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Gestão

Alexandre Lopes Lacerda assume a presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando no triênio 2026/2028

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando no triênio 2026/2028, Alexandre Lopes Lacerda leva para a entidade a experiência acumulada em gestão, estruturação de negócios e pecuária leiteira

Alexandre Lopes Lacerda assume a presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando no triênio 2026/2028

A ideia de grandeza costuma ser associada a diferentes atributos – caráter, coragem, capacidade de sustentar escolhas ao longo do tempo. Em ambientes produtivos, se manifesta de forma mais concreta: naquilo que se constrói e no impacto que se deixa.

É sob esse olhar que se insere a chegada de Alexandre Lopes Lacerda à presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando) para o triênio 2026/2028. Advogado, empresário e pecuarista, ele assume a entidade trazendo uma leitura orientada por estratégia e resultado.

A nova gestão se apresenta com o objetivo de fortalecer o papel institucional da Girolando, baseada naquilo que sustenta qualquer atividade produtiva: organização, planejamento e geração de valor para o associado.


Um grande homem 

Para a maioria das pessoas, é preciso levantar um pouco a cabeça para falar com Alexandre. A estatura dele chama a atenção, mas o que mais marca é a fala direta, conduzida com calma – um contraste discreto com a presença firme.

A trajetória que o levou até a presidência da Girolando foi construída em diferentes ambientes, mas com um elemento recorrente: a influência de pessoas que, em momentos decisivos, orientaram caminhos e ajudaram a dar forma às escolhas.

A primeira dessas pessoas estava dentro de casa. O pai, também advogado e professor, foi referência desde cedo, tanto pela profissão quanto pela forma de conduzir a vida. 

“Eu aprendi muito cedo a trabalhar. Com 10 anos, já ia para o escritório do meu pai ajudá-lo. Foi ali que comecei a entender como as coisas funcionavam e o valor do trabalho”, relembra Alexandre.

No decorrer do tempo, outras figuras se somaram a esse percurso. Em especial, o sócio, Aci Coutinho, que teve importante papel na consolidação da carreira, marcada pela construção de uma empresa voltada à estruturação de negócios, sucessão e governança.


 Alexandre Lopes Lacerda ao lado da família, presença constantemente mencionada por ele como parte importante da construção da trajetória profissional, da fazenda e da atuação na Girolando.


O leite entra nessa história mais tarde, em outra fase da vida. Em 2005, a compra da Fazenda Miraí, localizada na região mineira da Serra do Cipó, resgatou uma antiga relação com o ambiente rural, construída nas idas ao interior ainda na infância. Diferentemente da memória afetiva, a atividade produtiva exigiu outro tipo de aprendizado. “Eu cheguei à fazenda com uma visão de negócio, mas sem conhecer a dinâmica do leite. E isso fez toda a diferença no começo”, conta.

A decisão de iniciar com animais de alta produção trouxe, junto com o entusiasmo, uma série de desafios operacionais que rapidamente evidenciaram a necessidade de organizar a base do sistema.

Foi nesse contexto que a raça Girolando entrou na fazenda; primeiro como alternativa, depois como direção. A adaptação dos animais, a possibilidade de estruturar o sistema com mais tempo e, sobretudo, o alinhamento com a realidade produtiva marcaram esse momento de transição. “Fui estudar sobre a raça Girolando. Comecei a entender como aqueles animais faziam sentido para a realidade que eu tinha”, lembra Alexandre.

O avanço seguinte veio com a incorporação de ferramentas que ampliaram o controle sobre o rebanho. A entrada na reprodução assistida, com uso de transferência de embriões e fertilização in vitro, marcou uma nova etapa, elevando o nível genético e abrindo espaço para um trabalho robusto de seleção.

Ao consolidar esse sistema, a fazenda passou a operar fundamentada na lógica produtiva e de resultado, elementos que, mais adiante, aparecem de forma clara na maneira como Alexandre entende o papel da própria associação.


Estrutura e direção


A razão de existir da associação é prestar o melhor serviço aos associados e gerar resultado.

É a partir dessa lógica que Alexandre conduz a gestão da Girolando.

O registro genealógico segue como atribuição central e parte importante das funções da entidade. Ao mesmo tempo, Alexandre defende uma atuação cada vez mais conectada às demandas da atividade leiteira e aos desafios enfrentados pelo associado em sua propriedade.

Na prática, isso significa fortalecer a presença da associação nas decisões que impactam diretamente a produção. A atuação dos técnicos em campo, por exemplo, é vista como um dos principais ativos da Girolando, não só pela função de registro, mas pela capacidade de orientação construída de acordo com a experiência acumulada em diferentes sistemas produtivos. “O técnico visita várias propriedades”, explica Alexandre. “Ele percebe o que está funcionando, o que não está, quais erros estão se repetindo. Esse conhecimento precisa voltar para o associado.”

Outro eixo importante está na organização da gestão, conduzida sobre três pilares que Alexandre considera fundamentais em qualquer negócio: estratégia, pessoas e processos.

Domício Arruda e Alexandre Lopes Lacerda: sucessão conduzida com alinhamento institucional e continuidade do trabalho desenvolvido pela associação

A definição de metas, o acompanhamento das ações e o engajamento da equipe integram o planejamento da entidade. Entre as iniciativas implementadas está a criação de mecanismos internos de incentivo, com o reconhecimento de equipes que contribuem de maneira mais efetiva para a execução das estratégias definidas. “Negócios são feitos por pessoas. Se elas não estiverem envolvidas, nada acontece”, afirma Alexandre.

A estrutura executiva também ganhou maior definição, permitindo uma divisão mais clara entre gestão operacional e direcionamento estratégico. A atuação da diretoria foi organizada por áreas, com maior autonomia para encaminhamento de temas específicos e mais agilidade na condução das pautas.

Organização interna, clareza de objetivos e foco no associado sustentam o direcionamento da associação. Um trabalho construído sobre bases anteriormente iniciadas, mas que busca ampliar a capacidade de entrega da associação e fortalecer sua presença entre os produtores.

Megaleite: o grande palco da pecuária brasileira

Como presidente da Girolando, Alexandre define a Megaleite como um dos principais instrumentos de promoção da raça e fortalecimento do setor. “A Megaleite é espaço de exposição e ponto de encontro. É o evento no qual o trabalho de seleção genética ganha visibilidade, aproximando o criador das tecnologias mais modernas e das demandas do mercado”, afirma Alexandre.

Para o triênio 2026/2028, a proposta é ampliar a capacidade de entrega da feira, fortalecendo seu papel como ambiente de negócios, difusão de conhecimento e valorização da genética Girolando.


Em construção

Estratégia, processos, metas e organização. Essas foram palavras pinçadas em todas as ideias apresentadas por Alexandre para a condução da Girolando. Mas, curiosamente, todas as histórias importantes mencionadas por ele passam por pessoas. Talvez seja por esse motivo que sua visão sobre gestão esteja tão ligada à ideia de construção. Construção de estruturas capazes de evoluir e atravessar gerações.

Na Girolando, essa percepção se concretiza na valorização da equipe técnica, no fortalecimento dos processos internos e na busca por uma associação cada vez mais próxima da realidade do produtor.






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Autor

Adriana Vieira Ferreira

Adriana Vieira Ferreira

EDITORA EXECUTIVA
Economista, DSc. em Economia Rural


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