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Nutrição

Produção terceirizada de forragens

Produção terceirizada de forragens

Texto: João Ricardo Alves Pereira

 Terceirizar serviços ou adquirir produtos, inclusive volumosos, de produtores especializados na atividade tem sido uma boa alternativa para os pecuaristas. O processo pode ser iniciado pela agricultura, com serviços de implantação de lavoura, adubações e todo o manejo fitossanitário, seguido pela colheita da forragem, envolvendo os processos de transporte e armazenamento.

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 A especialização da pecuária no Brasil tem resultado num crescimento significativo na venda de produtos e serviços. No segmento de forragens conservadas, até recentemente tínhamos como referência somente a comercialização de feno para alguns poucos rebanhos de animais elite ou, em situações mais críticas, quando não se dispunha de volumoso suficiente para a produção do rebanho. Atualmente, terceirizar serviços ou adquirir produtos, inclusive volumosos, de produtores especializados na atividade tem sido uma boa alternativa para os pecuaristas. O processo pode ser iniciado pela agricultura, com serviços de implantação de lavoura, adubações (recebendo o adubo químico na lavoura ou distribuindo periodicamente o adubo orgânico) e todo o manejo fitossanitário, seguido pela colheita da forragem, envolvendo os processos de transporte e armazenamento.

Como vantagens, o produtor tem maior especialização da propriedade - focando seus esforços e investimentos naquilo que realmente é de sua competência -, tendo melhor qualidade no plantio, colheita mais rápida, menor investimento em máquinas, alimentos de melhor qualidade e, principalmente, um planejamento mais seguro para sua atividade (Pereira et al., 2008).

 

Terceirização de serviços para forragem no Brasil

A terceirização de serviços foi originada da necessidade de crescimento na atividade de pecuaristas e agricultores. Para boa parte dos produtores de leite, a necessidade de aumento da produção, para viabilizar novos investimentos, esbarra no tamanho limitado das áreas de produção de volumosos e na necessidade de maiores investimentos e custo de manutenção de equipamentos para produção de grandes volumes de forragens conservadas. Para os agricultores, a necessidade de novas opções de renda integradas ao seu planejamento agrícola, como venda de parte das culturas de inverno na forma de silagem ou feno, ou mesmo prestando serviços com seu maquinário (redução de custos fixos).

Atualmente, impulsionada pelo significativo crescimento da pecuária leiteira, a terceirização de serviços, principalmente de colheita, vem se tornando uma prática cada vez mais comum em diferentes regiões do Brasil. Cabe ressaltar que a terceirização na produção de forragem conservada não está associada somente às forrageiras autopropelidas, e sim a toda forma de trabalho que envolva pagamento em espécie e/ou troca por serviços pelo uso de máquinas, equipamentos e veículos nas etapas de produção e colheita de forragem destinada à conservação.

 

As culturas forrageiras e terceirização de colheita

A cultura do milho destinada à produção de silagem é a mais expressiva no processo de terceirização, uma vez que permite produções elevadas de matéria seca (MS) por área com alta concentração energética, sendo, por isso, ingrediente indispensável na dieta do rebanho leiteiro.

A escolha do híbrido ideal para produção de silagem, cada vez mais, recai sobre a melhor opção agronômica para o planejamento alimentar do rebanho. Fatores intrínsecos à planta, como altura, digestibilidade da fibra, textura de grão, etc., tornam-se ainda mais secundários se não estiverem associados a maiores produtividades. Na prática, o produtor precisa produzir mais forragem (silagem de milho e outras culturas sucessivas) na mesma área disponível. Com isso, a palavra chave na escolha do híbrido tem sido “precocidade”. Como se pode observar no Gráfico 1, a área plantada de milho safrinha (segunda safra) praticamente dobrou nos últimos 10 anos. Cresce de maneira significativa a produção de silagem de milho proveniente de uma segunda safra. Tradicionalmente, temos a segunda safra de milho após a cultura da soja, praticada no oeste paranaense e no centro-oeste do país; e a segunda safra de milho em sucessão ao milho, muito comum entre os produtores de leite que precisam de maiores quantidades de silagem ou mesmo grão em pequenas áreas.

 

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Assim, é cada vez mais evidente que a agilidade na colheita da cultura do milho é um dos fatores fundamentais para se garantir qualidade na silagem produzida, demandando máquinas forrageiras que possuam sistema de corte de alto rendimento.

O sorgo é a segunda cultura, em área, destinada à produção de silagem no Brasil, sendo a grande maioria plantada na safrinha. Mesmo tendo características agronômicas de maior tolerância a pragas e doenças, em virtude dos riscos de estresse hídrico e geadas, apresenta os mesmos desafios para agilidade na colheita das lavouras de milho safrinha.

 

Impacto da eficiência na colheita sobre a qualidade da forragem conservada

Quando comparados os custos de colheita de áreas de produção de forragem, na grande maioria das vezes, verifica-se que a colheita com forrageira autopropelida tem custo menor que o de forrageiras acopladas, de uma linha ou duas linhas. Contudo, os principais benefícios decorrentes da colheita com autopropelidas estão na possibilidade de obtenção de uma forragem de melhor qualidade.

Na cultura do milho, o momento ideal de corte, expresso pelo teor de matéria seca da planta e pelo estágio de maturação do grão, é quando a planta acumula a maior quantidade de matéria seca de melhor qualidade nutricional. Em geral, este ponto na lavoura de milho se dá quando os grãos atingem o estágio de farináceo-duro, tendo a planta inteira teores de matéria seca variando entre 32 e 38%. No entanto, fica evidente a dificuldade de se colher lavouras dentro dessa faixa ideal, se consideradas as dificuldades como períodos frequentes de chuva e a maturação acelerada da cultura no verão, e a precocidade e riscos de perdas, por doenças ou geadas, na safrinha.

Trabalhos de pesquisa indicam que a antecipação do corte da silagem acarreta sensível redução na qualidade da silagem de milho e, consequentemente, no seu potencial de transformação em leite e carne (Tabela 1).

 

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A colheita da lavoura de milho com teores de matéria seca superiores a 35 - 37% na planta inteira, associadas à maior participação de grãos na forragem, demandam maior eficiência na qualidade do corte e processamento dos grãos. A retirada de ar da massa ensilada é fundamental para a redução do processo de respiração e do aumento de temperatura, que têm como consequência principal a perda de energia na forma de calor. Assim, o corte uniforme das partículas permite que a compactação seja mais intensa, aumentando a densidade da massa ensilada e a capacidade de armazenamento do silo, reduzindo significativamente as perdas de forragem.

A terceirização dos serviços de colheita é uma opção bastante interessante e que vem crescendo de maneira significativa no Brasil. Do ponto de vista financeiro, a vantagem para o produtor que contrata esses serviços é a redução nos investimentos para aquisição e custos com depreciação e manutenção dos implementos.

Máquinas forrageiras de grande porte (autopropelidas) têm maior eficiência operacional, possibilitando uma colheita mais rápida dentro do momento ideal para corte, menor tempo para enchimento e fechamento do silo e, eventualmente, maior disponibilidade de tratores para compactação, contribuindo para a qualidade da silagem produzida. No entanto, uma parte significativa desses benefícios não está sendo aproveitada pelos produtores, o que pode ser decorrente da falta de planejamento na lavoura, da indisponibilidade de maquinário por ocasião da colheita ou mesmo falta de conhecimento dos recursos da máquina.

O uso de ensiladeiras acopladas, de uma ou duas linhas, não é impeditivo para produção de silagem de boa qualidade, desde que se tenha algum planejamento no plantio da lavoura e nas etapas da ensilagem.

 

Vantagens da produção terceirizada de forragens:

  • o produtor tem maior especialização da propriedade
  • melhor qualidade no plantio
  • colheita mais rápida
  • menor investimento em máquinas
  • alimentos de melhor qualidade
  • planejamento mais seguro

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