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Custos de produção pressionam margens do produtor de leite no início de 2025

O primeiro bimestre de 2025 tem sido desafiador para os produtores de leite com relação aos custos de produção.

Custos de produção pressionam margens do produtor de leite no início de 2025

O primeiro bimestre de 2025 tem sido desafiador para os produtores de leite com relação aos custos de produção. De acordo com o Índice Scot Consultoria de Custos de Produção da Pecuária Leiteira, os custos subiram 1,9% em janeiro e aceleraram para 2,5% em fevereiro, na comparação mês a mês. 

A alta foi impulsionada principalmente pelo aumento dos gastos com alimentação concentrada, energética e proteica. O preço do milho disparou, refletindo diretamente no custo de outros insumos essenciais para a nutrição dos rebanhos. 

Além disso, a valorização do dólar, que se manteve acima de R$ 5,70 na maior parte do período, pressionou ainda mais os custos de produção. A alta da moeda impactou os preços dos fertilizantes, tanto pelo encarecimento da matéria-prima quanto pelo aumento da demanda internacional. O custo de produção de fertilizantes nitrogenados também subiu, puxando os preços dessa categoria. 


Insumos e logística mais caros 

Nem mesmo o período de maior oferta de pastagens foi sufi ciente para conter os custos com suplementação mineral. A redução na oferta de fosfato bicálcico, um dos principais insumos para a produção de suplementos minerais, elevou os preços desse segmento. 

Além dos insumos, a logística também pesou no orçamento do produtor. A retomada da incidência do ICMS sobre os combustíveis em vários estados, somada ao reajuste do diesel no final de janeiro e ao aumento do frete rodoviário com o avanço da colheita da soja, encareceu ainda mais a atividade leiteira. 

Outro fator de pressão veio da mão de obra. O ajuste do salário mínimo, aplicado já em janeiro, elevou os custos com o quadro de colaboradores, adicionando mais um desafio ao orçamento do setor. 


Margem do produtor em queda 

O Índice Scot Consultoria de Custos de Produção da Pecuária Leiteira subiu 9,4% em janeiro na comparação anual e avançou 12,5% em fevereiro, reforçando o cenário de aumento de custos. 

O Gráfico 1 ilustra a evolução dos custos de produção da pecuária leiteira ao longo dos últimos meses, evidenciando o impacto sobre a atividade. 




Enquanto isso, o preço médio do litro de leite ao produtor, considerando os 18 estados pesquisados, apresentou alta de 1,5% em fevereiro em relação a dezembro. No entanto, os custos subiram 4,4% no mesmo período, resultando em piora da margem do produtor. A diferença entre o preço do leite e o Indicador de Custo de Produção da Scot Consultoria caiu 3,8 pontos percentuais em fevereiro, quando comparada a dezembro, conforme ilustrado no Gráfico 2. 





Expectativas para os próximos meses 

A tendência é de que os custos de produção continuem subindo ao longo de 2025. A valorização do dólar deve pressionar os preços dos principais insumos, tornando a atividade leiteira ainda mais onerosa. 

No que diz respeito à alimentação, o mercado de milho deve seguir com preços firmes no curto prazo (março e abril), sustentados por estoques reduzidos, demanda aquecida e safra inicial insuficiente para atender a necessidade do mercado. Além disso, a incerteza climática e o atraso na semeadura adicionam mais um fator de risco à oferta do cereal. 

Por outro lado, um ponto positivo para os produtores é o comportamento da receita. A produção de leite tem perdido força devido ao impacto das condições climáticas adversas, como calor intenso e seca. Esse fator pode sustentar a tendência de estabilidade a alta nos próximos pagamentos ao produtor, trazendo algum alívio diante do aumento dos custos.


A TENDÊNCIA É DE QUE OS CUSTOS DE PRODUÇÃO CONTINUEM SUBINDO AO LONGO DE 2025. A VALORIZAÇÃO DO DÓLAR DEVE PRESSIONAR OS PREÇOS DOS PRINCIPAIS INSUMOS, TORNANDO A ATIVIDADE LEITEIRA AINDA MAIS ONEROSA

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Autores

Scot Consultoria

Scot Consultoria

Juliana Pila

Juliana Pila

Juliana Pila, zootecnista, formada pela FCAV/UNESP com MBA em Gestão de Negócios pela PECEGE/USP. Analista da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria.


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