Este site utiliza cookies

Salvamos dados da sua visita para melhorar nossos serviços e personalizar sua experiência. Ao continuar, você concorda com nossa Política de Privacidade, incluindo a política de cookie.

x
ExitBanner
Nutrição

Dúvidas sobre nutrição

Dúvidas sobre nutrição

Texto: Marcos Neves

Nessa edição, inauguramos essa nova coluna, onde o Prof. Marcos Neves Pereira e os integrantes do Grupo do Leite, da UFLA, responderão dúvidas dos leitores sobre nutrição de vacas leiteiras. Participe, envie sua pergunta para flaviafontes@revistaleiteintegral.com.br.

Cana.jpg (735 KB)

“Estou utilizando cana de açúcar na dieta das minhas vacas e meu nutricionista disse que eu precisava picar a cana mais fina. Entretanto, no mesmo dia, também disse que minha dieta estava sem fibra efetiva e sugeriu feno. O que eu faço?”

Vacas precisam consumir alguma fibra longa. Uma forma de considerar esta exigência nutricional na formulação de dietas seria monitorar o teor na dieta de FDN retida acima da peneira de 8 mm do separador de partículas da Penn State. Esta é uma forma (não é a única) de quantificar o teor dietético de FDN fisicamente efetivo (peFDN). A peFDN é aquela necessária para manter a fisiologia normal de vacas leiteiras, ou seja, a fibra capaz de estimular a atividade mastigatória, a motilidade ruminal, a produção de saliva e a formação de “mat” no rúmen. Dietas com cana finamente moída não terão muitas partículas acima desta peneira. Entretanto, a fibra da cana é de baixa digestibilidade no rúmen (a digestibilidade da FDN da cana é de 20 a 25% do ingerido, ou seja, 75 a 80% da fibra da cana desaparece do trato digestivo por passagem com a digesta). Fibra longa não digerida no rúmen exigirá maior trabalho físico para redução de partículas (ruminação, principalmente), a fim de atingir um tamanho curto, capaz de passar pelo orifício retículo-omasal. Fibra de baixa digestibilidade, processada grosseiramente, poderá induzir queda no consumo por enchimento do trato digestivo, resultando em queda no desempenho leiteiro. Portanto, em dietas com alta inclusão de cana, a recomendação é moer a forragem o mais fina possível, para facilitar a passagem da FDN não digerida. Uma particularidade da cana é que sua fibra, mesmo quando finamente moída, tem alta efetividade física. Por isso, em dietas baseadas em alta inclusão de fibra finamente moída de cana, a inclusão de feno, uma fonte de fibra longa, normalmente não é necessária. Entretanto, quem vai dizer se a dieta está com teor de peFDN adequado são as vacas. Em dietas com alto teor de concentrados, especialmente aqueles ricos em amido degradável no rúmen, pode ocorrer acidose ruminal e, nesse caso, mais fibra longa pode ser requerida. Para decidir se existe a necessidade de acrescentar fibra longa monitore os teores de gordura e proteína do leite (acidose reduz os dois), a incidência de paradas ruminais acompanhadas de timpanismo, a consistência e a presença de gás nas fezes, e a incidência de deslocamentos de abomaso e de problemas de casco, principalmente. Se existir o problema, cogitaria o feno, mesmo na dieta com cana de açúcar. O que eu não faria seria não moer a cana grosseiramente para obter maior tamanho de partícula da fibra, para não ter o risco de induzir queda no consumo e na produção de leite das vacas.

 

“Qual a quantidade ideal de ureia na dieta de uma vaca em lactação?”

A uréia é uma fonte de nitrogênio não-protéico e pode atender parte da demanda nutricional por amônia dos microrganismos do rúmen. Normalmente, o uso de uréia reduz um pouco a necessidade de inclusão de concentrados protéicos na dieta, o que pode ser uma estratégia economicamente vantajosa em alguns momentos. A inclusão de uréia deve ser limitada a, no máximo, 1% da matéria seca da dieta (para vacas alimentadas com Dieta Completa), pois teores mais elevados podem deprimir o consumo, por uma série de mecanismos. Para vacas alimentadas com concentrados no momento da ordenha, inclusões de uréia ao redor de 2,5 a 3% do concentrado são consideradas altas. Em uma metodologia de formulação por custo mínimo (programação linear), o custo de nitrogênio da uréia será comparado ao da proteína degradável no rúmen (PDR) contida em outras fontes protéicas. A proteína bruta da uréia (N x 6,25 = 281% da MS) é assumida como 100% PDR, ou seja , uréia não supre aminoácidos metabolizáveis (absorvidos no intestino), nem outros nutrientes, como energia e minerais. A uréia será adicionada à dieta se esta estiver deficiente em amônia no rúmen e se seu custo de PDR for competitivo relativamente ao custo da PDR de outros alimentos (a decisão é do computador). O modelo de Cornell (CNCPS) prediz a concentração de amônia no fluído ruminal quando uma dieta é ofertada a um animal. O AMTS possui um campo onde o usuário pode vizualizar este valor. A recomendação do modelo é que o teor de amônia no rúmen seja mantido ao redor de 120 a 130% do requerido pelos microrganismos do rúmen. O cálculo do requerido pelos microorganismos ruminais leva em consideração a exigência por tipo de microrganismo (fermentadores de  fibra ou de carboidratos não-fibrosos), a reciclagem de nitrogênio, o excesso de nitrogênio oriundo dos alimentos, a taxa de passagem, o tipo de carboidrato e o consumo de matéria seca. Esta é uma boa ferramenta para decidir sobre a inclusão ótima de uréia à dieta.

Compartilhar:


Comentários

Enviar comentário


Artigos Relacionados