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Gestão, Sustentabilidade

Emissão reduzidas de gases de efeito estufa beneficiam o meio ambiente e a lucratividade dos produtores

O equilíbrio entre emissões reduzidas de gases de efeito estufa e eficiência operacional pode beneficiar tanto o meio ambiente quanto a lucratividade dos produtores.

Emissão reduzidas de gases de efeito estufa beneficiam o meio ambiente e a lucratividade dos produtores

A crescente preocupação com as mudanças climáticas e seus impactos ambientais coloca a emissão de carbono das propriedades leiteiras em destaque. Para os produtores surge o desafio de reduzir a pegada de carbono de suas operações, buscando maior eficiência e minimizando os efeitos no meio ambiente. No entanto, essa jornada rumo à sustentabilidade ambiental não deve comprometer a viabilidade econômica das propriedades - pelo contrário, ela deve e pode otimizar os resultados econômicos. Por isso, é fundamental encontrar um equilíbrio entre as práticas sustentáveis e a lucratividade, garantindo assim a prosperidade da cadeia leiteira a longo prazo.

Três estratégias para redução da pegada de carbono 

Estudos pioneiros da Labor Rural, empresa líder na integração de práticas sustentáveis à rentabilidade do agronegócio, identificaram três fatores cruciais para a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE). Esses elementos, em conjunto, explicam cerca de 56% das emissões unitárias de carbono equivalente, demonstrando seu imenso impacto na mitigação das mudanças climáticas. São eles:

Produtividade por vaca (litros/vaca em lactação/dia): Com 32% de impacto no total das emissões, a produtividade por vaca em lactação é o principal fator que influencia a pegada de carbono por litro de leite produzido. Vacas mais eficientes, que convertem melhor os alimentos em leite, são fundamentais para reduzir as emissões de GEE por litro de leite produzido;

Estrutura do rebanho (% vacas em lactação/total do rebanho): Com 14% de impacto no total das emissões, a composição do rebanho também desempenha papel crucial na redução da pegada de carbono. Gerenciar o setor reprodutivo traz benefícios ambientais e financeiros. Um rebanho bem estruturado, com animais em idade produtiva, bons índices reprodutivos e percentual adequado do rebanho composto por animais que geram receita (vacas em lactação) contribui para a eficiência da produção e minimiza as emissões de GEE por litro de leite produzido;

Consumo de matéria seca: Com 10% de impacto no total das emissões de GEE na pecuária leiteira, o consumo de matéria seca se destaca como um dos fatores que influencia a pegada de carbono das propriedades.


Investir em genética e nutrição otimizada contribui significativamente para a redução da pegada de carbono nas propriedades leiteiras, aliando alta produtividade com menores emissões de GEE.

Emissões de GEE e rentabilidade

Com o objetivo de avaliar se a pecuária leiteira encontra respostas positivas em um modelo de produção que concilia rentabilidade e práticas sustentáveis, um estudo realizado pela Labor Rural analisou a relação entre as emissões de gases do efeito estufa e a rentabilidade das propriedades leiteiras. Para isso, as propriedades foram divididas em quatro grupos (Figura 1):


  • Quadrante 1 (Q1): Propriedades com alta emissão e alta rentabilidade na atividade leiteira;
  • Quadrante 2 (Q2): Propriedades ineficientes, caracterizadas por alta emissão e baixa rentabilidade;
  • Quadrante 3 (Q3): Propriedades com baixa emissão e baixa rentabilidade;
  • Quadrante 4 (Q4): Propriedades eficientes, que apresentam baixa emissão e alta rentabilidade.

COM O OBJETIVO DE AVALIAR SE A PECUÁRIA LEITEIRA ENCONTRA RESPOSTAS POSITIVAS EM UM MODELO DE PRODUÇÃO QUE CONCILIA RENTABILIDADE E PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS, UM ESTUDO REALIZADO PELA LABOR RURAL ANALISOU A RELAÇÃO ENTRE AS EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA E A RENTABILIDADE DAS PROPRIEDADES LEITEIRAS

Ao analisar o gráfico, observa-se uma tendência de que fazendas mais lucrativas também são mais sustentáveis, especialmente as do Q4. No entanto, surge uma questão importante: o que as propriedades eficientes do Q4 fazem de diferente das ineficientes do Q2? Para responder a esse questionamento, a Labor Rural investigou os três principais indicadores de emissão de gases do efeito estufa na pecuária leiteira: produtividade por vaca, estrutura do rebanho e consumo de matéria seca, conforme apresentado na Tabela 1.


A LABOR RURAL INVESTIGOU OS TRÊS PRINCIPAIS INDICADORES DE EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA PECUÁRIA LEITEIRA: PRODUTIVIDADE POR VACA, ESTRUTURA DO REBANHO E CONSUMO DE MATÉRIA SECA

A Tabela 1 confirma os fatores fundamentais para a redução das emissões de GEE, já discutidos anteriormente:

  • Produtividade por vaca: A eficiência se traduz em alta produtividade, com 36% mais leite por vaca nas fazendas eficientes, diluindo os custos fixos e contribuindo para um custo de produção mais equilibrado. Além disso, a maior produção por animal reduz a fermentação entérica de mantença, diminuindo ainda mais as emissões;
  • Estrutura do rebanho: Um rebanho bem estruturado faz toda a diferença. As fazendas eficientes possuem 15% mais animais em lactação, otimizando a produção de leite e diluindo as emissões de CO2 por litro;
  • Eficiência Alimentar: As fazendas eficientes convertem o alimento em leite com 55% mais eficiência do que as ineficientes. Para cada kg de matéria seca consumida, as fazendas eficientes produzem 1,41 kg de leite, enquanto as ineficientes produzem apenas 0,91 kg. Essa disparidade revela o poder da eficiência alimentar, a importância da genética, da nutrição e do manejo adequados dos animais para otimizar a produção.
  • As fazendas eficientes emitiram 43% menos CO2 em relação as fazendas ineficientes, comprovando que o compromisso com a sustentabilidade e a redução do impacto ambiental da produção de leite pode garantir um bom retorno econômico para os produtores.


Os pilares da pecuária leiteira sustentável

A análise da Labor Rural comprova que o sucesso na pecuária leiteira se baseia em uma fórmula robusta:

Genética: investir em animais geneticamente superiores garante alta produtividade e menor impacto ambiental;

Nutrição: balancear e personalizar a dieta para cada animal é essencial para otimizar a conversão alimentar e a saúde do rebanho;

Manejo: práticas de manejo eficientes garantem o bem-estar animal, otimizam a produção e reduzem o desperdício;

Sustentabilidade: adotar práticas sustentáveis, como a redução das emissões de GEE, contribui para a preservação do meio ambiente, a imagem do setor e a rentabilidade a longo prazo.

AS FAZENDAS EFICIENTES EMITIRAM 43% MENOS CO2 EM RELAÇÃO ÀS FAZENDAS INEFICIENTES, COMPROVANDO QUE O COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE E A REDUÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL DA PRODUÇÃO DE LEITE PODE GARANTIR UM BOM RETORNO ECONÔMICO PARA OS PRODUTORES



Sustentabilidade econômica, ambiental e social são conceitos indissociáveis na pecuária leiteira. Priorizar essa tríade dentro das propriedades é essencial para garantir o sucesso da atividade a longo prazo. O trabalho já foi iniciado, os resultados demonstram o caminho a ser seguido, e a oportunidade para agir é agora! Invista na eficiência, na sustentabilidade e no futuro da pecuária leiteira!




Autor: MATHEUS PEREIRA PAIXÃO - Engenheiro Agrônomo e consultor técnico da Labor Rural.


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