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Nutrição

Silagem de milho: do plantio ao cocho

Silagem de milho: do plantio ao cocho

Texto: João Ricardo Alves Pereira

 A cultura do milho é a mais utilizada em todo o mundo na produção de silagem. O cereal produz uma grande quantidade de energia digestível por hectare de lavoura, sendo o produto ideal para transformação em leite ou carne. Para obter uma silagem de qualidade, é preciso atentar para cada etapa do processo, desde a escolha do híbrido até o fornecimento do volumoso aos animais.

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Com a alta nos preços dos grãos e seus derivados, está cada vez mais onerosa a suplementação alimentar do gado leiteiro com concentrados. Essa deve ser a razão para aumento dos investimentos dos pecuaristas na produção de volumosos de qualidade.

A cultura do milho é a mais utilizada em todo o mundo na produção de silagem. O cereal produz uma grande quantidade de energia digestível por hectare de lavoura, sendo o produto ideal para transformação em leite ou carne.

 

Parâmetros para escolha de híbridos

O planejamento da lavoura de milho para ensilagem começa com a escolha do(s) híbrido(s). Independente da finalidade da lavoura de milho, silagem ou grão, o produtor dever seguir as recomendações agronômicas (posicionamento) que levem em conta as peculiaridades da sua região (altitude, solo, clima, etc) e do período de cultivo (verão ou safrinha).

O híbrido destinado à produção de silagem deve ter boa estabilidade agronômica, com maior tolerância a pragas e doenças, de modo que possa expressar as características produtivas desejadas, como alta produção de forragem (matéria seca - MS) com grande participação de grãos no seu conteúdo, que é a porção responsável por quase 65% da energia digestível contida na silagem, e a fração determinante para obtenção de maiores rendimentos de leite ou carne por hectare.

Estabelecidas condições ideias de produtividade para grãos e forragem, devemos considerar as caracterísitcas de digestibilidade da fração fibrosa (DFDN) da forragem, que além de fonte de energia é também necessária para otimizar a função ruminal.

A digestibilidade da fibra (DFDN) da silagem de milho é extremamente variável e pouco relacionada com os teores de FDN, FDA ou mesmo a proteína bruta (PB), que são geralmente empregadas na formulação das dietas. Os resultados indicam que existem grandes variações nos teores de fibra digestível (DFDN) entre amostras de silagens de híbridos comerciais. Essas variações podem ser decorrentes, por exemplo, da estrutura da planta, que se modifica de acordo com a população estabelecida na área, das condições de fertilidade do solo e danos decorrentes de pragas, doenças e, principalmente, do estresse hídrico. Nesse sentido, os novos adventos da biotecnologia, como o uso de técnicas de marcadores moleculares, vêm identificando genes que conferem maior tolerância fitossanitária para a planta de milho, reduzindo danos agronômicos e resultando em maiores produtividades de grãos e melhor qualidade de forragem. Devemos ainda considerar que a qualidade da silagem de milho sofre interferência de variáveis relacionadas ao manejo da ensilagem, como momento de corte, tamanho de picado, tempo de conservação no silo e a relação concentrado volumoso na dieta.

Do ponto de vista nutricional, silagens com maior participação de grãos e boa qualidade de planta têm maior digestibilidade, permitindo maior consumo pelos animais, possibilitando aumento de produtividade e reduzindo a necessidade de suplementação concentrada. Vejamos o exemplo na Tabela 1.

 

 

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Colheita e processamento

O ponto ideal de colheita para ensilagem é quando a planta acumula a maior quantidade de matéria seca (MS) de melhor qualidade nutricional. Em geral, pode-se identificar esse momento pelos grãos do milho, que estão no estágio farináceo - duro (50% da linha do leite), onde se colhe 95% dos grãos e 100% da forragem que o milho pode produzir. O teor de MS da planta varia de 32% a 38%, dependendo da sanidade de colmos e folhas no momento da ensilagem.

Na tabela 2 verifica-se que quanto mais cedo se colhe o milho para silagem, o teor de fibra (FDN) aumenta e o teor de energia (NDT) diminui, implicando em menores produtividades de leite e carne e aumentando os custos de produção, pois silagens de baixo valor energético demandam maiores quantidades de concentrado na dieta para atender as exigências nutricionais dos animais.

 

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Quanto ao tamanho de corte das partículas, o processamento da planta antes da ensilagem tem reflexos importantes na fermentação, no consumo e digestibilidade dos seus nutrientes. O tamanho da partícula está relacionado à eficiência de compactação, e a forma de fornecimento do grão relaciona-se ao seu maior ou menor aproveitamento pelo animal. A maior digestibilidade da fibra faz com que o seu tempo de permanência (enchimento) no rúmem seja menor, permitindo maior ingestão de matéria seca de forragem pelos animais. O padrão de fermentação ruminal é determinante na composição e na proporção dos teores de sólidos no leite.

A metodologia indicada para avaliação de tamanho de partícula para silagem é a desenvolvida pela equipe da Pennsylvania State University, dos EUA, com o Separador de Partículas Penn State (SPPS). Trata-se de conjunto de bandejas perfuradas, dispostas umas sobre as outras, com malhas de diâmetros diferentes. A bandeja superior tem malhas com diâmetro de 19 mm, a segunda com 8 mm, a terceira com 1,18 mm e a bandeja inferior não tem aberturas (caixa).

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A recomendação atual para uma distribuição adequada de tamanho de partículas é apresentada na Tabela 3.

Para obtenção de partículas de silagem dentro das recomendações técnicas se faz necessário o ajuste de facas e contra-facas periodicamente nas forrageiras acopladas (ensiladeiras de 1 ou 2 linhas). A afiação das facas deve ser feita ao menos uma vez ao dia. Nas colheitas com forrageiras auto-propelidas (automotrizes) é recomendável que a velocidade de colheita não seja superior a 8km/h e que o “cracker” esteja ajustado próximo a 2 mm.

Quando comparados os custos por área colhida, a colheita com forrageira auto-propelida tem custo próximo aos de forrageiras acopladas, de uma ou duas linhas. Contudo, os principais benefícios decorrentes da colheita com auto-propelidas estão na possibilidade de obtenção de uma forragem de melhor qualidade, associadas à maior participação de grãos, devidamente processados, e no corte da forragem de modo a otimizar as funções ruminais e o aumento na densidade da massa ensilada, reduzindo significativamente as perdas de forragem.

O uso de forrageiras acopladas, de uma ou duas linhas, não é impeditivo para produção de silagem de boa qualidade, desde que se tenha algum planejamento no plantio da lavoura.

 

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Compactação e vedação

O enchimento do silo deve ser rápido e o planejamento da operação começa na preparação da lavoura. Recomenda-se a combinação de híbridos, para explorar os ciclos diferentes, respeitando as indicações agronômicas de cada tipo. A divisão da área total da lavoura de silagem em dois ou mais talhões permite a colheita no ponto ideal e a otimização do uso das máquinas.

O fechamento do silo deve ser rápido, não mais que três dias, se possível, estabelecendo condições de anaerobiose (ausência de oxigênio) o mais rápido possível e cessando o processo de respiração (presença de oxigênio), caracterizado pelo aquecimento da silagem. Esse aquecimento reduz a qualidade da silagem, diminuindo a disponibilidade da proteína e consumindo energia, na geração de calor, que deixará de ser aproveitada pelos animais.

A compactação bem feita é o “grande segredo” de uma boa conservação, e deve ser feita de maneira exaustiva durante todo o período de enchimento, utilizando-se um trator ou outro maquinário pesado. Recomenda-se que a forragem seja distribuída em camadas finas após cada descarga e o silo enchido no sentido “rampado” para diminuir a camada exposta ao ar. Silos tipo trincheira facilitam o processo de compactação, embora não seja limitante o uso de silos de superfície.

O fechamento do silo deve ser feito com lona plástica adequada (maior espessura e com “protetor” da ação do sol). É fundamental que a silagem esteja bem compactada e sua superfície devidamente abaulada. A lona deve ser colocada de modo a deixar espaço para que o ar saia pela frente do silo, evitando que se formem bolsões de ar e, principalmente, que a colocação de pesos sobre a lona empurre esse ar dentro da massa ensilada, o que vai favorecer o aquecimento da forragem.

 

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