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Gestão, Manejo, Sanidade

Dicas de otimização de manejo de Gabriel Caixeta Ferreira, médico veterinário e consultor da DATAPec

Gabriel Caixeta Ferreira, médico veterinário e consultor da DATAPec, explica como ajustes nas instalações, na sanidade e na alimentação podem impactar positivamente o rebanho

Dicas de otimização de manejo de Gabriel Caixeta Ferreira, médico veterinário e consultor da DATAPec

Buscar conhecimento para transformar a realidade ao seu redor. Esse foi o caminho de Gabriel Caixeta Ferreira, médico veterinário formado pela Universidade de São Paulo, especializado em bovinocultura leiteira. Atua como consultor em fazendas, com foco em gestão da pecuária leiteira, nutrição de bovinos, sanidade de rebanhos e análises financeiras do setor. É fundador e consultor da DATAPec Consultoria, empresa dedicada ao aprimoramento da eficiência e rentabilidade na produção leiteira. Com envolvimento direto na atividade leiteira desde a infância – seu pai é produtor de leite em Patos de Minas/MG –, Gabriel iniciou a trajetória profissional conciliando o trabalho na fazenda da família com sua atuação em consultoria. 

A evolução do setor e as transformações do mercado levaram a decisão de empreender: Gabriel fundou sua própria empresa, a DATAPec Consultoria, consolidando um time de sete especialistas que atuam nas áreas de nutrição, reprodução, sanidade, qualidade do leite, planejamento financeiro e infraestrutura para bovinos de leite. 

A expertise da DATAPec se estende também a projetos estruturais, como a concepção de instalações para bezerras, galpões de recria e alojamentos para vacas em lactação. 

A criação de bezerras, pilar essencial para o futuro da pecuária leiteira, ainda é um desafio para muitos produtores. Gabriel fez dessa lacuna oportunidade. Além de sua atuação em consultoria, também contribui como conselheiro do Programa Alta CRIA, reforçando o compromisso com o desenvolvimento de sistemas eficientes para o crescimento saudável do futuro do rebanho.


O que ainda falta na criação de bezerras?

A fase de cria é um dos momentos mais críticos da produção leiteira, pois define o potencial produtivo das futuras vacas. No entanto, essa etapa ainda sofre com graves negligências, que comprometem o desempenho dos animais e impactam diretamente na eficiência econômica das fazendas. 

“Na maioria das propriedades leiteira se trabalha fortemente no desenvolvimento de protocolos sanitários, identificando e tratando doenças, estabelecendo calendários sanitários bem estruturados. Mas ainda vejo grande falha nas instalações de recria, mesmo em regiões do país que já são altamente desenvolvidas”, afirma Gabriel. 

O especialista destaca que avanços significativos foram alcançados no conforto das vacas em lactação, mas a criação de bezerras ainda apresenta instalações inadequadas, o que reduz ganho de peso, aumenta a incidência de doenças e impacta a longevidade do rebanho. “Temos visto cada vez mais fazendas confinando bezerras e trazendo esses animais para ambientes fechados, muitas vezes sem seguir as premissas básicas para instalações adequadas na fase de aleitamento”, alerta.  

Outro aspecto frequentemente negligenciado é a nutrição, especialmente no pós-aleitamento. Gabriel ressalta que a formulação de dietas para bezerras e novilhas ainda é abordada de forma superficial. “É preciso ir além do básico e formular dietas com base nas exigências reais dos animais, na expectativa de ganho de peso e nas características da fase. A transição entre o aleitamento e o início da dieta baseada apenas em forragem e alimento concentrado é um momento extremamente desafiador, e é justamente nessa etapa que vemos muitas fazendas encontrando dificuldade”, explica.



Transformar conhecimento em resultados: Gabriel Caixeta Ferreira, médico veterinário especializado em bovinocultura leiteira e fundador da DATAPec Consultoria, lidera um time de especialistas dedicados a nutrição, sanidade, reprodução e planejamento financeiro, sempre com foco na evolução do setor 


Doenças respiratórias: o desafio invisível 

A doença respiratória bovina (DRB) é um dos maiores desafios sanitários na cria de bezerras. Com a crescente tendência de agrupamento de animais, os surtos da doença têm se tornado mais frequentes, afetando diretamente o desempenho e a sobrevivência das bezerras. 

“O aumento da morbidade por doença respiratória ocorre principalmente devido à superlotação, baixa qualidade do ar e falta de ambiente seco e bem drenado. Esses fatores favorecem a propagação de patógenos e elevam a taxa de doenças pulmonares”, explica Gabriel.

Ele destaca que a prevenção começa na estrutura física da fazenda. Para minimizar riscos, recomenda-se um espaço mínimo de 2,1 metros quadrados por animal, fornecendo idealmente 3,6 metros quadrados por bezerra, sistema de drenagem eficiente e a utilização de divisórias sólidas para evitar o contato nariz a nariz entre as bezerras. “Outro ponto crítico é a necessidade de ventilação adequada. Galpões muito largos podem comprometer a renovação do ar, elevando o risco de contaminação”, ressalta. 

No campo da imunização, Gabriel enfatiza a necessidade de vacinação intranasal para proteção contra os principais vírus respiratórios, como BRSV, IBR e PI3. “A imunidade transferida pelo colostro nem sempre é suficiente contra esses patógenos. A vacina intranasal protege as bezerras desde os primeiros dias de vida e reduz a incidência e principalmente a gravidade das infecções pulmonares”, explica. 

Além disso, Gabriel destaca a importância da vacinação contra clostridioses e botulismo, já que muitas vacinas não incluem Clostridium botulinum. “Combinar vacinas como Vaxall® e Fortress® garante proteção mais ampla, prevenindo a clostridiose, doença de fácil prevenção por meio da vacinação e que causa muitos prejuízos pela mortalidade de bezerras”, conclui.  


Nutrição e hidratação: pilares da saúde e do crescimento 

A nutrição é fator decisivo para o desempenho das bezerras, e a transição entre dieta líquida e sólida exige atenção especial. No primeiro mês de vida, quase todo o ganho de peso vem da ingestão de leite. Gabriel destaca que a suplementação adequada é essencial: “Nas primeiras horas de vida, a bezerra deve receber pelo menos 10% do peso vivo em colostro e, de 8 a 12 horas depois, mais 5% do peso vivo. Essa prática fortalece a imunidade e assegura um desenvolvimento inicial saudável”. 

Além do colostro, o fornecimento de leite de transição nos cinco primeiros dias é crucial, pois esse leite contém imunoglobulinas que exercem controle de microrganismos no intestino das bezerras, além de fornecer maior quantidade de nutrientes que o leite normal. “A partir disso, a oferta de leite deve atingir no mínimo 900g de sólidos lácteos por dia no primeiro mês para otimizar o crescimento”, explica Gabriel. 

Conforme a bezerra cresce, a redução gradual do leite incentiva o consumo de alimento concentrado e prepara o animal para o período pós-aleitamento. A hidratação também é fator essencial, especialmente para bezerras que enfrentam desafios sanitários, como diarreia e doença respiratória. “A suplementação com eletrólitos e o fornecimento de água desde o primeiro dia de vida são estratégicos para manter o equilíbrio fisiológico e evitar complicações”, ressalta.

“A VACINA INTRANASAL PROTEGE AS BEZERRAS DESDE OS PRIMEIROS DIAS DE VIDA E REDUZ A INCIDÊNCIA E PRINCIPALMENTE A GRAVIDADE DAS INFECÇÕES PULMONARES”  


Estruturas bem planejadas, vacinação estratégica e manejo sanitário eficiente são essenciais para reduzir os impactos da DRB e garantir o crescimento saudável do rebanho

Palavra final 

“Investir na criação de bezerras é garantir um plantel produtivo e longevo no futuro. Para isso, é essencial focar em estratégias preventivas, priorizando principalmente infraestrutura adequada e manejo nutricional bem estruturado. Ambientes bem planejados proporcionam conforto, reduzem doenças e aumentam a eficiência da recria. 

Outro ponto crucial é a nutrição. A qualidade da dieta líquida e sólida influencia diretamente no desenvolvimento das bezerras. O fornecimento de colostro em quantidades adequadas, seguido por transição gradual para a dieta sólida, é determinante para que os animais alcancem alto desempenho sem comprometer a sanidade. 

O sucesso da criação de bezerras depende do olhar estratégico e de investimentos consistentes em infraestrutura e nutrição. Essas são as bases para um sistema produtivo eficiente e rentável no longo prazo.” 

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