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Genética

Conheça a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil (ACGJB)

Com mais de 85 anos de trajetória, a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil projeta a raça no cenário leiteiro nacional com genética de ponta, programas de certificação e produtos de alto valor para a indústria

Conheça a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil (ACGJB)

Se alguém tivesse um encontro marcado com Ângela de Faria Maraschin, presidente da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil (ACGJB), durante o Agroleite, teria que procurá-la na pista de apresentação dos animais. Acampada, estava sempre atenta, cuidando com zelo de cada detalhe. Essa cena traduz sua entrega à atividade leiteira, ao mesmo tempo que representa uma amostra do que ela faz no dia a dia. A mesma energia que dedica às vacas se revela na presidência da associação, onde se desdobra para conduzir a raça Jersey ao patamar de reconhecimento que merece. 

A paixão pela raça Jersey 

O sotaque característico e a cuia de chimarrão anunciam as origens gaúchas já nos primeiros minutos de conversa. E a história de Ângela não pode ser contada sem mencionar a trajetória da família de seu pai, Gerzy Ernesto Maraschin, na pecuária leiteira. Ainda estudante de Agronomia, ele se uniu aos irmãos para começar a produzir leite na década de 1960. Optaram pela raça Jersey, adequando-se ao clima quente da região e à vocação para sistemas de pastagem. 

Quando se formou em Medicina Veterinária, Ângela e o marido, Marcos Freitas, decidiram retomar a atividade da família. Em 2004, resgataram o que havia restado do plantel com a dissolução da sociedade familiar. Com apenas 21 vacas, muitas delas já adultas, começaram uma nova etapa. Passaram por propriedades arrendadas, até que, em 2016, compraram a área atual – a Cabanha Gema, no município de Santa Rosa/RS –, e optaram pelo confinamento das vacas no sistema de Compost Barn como estratégia para viabilizar a produção. 

Para Ângela, a raça reúne virtudes produtivas e encantos afetivos. Como médica-veterinária, Ângela valoriza a eficiência alimentar, a rusticidade e a qualidade do leite, rico em sólidos e altamente valorizado pela indústria. Mas há também o lado afetivo: o porte menor, a docilidade e o olhar expressivo das vacas – tudo isso a conquistou ainda na infância. “É essa combinação de capacidade produtiva e mansidão que explica por que a Jersey não é só uma opção técnica, mas uma paixão que guia minha trajetória pessoal e profissional”, explica Ângela.

De onde vem a paixão: Ângela com o marido, Marcos Freitas, e com o pai, Gerzy Ernesto Maraschin, na Cabanha Gema, em Santa Rosa/RS 


Compromisso com a raça Jersey 

A partir dessa vivência como produtora, Ângela começou sua trajetória institucional. Primeiro, atuou no conselho técnico da Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul (ACGJRS), depois na diretoria, até chegar à presidência da entidade estadual. Em 2025, assumiu a presidência da ACGJB, cargo que ocupará até 2027. “É um trabalho voluntário, mas que exige dedicação total. Nosso desafio é organizar, fazer a raça crescer e mostrar todas as vantagens que ela tem, para que seja mais conhecida e valorizada”, afirma. 

Ângela defende uma visão integrada da cadeia do leite: “O setor leiteiro é muito maior do que uma raça só. Temos que trabalhar juntos, com todas as raças. Em muitas propriedades, há Jersey e Holandês, como no Sul; ou Gir e Girolando em outras regiões. É assim que a cadeia se fortalece”.

Durante sua gestão, Ângela tem se empenhado em dar continuidade a projetos estratégicos que saíram do papel nos últimos anos, como as certificações e o programa de melhoramento genético em parceria com a Embrapa, que permitirá a geração de índices próprios para a raça no Brasil. “É fundamental termos um programa sólido de melhoramento genético, aliado ao controle leiteiro oficial, para que possamos evoluir com base em dados confiáveis e comparáveis”, declara Ângela 


Se liga!  O início da história da raça Jersey no Brasil remonta a 1895, quando um lote de vacas chegou ao país. Esses animais traziam uma origem nobre: foram adquiridos diretamente do rebanho da rainha Vitória, da Inglaterra, e deram início à presença da Jersey em solo brasileiro.


Um legado de mais de 85 anos 

Fundada em 16 de agosto de 1938, no Rio de Janeiro, a ACGJB é a entidade que carrega a responsabilidade de preservar, organizar e impulsionar o melhoramento genético da raça Jersey em território nacional. São mais de oito décadas de atuação ininterrupta, consolidando-se como referência técnica e institucional no cenário leiteiro brasileiro.

Desde 1954, a ACGJB detém a exclusividade do Serviço de Registro Genealógico (SRG) da raça no país, assegurando a autenticidade dos dados e acompanhando a evolução dos rebanhos. Essa base, alimentada ao longo de gerações, sustenta programas estratégicos como o controle leiteiro oficial, a classificação morfológica e, mais recentemente, os avanços na avaliação genômica, em parceria com a Embrapa Gado de Leite. 

A longevidade da ACGJB traduz a capacidade de adaptação e inovação. É fruto da confiança dos criadores, que souberam, sem abrir mão da tradição, abrir espaço para a modernidade e projetar a raça Jersey como protagonista de uma pecuária leiteira mais eficiente, sustentável e competitiva. 


Rebanho Jersey em sistema de confinamento: animais produtivos, reconhecidos pela eficiência na conversão alimentar e pela qualidade superior do leite 


A força do coletivo 

Para Ângela, o grande desafio da ACGJB não é apenas zelar pelo registro genealógico ou pela certificação de produtos. “A gente tem que fazer a raça aparecer e mostrar todas as vantagens que ela tem. Mas isso só acontece quando trabalhamos juntos, olhando para a cadeia do leite como um todo”, afirma. 

Na sua visão, fortalecer a Jersey exige ir além dos muros da própria associação. É preciso dialogar com as demais raças, com os produtores e com a indústria. “Leite é leite. O que precisamos é fomentar o consumo, ampliar o mercado e, dentro dele, posicionar a Jersey como uma opção estratégica para quem busca eficiência e qualidade”, explica Ângela. “A gente tem que fazer a raça crescer e aparecer, porque esse é o nosso negócio. A Jersey tem um potencial enorme, mas cabe a nós organizar, fortalecer e dar visibilidade. Esse é o papel da associação e o compromisso de cada criador”, conclui.

“LEITE É LEITE. O QUE PRECISAMOS É FOMENTAR O CONSUMO, AMPLIAR O MERCADO E, DENTRO DELE, POSICIONAR A JERSEY COMO UMA OPÇÃO ESTRATÉGICA PARA QUEM BUSCA EFICIÊNCIA E QUALIDADE”  










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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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