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Manejo

Agrupamento nutricional de vacas leiteiras

Agrupamento nutricional de vacas leiteiras

Texto: Marcos N. Pereira

Em situações de baixo preço de leite e alta dispersão na produção por animal dentro do rebanho, típicas do Brasil, agrupamentos bem feitos podem ser uma maneira efetiva de reduzir o custo de alimentos concentrados por litro de leite produzido. Agrupar bem não é uma opção tecnológica para ser enfatizada apenas em rebanhos de alta genética e onde se visa alta produção por vaca, muito pelo contrário, esta prática tende a ser financeiramente mais eficaz em rebanhos menos produtivos.

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Um complicante da alimentação de rebanhos leiteiros é a inconstância da exigência nutricional entre animais e entre períodos da lactação no mesmo animal. Este fato é conseqüência da forma da curva de lactação e sua variabilidade entre vacas. Os animais podem variar quanto à taxa de aumento na produção de leite do parto ao pico de produção, quanto ao valor da produção máxima, quanto ao intervalo em dias do parto ao alcance da produção máxima e quanto à taxa de manutenção da produção ao longo da lactação (a persistência). A produção de leite é o maior determinante da exigência nutricional, já que é proporcionalmente maior que a demanda para mantença, ganho de peso e gestação. Vacas leiteiras chegam a secretar 3 a 4 vezes mais energia no leite do que a energia necessária para a mantença.

Logo, animais de alta produção leiteira e em fases da lactação, nas quais a excreção mamária de nutrientes é alta, requerem alto consumo de alimentos. Como o consumo de matéria seca é baixo após o parto (Figura 1), nesta fase de alta demanda nutricional são exigidas dietas com alta densidade de nutrientes por unidade de matéria seca, mas que não induzam distúrbios metabólicos nos animais. Com o avançar da lactação, a densidade da dieta pode ser reduzida, pois além de ocorrer queda na demanda por nutrientes para a lactação, também ocorre aumento na capacidade de consumo de matéria seca pelo animal. Predominantemente, dietas de alta densidade nutricional têm alto teor de concentrados, enquanto dietas de baixa densidade nutricional são formuladas com alto teor de forragens, e são normalmente mais baratas por kg de matéria seca.

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Como a exigência nutricional é uma característica de caráter individual em vacas de leite, do ponto de vista teórico, o ideal seria a formulação de uma dieta para cada vaca do rebanho. Obviamente que isto é impossível na prática. O outro extremo seria a adoção de uma única dieta para todos os animais em lactação. Em rebanhos com alta produção por animal a utilização da dieta única pode ser viável. Nestes rebanhos, tanto vacas em início quanto aquelas em final de lactação são animais com alta exigência nutricional. Este fato propicia a formulação de uma dieta de alta densidade nutricional para todos os animais, tendo como parâmetro a exigência das vacas de maior produção. A dieta única simplifica tanto as práticas alimentares quanto o trabalho mental de formulação de dietas.

Entretanto, uma única dieta pode levar à superalimentação e ganho excessivo de condição corporal por vacas menos produtivas. Outra conseqüência desta prática é o maior uso de alimentos concentrados por litro de leite produzido, o que aumenta o custo alimentar. Quanto mais grupos forem formados, mais a dieta fica próxima da exigência nutricional de cada animal do rebanho. Em situações de baixo preço de leite e alta dispersão na produção por animal dentro do rebanho, típicas do Brasil, agrupamentos bem feitos podem ser uma maneira efetiva de reduzir o custo de alimentos concentrados por litro de leite produzido. Agrupar bem não é uma opção tecnológica para ser enfatizada apenas em rebanhos de alta genética e onde se visa alta produção por vaca, muito pelo contrário, esta prática tende a ser mais eficaz financeiramente em rebanhos menos produtivos.

O tamanho e o número de grupos nutricionais depende de uma série de fatores. Dentre estes, um aspecto nutricional que pode ser importante é o espaço disponível de cocho, um fator de caráter físico no agrupamento. Este é dependente do comprimento do cocho, do tempo de acesso ao alimento e do sistema alimentar adotado. A utilização da mistura de forragens com concentrados (a Dieta Completa, ou TMR), com amplo tempo de acesso ao alimento, reduz a necessidade de espaço linear de cocho por vaca, por reduzir a competição no momento da alimentação. Em situações de alta competição, muito comum em fazendas utilizando pastagem, nas quais a alimentação concentrada é fornecida no curral de alimentação e com pouco tempo de acesso diário, a necessidade de espaço linear por vaca será maior do que a demanda para alojar animais com livre acesso à TMR.

Outro fator que pode determinar o tamanho dos lotes é a interação entre o manejo alimentar e o manejo da ordenha. Grupos nutricionais podem ser definidos pela capacidade de ordenha por hora. Em fazendas ordenhando duas vezes por dia, se objetiva que as vacas não fiquem mais de quatro horas por dia na rotina de ordenha, sendo esse tempo reduzido para três horas por dia em fazendas que fazem três ordenhas diárias. Uma generalização razoável para que o lote seja ordenhado em 1 hora, em fazendas utilizando salas de ordenha do tipo espinha de peixe ou paralelas, é que o número de animais por grupo de ordenha (que pode ser um grupo nutricional) seja 4,5 vezes o número de locais de ordenha na sala.

A meta do agrupamento de vacas é reduzir a variabilidade na exigência nutricional dos animais dentro do lote e aumentar a variabilidade entre lotes. Os métodos de agrupamento são vários, e o objetivo é formar grupos homogêneos em exigência de concentração (teor) de nutrientes (% da matéria seca, ppm ou Mcal/kg). O método de agrupamento mais utilizado é por produção de leite, apesar desta não ser a única forma para que se obtenham grupos de vacas homogêneos em exigência de teor nutricional. O agrupamento por produção de leite funciona, é de execução simples, mas não é isento de falhas. Este método tende a colocar vacas grandes, com alto consumo e produzindo leite com baixo teor de gordura (energia) no grupo de alta exigência nutricional, enquanto que animais jovens ou aqueles de baixo peso corporal, com baixo consumo e produzindo leite com alto teor de gordura, são freqüentemente colocados nos grupos de baixa exigência.

A utilização da ordem de parto como critério adicional de agrupamento controla parcialmente este tipo de problema e pode ser efetivo. A formação de grupos de animais de primeira lactação e de vacas nas primeiras semanas da lactação é uma prática bastante eficaz. A separação de vacas primíparas de vacas multíparas também é recomendável (Tabela 1). Primíparas normalmente ocupam as posições mais inferiores na ordem de dominância social do rebanho, o que pode resultar em desvantagem competitiva por espaço de cocho e camas com vacas mais velhas. A separação de primíparas de multíparas pode ser adotada desde o período de transição, imediatamente antes do parto.

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