Do Mar à Serra: A história da Estância Paraíso e do Laticínios Fiore se confunde com a da família Corteletti, revelando um trabalho incansável na busca pela produção de leite e derivados de qualidade

Fazendas | 04 de Novembro de 2020 Voltar

Espírito Santo é, de fato, um estado de espírito. Do mar, carrega a leveza, da serra, a elegância. O que liga o mar à serra são curvas. E quantas! E lá no meio das pedras e das montanhas, se encontra a Estância Paraíso e o amor da família Corteletti pelas vacas leiteiras, de todas as raças.

AQUELES QUE SERVEM

Marcos Corteletti se orgulha do seu sobrenome - a tradução do italiano se aproxima do significado “aquele que serve a corte”. Com calma e sorriso no rosto, a visita à fazenda aconteceu, no dia de Santa Teresa, como o sobrenome propõe - por gente do bem, que quer alimentar as pessoas com a produção de leite de qualidade e uma linha de mais de 40 lácteos, nutritivos e deliciosos.

A história da Estância Paraíso, localizada em Santa Teresa/ES, está marcada em algumas construções, que continuam de pé, passados mais de 40 anos.  No rosto de toda a família, os ascendentes italianos aparecem na forma de saudade mas, principalmente, de gratidão.

É assim que o Marcos fala do pai, Seu Florentino Corteletti, que já faleceu: “meu pai nos ensinou o prazer de trabalhar e a paixão pela produção de leite. Ele nos deu tudo, nos ensinou tudo.”

“Meu pai estava sempre à frente do seu tempo. Desde início da década de 1980 temos o rebanho confinado, ordenha mecanizada e inseminação artificial”, reforça Marcos. Como veterinário, em 1985, Marcos voltou para o dia a dia da fazenda com algumas ideias novas, injetando mais conhecimento e ânimo para a produção de leite, inclusive, alterando a raça de preferência do pai, a Indubrasil, pela raça Holandês.  A qualidade do rebanho foi sempre um objetivo da família e, para alcança-la, foi implantado o processo de transferência de embriões, visando acelerar o melhoramento genético do rebanho e multiplicar os melhores animais. As vacas da raça Holandês, em 1991, já ganhavam destaque nacional.

Seu Florentino deixou uma tradição generosa e que revela o olhar da família para a produção de leite: ele dava nomes às vacas, uma a uma. Marcos continua a fazer o mesmo: as etiquetas, ele faz, com o mesmo amor e esmero. “Meu pai tinha um caderno onde anotava todos os nomes e a ascendência das vacas. Faço o mesmo, mas no computador. Conheço a história de cada uma. Sinto que estou dando continuidade ao trabalho de vários fazendeiros que me venderam as vacas, muitos já não estão entre nós”.

A terceira geração dos Corteletti já se aproxima dos negócios. O André, filho do Marcos e da Marina, é diretor comercial e de marketing. “Como parte da terceira geração, sei que os desafios são gigantes e bem diferentes dos que meus avós e meus pais enfrentaram. Mesmo assim, novos desafios nos fazem crescer e o amor pelo que fazemos se torna a receita de cada processo. São grandes as responsabilidades, mas temos a certeza que o caminho é longo, mas cada conquista tem um sabor especial!”, afirma André. A caçula, Cíntia, está finalizando o curso de Medicina Veterinária e herdou do pai o amor pelos animais. A Marina Corteletti, esposa do Marcos, cuida do Laticínios Fiore. “Não há um produto que saia do laticínio sem o aval dela”, se orgulha Marcos.

SUBINDO A SERRA

O laticínio foi uma ideia do Seu Florentino e foi inaugurado em 1985. A Dona Lucy Corteletti, matriarca da família, contou aos risos que, no início, ela mesma batia os carimbos com as datas de validade nos queijos frescos.

Histórias como essa são comuns, fazem parte do amadurecimento da marca e dos processos. Exemplo disso foram as próprias curvas da estrada, o subir da serra. Marcos conta que a estrada não era asfaltada e o maquinário comprado só produzia leite tipo A, que tinha, na época, data de validade de apenas um dia. “Era comum que o caminhão não subisse a serra, sem asfalto, até Vitória, especialmente, em época de chuva. De madrugada, muitas vezes, a gente mandava um trator para ajudar na subida”.

Desse passado, muitos ensinamentos foram absorvidos e transformados em inovação e conexão com o mercado. Prova disso é o fato da Estância Paraíso ser a primeira Fazenda do Espírito Santo a ser certificada com o selo Vacas A2A2 do #bebamaisleite.

“Sempre nos preocupamos em observar o mercado e estar alerta às novidades. Há mais de 10 anos, através da compra de sêmen de touros provenientes de outros países, observamos a denominação A2A2 em suas características genéticas”, afirmam Marcos e André.

Para que esse investimento ganhasse a visibilidade merecida, buscaram a certificação: “o início foi o trabalho em nossa genética. Posteriormente, buscamos o selo de certificação, garantindo que essa informação chegasse até nosso consumidor final”, afirma André. “A certificação do #bebamaisleite chancela todo um trabalho de mais de 10 anos com o nosso rebanho de vacas A2A2 e, hoje, pode ser confirmado através do selo, presente em nossas embalagens.”

Todo o leite produzido é utilizado na produção de mais de 40 lácteos, que também recebem um selo de origem garantida, “Leite 100% Fazendas Fiore”. O leite ordenhado cai em tanques dentro do laticínio e se transforma nos produtos frescos, leite, queijo, coalhada, dentre outros. “Tudo o que produzimos é feito por meio de programação para que o leite seja utilizado no dia que foi ordenhado. Esse é o nosso segredo!”, comenta com orgulho Aline Priori, responsável pela inspeção de qualidade do laticínio. 

PORTEIRA ADENTRO

Marcos Corteletti gosta de vacas, de todas as raças. Depois de investir nas Holandesas, também incorporou a raça Gir, Girolando e Jersey ao seu rebanho. Para o futuro, pensa em construir um Free Stall para as Holandesas, outro para as Jerseys e, em outra propriedade, criar Gir a pasto.

Para produzir os 9000 L/dia na Estância Paraíso, o Free Stall abriga as 290 vacas em lactação, divididas em dois lote de vacas A2A2, e mais dois outros com os outros genótipos. Os dois primeiros lotes que são ordenhados vão para o tanque A2A2, já dentro do laticínio. Quando finaliza o lote 2, um funcionário muda o registro para que o leite dos lotes com outras características seja acondicionado em um tanque diferente.

Os colares medem a produção por vaca e abastecem de informação os softwares nos computadores da Fazenda. Nos brincos, além do nome e número, elas carregam o selo “Vaca A2A2”.

As vacas não se locomovem muito do galpão de Free Stall até a sala de ordenha, que são acoplados. Na sala de espera são recebidas com conforto e bem-estar, evitando-se o estresse térmico por meio da aspersão de água. Os ventiladores ficam ligados 24h por dia, e as vacas recebem aspersão de água a cada 8minutos. Esse procedimento é fundamental para o bom desempenho produtivo.

A ordenha da Estância Paraíso é uma espinha de peixe de 5 conjuntos, operada por dois funcionários, em três turnos. A produção diária de 9 mil litros, com média de 32L/vaca/dia,  é totalmente utilizada no Laticínios Fiore, dividida em dois tanques, sendo um exclusivo para o leite A2A2.

“São 35 anos de experiência em Free Stall. O principal na dieta dos animais é oferecer um volumoso com a melhor qualidade possível. Todo o volumoso é produzido na fazenda, com os cuidados do meu irmão, Fernando Corteletti”. Dos 60ha produzidos, 35ha contam com irrigação por gotejamento, uma vez que a região é muito seca, com poucos períodos de chuva.

Nesse sentido, Marcos entende que a presença de um nutricionista especializado é fundamental para melhorar a produtividade das vacas. A partir da análise do volumoso, o nutricionista responsável formula, com precisão, a dieta de cada categoria. “Sem esse acompanhamento, nossos resultados não seriam tão bons”.

“Todos os ingredientes utilizados buscam atender às exigências e necessidades dos animais, em todas as fases”, afirma Maurício Oliveira, Consultor Técnico Comercial da Agroceres Multimix. Os resultados dos planos nutricionais são facilmente identificados na saúde das vacas, no conforto e, claro, na quantidade e qualidade do leite produzido na Fazenda.

“Ambiência e conforto são fundamentais para que os animais desenvolvam seu potencial. Com isso conquistado, os resultados da nutrição aparecem”, reforça Marcos.

ONDE SÃO BATIZADAS

O bezerreiro com gaiolas suspensas reflete a história da fazenda. Foi construído em 1979, e Marcos garante que os problemas com diarreia e pneumonia são raros. “Todo esse bom resultado foi alcançado porque sabemos trabalhar com as instalações que temos e, mais importante, com as pessoas. As pessoas que trabalham aqui fazem a diferença”.

As 60 bezerras são alimentadas com sucedâneo do leite até os 75 dias. São fornecidos 6 litros por dia, divididos em duas mamadas. Essa quantidade é reduzida gradualmente, até que sejam desmamadas, aos 90 dias.

HISTÓRIA DE FAMÍLIA

A história do Laticínios Fiore e da Estância Paraíso se confundem com a da família Corteletti, viram uma só. Aqueles que servem produzem um leite de qualidade e produtos deliciosos, atendendo às demandas dos consumidores. O subir e descer da serra releva todo o trabalho investido e, mais do que isso, o amor à produção de leite e aos animais.

Estância Paraíso em Números

 

INDICADORES

UNIDADE

 

NÚMERO TOTAL DE VACAS

 

340

NÚMERO DE VACAS EM LACTAÇÃO

 

290

PRODUÇÃO TOTAL/DIA

L/dia

9000

MÉDIA VACA/DIA

L/vaca/dia

32

TAXA DE PRENHEZ

%

35

Número DE SERVIÇOs por concepção

 

2,8

Período de Serviço

dias

120

CCS

Cel./ml x1000

210

CBT

UFC./ml x1001

45

PROTEÍNA

%

3,6

GORDURA

%

3,8

Dados de setembro/20

 Autora: Adriana Vieira Ferreira