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Fazendas

Fazenda Recife (Cialne XVIII)

Fazenda Recife (Cialne XVIII)

Texto: Flávia Fontes

Para quem não acredita que é possível ordenhar vacas 1/2 sangue Girolando, sem bezerro ao pé, a Fazenda Recife está aí para provar o contrário e, além disso, mostrar como o procedimento reduziu a mortalidade e melhorou a saúde das bezerras de reposição.

Minha primeira visita à Fazenda Recife, localizada em Umirim/CE, aconteceu  em setembro de 2011, exatamente no dia em que a nova sala de ordenha, espinha de peixe, duplo 12, começou a ser utilizada. O antigo sistema era balde ao pé, com a presença dos bezerros.

O objetivo da minha consultoria, em parceria com os doutores Péricles Montezuma e Jurandir Júnior, responsáveis pela assistência técnica da propriedade, era conduzir a transição das bezerras, criadas coletivamente, para um sistema individualizado de alimentação e alojamento. O grande desafio naquele momento era reduzir a ocorrência de problemas de saúde, especialmente as diarréias, e o índice de mortalidade durante o período de aleitamento.

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Principais problemas de manejo das bezerras

Como as bezerras mamavam o colostro diretamente em suas mães, era impossível avaliar a qualidade do mesmo e a quantidade ingerida. Além disso, em geral, passavam-se muitas horas entre o nascimento e a primeira mamada.

A criação em bezerreiro coletivo, durante a fase de aleitamento, não permitia uma avaliação individualizada dos animais, dificultando a detecção precoce de doenças, que também eram disseminadas com maior facilidade.

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Principais medidas implantadas em 2011

1) Maternidade:

• Avaliação com colostrômetro de todo o colostro produzido na fazenda

• Montagem de um banco de colostro, congelando apenas colostro de alta qualidade (verde)

• Fornecimento de 2 litros de colostro nas primeiras 2 horas de vida das bezerras, outros 2 litros 6 horas mais tarde, e mais 2 litros 6 horas após o segundo fornecimento. Ou seja, as bezerras passaram a receber 6 litros de colostro nas primeiras 24 horas de vida, independente de já terem mamado nas mães se o nascimento tiver ocorrido durante a noite ou madrugada

• Todo o colostro fornecido no primeiro dia de vida da bezerra passou a ser proveniente do banco de colostro, para assegurar que os animais recebam apenas colostro de alta qualidade (verde) no primeiro dia de vida.

• Bezerras que não conseguem ingerir 2 litros de colostro no primeiro fornecimento e/ou 6 litros no primeiro dia de vida são alimentadas por meio de sonda gástrica

• Avaliação da eficiência da colostragem por meio da coleta de sangue de todas as bezerras, de 24 a 72 horas após o nascimento, por meio do teste do refratômetro

2) Bezerreiro:

• Toda bezerra que apresenta redução no consumo de leite, alteração de comportamento (muito quieta, bebendo leite muito devagar) ou fezes mais líquidas que o normal recebe 2 litros de solução para hidratação oral (Nutronlyt®), no balde ou mamadeira, 2 vezes ao dia, 2 horas após o fornecimento de leite, até o restabelecimento da normalidade

• Toda bezerra que fica doente, independente do tipo de doença (diarréia, pneumonia, tristeza, otite, infecção de umbigo, etc) recebe 2 litros de solução para hidratação oral (Nutronlyt®), no balde ou mamadeira, 2 vezes ao dia, 2 horas após o fornecimento de leite, até o restabelecimento da normalidade

• Toda bezerra que não ingere a solução para hidratação oral de forma voluntário é forçada por meio de sonda gástrica

• Toda bezerra com qualquer alteração de comportamento ou doente tem sua temperatura medida 2 vezes ao dia (no momento do fornecimento da solução para hidratação oral) e só recebe tratamento antibiótico se tiver febre (acima de 39o C), exceto nos casos de Tristeza.

• Construção de baias individualizadas para alojamento das bezerras em aleitamento

• Todas as bezerras até 30 dias de idade recebem 4 litros de leite ou sucedâneo, divididos em 2 alimentações diárias, acrescidos com 200 g de sucedâneo lácteo concentrado (Maelk®), o que equivale aos nutrientes presentes em 6 litros de leite

• Todas as bezerras de 31 a 60 dias de idade recebem 2 litros de leite ou sucedâneo, 1 vez ao dia, acrescidos com 200 g de sucedâneo lácteo concentrado (Maelk®), o que equivale aos nutrientes presentes em 4 litros de leite

• Tratamento da água fornecida aos animais

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Situação atual

Bezerras

Com a implantação das medidas descritas anteriormente observou-se uma redução drástica nos quadros de diarréia que concentram-se, atualmente, no período de 7 a 15 dias de idade (sugestiva de E.coli). A mortalidade no período de aleitamento caiu drasticamente. A tabela 1 mostra a evolução na taxa de mortalidade nos primeiros 30 dias de vida, de setembro de 2011 a maio de 2012.

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Vacas

O sistema de produção da fazenda é semi-confinado, sendo principalmente a pasto nos meses de verão e confinamento em piquetes nos meses de seca. Atualmente, 30% das vacas estão em pastejo irrigado e está sendo implantada uma nova área de 35ha, com pivô, que permitirá que 100% dos animais sejam mantidos em pasto durante todo o ano. A dieta das vacas em lactação é composta principalmente de cana, canarana, cevada, milho e soja.

A fazenda conta hoje com 638 vacas Girolando em lactação, sendo 80% 1/2 sangue e 20% 3/8. A produção diária de leite é de 8.500 litros, com uma média de 13,1 litros vaca/dia. O rebanho é bem jovem, com uma média de 1,8 partos por vaca.

A fazenda utiliza sêmen sexado, com porcentagem de nascimento de 85%. A taxa de concepção à primeira inseminação é de 57,2%, com um intervalo entre partos de 427 dias.

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Protocolo de aplicação de ocitocina

Para possibilitar a descida do leite na ausência de bezerros, a aplicação de ocitocina inicia-se logo após o parto, ainda na ordenha do colostro, sendo utilizada em todas as ordenhas até a secagem da vaca.

O produto é aplicado na veia mamária, entre o pré-dipping e a colocação do conjunto de ordenha, na dose de 2 U.I. de ocitocina sintética comercial, diluída em 0,8ml de solução de cloreto de sódio a 0,9% (soro fisiológico), utilizando seringas de 1 ml e agulhas de 25X8, que são desinfetadas e reutilizadas.

O custo desse protocolo, levantado em março de 2012, após estabelecimento do novo salário mínimo, inclui todas as despesas (ocitocina, agulha, seringa, solução fisiológica, desinfetante e mão-de-obra com encargos trabalhistas de 1 funcionário exclusivo), e é de R$5,77/vaca/mês.

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