio de um diálogo permanente com os conselhos, os técnicos e, sobretudo, com as famílias que formam o tecido vivo da cooperativa.
Fundação e identidade: a história que molda o presente
A Castrolanda nasceu do encontro entre a necessidade e a coragem. Em 1951, um grupo de imigrantes holandeses atravessou o Atlântico rumo ao Brasil, fugindo das dificuldades do pós-guerra e movido pela esperança de reconstruir a vida em terras férteis. Esses imigrantes chegaram à região dos Campos Gerais do Paraná trazendo o conhecimento técnico, a convicção profundamente enraizada de que o trabalho coletivo transforma realidades e muita fé.

Willem Bouwman assumiu a presidência da Castrolanda em 2024 com o compromisso de fortalecer os valores fundadores e preparar a cooperativa para o futuro
Foi com esse espírito que fundaram a cooperativa agrícola, baseada na ajuda mútua, no planejamento rigoroso e na partilha de resultados. A nova comunidade recebeu o nome de Castrolanda: uma homenagem à cidade de Castro, onde se estabeleceram, e um símbolo de ligação com a Holanda. Era o nascimento de um projeto econômico e humano que atravessaria gerações.
Desde o início, a Castrolanda foi pensada como um organismo vivo, capaz de crescer sem romper com seus princípios fundadores. E assim foi. A cooperativa evoluiu, diversificou atividades, incorporou tecnologias, profissionalizou sua gestão e ampliou sua atuação industrial. Mas jamais abriu mão de seu alicerce: a cooperação como prática e valor.
A Castrolanda construiu uma identidade, uma maneira própria de fazer agro – fundamentada na confiança entre os cooperados, na disciplina institucional e no compromisso com o bem comum. O que começou com a pecuária leiteira expandiu para outras atividades econômicas na década de 1970 e se transformou em um ecossistema que movimenta economias regionais, gera empregos, educa sucessores e inspira modelos em todo o Brasil.
Essa história, viva e atuante, continua moldando as decisões do presente da Castrolanda e projetando o seu futuro.

A CASTROLANDA CONSTRUIU UMA IDENTIDADE, UMA MANEIRA PRÓPRIA DE FAZER AGRO – FUNDAMENTADA NA CONFIANÇA ENTRE OS COOPERADOS, NA DISCIPLINA INSTITUCIONAL E NO COMPROMISSO COM O BEM COMUM
Missão, valores e cultura cooperativista
A Castrolanda é guiada por metas econômicas e opera com base em um conjunto sólido de valores que atravessa sua história desde a fundação. Ao longo de mais de sete décadas, a cooperativa manteve viva uma cultura organizacional que valoriza a confiança, o pertencimento, a transparência e o compromisso com o coletivo. Esses princípios orientam a tomada de decisão, estruturam as relações internas e sustentam a reputação da marca.
A missão institucional da Castrolanda é clara: gerar valor para os cooperados, proporcionando segurança e conveniência no agronegócio e visando ao crescimento sustentável. Isso significa, na prática, cultivar um ambiente em que resultados e pessoas caminham juntos; em que eficiência e solidariedade não se excluem, mas se fortalecem mutuamente.
Os valores da cooperativa se expressam em atitudes cotidianas: no rigor técnico com que se conduzem os processos; na escuta ativa entre conselhos, diretores e cooperados; na construção de consensos; e no zelo com a formação das futuras gerações. É essa cultura que permite à Castrolanda atravessar ciclos econômicos, incorporar tecnologias e ampliar seu alcance sem perder a coerência institucional.
Na Castrolanda, cooperar é prática diária. É o que sustenta a confiança entre mais de mil famílias associadas. É o que move equipes técnicas e garante que cada avanço seja compartilhado. E talvez seja por isso que a Castrolanda tenha se tornado, ao mesmo tempo, potência produtiva e comunidade, com raízes profundas e visão coletiva.
A Castrolanda de hoje: estrutura, setores e impacto
A Castrolanda é, hoje, uma das mais robustas cooperativas agroindustriais do Brasil, com uma atuação que abrange produção, industrialização, inovação tecnológica e desenvolvimento comunitário. Reunindo 1.275 cooperados, a instituição opera em quatro cadeias principais: leite, carnes (suínos e ovinos), agrícola e batata. A força dessa estrutura está ancorada em 26 unidades de recebimento e operação, incluindo fábricas, entrepostos, unidades técnicas e centros de apoio em diversos municípios do Paraná e de São Paulo. Entre os principais marcos da atuação recente, destacam-se:
• Agroindústria de laticínios - A Castrolanda opera indústrias próprias desde 2008. Por meio da marca Unium – resultado da intercooperação com Capal e Frísia –, as cooperativas processam mais de 1,7 bilhão de litros de leite por ano, produzindo derivados de alto valor agregado.
• Intercooperação industrial - Além da Unium, a Castrolanda é cofundadora da Maltaria Campos Gerais, projeto integrado com outras cinco cooperativas para a produção de malte nacional, reduzindo a dependência da importação. A Castrolanda é também acionista da Aurora Coop, fortalecendo sua presença no setor de carnes.
• Fundação ABC - A fundação atua com foco em desenvolvimento técnico, inovação e sustentabilidade, apoiando os membros das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal com dados, ensaios de campo e recomendações de manejo.
• Educação e formação de sucessores - A cooperativa mantém parceria com instituições de ensino técnico e superior. E também com programas estruturados como a Comissão de Jovem Cooperativista, que prepara as novas gerações para assumir o protagonismo na governança.
• Responsabilidade social e ambiental - A Castrolanda tem um plano de sustentabilidade com metas claras de redução de emissões, uso eficiente de recursos naturais e desenvolvimento regional. Em 2024, mais de 23% dos investimentos foram direcionados à área socioambiental.
Willem resume esse conjunto de ações com clareza: “Temos um sistema que é eficiente e humano. Os números são importantes, mas o que nos move é o impacto que geramos na vida das pessoas. A cooperativa existe para apoiar, fortalecer e criar condições para que os produtores prosperem”.
Com governança madura e projetos arrojados, a Castrolanda segue ampliando sua presença, agregando valor ao agro brasileiro e fortalecendo a cultura cooperativista.

Governança participativa e força do coletivo
A cooperativa opera com um modelo de governança maduro e participativo, apoiado em conselhos representativos, estrutura colegiada e ampla escuta dos cooperados. Para Willem, essa é a verdadeira força da organização: “Na Castrolanda, ninguém governa sozinho. A gestão é exercida com o grupo e para o grupo”.
A cooperativa tem uma estrutura formal de governança composta por:
• Conselho de Administração - Responsável por orientar estrategicamente a cooperativa. Formado por cooperados eleitos com mandato definido.
• Conselho Fiscal - Encarregado de garantir a conformidade e a transparência dos atos administrativos.
• Diretoria Executiva - Composta por profissionais contratados, com foco em execução técnica, cumprimento de metas e resultados operacionais.
Esse tripé assegura o equilíbrio entre visão estratégica, controle institucional e eficiência operacional. “É a pluralidade dos conselhos que dá legitimidade às decisões. O presidente é só uma das vozes. O cooperativismo exige presença, escuta e humildade para construir em conjunto”, destaca Willem.
Além da estrutura formal, a Castrolanda incentiva ativamente a participação dos cooperados por meio de:
• Assembleias gerais regulares, com alto índice de comparecimento.
• Programas de formação e capacitação, como a Comissão de Jovem Cooperativista, a Comissão da Mulher Cooperativista e os comitês setoriais por atividade – leite, agrícola, carnes (suínos e ovinos), batata.
• Plataformas digitais de acompanhamento de desempenho, que garantem acesso transparente às informações da cooperativa. Essa cultura institucional de corresponsabilidade resulta em um ambiente de confiança, em que as decisões são sustentadas pela escuta ativa e pelo alinhamento de propósitos. Segundo Willem, “a Castrolanda tem uma base sólida porque acredita nas pessoas. Aqui, ninguém é invisível. Cada cooperado sabe que sua voz constrói o todo”.
Futuro construído em cooperação
A força da Castrolanda está no passado, mas a direção está no futuro. E esse futuro, como reforça Willem, só fará sentido se continuar sendo coletivo, sustentável e inclusivo. “O que nos trouxe até aqui foram pessoas que cooperaram, confiaram e construíram juntas. E é com essa mesma base que queremos avançar”, afirma.
A agenda da Castrolanda para os próximos anos está alicerçada em quatro pilares estratégicos:
1. Relacionamento com cooperados - Impulsionar o desenvolvimento dos cooperados, aumentar o nível de engajamento com a cooperativa e tornar a comunicação mais clara e eficaz.
2. Excelência operacional - Ter preços competitivos e reduzir custos e despesas por meio da otimização do portfólio de produtos e maior eficiência das operações.
3. Crescimento sustentável - Ganhar escala a partir da prospecção ativa de novos cooperados, da entrada em negócios rentáveis e da atuação em novas regiões.
4. Valorização das pessoas - Formar talentos internos para sucessão e garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável.
A Castrolanda avança com planejamento e com escuta. Cresce com inovação, sem renunciar ao vínculo entre as pessoas. O futuro será mais tecnológico, mais rentável, mais colaborativo e mais enraizado nos valores que a fundaram.
Ao olhar para os próximos 70 anos, a cooperativa reafirma que a força da terra vem da confiança entre os que nela trabalham. E que o verdadeiro protagonismo nasce onde ninguém caminha sozinho.


Autor
Adriana Vieira Ferreira
EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural
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