Criação à pasto: onde está a raiz do problema?
A maior parte do leite produzido no Brasil ainda vem de sistemas baseados em pastagens. Os dados mostram produtividades médias baixas, mas também indicam que o problema não está no sistema em si, mas na forma como é manejado
A maior parte do leite produzido no Brasil ainda vem de sistemas baseados em pastagens. Os dados mostram produtividades médias baixas, mas também indicam que o problema não está no sistema em si, mas na forma como é manejado
Em 2024, o Brasil produziu 35,7 bilhões de litros de leite, a partir de um rebanho de 15,1 milhões de vacas em lactação (Anuário Leite, 2025, IBGE, 2025), o que resultou em produtividades médias de 2.364 litros por vaca ano e 6,47 litros por vaca dia.
Não há números oficiais atualizados sobre o total de produtores de leite no Brasil. Os últimos dados disponíveis são dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017, quando havia, respectivamente, 1,35 milhão e 1,17 milhão de produtores. Se a taxa de redução observada entre 2006 e 2017 se manteve no período seguinte, estima-se que, em 2024, o país contasse com cerca de 1,08 milhão de produtores de leite. Nesse cenário, a produção média diária por produtor brasileiro foi de 90,5 litros.
Como o Brasil se compara a outros países produtores?
A Tabela 1 reúne indicadores da atividade leiteira no Brasil e em países da América do Norte, União Europeia e Oceania, que operam sob diferentes sistemas de produção - desde o confinamento predominante, como nos Estados Unidos e no Canadá, passando por sistemas semiconfinados em parte da Europa, até sistemas majoritariamente baseados em pastagens, como na Austrália e na Nova Zelândia.
Tabela 1. Indicadores da atividade leiteira no Brasil e em países da América do Norte, União Europeia, Oceania, em 2023

EUA: Estados Unidos da América, UE 27: União Europeia, 27 países; NZ: Nova Zelândia
Fonte: Anuário Embrapa (2025) e fontes digitais visitadas em 10 e 11/12/2025
E quando a comparação é feita com países de realidades mais próximas à brasileira, em termos regionais, climáticos, de solo e econômicos?
Observando os dados da Tabela 2, nota-se que a produtividade anual por vaca em lactação no Brasil é superior apenas à observada na Colômbia e praticamente equivalente à do Peru. Em relação aos demais países sul-americanos, a eficiência produtiva por animal nos rebanhos brasileiros é de 1,99 vez menor, quando comparada à do Paraguai, e chega a ser 3,14 vezes menor em relação à Argentina.
Tabela 2. Indicadores da atividade leiteira na América do Sul em 2023

Fonte: Anuário Embrapa (2025)
Além da menor produtividade individual, é preciso considerar que o volume diário de leite produzido por fazenda no Brasil também é substancialmente inferior ao da maioria dos países incluídos nessa comparação. Na América Latina, com exceção da Colômbia e do Peru, a produção diária por fazenda é superior à da fazenda média brasileira, variando de 1,23 vezes, nos casos do Equador e da Bolívia, até 37,1 vezes, no caso da Argentina.
Essas diferenças posicionam a produção de leite no Brasil como menos competitiva em relação aos recursos imobilizados, especialmente terra e rebanho.
Mas deve-se aceitar essa condição como natural, atribuída a fatores limitantes como clima, solos, cultura e infraestrutura? Não. E por quê? Porque os potenciais são muito maiores.

A maior parte do leite produzido no Brasil ainda tem origem em sistemas baseados em pastagens. Quando bem manejado, o pasto não limita a produtividade, amplia a competitividade
O real papel dos sistemas confinados
Tomemos como referência o levantamento Top 100 2025 (MilkPoint, 2025), relativo a 2024. A produção média diária dos cem maiores produtores de leite participantes foi de 32.555 litros, com produtividade média de 34,8 litros por vaca por dia. Em quais sistemas de produção esses índices foram alcançados?
Das 100 fazendas participantes, 86 produziram leite em sistema confinado (Free Stall, Compost Barn), totalizando, no ano, 1,18 bilhão de litros. A cada edição, observa-se o aumento da participação dos sistemas confinados no Top 100, com destaque para o Compost Barn, que completará apenas 14 anos em fevereiro de 2026 desde a instalação do primeiro projeto no país.
Nos últimos dez anos (Top 100 2015 e 2025), a participação dos sistemas confinados cresceu de 61% para 86%, enquanto os sistemas em pasto, aqueles em que os animais pastejam pelo menos seis meses do ano, recuaram de 39% para 14%.
A partir desses dados, pode-se ter a percepção de que os sistemas confi nados já representariam a maior parte do volume de leite produzido anualmente no Brasil. Será?
Considerando uma produção nacional de 35,7 bilhões de litros em 2024 (Anuário Leite, 2025), a produção dos cem maiores produtores representou apenas 3,3% do total do país. Como já mencionado, 86% das fazendas do Top 100 operam em confi namento total. Isso signifi ca que, em termos relativos, esses sistemas responderam por cerca de 2,86% do leite produzido no Brasil. Mesmo supondo que a produtividade média desses produtores fosse o dobro da média dos participantes do Top 100, esse volume chegaria a 5,72%. Forçando ainda mais o cenário, se apenas metade dos produtores que operam em confi namento total tivesse participado do levantamento, a produção dos sistemas confi nados alcançaria aproximadamente 11,44% do volume nacional.
Ou seja, é possível admitir que algo próximo de 90% do leite produzido no Brasil ainda tenha origem em sistemas baseados em pastagens. Nesses sistemas, ao menos em parte do ano, especialmente no período chuvoso, as vacas em lactação são alimentadas em pasto, enquanto as demais categorias animais, como vacas secas, bezerras após a desmama e novilhas, permanecem praticamente o ano todo em pastagens. Diante disso, alguém poderia concluir: “então as baixas produtividades por vaca ao ano e os reduzidos volumes diários produzidos por fazenda no Brasil podem ser explicados, em grande medida, pelo predomínio dos sistemas em pasto”. Será?
Produtividade em pasto: limites atuais e potencial
Mas qual é a produtividade média de leite em sistemas de produção baseados em pastagens no Brasil? A Tabela 3 apresenta alguns indicadores, comparados aos de um país referência em produção de leite em pasto, a Nova Zelândia.
Tabela 3. Taxa de lotação, produtividade por animal e produtividade da terra em diferentes níveis da exploração da pastagem em sistemas de produção de leite bovino

Fontes: Diagnósticos das cadeias do leite 1 SEBRAE – MG: 1.000 fazendas; 24% de vacas em lactação e 33% das UA (GOMES, 2006); 2 GETEC/FAEG, GO, 500 fazendas; 27,9% de vacas em lactação e 44% das UA (GOMES, 2009); 3 Ceará, 4.000 fazendas; 22,3% de vacas em lactação e 32,8% das UA (YAMAGUSHI et al., 2008); 4 6F (2008) Diagnóstico realizado em seis propriedades fornecedoras de leite para uma indústria de laticínios, nos Estados do RS, SP, MG, GO e BA; 5 Nova Zelândia (Dairy Statistics, LIC, 2023)
É POSSÍVEL ADMITIR QUE ALGO PRÓXIMO DE 90% DO LEITE PRODUZIDO NO BRASIL AINDA TENHA ORIGEM EM SISTEMAS BASEADOS EM PASTAGENS
Diante desses dados, alguém pode questionar: esses indicadores certamente estão ultrapassados, uma vez que se referem a diagnósticos realizados entre 17 anos atrás (2008, cadeia do leite no Ceará) e 20 anos atrás (2005, cadeia do leite em Minas Gerais). Será? Para responder a essa pergunta, vale observar dados mais recentes de indicadores de produtividade de fazendas no Estado de Minas Gerais, maior produtor nacional de leite.
A Tabela 4 apresenta indicadores mais atuais de taxa de lotação, produtividade por animal e produtividade da terra em sistemas de produção de leite em pasto no estado.
Tabela 4. Taxa de lotação, produtividade por animal e produtividade da terra em diferentes níveis da exploração da pastagem em sistemas de produção de leite bovino
Fontes: 1 CPDEducampo SEBRAE – MG: 426 fazendas (NASCIF, 2017); 2 Labor Rural: 25% superiores (NASCIF, 2022); 3 Labor Rural: 25% inferiores (NASCIF, 2022); Nova Zelândia (Dairy Statistics, LIC, 2023).
Mesmo com maior produtividade de leite por vaca (litros/vaca/dia), a produtividade da terra (litros/ha/ano) ainda é relativamente baixa, em função de baixas taxas de lotação, dos reduzidos percentuais de vacas no rebanho (33 a 44% das UA) e da baixa proporção de vacas em lactação (22 a 28%).
É importante destacar que os indicadores apresentados nas tabelas acima, tanto os provenientes do Diagnóstico da Cadeia do Leite de Minas Gerais, com 1.000 fazendas avaliadas (SEBRAE–MG, GOMES, 2006), quanto os de 426 fazendas acompanhadas pelo CPD Educampo–SEBRAE (NASCIF, 2017), não refletem a realidade média das centenas de milhares de produtores de leite do Estado de Minas Gerais, tampouco a do Brasil como um todo, cuja escala produtiva é, em geral, significativamente menor.
Entre o que se sabe e o que se faz nas pastagens
Se os sistemas de produção de leite em pasto constituem a base da produção leiteira no Brasil, conclui-se que ainda há muito a aprender e, sobretudo, muito a aplicar. Informação disponível não é sinônimo de conhecimento incorporado à prática
Como lembra a canção Sol de Primavera, do músico mineiro Beto Guedes, “a lição sabemos de cor, só nos resta aprender”.
Mas qual é o potencial dos sistemas de produção animal em pastagens tropicais? Será que esse potencial já foi alcançado? Não, ainda estamos longe. Ao longo de 34 anos de atuação em consultoria, inclusive em propriedades consideradas referência em produção de leite em pasto, observa-se que as pastagens foram (e continuam sendo) subutilizadas. A Tabela 5 apresenta o exemplo de uma fazenda e as mudanças observadas em indicadores produtivos em apenas dois anos após o início do trabalho de consultoria.
Infraestrutura adequada - água de qualidade, sombreamento e corredores bem dimensionados - é parte indissociável da eficiência produtiva em sistemas de pastagens

Tabela 5. Evolução dos indicadores produtivos de uma fazenda leiteira em sistema de pasto (2023–2025)

Suplementação com silagem realizada de 15/04 a 15/09, por um período de cinco meses. Nos sete meses restantes, o único alimento volumoso consumido foi a forragem colhida pelas vacas durante o pastejo
Os dados apresentados na Tabela 5 permitem identifi car com clareza onde estavam os principais gargalos e quais ajustes foram decisivos para a mudança de desempenho do sistema. Entre as medidas adotadas destacam-se a substituição de bebedouros móveis por fi xos; o manejo do pastoreio com base em alturas-alvo de entrada e saída; a medição da disponibilidade de forragem por técnicas diretas (corte e pesagem da massa de forragem) e indiretas (medidas de altura com prato medidor e trena); a implantação de programas de manejo e controle de plantas daninhas e insetos-praga; a correção e adubação dos solos com base em metas de produtividade, especialmente taxa de lotação e produção de leite; e o planejamento alimentar fundamentado no equilíbrio entre taxa de lotação e capacidade de suporte da pastagem ao longo dos 12 meses do ano.
Para sustentar essas mudanças, passaram a ser realizados, quatro vezes ao ano, treinamentos práticos e teóricos com o gerente de produção do sistema e a equipe de apoio.
Os resultados observados na Tabela 5 reforçam que ganhos expressivos de produtividade em sistemas de pastagens estão associados a um conjunto de fundamentos já bem conhecidos. Um sistema eficiente de produção de leite em pasto é aquele que explora forrageiras adaptadas às condições de clima e solo da região; que conta com pastagens bem estabelecidas, com estande uniforme, denso e preservado; e que dispõe de infraestrutura adequada tanto para o manejo do pastoreio (módulos e piquetes) quanto para o conforto dos animais, incluindo sombreamento para conforto térmico, corredores de acesso, água em quantidade e qualidade, além da prevenção do acúmulo de lama e da presença de tocos, cascalho e pedras nas áreas de circulação e descanso.
Esse sistema pressupõe ainda pastagens livres de plantas daninhas, insetos-praga e doenças; solos corrigidos e adubados para produzir forragem dentro das metas estabelecidas; animais eficientes na conversão da forragem consumida em leite e, principalmente, em sólidos (gordura e proteína); lotes homogêneos, bem apartados por categoria; e suplementação utilizada de forma complementar, apenas para suprir as deficiências nutricionais deixadas pela forragem.
Onde os erros custam produtividade
Todas essas áreas de um sistema de produção de leite em pasto são importantes, pois constituem suas bases. A experiência prática, no entanto, mostra que alguns pontos concentram os erros mais frequentes cometidos por produtores e técnicos e, em grande medida, limitam o alcance dos potenciais produtivos dos sistemas de pastejo.
O animal: o produtor precisa compreender que o desempenho do animal - e aquilo que ele produz, como leite e bezerras - depende basicamente de três fatores: o genótipo (herança genética), o meio - depende basicamente de três fatores: o genótipo (herança genética), o meio ambiente (onde o animal foi criado e onde está sendo explorado) e a interação entre genótipo e ambiente.
No melhoramento genético, utiliza-se um parâmetro denominado herdabilidade, que mede quanto das diferenças observadas entre os animais é atribuída ao genótipo. A herdabilidade é classificada como baixa quando inferior a 25%, média quando entre 25% e 50% e alta quando superior a 50%; o restante da variação é explicado pelo ambiente. Vale ressaltar que a maioria das características produtivas em rebanhos leiteiros apresenta herdabilidade baixa a média. Entre as características produtivas, a produção de leite por vaca é a mais valorizada pelos produtores brasileiros.
No entanto, a expressão dessa característica no rebanho depende mais do ambiente (60 a 80%) do que do mérito genético (20 a 40%). Nos sistemas de produção de leite baseados em pastagens, estas constituem o principal componente do ambiente e, quando mal manejadas, limitam a manifestação do mérito genético do rebanho. Com manejo adequado da pastagem, é possível explorar produtividades médias de 10 a 12 litros por vaca por dia ao longo da lactação apenas com suplementação mineral. Quando a suplementação com concentrados é utilizada de forma otimizada, esse potencial pode ser elevado para níveis entre 20 e 25 litros por vaca por dia, na média da lactação. Por outro lado, animais de alto mérito genético para produção de leite podem não expressar esse potencial em sistemas de pastagens quando eles, seus antecessores e contemporâneos foram selecionados em sistemas de confinamento, e o inverso também é verdadeiro. Nessas situações, é comum que a produção de leite se sustente às custas do desempenho reprodutivo, da saúde e da longevidade do animal, o que reflete uma inadequada interação genótipo-ambiente. Em termos econômicos, é sempre mais racional adequar o animal ao sistema do que adaptar o sistema ao animal.
A localização da sala de ordenha interfere diretamente no tempo disponível para pastejo, ruminação e descanso, especialmente para vacas em lactação
A sala de ordenha: nos sistemas de produção de leite em pasto, a localização e o projeto da sala de ordenha assumem papel fundamental, especialmente em relação à distância até os piquetes, à declividade do terreno, à posição em relação ao sol e à incidência de ventos. O pastejo é uma atividade dependente do tempo disponível, uma vez que, ao longo das 24 horas do dia, a vaca precisa pastejar, ruminar, descansar e realizar interações sociais.
No caso de vacas em lactação, a ordenha concorre diretamente com o tempo de pastejo. Quanto maior a distância entre a sala de ordenha e os piquetes, maior o percurso diário percorrido - pelo menos quatro vezes ao dia -, reduzindo o tempo disponível para as demais atividades e aumentando o gasto energético com deslocamento. Por essa razão, os piquetes mais próximos devem ser destinados, preferencialmente, às vacas em lactação, sobretudo aquelas até 100 dias de lactação (ainda em crescimento), de primeira e segunda lactações e de maior produção.
A suplementação: independentemente do sistema de produção, os custos com alimentação (alimentos volumosos e concentrados) representam cerca de 50% do custo operacional da atividade. Alimentos volumosos suplementares, como cana, capineiras, silagens, pré-secados e fenos, custam de 1,23 a 5,4 vezes mais do que a forragem produzida em pastagens intensivas, enquanto os alimentos concentrados (grãos) custam de cinco a dez vezes mais. Assim, quanto maior a proporção de forragem colhida diretamente pelos animais sob pastejo na dieta total, menor tende a ser o custo de produção do leite e de animais de reposição. O que se observa com frequência nas fazendas é o uso excessivo de suplementação para compensar falhas no manejo do pastoreio, como desajustes nas alturas-alvo de entrada e saída e na taxa de lotação em relação à capacidade de suporte da pastagem, o que eleva desnecessariamente os custos de produção.
O planejamento alimentar: na base de todo o conhecimento aplicado a sistemas de produção de leite em pasto deve estar o planejamento alimentar. O planejamento de qualquer empresa, urbana ou rural, ocorre em três níveis: estratégico (longo prazo), tático (médio prazo) e operacional (curto prazo). Em sistemas em pasto, o planejamento estratégico se dá no horizonte de um ano; o tático, nos períodos de chuva e seca, no Brasil tropical, ou nas estações do ano, no Brasil subtropical; e o operacional, nas decisões semanais e diárias. O que se observa com frequência nas propriedades é a ausência de planejamento ou a adoção de planejamentos com falhas significativas.
A gestão: o produtor, sua equipe e o técnico responsável devem adotar um programa de gestão com foco no lucro. Esse programa envolve o inventário de recursos, o diagnóstico da situação atual e do potencial do sistema, o estabelecimento de metas de curto, médio e longo prazo, a elaboração de planos de ação, o treinamento da equipe para execução, a coleta sistemática de dados, o acompanhamento orçamentário e a avaliação dos resultados técnicos e econômicos para embasar a tomada de decisões. O que ainda é comum encontrar nas fazendas é a inexistência de gestão ou a presença de sistemas de gestão com muitas falhas, com foco excessivo no animal e nos indicadores técnicos, mas pouca atenção ao resultado econômico.
O uso de silagem em sistemas a pasto deve complementar, e não substituir, a forragem colhida diretamente pelos animais, reduzindo custos e melhorando a eficiência alimentar
Antes de mudar o sistema, compreenda o potencial do pasto
A Tabela 6 apresenta indicadores de produtividade de sistemas de produção de leite em pasto provenientes de diagnósticos das cadeias do leite de Minas Gerais, Goiás e Ceará, de diagnósticos realizados em seis fazendas fornecedoras de uma indústria nos estados do RS, SP, MG, GO e BA, de dados da Nova Zelândia, de projetos acompanhados desde 1993 e do potencial indicado pela pesquisa.
A análise dos dados indica a existência de uma ampla distância entre os indicadores médios observados nas fazendas e os níveis de desempenho já alcançados em propriedades comerciais bem conduzidas, tanto em condições de sequeiro quanto irrigadas, bem como em relação ao potencial indicado pela pesquisa. Essa diferença não decorre de limitações inerentes aos sistemas baseados em pastagens, mas, sobretudo, da forma como seus fundamentos técnicos e gerenciais são aplicados no cotidiano das propriedades.
Tabela 6. Taxa de lotação, produtividade por animal e produtividade da terra em diferentes níveis de exploração da pastagem em sistemas de produção de leite bovino
Fontes: Diagnósticos das cadeias do leite: ¹ SEBRAE–MG: 1.000 fazendas; 24% de vacas em lactação e 33% das UA (Gomes, 2006) ² GETEC/FAEG–GO: 500 fazendas; 27,9% de vacas em lactação e 44% das UA (Gomes, 2009) ³ Ceará: 4.000 fazendas; 22,3% de vacas em lactação e 32,8% das UA (Yamagushi et al., 2008) 4 Diagnóstico realizado em seis propriedades fornecedoras de leite para uma indústria de laticínios nos estados do RS, SP, MG, GO e BA (2008) 5 Nova Zelândia: Dairy Statistics, LIC (2023) 6 Propriedades comerciais acompanhadas desde 1993 nos estados de MG, SP, GO, BA e MS; sequeiro refere-se a pastagens não irrigadas 7 Potencial: estimativa do desempenho possível com a adoção do conhecimento científico disponível na atualidade
Assim, produtor, você que produz leite em pasto e considera migrar para um sistema confinado ao comparar os indicadores da sua fazenda com aqueles observados em sistemas de confinamento, atenção: antes de qualquer mudança, é fundamental conhecer os elevados potenciais de produtividade do leite em sistemas de pastagens e a competitividade que esse modelo pode alcançar quando bem conduzido.
Por fim, cabe a pergunta: o tamanho da propriedade interfere de forma significativa nesse contexto? A resposta é não. Os erros observados são, em essência, os mesmos em propriedades grandes, médias ou pequenas. Da mesma forma, os fundamentos necessários para tornar a atividade competitiva permanecem os mesmos, independentemente da escala de produção.
“PRODUTOR, VOCÊ QUE PRODUZ LEITE EM PASTO E CONSIDERA MIGRAR PARA UM SISTEMA CONFINADO AO COMPARAR OS INDICADORES DA SUA FAZENDA COM AQUELES OBSERVADOS EM SISTEMAS DE CONFINAMENTO, ATENÇÃO: ANTES DE QUALQUER MUDANÇA, É FUNDAMENTAL CONHECER OS ELEVADOS POTENCIAIS DE PRODUTIVIDADE DO LEITE EM SISTEMAS DE PASTAGENS E A COMPETITIVIDADE QUE ESSE MODELO PODE ALCANÇAR QUANDO BEM CONDUZIDO”
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Autor
ADILSON DE PAULA ALMEIDA AGUIAR
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