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Fazendas

Fazenda Pinheiros

Fazenda Pinheiros

Texto: Maria Beatriz Tassinari Ortolani

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Um pouco de história

Nessa edição, contaremos a história da Fazenda Pinheiros, localizada na região de Botucatu, São Paulo, mostrando a garra e determinação de sua proprietária, dona Vera Lygia Donnini Fortes de Oliveira, que após o falecimento de seu marido, Eduardo Fortes de Oliveira, decidiu continuar produzindo leite.

Para entender como essa história começou, voltaremos ao ano de 1972, quando Eduardo passou por uma cirurgia e o médico recomendou que ele procurasse alguma atividade para relaxar. Foi nessa época que o casal de paulistas da capital decidiu comprar 20 alqueires de terra na região de Botucatu. A propriedade tinha apenas uma casa, bastante simples, onde a família passava os finais de semana. Foi assim que, naturalmente, começou a paixão pelo meio rural.

Algum tempo depois, eles adquiriram mais 30 alqueires vizinhos e decidiram começar a recriar gado de corte. Nessa mesma época, compraram algumas vacas de leite, apenas para produzir aquilo que consumiam na fazenda. Após algumas tentativas sem sucesso com o corte, e com a produção de leite gerando excedentes, enxergaram que o leite poderia ser tornar um negócio. Assim, começaram a fornecer leite para um laticínio próximo à fazenda e buscar capacitação para crescer na atividade.

Rapidamente entenderam que o gado geneticamente melhorado poderia dar um melhor retorno. “Nós já fazíamos inseminação com sêmen de Holandês. Em meados da década de 80 investimos em  quatro vacas compradas de grandes criadores e começamos a fazer transferência de embrião, usando nossas vacas cruzadas como receptoras”, conta dona Vera. E o investimento em genética foi sendo feito de forma gradual e constante, originando o rebanho atual que é 100% PO (puro de origem).

Há mais ou menos 17 anos atrás, Eduardo contratou o então veterinário recém-formado Leonardo Dantas da Silva para assistir a fazenda. A decisão de buscar a consultoria e manter a linha de trabalho do técnico foi decisivo para a evolução da produção.

Dona Vera partilhava com o marido a área administrativa da fazenda e sempre conversavam sobre tudo que se passava, tomando todas as decisões em conjunto.  Mas, em 1999 Eduardo faleceu e dona Vera precisou tocar a fazenda sozinha, durante um ano e meio, até que saísse o inventário, e a família pudesse decidir o futuro da propriedade. Durante esse tempo, sempre com o apoio de Leonardo, ela começou a se capacitar, a se informar mais sobre a atividade e, assim, a paixão aflorou. A decisão estava tomada - Vera daria continuidade ao trabalho do marido.

Para estar mais próxima do negócio, dona Vera deixou a vida agitada da capital e mudou-se para a fazenda. A mudança para o interior soava como algo provisório, e ela decidiu manter o apartamento em São Paulo, mas o “provisório” já dura 14 anos! “Minha relação com a fazenda é engraçada, porque passo uns dias em São Paulo e já sinto vontade de voltar para meus afazeres aqui. Aí quando estou aqui me sentindo um pouco isolada, vou para a cidade para me urbanizar!”.

 

O sistema de produção

A fazenda possui 121 hectares, dos quais 73 são destinados à cultura de milho para produção de silagem. Os demais hectares são utilizados para a cria de bezerras e novilhas, para o free-stall e demais instalações como ordenha e fábrica de rações,  além da área de proteção permanente. Os outros insumos como farelo de soja, caroço de algodão e polpa cítrica são comprados.  A fazenda emprega 6 funcionários.

Atualmente, a fazenda produz 2.000 litros de leite por dia, com 80 animais em lactação e uma média de 25 litros por animal/dia, chegando a  35 litros por animal/dia, no inverno. A média anual em 2012 foi de 76.000 litros. São realizadas três ordenhas diárias, em uma sala espinha de peixe, com quatro conjuntos de cada lado.

O sistema de produção sempre foi semi-confinamento, mas desde setembro de 2011, as 50 melhores vacas Holandesas ficam confinadas em um free-stall. As Jerseys (20% do rebanho) e as outras Holandesas recebem a dieta completa no cocho, que é servida duas vezes ao dia, e utilizam o pasto para dormir e descansar.  Nos meses de verão, os piquetes de capim estrela são manejados em pastejo rotacionado.

O rebanho é resultado da busca constante pelo melhoramento genético. “Procuramos sempre melhorar nossos animais utilizando, hoje em dia, apenas a tecnologia de IATF (inseminação artifical em tempo fixo) com sêmen de touros provados e acasalamento feito com a assistência da Central. Quando alguma vaca apresenta repetição de cio fazemos o repasse com touros selecionados e criados dentro de nossa própria fazenda”, explica Dona Vera.  O intervalo médio entre partos da propriedade é de 20 meses.

As bezerras, criadas em baias individuais, recebem 6 litros de leite integral por dia, durante 60 dias ou até atingirem 90kg (Holandesas), ou 60kg (Jerseys), mais 1,5 kg de ração. O acompanhamento do crescimento dos animais é feito mensalmente por meio de pesagem, seguido da separação em lotes de peso semelhante. As novilhas são levadas para o piquete de inseminação quando atingem 15 meses e 340kg para as Holandesas, ou 260kg para as Jerseys.

Toda a receita da fazenda vem do leite, por isso Dona Vera se preocupa tanto com a capacitação. Em 2003, fez curso na Clínica do Leite (Esalq/USP), e o reflexo desse empenho é um leite de boa qualidade, com contagem bacteriana total de 5 mil UFC/ml e 350 mil de CCS/ml (contagem de células somáticas).

Assim como a maioria dos produtores, Dona Vera sofreu com os custos de produção no ano passado e, para driblar as dificuldades, reduziu a mão-de-obra, voltou a fazer ração na fazenda, vendeu alguns animais e até um pouco de milho.

A fazenda Pinheiros é associada desde a década de 90 à APLEC, Associação de Produtores de Leite de Cerqueira César, que negocia com o laticínio a produção total dos associados. “É uma ajuda preciosa para mim que não tenho muita habilidade na negociação. A diretoria da APLEC conseguiu um contrato com a indústria de laticínio FRUTAP que tem sido interessante”, diz dona Vera.

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O futuro

Aos 74 anos, Dona Vera, como tantos outros produtores de leite, se preocupa com o futuro da atividade, pois nenhuma das três filhas e nenhum dos netos têm interesse de continuar com o negócio, uma vez que possuem formação em outras áreas.

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